Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Loucura colectiva

 

No rescaldo das eleições americanas e ainda sob os vapores do sortilégio que aconteceu por lá, a euforia alastrou dos americanos aos jornalistas portugueses em reportagem. Acabo de assistir na televisão a duas cenas extraordinárias: uma rapariga americana, emocionada, a beijar a mão a Mário Crespo, e Luís Costa Ribas a dizer que Washington lhe parece o Marquês de Pombal.

 

Alguém que os mande voltar para casa depressa, antes que enlouqueçam de vez...

 

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publicado por Ana Vidal às 01:05
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Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

Bater no fundo

 

Uma típica middle class teenager americana: bonitinha, loira, filha única, mimada, indolente, insolente, a caminho da obesidade a passos largos.

Em suma - uma criaturinha insuportável.

 

Um típico middle class teenager americano, namorado da dita: ar razoavelmente saudável mas apatetado, convencido, feiote, indolente, insolente, magro e borbulhento.

Em suma - uma criaturinha insignificante.

 

Uma típica middle class housewife americana: diligente, puritana, dependente, preconceituosa, opinativa, ignorante, resignada, lamechas, numa batalha perdida com a obesidade.

Em suma - uma criatura frustrada.

 

Um típico middle class male americano: alarve, machão, preconceituoso, ignorante mas convencido da sua superioridade, obeso assumido, todo-poderoso, cruel, ditador.

Em suma - uma criatura perigosa. 

 

***

 

Os pais não gostam do namorado da filha, acham que ela merece muito melhor. O namorado não gosta dos pais dela, e acha que ela tem muita sorte em tê-lo fisgado. A filha defende o namorado (sem grande convicção, diga-se) mas acha que não perde nada em dar o benefício da dúvida a mais alguns candidatos a um lugar no seu coração.

 

E começa o espectáculo: os pais entrevistam vários jovens, à vez - as perguntas de selecção são simplesmente inenarráveis - e cada um deles escolhe o que lhe parece o melhor para a filha. O pai escolhe um troglodita parecido consigo, mas numa versão teen e musculada, porque acredita que ele  "tomará conta da filha" e que não deixará que lhe falte nada, no futuro. A mãe escolhe um invertebrado meloso e supostamente romântico, porque acredita que assim a filha terá sempre ramos de rosas e joelhos em terra, coisa que ela própria jamais soube o que seria.

 

A filha presta-se ao papel de passar algumas horas com cada um dos dois eleitos, que tentará seduzi-la e conquistá-la com as armas que tiver e com as preciosas dicas que os pais lhe facultaram. Os pais ficam no sofá da sala, com o namorado entre eles, assistindo na televisão (e comentando a três...) a evolução desses encontros, filmados em directo. Ouvem-se frases tão extraordinárias como "O filho da puta está apalpá-la toda!" (uma indignação manifestada pelo namorado e logo secundada pelo pai, pela primeira vez concordantes e irmanados no ciúme mais primário), ou "Vêm como ele é romântico? Até a deixou repetir o gelado!", uma frase da mãe, embevecida, que lhe vale dois olhares de absoluto desprezo.

 

Por fim, a princesa tem que escolher o seu príncipe. O namorado, um duque de paus que acredita firmemente no seu trunfo - um conhecimento mais aprofundado -  volta ao baralho, em igualdade de circunstâncias com os dois ases finalistas: o Rei dos Músculos e o Rei das Frases Feitas. A menina, melíflua, aponta os defeitos e qualidades de cada um, reflectindo interiormente na contabilidade mais satisfatória. Por fim, baixa o polegar a dois deles, sem contemplações, e ergue-o ao terceiro, sorridente. Qual deles escolhe? Pasmem: não o namorado, que dizia amar e defendia da injustiça dos pais, não a inflamada lêndea que lhe ofereceu rosas e gelados batendo as pestanas, mas... o egótico brutamontes que era a aposta do pai e que virá a dar-lhe, seguramente, um tratamento parecido com aquele que a mãe recebe desde sempre. Dá que pensar...

