Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

Jardim encantado

Depois de dez anos em obras (!!!), abriu ontem ao público, finalmente, um dos reinos encantados da minha infância: o Jardim da Preta. Fica no Palácio Nacional de Sintra (o "Palácio da Vila") e merece uma visita. Está aberto entre as 10:00 e as 17:00 horas, todos os dias, e é gratuito para os residentes no concelho. É uma boa sugestão para uma tarde de domingo soalheira, como as que temos tido neste Outono glorioso.

 

 

 

 

(Nota: Agradeço a informação ao senhor Adriano Filipe, que, sem me conhecer, simpaticamente ma enviou por e-mail, provavelmente por ter lido o meu post antigo aqui na Porta do Vento).

 

publicado por Ana Vidal às 11:07
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Terça-feira, 28 de Outubro de 2008

Luzes da ribalta

 

Dois dias seguidos, dois belíssimos filmes que finalmente consegui ver: Caramel e Irina Palm.

 

Do primeiro (um filme libanês) direi que poderia ser um Almodôvar, apenas um pouco mais exótico. Apaixonada como sou pelo espanhol-maravilha, não posso fazer-lhe maior elogio. É um filme de mulheres e para mulheres, devo no entanto avisar. Não digo que não haja homens que o saibam apreciar, mas não é para todos.

 

O segundo (uma co-produção de 6 países) tem, além de um argumento originalíssimo, uma surpresa adicional: a cantora Marianne Faithfull como protagonista, numa  interpretação inesquecível.

 

Ambos são de 2007.

Ambos são de uma sensibilidade notável.

Ambos foram premiados e louvados internacionalmente.

Ambos nos deixam a "olhar para dentro", um dos efeitos de que mais gosto num filme.

Ambos falam de valores que andam muito esquecidos hoje em dia: generosidade extrema, entrega, despojamento, solidariedade.

 

Assim, vale a pena ver cinema.

 

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publicado por Ana Vidal às 23:57
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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

Sorrisos

 

 

Este belo post do Paulo Cunha Porto, no Corta-fitas, lembrou-me uma animadora e muito verdadeira frase que todos deveríamos ter sempre presente:

 

"Um sorriso é uma maneira económica de melhorar o teu aspecto."

 

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publicado por Ana Vidal às 20:13
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Sábado, 20 de Setembro de 2008

Sortes

 

Tive a sorte de apanhar hoje, por acaso, um programa do canal Mezzo dedicado a Maxim Vengerov, considerado o maior violinista da actualidade e um dos maiores de todos os tempos. Foram quase três horas da melhor música, tocada com um virtuosismo raro por um homem simples, humilde e de uma simpatia contagiante. Um músico de tal maneira extraordinário que corre o mundo a ensinar a sua arte a jovens violinistas que demonstrem  talento e muita vontade de aprender. Por esta generosidade rara num músico do seu nível, foi nomeado embaixador da Unicef para a música.

 

Mas tive outra sorte ainda maior, há cerca de quatro anos (sou uma mulher de sorte, reconheço-o sem qualquer hesitação): a de tê-lo visto e ouvido ao vivo - numa sala do Palácio de Queluz - num inesquecível e restrito recital que precedeu as audições que vinha fazer a jovens portugueses. Por muitos anos que viva ainda, sei que não se apagará da minha memória a lembrança desse fim de tarde mágico.

 

Maxim Vengerov, pelo seu lado, teve a sorte de nascer na Rússia, um país que - com todos os terríveis defeitos que possamos apontar-lhe - sempre soube reconhecer e dar oportunidades aos seus talentos. Das mãos grandes, rudes e aparentemente desajeitadas deste camponês da Sibéria (até hoje não perdeu esse arcaboiço rural, que contrasta estranhamente com a delicadeza da sua sensibilidade) saem sons sublimes que julgamos impossível serem extraídos de um instrumento musical. Mas o instrumento que ele toca não é um violino qualquer. Vengerov teve também outra sorte: por ser de tal maneira especial foi-lhe oferecido, por uma mecenas japonesa multimilionária, um dos raríssimos Stradivarius que a senhora acabara de adquirir num leilão em Nova Iorque. O gesto foi de uma generosidade  imensa (os valores a que ascendem estes violinos são astronómicos), e o argumento que ela apresentou revela uma sensibilidade rara: preferiu saber a sua preciosidade entregue em mãos que a merecessem e a fizessem reviver, do que tê-la exposta, inerte, numa vitrine ou num cofre de banco. Chama-se Ex-Kreutzer (os Stradivarius são tão poucos que todos têm nome) o pequeno violino barroco cor de mel, que parece às vezes não aguentar as emotivas interpretações do seu dono.

 

Escolhi estes sete videos, encontrados no You Tube, resistindo à tentação de colocar aqui outros tantos. Os primeiros revelam o virtuosismo de uma criança e de um jovem músico, os seguintes o esplendor da sua maturidade musical. E o último mostra a faceta humana de um artista verdadeiramente excepcional. Espero que gostem, pelo menos tanto como eu.

 

(Sonata - Bach)

 

(Caprice - Paganini)

 

(Concerto - Dvorak)

 

(Caprice - Saint-Saens)

 

(Violin Concertos - Mozart)

 

(Vocalise - Rachmaninov)

 

(Masterclass)

 

(Nota: Com excepção de dois deles, os videos são de curta duração)

 

 

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publicado por Ana Vidal às 19:20
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Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

Pnet Literatura


 
Acabo de saber, por uma circular do PEN Clube Português, da existência de um novo espaço literário virtual: O site/blogue Pnet Literatura
 
Ainda não tive tempo para explorá-lo como gostaria, mas aplaudo desde já a sua criação. São sempre bem-vindas estas iniciativas.
 
