Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

Beatriz Batarda

 

Eu sei que sou, frequentemente, um tanto hiperbólica nas minhas apreciações de manifestações artísticas. E também sei a razão. É simples: o que não me impressiona fortemente, de forma positiva ou negativa, não me merece registo no blogue nem sequer na memória. A mediania passa por mim tranquilamente, atravessando-me o cérebro e o coração sem se deter ou deixar rasto. Só o que realmente me faz vibrar, me arrebata ou me ofende, me apaixona, comove, insulta ou, em suma, muda irremediavelmente alguma coisa em mim, me merece referência e me desafia a partilhar com outros a emoção vivida. E quando isso acontece, é natural que os superlativos invadam o meu discurso.

 

Tudo isto serve de introdução a mais um inflamado elogio que trago hoje aqui: desta vez à actriz Beatriz Batarda, que fui ver ao Teatro da Cornucópia. A peça "De homem para homem" é um texto que não me entusiasmou por aí além (já esgotei o tema, francamente, há anos...), mas o longo monólogo tem o enorme mérito de permitir a uma actriz exibir os seus talentos de A a Z: sozinha em palco, com uma tarefa homérica pela frente, ou é excelente ou a coisa transforma-se num suicídio artístico. Beatriz Batarda é excelente, e mais ainda. Agarra-nos pelos colarinhos logo de princípio e depois arrasta-nos com ela por todos os registos possíveis em que um actor pode exprimir-se, sem nos deixar respirar sequer. Imperdível. Aconselho sem hesitações, mas despachem-se: a peça só estará em cena até ao dia 5 de Outubro.

 

Beatriz Batarda ainda é muito nova e já deu provas inequívocas de grande talento, tanto em teatro como em cinema. Por enquanto, ainda nos referimos a ela como "Beatriz Batarda", mas um dia - não tenho dúvidas - conquistará o pleno direito a ser "A Batarda". Esse tratamento está reservado apenas aos melhores, aos que ficam para a História, e ela merece-o inteiramente.

 

 

publicado por Ana Vidal às 23:08
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Sábado, 21 de Junho de 2008

Send in more clowns

Não são só as conversas que são como as cerejas. As canções também. Ontem deitei-me com Send in the clowns e hoje acordei ainda embalada por ela. Fui procurá-la em outras versões e esscolhi estas duas (há imensas), que também me enchem as medidas. Vozes que são instrumentos bem afinados, preciosos, convincentes.

 

A primeira, na voz especialíssima de Barbra Streisand. Há sempre nela a melodia e a interpretação cénica. E não posso deixar de sublinhar também o bom gosto com que se veste sempre: o vestido é tão sublime como a voz.

 

 

A música é como as cerejas, dizia eu. Pois bem, se falamos de interpretação cénica vamos fatalmente desembocar num palco. E quem melhor do que Dame Judi Dench para "mandar vir os palhaços", com classe e dramatismo insuperáveis? E a senhora até canta, Santo Deus! Deliciem-se.

 

publicado por Ana Vidal às 11:14
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