 

Esta aberração chama-se "Parental Control" e é um programa de televisão nos EUA. Mais um produto do voyeurismo televisivo, de infindável capacidade imaginativa. Quando eu penso que o modelo está esgotado e que já bateu no fundo definitivamente, há sempre mais um lixo destes que me surpreende. É por estas e por outras que praticamente já não vejo televisão. Tenho plena consciência de que a maior perversão destes reality shows é o facto de serem tão hipnóticos que, sob os mais diversos pretextos, ficamos invariavelmente a vê-los até ao fim.

 

publicado por Ana Vidal às 17:13
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Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Boas intenções

 

Nas notícias da noite, Cavaco Silva despede-se dos atletas portugueses, a caminho da China para os Jogos Olímpicos. Depois de algumas palavras de circunstância (de alento, pronto...), aperta a mão a um dos mais promissores candidatos às medalhas - Nelson Évora - dizendo-lhe: "Boa sorte!"

 

A resposta do atleta é prontíssima: "Obrigado... igualmente!"

 

publicado por Ana Vidal às 21:48
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Terça-feira, 8 de Abril de 2008

Jamé dito


Estive a ouvir, deliciada, as justificações do ministro Mário Lino para as "frases infelizes" (palavras do próprio) que disse, num passado próximo de que todos nos lembramos, sobre a polémica localização do novo aeroporto.
Em entrevista à SIC Notícias, perante uma Ana Lourenço a lutar para conter o riso, Mário Lino voltou a meter os pés pelas mãos ao dizer que "jamé disse jamé", quem o disse foram os autores dos estudos apresentados. Tudo uma confusão dos media, portanto. Quanto à classificação da margem Sul como "um deserto", lá admitiu ter usado a expressão. Mas afirmou ter ficado genuinamente espantado com a repercussão que tais palavras tiveram nos autarcas atingidos e nos habitantes da margem Sul a quem tinha chamado beduínos (esta é minha, não foi ML que disse, claro), já que, no almoço onde a brilhante metáfora fora proferida, ninguém se tinha mostrado minimamente incomodado com ela.
Ora, daqui concluo que Mário Lino conhece mal os portugueses. Em primeiro lugar, a esses almoços e jantares dos políticos vai-se para comer à borla, e nunca para ouvir o que quer que seja. Depois, uma refeição é uma coisa sagrada. Desde que seja farta e bem regada, a benevolência é garantida. Mais depressa os convivas se amotinariam por um bacalhau sem sal ou uma mousse deslaçada do que por uma ofensa, mesmo que fosse às senhoras suas mães.
A seguir, garantiu vir a respeitar religiosamente o período de nojo imposto pela lei antes de aceitar um cargo de administrador numa grande empresa pública ou privada, quando sair do governo. Ou seja, ficamos a saber que já está a preparar a reforma.
Por fim, quando eu já estava a desesperar de encontrar algum interesse no desastrado ministro, algumas características pessoais suas, lidas pela jornalista no teleponto, salvaram-no do abismo sem remissão. Pelo menos aos meus olhos. Parece que Mário Lino é um fervoroso amante de ópera, tem assinatura nos concertos da Gulbenkian e é fumador de cachimbo. Por estas, confesso humildemente que não esperava.
Mas também fiquei a saber que exercita os neurónios nas tabelas do Sudoku, e isso é que me deixou desconfiada: ou treina pouco ou faz batota, porque os resultados dessa intensa actividade intelectual não se viram até agora, jamé...
publicado por Ana Vidal às 23:49
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Segunda-feira, 10 de Março de 2008

Aderência à asneira


Como é possível que Paulo Teixeira Pinto, o todo-poderoso ex presidente do BCP e possivelmente o mais bem pago reformado deste país, diga " a aderência à Causa Monárquica..."???

E que tal um pouco mais de adesão ao português correcto?


(Nota: Acabado de ouvir no Prós e Contras)
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publicado por Ana Vidal às 23:02
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Terça-feira, 4 de Março de 2008

Your House or mine?