Além disso, esta está muito bem entregue: quem dirige o Pnet Literatura é o Luís Carmelo, cuja competência nestas lides é inquestionável.
 
 
publicado por Ana Vidal às 17:29
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Sábado, 19 de Julho de 2008

Amar Lisboa

 

Mesmo estando a viver noutro sítio agora, Lisboa é uma cidade que eu amo. Sempre que lá vou apetece-me ficar, mesmo sabendo como está insuportável a vida na capital. Diz-me quem lá vive actualmente que a qualidade de vida se tem degradado a olhos vistos, e que a beleza das sete colinas, banhadas por aquela luz única (só encontrei parecida em Istambul) não chega para aliviar a tensão do trânsito caótico, do stress diário, do estaleiro permanente em que a cidade se transformou. Tenho pena de ouvir isto, tanto mais que sei ser uma verdade incontestável.

 

Eu tenho o melhor de Lisboa: vou disfrutando-a em doses moderadas, nos melhores dias e horários e muitas vezes com objectivos puramente lúdicos. Bem sei, bem sei: assim é fácil dizer-se que Lisboa é uma das mais atraentes cidades do mundo. Mas não me canso de contar uma história que aconteceu comigo: há uns anos, em Itália, perguntei a uma florentina qual era a sensação de viver naquela cidade mágica, seguramente uma das mais belas do planeta. Ela respondeu-me simplesmente, com um sorriso espantado: "devias saber, vives em Lisboa"...

 

Tudo isto para dar-vos a conhecer um blog que descobri recentemente e que mostra a outra face de Lisboa: o abandono, a incúria, tudo o que ainda falta fazer para dignificar a cidade como ela merece. Lisboa S.O.S. é um sítio de visita triste para quem a ama como eu, mas pode ser muito útil. Há que agitar consciências. Se não o fizermos nada mudará, nunca.

 

publicado por Ana Vidal às 11:10
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Domingo, 16 de Março de 2008

Sintra revisited - 2

Mais um passeio a pé por Sintra, neste Domingo de sol tímido.
A Correnteza, sempre o ponto de partida. Hoje animada pela quinzenal feira de velharias, (pobrezinha, mas honrada)

A minúscula capelinha de N. Sª da Pena, escavada na rocha, que nos servia de esconderijo perfeito quando brincávamos "às escondidas". Agora está invadida por flores de plástico e velas (também de plástico) de loja chinesa, tristes presentes a agradecer graças concedidas.

No alto, impossível de ignorar, o Castelo dos Mouros, uma imponente presença a lembrar os visitantes que já aqui estava antes de tudo o resto.

O velho Lawrence's, agora impecavelmente restaurado, ainda respira as histórias queirozianas que lhe ficaram, para sempre, impregnadas nas paredes.

Mesmo ao lado, a Casa-Museu Ferreira de Castro (olá, vizinho!)

A porta lateral da Igreja de S. Martinho da Vila, engalanada de palmas para a Páscoa que se avizinha.

O simpático Hotel Netto, ou o que dele resta. Faz dó o abandono em que está hoje: uma lixeira imunda em plena Vila, mesmo ao lado do Palácio. Lembro-me bem de vê-lo limpo e arranjado, orgulhoso de tão nobre vizinhança. (esta é em sua honra, amigo Réprobo)

O vizinho Jardim da Preta, já dentro do Palácio, o meu "país das maravilhas" preferido, onde brinquei tantas e tantas vezes. Merece destaque especial, por isso não me alongo mais aqui.

A incontornável Piriquita, templo maior da doce tetralogia de Sintra (Preto/Sapa/Piriquita/Gregório), afundada em território de turistas caça-souvenirs, entre bordados e azulejos. É um verdadeiro sacrilégio, para quem vem à Vila velha, deixar de ir à pátria dos travesseiros comer ao menos um, sempre a sair do forno.

O velho ringue de patinagem onde ensaiei as primeiras piruetas "artísticas" sobre rodas, que me renderam alguns aplausos e um ou outro namorado, uns Verões mais tarde, no Parque de Santa Marta, na Ericeira. Aqui havia também (não sei se ainda existem) exposições caninas muito concorridas.

Uma maternidade de hortênsias no Parque, prontas para enfeitiçar ainda mais os olhos dos visitantes, já saturados de tanta beleza.

Sintra é, sobretudo, isto: uma bebedeira de verdes, pedras musgadas e águas cristalinas, tudo envolvido numa incomparável aura de mistério.

Mas é também o insólito, à espreita em cada recanto.

E finalmente a bela Adraga, secreta e misteriosa. Um desses lugares tão especiais que dele se poderia dizer, como em Casablanca: "Teremos sempre... a Adraga!". Aqui nos espera, em qualquer estação do ano, um peixinho fresquíssimo e a mais revigorante maresia.

(aqui já fui de carro, nada de batotas...)

Até à próxima.