Para a Meg
(que, como eu, tem um fraquinho por ele...)
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publicado por Ana Vidal às 00:18
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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008

Tiro ao alvo

Acabei de ouvir, na televisão, uma notícia espantosa: os elementos da PSP vão ser submetidos a um exame de tiro para apurar da sua perícia no uso de armas de fogo. Os que não provarem ter uma boa pontaria ficarão reprovados no dito exame, e consequentemente proibidos de usar armas daí em diante, no seu trabalho do dia a dia. Fiquei perplexa. Conhecida como é a penúria de equipamento destribuída aos guardas - que têm que adquirir, pelos seus próprios meios, fardas, coletes à prova de bala e até as próprias balas - imagina-se o vasto treino que estes homens terão de carreiras de tiro...
Sendo assim, presume-se que grande parte destes efectivos chumbará no exame e ficará sem poder usar uma arma em patrulhas, controle de bairros problemáticos, espaços nocturnos, etc. Some-se a isto a total desautorização de que têm sido vítimas nos últimos anos, mais o galopante número de armas de fogo ilegais em mãos desconhecidas, e o resultado desta medida é fácil de prever. Falta só um novo design de fardas para a PSP, com um alvo desenhado no peito.
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publicado por Ana Vidal às 23:54
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Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

Ah, Tigre!!

Hoje de manhã, divertiu-me uma notícia insólita na televisão, a desviar atenções da novidade pardacenta da remodelação ministerial.
Na Azambuja, imagine-se, andaram tigres à solta! Acompanhei com a maior curiosidade - afinal de contas, sempre é a santa terrinha - a reportagem da SIC Notícias, em que uma jornalista ia descrevendo os acontecimentos in loco, com uma ansiedade compreensível, já que estava no próprio sítio onde se encontrava o último dos dois tigres fugidos do circo Chen, ainda à solta. Às tantas, a nervosíssima repórter - entre mirones, veterinários com tranquilizantes e domadores de circo - dizia esta estranha frase: "O animal encontra-se efectivamente naquilo que aparenta ser de facto uma quinta" (sic).
Humm... aquilo deixou-me intrigada. O que será um sítio que "efectivamente aparenta de facto" ser uma quinta, e não o é? Vi-me, de repente, transportada para uma inquietante twilight zone ribatejana. Depois de instalada a dúvida, todo o cenário se altera. Quem sabe, até, o animal à solta também "efectivamente aparentasse ser de facto um tigre", e não o fosse? Talvez fosse um gato, afinal. Na Azambuja, é bicho que não falta.
De circo, portanto, continuamos a estar bem servidos. O pão é que continua a faltar...

publicado por Ana Vidal às 10:53
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Domingo, 20 de Janeiro de 2008

Kids are a girl's best friends

That's why some of us have to get great boobies and nice legs... no matter how!

publicado por Ana Vidal às 11:56
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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

He's back, ladies!


Aí está ele de novo, numa nova série de episódios (a 4ª, para já).
Por enquanto só na Fox, às segundas feiras à noite.
Por mim, já tenho lugar cativo. Na primeira fila, claro.
publicado por Ana Vidal às 01:11
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Sábado, 10 de Novembro de 2007

Aperta o papo

Pelas notícias da televisão, acabo de saber que Portugal já tem as suas máfias nocturnas, infelizmente bem organizadas e ameaçadoras. Pena que a tão apregoada segurança portuguesa, que fazia deste país uma espécie de paraíso na Europa, comece a desvanecer-se e a dar lugar a uma criminalidade cada vez mais frequente, de consequências cada vez mais graves. Pena. Era muito boa a sensação de poder sair sem medo (mesmo sozinha) a qualquer hora, de qualquer lugar da noite lisboeta. Isso, dizem-me, está a começar a tornar-se impossível.
Mas o que mais me chamou a atenção na notícia (desculpem, tenho um fraquinho pelo ridículo...) foi o nome do mais perigoso gang da noite alfacinha: "Aperta o papo"!!! Mesmo a despropósito, não consegui evitar uma gargalhada. Lembrei-me daquela velha cantiga, que dizia qualquer coisa como "Ó Zé aperta o laço, que o laço bem apertado, ai, ó José, fica-te bem" e imaginei logo uma cena do gang em acção, os mafiosos de lacinho ao pescoço e farpela domingueira, como se tivessem saído de um filme do António Silva ou de uma revista do Bordalo. Ou talvez, melhor ainda, assim como uns sucedâneos do Dâmaso Salcede do Eça, emproados e oleosos, com gestos falsamente elegntes e pose saloia.
Não sei porque carga de água um gang que pretende intimidar e dar-se ao respeito, vai escolher um nome destes. É ridículo. Dá, às vítimas, vontade de rir!
Tenham lá paciência, tudo menos "aperta o papo"! Só mesmo os portugueses, que não têm jeito para a violência (a não ser a caseira, bem regada a bagaço). Assim não metem medo a ninguém...

publicado por Ana Vidal às 18:37
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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

Berardo's TV Show


Notícia de última hora
Tendo em conta a espectacular e inesperada subida de audiências do programa Prós e Contras, a administração da RTP acaba de mudar-lhe o formato a título permanente: a partir de agora, Joe Berardo será o Contra residente fixo (o contrato acaba de ser selado nos bastidores do auditório da Casa do Artista, com espumante levado pelo próprio), que enfrentará diversas equipas de Prós, cuja selecção deverá obedecer a um único e imprescindível critério - a esmerada educação dos seus membros.
Fátima Campos Ferreira poderá continuar a apresentar o programa, na condição de admitir levar uma ou outra chapada de vez em quando, assim como alguns apalpões e gritos ocasionais. Um novo elemento será ainda adicionado à equipa técnica: um intérprete.
Se o novo formato vier a confirmar o êxito indiciado pelo programa zero de hoje, a RTP pondera alterar o nome do programa para Berardo's TV Show.
publicado por Ana Vidal às 23:23
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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007

Auto-baralhação


No zapping que fazia agora mesmo, apanhei a seguinte frase extraordinária, dita por um concorrente adulto num concurso em que, aparentemente, estes se batem com crianças (??!!) em perguntas e respostas:
"Já pensei tanto que já me baralhei a mim próprio".
Ganhou a criança, claro. E a gargalhada que deu, ainda sem filtros nem cerimónias, foi completamente merecida.
publicado por Ana Vidal às 22:27
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Terça-feira, 23 de Outubro de 2007