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publicado por Ana Vidal às 17:16
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Quinta-feira, 13 de Março de 2008

Sintra revisited - 1

Agora que o tempo melhorou um bocadinho (aqui está frio, mas, desde que haja sol, não me importo) retomei o meu velho hábito de andar a pé. Fazia-o diariamente, bem cedo ou ao fim da tarde, no paredão Estoril-Cascais - quase 6 Km, mas sempre planos. Agora, ao mudar-me para Sintra, tenho que encher-me de coragem para as contínuas subidas e descidas que me esperam por todo o lado, o que torna o exercício mais difícil e cansativo. Mas também mais estimulante. E aproveito para revisitar muitos dos locais da minha infância, onde há muito tempo não passava a pé (de carro é completamente diferente).
Nesse aspecto, Sintra é, toda ela, um verdadeiro paraíso perdido. Há locais que se mantêm secretos e quase desconhecidos dos turistas, outros perderam-se irremediavelmente na voragem do progresso e estão irreconhecíveis. A verdade é que descobri neste jogo de redescobertas um prazer enorme, feito de emoções e de surpresas. Vou fotografando recantos e pormenores, com a sensação renovada de viver uma aventura, como quando era miúda e as muitas lendas da serra, do castelo dos mouros e do palácio da Vila me levavam ao rubro a imaginação, já de si atreita a fugas.
Proponho-me desvendar aqui alguns desses pequenos prazeres, sempre que puder. Do meu passeio de ontem, aqui ficam as primeiras imagens que recolhi, ao calcorrear a Volta do Duche, desde a Correnteza ao Parque Valenças.

A Correnteza, com a estátua do Soldado Desconhecido ao fundo, onde esfolei os joelhos a aprender a andar de bicicleta. Muitas e boas recordações deste espaço, que continua igual.

A nova Biblioteca Municipal de Sintra, uma vizinha simpática mas que acabou com o estacionamento fácil por aqui.

A SAPA, com as suas míticas queijadas (os musts gastronómicos de Sintra, em versão doce, obedecem a esta tradição inalterável: queques no Preto, queijadas na Sapa, travesseiros na Piriquita e pasteis de nata no Gregório).

O Palácio da Vila, omnipresente e majestoso.

A Casa de Chá da Raposa, mágico e irresistível bric-a-brac onde tudo está à venda, até as cadeiras e as mesas onde nos sentamos, e além disso um refúgio romântico ideal para um chá com scones e bolo de chocolate, para qualquer paixão (clandestina ou não) que se preze.

O portão do Parque Valenças, hoje chamado Parque da Liberdade (embora lhe chamássemos simplesmente O Parque e ali gozássemos de toda a liberdade do mundo, muitos anos antes de ter mudado de nome).

A fonte da Volta do Duche, de inspiração mourisca, quase a chegar à Vila.

O Café Elite, onde o meu avô tinha uma mesa cativa para uma tertúlia diária com amigos, ao fim da tarde. Hoje é também uma espécie de supermercado e perdeu toda a mística desses tempos. No lugar da tal mesa, à janela, está uma arca de gelados...

E, finalmente, a vista da janela onde escrevo estas palavras. A fotografia não lhe faz inteira justiça, mas foi o que saíu.

Por hoje é tudo, com as desculpas pela má qualidade das imagens (a fotografia não é, definitivamente, uma arte que eu domine...).

publicado por Ana Vidal às 11:01
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Sábado, 17 de Novembro de 2007

Campista ilustre

Preocupa-me o dilema de protocolo do MNE com o local onde instalar a tenda de Kadhafi, já que o homem recusa dormir debaixo de telha. Por isso, aqui fica o meu humilde contributo para resolver o problema que tanto atormenta a Missão da Presidência da UE: uma lista dos parques de campismo do distrito de Lisboa. Todos com águas correntes, quentes e frias. Até junto os números de telefone para uma reserva prévia, não vá dar-se o caso de não haver vaga. Se nenhum destes servir, talvez o INATEL. Pronto, pronto, não me agradeçam. Temos que ser uns para os outros.

 
Alenquer
Alenquer Camping
263 733 224
 
Cascais
Guincho (Orbitur)
214 857 019
 
Ericeira
Mil Reguengos (Parque Municipal)
261 862 513
 
Lisboa
Lisboa Camping
217 623 100
 
Lourinhã
Areia Branca (Parque Municipal)
261 412 199
 
Mafra
Sobreiro
261 815 525
 
Sintra (Colares)
Praia Grande
219 290 581
 
Vila Franca de Xira
Vila Franca de Xira
263 275 258
publicado por Ana Vidal às 23:31
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Domingo, 4 de Novembro de 2007