Uma stôra especial


Ao fim de três dias de uma gripe que me deixou completamente afónica, e sem conseguir melhorar nada, rendi-me: trouxe o trabalho mais importante que tinha em mãos e fiquei em casa, "no choco". E, já que o fiz, reclamei tudo aquilo a que se tem direito nestas situações: torradas e chá com mel, um colar de algodão embebido em álcool para manter a garganta quente, xarope de cenoura (tudo isto são mezinhas da minha mãe, que por acaso até era médica...) e, last but not the least, a deprimente visão dos famigerados programas de televisão para donas de casa e reformados. Aguentei, afundada numa apatia de febre e ben-u-rons, quase duas horas de indescritíveis conversas e cantorias várias. Mas, quando já estava quase a cortar os pulsos, uma professora de português do ciclo preparatório salvou-me a vida. E o dia.
Tive a sorte e o privilégio de ter tido excelentes professores no ciclo (na altura chamava-se liceu). Vêm-me logo à memória alguns nomes, assim que penso nisso: Mariana Ginestal Machado, José Pita Soares, Manuela Geada, Luís Mourão, e tantos outros de quem retive melhor a figura do que o nome. Um desses casos foi, exactamente, uma fantástica professora de português, magra e esquálida, que de imediato foi baptizada de "Maria Ninguém" por associação com a personagem do Frei Luís de Sousa, que fazia parte do programa. Não me lembro do seu nome verdadeiro por essa razão, mas nunca mais esquecerei as suas aulas, transformadas em palcos empolgantes que ela improvisava, apaixonadamente, sempre que os textos se prestavam à representação. A essa professora devo, em grande parte, o meu gosto pelo teatro e pelos livros.
A professora que ouvi hoje na televisão - a propósito das conclusões sobre a implementação do Plano Nacional de Leitura - lembrou-me muito essa "Maria Ninguém", mas tem ainda muito mais valor, porque manifesta a mesma paixão por uma profissão que exerce em circunstâncias incomparavelmente mais adversas. Foi comovente o seu testemunho, a entrega total, o entusiasmo inquebrantável perante todas as dificuldades que encontra diariamente. E são muitas. Todos sabemos as dramáticas condições em que os professores ensinam hoje em dia, logísticas e psicológicas. É quase um milagre que consigam manter a sanidade mental, quanto mais o prazer de ensinar. Este caso - o de alguém que ensina a "língua mater dolorosa" há mais de 30 anos, e com a mesma paixão, é especialmente raro. De tal maneira ela foi eloquente que recebeu como prémio, de surpresa, o telefonema de um antigo aluno (hoje psicólogo), também ele comovido e declarando-se agradecido para sempre à sua antiga professora.
Mas talvez o que mais me impressionou nesta entrevista tenha sido o total desassombro desta mulher: ainda no activo, deu a cara e chamou "os bois pelos nomes", pondo o dedo numa eterna ferida, ao acusar de mediocridade e saloice os autores de programas pedagógicos completamente desadequados, que levam os alunos a afastar-se do prazer da leitura e os impedem de apreciar devidamente, mais tarde, as obras que são obrigados a estudar quando ainda não têm maturidade nem capacidade para entendê-las. Corajosamente, citou Pessoa ao classificar de "baba pedagógica" a infantilidade de alguns conteúdos, outro erro de que sofrem os programas. E acabou com uma frase com a qual concordo em absoluto: não há "disciplinas papões", o gosto ou o desinteresse dos alunos pelas matérias dependem sobretudo da forma como o professor as transmite, e da sua afectividade por essas matérias. Grande stôra!

publicado por Ana Vidal às 21:37
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Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007

Hillaryante

As permanentes e sonoras gargalhadas de Hillary Clinton, às vezes um tanto despropositadas, levam os americanos a pensar se ela quererá (re)conquistar a Casa Branca rindo dos eleitores.
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publicado por Ana Vidal às 10:21
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Domingo, 14 de Outubro de 2007

Futebol poético


Hoje o meu dia amanheceu com poesia. Futebolística.
O comentador desportivo da televisão debitava estas pérolas de sensibilidade poética, verdadeiras trouvailles dignas de um clássico: "Mas a bola negou-lhe o intento, e preferiu o ferro", ou " Na segunda parte, o dois a zero ainda pairava no ar", ou ainda "Surgiu da bruma do meio-campo, imparável".
Estas foram só algumas, as que consegui fixar. Escrevo-as aqui para memória futura, ou para fazer um brilharete com elas quando quiser escrever um poema. Qual Rimbaud, qual quê!...
publicado por Ana Vidal às 12:37
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Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007

Basta!


Aplaudo, sem reticências nem pruridos, a atitude de Santana Lopes na SIC. Alguém tinha que fazer o que ele fez, um dia qualquer. Alguém tinha que mostrar-se ofendido com uma atitude ofensiva como esta que o levou a levantar-se e sair do estúdio, em directo. Todos os dias assistimos a estes absurdos televisivos: interrompem-se convidados a meio de uma frase para saltar para uma qualquer notícia de futebol, por mais insignificante que seja. Esta era-o, claramente: a chegada de um treinador de futebol ao aeroporto, vindo de um sítio qualquer e a propósito de nada.

Alguém tinha que tomar uma atitude que demonstrasse o disparate dos critérios que as televisões adoptam por causa da guerra de audiências. Quantas vezes já nos fizeram engolir, como notícia de abertura de noticiário, a publicidade mais descarada aos programas de entretenimento dos canais? Quantas vezes já vimos interromper directos interessantes com patetices sem explicação, fazendo perder o fio à meada a quem estava a desenvolver um raciocínio e a nós, que o seguíamos? Mas o poder dos media é tão grande que ninguém se atreve a afrontá-lo, com medo de perder a hipótese de ser de novo convidado (e de novo interrompido, muito provavelmente). Só Pedro Santana Lopes, que, valha a verdade, nunca primou por atitudes politicamente correctas, teve a coragem de dizer "basta!".