Sedução na página 161


Por intermédio da Leonor Barros, do Geração Rasca, passou pela Porta do Vento a tal corrente blogosférica da "pág. 161". Antes de mais, agradeço à Leonor o simpático convite, e adiro à corrente com muito gosto. São estas as regras:
1. Pegue no livro mais próximo, com mais de 161 páginas – implica acaso e não escolha.
2. Abra o livro na página 161.
3. Na referida página procure a 5.ª frase completa.
4. Transcreva na íntegra para o seu blogue a frase encontrada.
5. Passe o desafio a cinco bloggers (por minha conta e risco, aumentei para seis).
No livro que estou agora a ler - Como tornar-se doente mental, de J.L. Pio Abreu - a página 161 é uma das 8 da extensa bibliografia, por isso presumo que não conta. Assim, querendo manter as coisas com algum rigor e isenção, resolvi fazer o seguinte: dirigir-me à estante, apalpando as lombadas sem olhá-las, avaliando-lhes a espessura para excluir automaticamente os livros que não tivessem o número mínimo de páginas. O livro em que peguei, por este método, é uma espécie de "3 em 1": Poemas - As Elegias de Duíno - Sonetos a Orfeu, de Rainer Maria Rilke. Curiosamente, a página 161 é... uma fotografia! Assim, olhei para a página par que lhe correspondia, e lá encontrei a 5a frase completa, que é esta:
"mais sedutores que Frine se seduzem a si próprios"
E pronto, passo o testemunho aos seguintes bloggers:
  1. Juro que tenho mais que fazer, da Madalena
  2. O Eldorado, do JP
  3. Dito Assim, do Jayme Serva
  4. Codornizes, do Pedro Cordeiro
  5. Zoo, do JG
  6. Abencerragem, do Ricardo António Alves

publicado por Ana Vidal às 19:13
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Sábado, 13 de Outubro de 2007

A velha


Encontrei esta delícia de texto num dos meus blogs favoritos, um daqueles por onde passo sempre nas minhas deambulações pelo éter: A Curva da Estrada, da Leonor/Papalagui.
Um texto fantástico, no mais puro estilo Almodôvar. Ou talvez, melhor ainda, Ettore Scola, no meu também eterno favorito Brutti, Sporchi e Cattivi.
Não deixem de ler.
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Domingo, 7 de Outubro de 2007

Um mundo perfeito


Acabei agora mesmo de chegar do Algarve, depois de dois dias no paraíso: um sol magnífico de despedida de Verão, uma casa de sonho, amigos maravilhosos e, last but not least, a inauguração de uma exposição de aguarelas de uma originalidade espantosa, num espaço superior que também é obrigatório conhecer - a Galeria São Lourenço. É um programa que recomendo a todos, uma visita a esta exposição da pintora Teresa Calem, artista de alto nível (e também uma anfitriã incomparável).

São caras (muitas delas de grandes dimensões), que nos olham directamente nos olhos, inquiridoras e inquietantes, numa espécie de despedida muda. O tema desta exposição é a figura da mitologia grega Daphne* - embora, a mim, estas figuras frágeis e etéreas sugiram muito mais o imaginário e o universo da mitologia celta - e a sua transformação de ser humano em árvore, no momento exacto em que tem consciência dessa metamorfose. É como um desfile de seres, ao mesmo tempo comuns e míticos, que nos anunciam um tempo futuro: um mundo povoado por uma humanidade muito mais perfeita e em comunhão com a natureza, como o foi já, nos primórdios. É uma despedida, mas também a promessa de uma nova era.

A pureza luminosa, a perfeição das formas e a excelência da técnica de Teresa Calem valem bem, garanto-vos, uma viagem ao Algarve. Estas aguarelas vão ficar expostas até ao final de Novembro, e o único risco de decepção é o de chegar lá e já estarem todas vendidas (grande parte delas foi vendida no dia da inauguração).
Por tanta beleza e tanto carinho num só fim de semana, obrigada, Teresa!
*Nota - Na mitologia grega, Daphne (do grego Δάφνη, que significa "loureiro") era uma ninfa, filha do rei Peneu. Apolo foi induzido a apaixonar-se por ela, por uma flecha de Eros. Mas este acertou em Daphne com uma flecha de chumbo, o que fez a ninfa rejeitar o amor de Apolo, que começou a persegui-la. Cansada de fugir, pediu ao pai que a livrasse daquela difícil situação. Ele, então, transformou-a em loureiro. Apolo, inconsolável, disse: "Se não podes ser a minha mulher, serás a minha árvore sagrada". A partir de então, o deus passou a trazer sempre consigo um ramo de louros.
publicado por Ana Vidal às 20:30
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Sábado, 8 de Setembro de 2007

Bette Davis, the one and only


“Os homens preocupam-se incessantemente e ficam ressentidos por causa da liberdade recentemente adquirida pelas mulheres nas suas carreiras profissionais. O que não sabem é que a Grande Ansiedade é desnecessária. As mulheres nunca foram, não são e nunca serão independentes dos homens que amam. Todas as mulheres sabem disso. Só os homens se mantêm cegos à realidade. Mas não os culpo, afinal essa atitude que não significa submissão é uma decisão da mulher. Não fiquem pois amuados. Dominem se quiserem , as mulheres adorarão.”
(Bette Davis)


Nota: Esta provocação faz parte de um post delicioso e cheio de conteúdo - como sempre - da Meg no seu Sub Rosa, sobre uma das grandes divas do cinema: Bette Davis. Aqui fica a sugestão, como leitura de fim-de-semana. E uma música a condizer. Espero que gostem.

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publicado por Ana Vidal às 17:33
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Quinta-feira, 6 de Setembro de 2007

Nobre linhagem


A Folha Online (Brasil) tem uma interessante colecção que consiste numa série de pequenos livros que abrangem as mais diversas áreas do conhecimento, distribuídas por 73 temas que vão da filosofia à música, da literatura à gastronomia, da moda às novas tecnologias, e por aí fora. Cada um aborda, de forma resumida e em linguagem acessível, o que de mais importante se sabe hoje sobre cada um desses assuntos. A colecção tem o nome de "Folha Explica" e é um útil instrumento de consulta e de pesquisa.
Saliento, a título de exemplo e na secção de Literatura, o volume dedicado ao escritor Graciliano Ramos, sob a responsabilidade de Wander Melo Miranda (professor titular de teoria da literatura na Universidade Federal de Minas Gerais e supervisor do projecto de reedição da obra completa do autor). O primeiro capítulo pode ser lido na página de apresentação do livro, aqui.
Dono de um estilo contundente e directo, Graciliano Ramos é um dos mais importantes autores da literatura brasileira. O escritor reafirma de modo inconfundível em toda a sua obra, cujo interesse estético é inseparável do comprometimento ético, o vínculo entre a literatura e a vida. A leitura dos seus livros recomenda-se a todos os que têm interesse em entender o Brasil e a sua história.
Nota: Para além do seu inquestionável valor, a minha escolha de Graciliano Ramos como exemplo desta colecção não foi completamente inocente. É que o seu neto Ricardo Ramos Filho, o mais recente herdeiro de uma linhagem não interrompida de escritores, é o bloguista Lord Broken-Pottery, meu amigo e habitual comentador da Porta do Vento. Aqui fica a homenagem merecida, milord!
publicado por Ana Vidal às 16:17
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Domingo, 2 de Setembro de 2007

Chocolate

O Cacau Clube de Portugal, uma curiosa associação de apaixonados por chocolate de que sou sócia, vai promover já no próximo mês, em parceria com a Câmara Municipal de Cascais, um conjunto de eventos a que chamou O Chocolate em Cascais.
Aqui pode consultar o programa e encontrar tudo o que quiser saber sobre esta saborosa iniciativa. Haverá conferências, exposições, workshops, demonstrações práticas de como se trabalha o chocolate, degustações (esta é a melhor parte...), enfim, uma variedade de eventos que visam promover o chocolate e ensinar as pessoas a conhecê-lo e utilizá-lo melhor.
Vários hotéis e restaurantes aderiram já a esta iniciativa, ajudando a transformar Outubro no mais doce e requintado mês do calendário.
Aqui fica a sugestão, para os que já são amantes do chocolate. Mas sobretudo para os que ainda não descobriram as suas delícias. Convertam-se. Garanto que vale a pena.

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Quinta-feira, 30 de Agosto de 2007

Limpeza geral


Segundo a revista Visão, parece que António Costa começa hoje a limpar Lisboa.
Boas notícias, portanto.

Uma sugestão: Já que pegou na vassoura com tanta genica, senhor Presidente da Câmara, que tal começar por limpar a casa? Parece que está infestada de parasitas, instalados e de casa posta em tudo quanto é frincha, há tempo de mais.
É que, se os deixa estar, com este calor reproduzem-se que é um caso sério.
Uma desinfestaçãozinha era boa ideia.
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publicado por Ana Vidal às 12:07
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Domingo, 5 de Agosto de 2007

Imagine


Desculpem a insistência, mas ando numa onda de Pedro Guerra. Nada a fazer, é uma coisa recorrente. São óptimas as músicas, as letras e os arranjos, e a voz é desconcertante de tão intimista e sem artifícios.

A verdade é que me dá um enorme prazer ouvir este eterno menino que faz música como gente grande e com gente grande da música (e até uma banda sonora chamada Mararia, para o filme do mesmo nome, que recomendo a todos). Os primeiros cd's - Golosinas, Tan cerca de mi, Raiz e Mararia - continuam a ser os meus preferidos.

Aqui fica a canção "Las gafas de Lennon" (do Golosinas), para todos os que viveram a euforia dos Beatles e de um tempo mágico, em que tudo era possível.

E ainda é, digo eu. Apesar de improvável.
Subam o som e ouçam:
http://www.goear.com/listen.php?v=7427fa0
(tem que ser assim, o GoEar parece que continua de férias)
publicado por Ana Vidal às 13:16
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Sexta-feira, 27 de Julho de 2007

Clarice, a grande


Escolhi estes pequenos trechos de um dos Contos de Clarice Lispector - Os Desastres de Sofia* - que descreve, com suprema mestria, a fantasia aterradora e hipnótica do primeiro amor e da primeira vertigem sensual. Neste caso, tudo inspirado por um professor (fascinado com uma redacção criativa da aluna precoce), e ensombrado por sentimentos de confusão, culpa e vergonha. Deliciem-se com este tratado de psicologia da adolescência:
«Não consigo imaginar com que palavras de criança teria eu exposto um sentimento simples mas que se torna pensamento complicado. Suponho que, arbitrariamente contrariando o sentido real da história, eu de algum modo já me prometia por escrito que o ócio, mais que o trabalho, me daria as grandes recompensas gratuitas, as únicas a que eu aspirava. É possível também que já então meu tema de vida fosse a irrazoável esperança, e que eu já tivesse iniciado a minha grande obstinação: eu daria tudo o que era meu por nada, mas queria que tudo me fosse dado por nada. (...)
Calmo como antes de friamente matar, ele disse:
- Chegue mais perto...
Como é que um homem se vingava? Eu ia receber de volta em pleno rosto a bola de mundo que eu mesma lhe jogara e que nem por isso me era conhecida. Ia receber de volta uma realidade que não teria existido se eu não a tivesse temerariamente adivinhado e assim lhe dado vida.(...)
Ele me olhava. E eu não soube como existir na frente de um homem. Disfarcei olhando o tecto, o chão, as paredes, e mantinha a mão estendida porque não sabia como recolhê-la. Meu fio de esperança era que ele não soubesse o que eu tinha feito, assim como eu mesma já não sabia, na verdade eu nunca o soubera. Naquele tempo eu pensava que tudo o que se inventa é mentira, e somente a consciência atormentada do pecado me redimia do vício. Abaixei os olhos com vergonha. Preferia sua cólera antiga, que me ajudara na minha luta contra mim mesma, pois coroava de insucesso os meus métodos e talvez terminasse um dia me corrigindo: eu não queria esse agradecimento que não só era a minha maior punição, por eu não merecê-lo, como vinha encorajar minha vida errada que eu tanto temia, viver errado me atraía.(...)
Na minha impureza eu havia depositado a esperança de redenção nos adultos. A necessidade de acreditar na minha bondade futura fazia com que eu venerasse os grandes, que eu fizera à minha imagem, mas uma imagem de mim enfim purificada pela penitência do crescimento, enfim liberta da alma suja de menina. E tudo isso o professor agora destruía, e destruía meu amor por ele e por mim. Minha salvação seria impossível: aquele homem também era eu. Meu amargo ídolo que caíra ingenuamente nas artimanhas de uma criança confusa e sem candura, e que se deixara docilmente guiar pela minha diabólica inocência... Com a mão apertando a boca, eu corri pela poeira do parque.»