Sei que se vai dizer que é mais uma forma de PSL chamar as atenções para si próprio, que é uma birra "à Santana", etc. Como queiram. Desta vez tiro-lhe o chapéu, porque fez o que tinha que ser feito, fosse por quem fosse. Só tenho pena que não tenha sido outra figura, com maior credibilidade e com menos telhados de vidro, a impor algum respeito às televisões. Mas a verdade é que Pedro Santana Lopes - de vez em quando e entre muitos tiros no próprio pé - dá uma lição de coragem aos seus maiores críticos.
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007

Mais do mesmo


Maria Elisa vestiu-se de alta toilette (seguir-se-ia uma festa em Buckingham?) para, do alto da autoridade que lhe conferiram meia dúzia de anos em Londres, conduzir um debate de reais banalidades sobre a realeza britânica. O mote é o estafado, esgotadíssimo assunto do momento (aliás, o assunto de todos os momentos desde há 10 anos, sempre que se quer fazer subir audiências nos media): a morte de Diana.
A conversa é a mesma de sempre: o mito, a traição, a beleza, a infelicidade, a incompreensão, a monarquia versus república. Mas o tema é tão consensual que a moderadora se sente na obrigação de lembrar a um dos participantes: "Olhe que pode discordar à vontade!...".
Os convidados aplicam-se, ainda tentam dizer alguma coisa interessante que ninguém tenha dito até hoje: missão impossível. Em 10 anos, tudo já foi dito.
Blá, blá, blá. Ridículo. Bocejo à terceira frase. À quarta, desisto. Fico a pensar no que fará Jorge Coelho naquele painel.
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Domingo, 2 de Setembro de 2007

Amor vermelho


A silly season despede-se com chave de ouro: na aparente ausência de notícias com o mínimo de interesse, a televisão filma e entrevista um rapaz que pinta de branco a parede de um stand, nos preparativos para a festa do Avante.
A namorada do rapazinho, babada e orgulhosa, chama a atenção do repórter para a gracinha que fez: "Não querem filmar as costas dele? Vejam o que eu escrevi lá". A câmara obedece-lhe: a palavra AMO-TE foi pintada à trincha, com a tinta da parede, ao longo da coluna do solícito pintor voluntário da JC.
E pronto: ficamos a saber como é lindo e criativo o amor comunista.
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publicado por Ana Vidal às 11:33
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Segunda-feira, 27 de Agosto de 2007

Triplos parabéns


A Nelson Évora, pelo impressionante triplo salto que lhe deu o lugar de campeão do mundo, nos Mundiais de Atletismo que estão a decorrer em Osaka. Não contente com isso, ainda acrescentou 23 cm ao seu próprio record anterior.
Foi das poucas vezes em que vi as televisões darem tanto tempo de antena (em horário nobre, entenda-se) a outro desporto que não seja o futebol. É preciso que os nossos atletas conquistem medalhas de ouro internacionais para terem direito à atenção dos telejornais. Em contrapartida, qualquer arranhão em joelho de futebolista pode dar horas de polémica em todos os canais...


Nota: Nelson Évora tem as suas raízes em Cabo Verde. Será da família de Cesárea Évora?
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publicado por Ana Vidal às 23:41
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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2007

Azares


Hoje de manhã fazia muito vento aqui e a chuva ameaçava despencar do céu a qualquer momento. Preparei-me para sair de casa com a sensação de estar a meio do Outono ou nos primeiros dias de uma Primavera fresca, ainda incipiente. Onde está o Verão? Onde estão os dias de sol farto, a pedir banhos de mar? Ainda bem que estou a trabalhar e não de férias, pensei. Pobres dos portugueses que alugaram casas de praia ou espaços em parques de campismo, e têm que inventar actividades para se entreterem debaixo de tecto, para não acabar tudo numa enorme discussão familiar.