Nota: Se não tiver o livro (Contos, Clarice Lispector, editora Relógio d'Água) pode ler este* conto na íntegra, aqui.

publicado por Ana Vidal às 03:28
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Quarta-feira, 25 de Julho de 2007

Bom ar


Que bem se come no Porto!

Jantei ontem, com amigos inestimáveis, no muito in restaurante "D'Oliva", em Matosinhos. Aderindo a uma onda cada vez mais na moda, retoma a tradição da boa cozinha mediterrânica, a abrir logo com um pratinho de azeite aromatizado para molhar o pão e fazer boca para o que se segue. Belo jantar e melhor vinho, que eu não conhecia: Quinta dos Bons Ares.

Tudo, afinal, com muito bom ar.


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publicado por Ana Vidal às 02:32
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Domingo, 22 de Julho de 2007

Passa. Entra.

Por mais voltas que dê, por mais música que ouça, acabo sempre por voltar a Pedro Guerra porque nunca me canso de ouvi-lo.

Hoje estou num desses dias em que só ele me enche as medidas.

Passa. Entra. Alguma forma encontrarás para passar por esta porta.

Lindo.

Ouçam bem alto até à exaustão, ou até saber de cor. Vão dar-me razão, tenho a certeza.

 

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Imagem - "Rooms by the sea", de Edward Hopper

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
publicado por Ana Vidal às 11:40
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Sábado, 23 de Junho de 2007

Viva o São João!


Hoje é véspera de S. João. No Porto o delírio é total, chega quase ao assassinato nas ruas (o alho-porro não mata, mas garanto que mói bastante...). Bonito é ver os balões iluminados que enchem o céu da cidade, à noite, como pequenas estrelas coloridas.
Estou bem longe desse regabofe, aqui nesta paz marítima. Aqui, é o mar que está juncado de velas de todas as cores. São os veleiros que alegremente treinam para o 2007 ISAF Sailing World Championship - Classes Olímpicas, que está quase a começar. Vale a pena dar um salto a Cascais para ver o espectáculo. Foi pena não termos ganho a Taça América (por todas as razões), que Valência nos arrebatou à última hora e contra todas as expectativas. Mas, não tendo ganho a lotaria, temos pelo menos esta bela terminação. E já estamos tão habituados ao second best, não é?
Mas enfim, cá pelo sul também se festeja o S. João, embora com menos alarido. Por isso aqui deixo alguns manjericos e a máxima popular: “No São João, pinga a sardinha no pão”. Por mim, já fiz a minha parte: comprei um manjerico e acabei de almoçar uma bela sardinhada. Viva o S. João.
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publicado por Ana Vidal às 16:09
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Sexta-feira, 22 de Junho de 2007

Brasil 5 estrelas

Aviso: Este post é repetido (5/5/2007). Volto a publicá-lo porque se aproxima a data deste concerto fantástico, como sempre pouco divulgado por aí. Não sei se ainda haverá bilhetes, mas vale a pena tentar. Se puderem, não percam.
Para além dos "monstros sagrados" da geração de ouro da MPB, entre criadores e intérpretes - Jobim, Vinicius, Caetano, Buarque, Bethânia, Gal, Simone, Gil (para citar apenas alguns) - e dos actuais e estrondosos sucessos de bilheteiras em festivais de música e de vendas de cd's, sobejamente conhecidos e aclamados por todo o lado, existe uma outra música no Brasil que Portugal conhece ainda muito pouco.
É uma linha urbana, culta e sofisticada, que absorveu o que de melhor fizeram os seus antecessores e inovou com mestria e bom gosto, em composições que honram, sem uma beliscadura, a brilhante tradição musical a que o Brasil sempre nos habituou. Casando novas tecnologias e tendências melódicas com os mais profundos e sólidos alicerces da chamada "tropicália", continua a provar que o código genético do povo brasileiro se escreve em pautas. Soubessemos nós, portugueses, integrar assim, harmoniosamente e sem complexos, as nossas raízes...
Curiosamente (ou talvez não) uma boa parte desta nova onda de músicos chega-nos da cidade de São Paulo, contrariando a regra antiga dos talentos baianos. É urgente que estes nomes e as suas obras passem a ser familiares aos ouvidos portugueses, porque nem só de êxitos comerciais vive a actual música brasileira. E este "Brasil 5 estrelas" merece o nosso aplauso.
Aqui deixo o meu modesto contributo para a sua divulgação: José Miguel Wisnik, um desses nomes praticamente desconhecidos entre nós e cantor/compositor/pianista de qualidade ímpar, dará um concerto na Culturgest no dia 29 de Junho e far-se-á acompanhar de vários outros talentos. Não percam a oportunidade, garanto que valerá a pena.
Transcrevo o texto de apresentação do espectáculo:

"Poucas figuras realizam como José Miguel Wisnik uma certa mistura caracteristicamente brasileira de “alta” e “baixa” cultura, no campo da canção popular. Reconhecido internacionalmente como ensaísta na área da literatura, o professor da Universidade de São Paulo é também autor de canções interpretadas por artistas como Maria Bethânia, Gal Costa, Zélia Duncan ou Djavan, foi parceiro de Caetano Veloso na banda sonora do espectáculo de dança Onqotô, do Grupo Corpo, e de Chico Buarque na canção Embebedado, e escreve música para teatro e cinema. Neste concerto, o pianista e cantor vem acompanhado de duas vozes de destaque na cena brasileira actual: Ná Ozzetti, de São Paulo, e Jussara Silveira, da Baía. Os três são acompanhados pelo guitarrista e compositor Arthur Nestrovski, também professor universitário e escritor, como Wisnik, pelo baixista Swami Jr., director musical da grande cantora cubana Omara Portuondo, e pelo percussionista Sérgio Reze, que toca regularmente com muitos artistas de ponta como Mónica Salmaso e Paulinho da Viola. O repertório que vêm apresentar inclui apenas canções de Wisnik, retiradas dos seus três discos a solo e do novo disco que será gravado este ano. Entre outras: Inverno e Primavera, compostas para o Teatro Oficina, de Zé Celso Martinez Corrêa, Nossa Canção, parceria com Guinga, a inédita Tenho Dó das Estrelas, sobre poema de Carlos Drummond de Andrade e Mortal Loucura, sobre poema de Gregório de Matos. Cada uma traz as marcas daquela combinação singular de poesia e música – harmonias incomuns, ritmos inesperados, desenhando melodias de palavras – que define a nova canção do Brasil."

Voz, Piano e Composição José Miguel Wisnik; Voz Ná Ozzetti; Voz Jussara Silveira; Violão Arthur Nestrovski; Violão de 7 cordas e Baixo Swami Júnior; Percussão Sérgio Reze
Aqui fica um aperitivo, a canção "Sem receita", em que Wisnik musica um poema da excelente poeta e letrista Alice Ruiz, minha amiga do peito. A propósito, incluí este poema de Alice no meu último livro, "A Poesia é para Comer" (uma antologia de poemas lusófonos com o tema da gastronomia, de que junto a capa neste post).
Eis o delicioso poema:
SEM RECEITA

Primeiro, lenta e precisamente,
arranca-se a pele
esse limite com a matéria.
Mas a das asas melhor deixar
pois se agarra à carne
como se ainda fossem voar.
As coxas, soltas e firmes,
devem ser abertas
e abertas vão estar
e o peito nu
com sua carne branca
nem deve lembrar
a proximidade do coração.
Esse não.
Quem pode saber
como se tempera um coração?

Limpa-se as vísceras,
reserva-se os miúdos
para acompanhar.
Escolhe-se as ervas,
espalha-se o sal,
acende-se o fogo,
marca-se o tempo
e, por fim, de recheio,
a inocente maçã,
que tão doce, úmida e eleita
nos tirou do paraíso
e nos fez assim:
sem receita

(Alice Ruiz)

Cliquem aqui para ouvir a música, e deliciem-se!

publicado por Ana Vidal às 12:24
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Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

"Todo o mundo é composto de mudança"


De alguns amigos brasileiros, escritores e gente ligada às letras, tem-me chegado insistentemente, via e-mail, o texto que aqui transcrevo. Prevejo alguma polémica por cá, da parte dos mais desprevenidos e dos eternos renitentes às mudanças. Para esses, aqui fica uma sugestão do insuspeito David Mourão-Ferreira (suponho que ninguém questionará o seu amor pela língua portuguesa):

"É bom lançar ao fogo um velho dicionário
É bom o crepitar das palavras antigas
Adivinhar quais são as que por fim renascem
E que sabem voar ao sairem das cinzas" (...)

Tal como ele, defendo que uma língua é uma coisa viva. Por isso se transforma e adapta aos tempos, desde sempre. E é assim que deve ser, ou ainda estaríamos a falar o português de Gil Vicente!