No Bangladesh e na Coreia do Norte, as inundações estão a fazer centenas de milhares de desalojados. As chuvas de Verão dos últimos dias destruíram pelo menos 800 edifícios públicos, 540 pontes, linhas de caminho-de-ferro e milhares de hectares de campos de cultivo. A fome e as epidemias alastram.

Mal cheguei à garagem, lembrei-me de que tinha deixado as chaves do carro no 4º andar. Bolas, porque é que sou tão distraída? É raro o dia em que não tenho de voltar para trás, por uma razão qualquer: as chaves, o telefone, um papel importante, qualquer coisa que me atrase e me faça sentir estúpida logo de manhã. Voltei ao elevador, em sentido contrário. A rogar pragas a mim mesma.
O sismo no Peru é o maior dos últimos 50 anos: já provocou mais de 500 mortos e espalhou o caos em cidades como Pisco, uma das mais atingidas, onde as ruas estão pejadas de cadáveres.
A caminho do escritório, já na estrada, o trânsito estava pior do que o costume: um acidente numa das rotundas. Só chapa, nada de importante, ninguém se magoou. Mas entre os mirones ociosos e divertidos, os dois condutores discutiam aos gritos e quase chegaram a vias de facto. Depois lá chegou a polícia, acalmaram os ânimos. Finalmente, o trânsito recomeçou a circular. Uff, que stress!
Os quatro atentados de terça-feira no Iraque são já os mais violentos e sangrentos da história do país, desde a invasão norte-americana, em 2003. Segundo os últimos balanços oficiais, feitos ontem à tarde, foram já extraídos dos escombros, pelo menos, 250 mortos e 350 feridos.

Como uma desgraça nunca vem só, a reunião que eu tinha hoje à tarde foi adiada sine die, o que significa, muito provavelmente, que o negócio não se fará. A desculpa é Agosto, mau mês para decisões importantes, mas palpita-me que houve um recuo. Más notícias, era uma aposta que eu achava já estar no papo. E o trabalhão que já tive com isto?! Bom, avancemos, não vale a pena chorar sobre leite derramado. Mas não consegui fazer muito mais: os telefones estiveram avariados uma boa parte da tarde, assim como o ar condicionado. Há dias em que mais vale não sair de casa.

Após uma canícula com uma duração sem precedentes, que matou nove pessoas no país, a Grécia enfrenta uma vaga de incêndios, que já fizeram dois mortos no centro do país e chegaram ontem à noite às portas de Atenas.

Cheguei a casa irritada e tensa, morta por relaxar um bocadinho antes do jantar. A propósito, havia que fazê-lo, entretanto. Se ao menos tivesse uma empregada interna, ou uma varinha mágica que fizesse tudo por mim! Mas não tenho nada disso. Fui para a cozinha com um suspiro, preparei tudo e finalmente voltei à sala, ao meu sofá preferido. Recostei-me, estiquei as pernas, liguei a televisão. Com tudo isto, estava na hora do telejornal. E ouvi as notícias de hoje...
publicado por Ana Vidal às 23:28
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Sábado, 30 de Junho de 2007

Burricada no deserto


Acabo de ver nas notícias da noite que os habitantes de Almada trocaram, por um dia, o seu transporte habitual pelo saudoso burrico, tão português. Só para evocar velhos tempos, em que estrangeiras enchapeladas e vestidas de folhos e rendas sentavam os traseiros turistas em albardas lusas, e assim se deixavam maravilhar pela paisagem verdejante e o mar azul da nossa Caparica.
Mas tudo isso foi antes do big bang fatal, que transformou a margem sul no deserto que é hoje. Agora, infelizmente, só o camelo aguenta a travessia árida das areias escaldantes que se estendem até à entrada da ponte.
E foi por isso, afinal, que os burros passaram a ser uma raça em extinção.
publicado por Ana Vidal às 22:31
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Pedro Silveira Botelho
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Luísa
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“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez."

(Jean Cocteau)

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