« Alfabeto passará a ter 26 letras
Está para entrar em vigor a unificação da Língua Portuguesa que prevê, entre outras coisas, um alfabeto de 26 letras. "A frequência com que eles leem no voo é heroica!". Ao que tudo indica, a frase inicial desse texto possui pelo menos quatro erros de ortografia. Mas até o final do ano, quando deve entrar em vigor o "Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa", ela estará corretíssima. Os países-irmãos Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste terão, enfim, uma única forma de escrever. As mudanças só vão acontecer porque três dos oito membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) ratificaram as regras gramaticais do documento proposto em 1990. Brasil e Cabo Verde já haviam assinado o acordo e esperavam a terceira adesão, que veio no final do ano passado, em novembro, por São Tomé e Príncipe. Tão logo as regras sejam incorporadas ao idioma, inicia-se o período de transição no qual ministérios da educação, associações e academias de letras, editores e produtores de materiais didáticos recebam as novas regras ortográficas e possam, gradativamente, reimprimir livros, dicionários, etc.
O português é a terceira língua ocidental mais falada, após o inglês e o espanhol. A ocorrência de ter duas ortografias atrapalha a divulgação do idioma e a sua prática em eventos internacionais. Sua unificação, no entanto, facilitará a definição de critérios para exames e certificados para estrangeiros. Com as modificações propostas no acordo, calcula-se que 1,6% do vocabulário de Portugal seja modificado. No Brasil, a mudança será bem menor: 0,45% das palavras terão a escrita alterada. Mas apesar das mudanças ortográficas, serão conservadas as pronúncias típicas de cada país.
O que muda: As novas normas ortográficas farão com que os portugueses, por exemplo, deixem de escrever "húmido" para escrever "úmido". Também desaparecem da língua escrita, em Portugal, o "c" e o "p" nas palavras onde ele não é pronunciado, como nas palavras "acção", "acto", "adopção", "baptismo", "óptimo" e "Egipto". Mas também os brasileiros terão que se acostumar com algumas mudanças que, a priori, parecem estranhas. As paroxítonas terminadas em "o" duplo, por exemplo, não terão mais acento circunflexo. Ao invés de "abençôo", "enjôo" ou "vôo", os brasileiro terão que escrever "abençoo", "enjoo" e "voo". Também não se usará mais o acento circunflexo nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus decorrentes, ficando correta a grafia "creem", "deem", "leem" e "veem". O trema desaparece completamente. Estará correto escrever "linguiça", "sequência", "frequência" e "quinquênio" ao invés de lingüiça, seqüência, freqüência e qüinqüênio.O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter 26, com a incorporação do "k", do "w" e do "y" e o acento deixará de ser usado para diferenciar "pára" (verbo) de "para" (preposição).
Outras duas mudanças: criação de alguns casos de dupla grafia para fazer diferenciação, como o uso do acento agudo na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito dos verbos da primeira conjugação, tais como "louvámos" em oposição a "louvamos" e "amámos" em oposição a "amamos", além da eliminação do acento agudo nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia".
Antônio Houaiss
Nota: A escrita padronizada para todos os usuários do português foi um estandarte de Antônio Houaiss, um dos grandes homens de letras do Brasil contemporâneo, falecido em março de 1999. O filólogo considerava importante que todos os países lusófonos tivessem uma mesma ortografia. No seu livro "Sugestões para uma política da língua", Antônio Houaiss defendia a essência de embasamentos comuns na variedade do português falado no Brasil e em Portugal. »

Não sei qual o prazo previsto para que este acordo entre em vigor, mas parece que está para breve. Se assim for, é bom que nos vamos habituando à ideia (e não - idéia)...
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publicado por Ana Vidal às 11:41
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Sábado, 16 de Junho de 2007

Museu sub-aquático


Neste fim de semana cinzento e chuvoso (em que a praia está fora de questão), sugiro que se rendam, sem resistência, ao elemento Água.
Experimentem um mergulho - literalmente - neste estranho e misterioso mundo.
Deixem-se encantar...

Bom fim de semana!
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publicado por Ana Vidal às 13:58
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Quinta-feira, 14 de Junho de 2007

África Poética


Só hoje descobri - e foi por mero acaso, porque ele transcrevia, num post de Natal, o meu poema Dança das 7 Luas - o blog Africanidades, assinado e (bem) defendido por Jorge Rosmaninho.
É todo um mundo que se abre à nossa frente, a nós, avezinhas timoratas fechadas nesta pequena gaiola dourada chamada Portugal. Um mundo enorme, que tem por nome África. Mágico, magnético, fascinante e longínquo.
Neste caso, a porta para esse mundo é a Guiné-Bissau, mas podia ser outra qualquer.
Não deixem de espreitar este blog, e preparem os vossos olhos para horizontes mais vastos. É que, apesar do olhar crítico e realista do autor - tanto por fazer, tanto por denunciar! - a poesia de África impõe-se-lhe, irremediavelmente. Há rios que levam desertos para a sua nascente...

http://www.richardlawhorn.com/music/Out_of_Africa_Theme.mp3

(Cliquem só na janela que vai abrir, ao passar o cursor sobre est endereço. Assim podem continuar nesta página)

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publicado por Ana Vidal às 17:44
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Segunda-feira, 4 de Junho de 2007

A 8ª maravilha


Um búzio, talvez da família dos nautilus?
Não. Errado.
Não é obra da natureza, mas de homens. Mais exactamente, de portugueses.
É a escada de caracol do claustro de D. João III, no Convento de Cristo, em Tomar.
Em tempo de votações para apurar as nossas 7 maravilhas, como não eleger esta pérola da arquitectura portuguesa em lugar de destaque? E já que as 7 maravilhas mundiais não incluem nenhuma em Portugal, o Porta do Vento propõe o nosso Convento de Cristo como a 8ª maravilha do mundo.
Pronto, tenho dito.
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publicado por Ana Vidal às 12:42
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