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Os jornais trazem-nos a notícia de que Mijail Gorbachov é uma das mais recentes estrelas da campanha publicitária da marca Luis Vuitton. O cenário escolhido (pelo próprio, ao que parece) foi o muro de Berlim, ao longo do qual se passeia numa limusine, tendo ao lado um dos mais desejados e imitados acessórios de viagem de todos os tempos - um clássico saco de viagem Vuitton. Consta que Gorby teve que ser convencido a dar a cara por esta marca, e que elegeu o muro de Berlim como fundo, por se orgulhar de ter sido um dos principais artífices da sua queda. Depois de Gorbachov, Catherine Deneuve e o casal André Agassi-Steffi Graf, a Vuitton está já a pensar em novas personalidades para a sua bem sucedida campanha, e pensa endereçar um convite a Bill Clinton. Não se sabe qual será o cenário escolhido por este, mas tenho uma sugestão: o vestido azul de Mónica Lewinsky, que ele também fez cair com tanto estrondo.
O famosíssimo e-bay anuncia e vende - pasme-se! - uma Bíblia Sagrada autêntica (!!!) e assinada pelo próprio (e não menos famoso) Jesus Cristo*.
Veja aqui e despache-se, se quer ser um dos raros eleitos a comprá-la, porque o stock deve ser limitado (Jesus Cristo tinha pouco tempo para autógrafos, andava ocupado de mais a fazer milagres para perder tempo com essas trivialidades...).
Não perca esta oportunidade única. E, já agora, pelo sim pelo não, quando fizer a encomenda deixe o seu nome próprio ou diminutivo, quem sabe se não terá a sorte de receber mesmo uma dedicatória personalizada no seu exemplar? Cristo é amigalhaço dos tansos (até disse: "bem aventurados os pobres de espírito, deles será o reino dos céus"), talvez engrace consigo e lhe faça essa surpresa...
Nota: Repare-se num pormenor curioso - Atento como sempre e prevendo o boom que teria a língua inglesa no mundo ocidental dois milénios depois, Jesus Cristo facilitou a vida aos seus leitores e escreveu a Bíblia sagrada já nesse idioma, como prova o título da capa aqui ao lado - Holy Bible.* Notícia "gentilmente cedida" pelo Blog da Sabedoria.
Encontrei, nos meus arquivos, esta carta que escrevi um dia para as Selecções do Reader's Digest. Foi há anos, mas o meu protesto irónico não resultou. Continuo a receber cartas, cuja imaginação ainda não se esgotou. Porque me divertiu voltar a lê-la, não resisto a mostrá-la aqui. Espero que achem alguma graça.
Carta aberta ao Presidente do Comité de Concursos das Selecções do Reader's Digest
Meu caro amigo:
Espero que não se importe que o trate assim, num tom tão familiar, mas na verdade é você o culpado desta intimidade. Pensando bem, já recebi mais cartas suas do que de qualquer namorado, mesmo os mais inflamados.
A par dos infindáveis catálogos de roupa e casa, folhetos de promoções dos supermercados da zona e extractos bancários, as suas folclóricas cartas aí estão, sempre fiéis e pontuais na minha caixa do correio, e em triplicado!
Pois é: por uma incrível coincidência, aconteceu juntarem-se nesta casa três dos raros "privilegiados pertencentes à elite dos 4% residentes no distrito de Lisboa" que a sua empresa decidiu distinguir - eu, o meu ex marido e uma empregada que um dia teve a brilhante ideia de dar o meu endereço para encomendar o recheio da futura estante, pouco antes de se despedir.
As suas abordagens são de uma imaginação e persistência sem limites. Na última carta que me lembro de ter lido, dizia-me: "fiquei bastante admirado ao ter conhecimento de que os 4 Certificados de Finalista emitidos em seu nome, após selecção por computador, ainda não chegaram aos nossos serviços. É possível que a sua resposta se tenha cruzado com esta carta ou, muito simplesmente, que se tenha esquecido de nos responder".
Não, não esqueci. Aqui está a resposta.
Como calcula e planeou, é impossível não reparar nos seus envelopes. Chegam-me de todas as formas, tamanhos e cores, demonstrando uma dedicação a toda a prova para com alguém que nunca encomenda nada. É uma tortura: os meus filhos divertem-se a colar selos e autocolantes pelos espelhos e vidros das janelas, a misturar no meu chaveiro chaves reluzentes de Ferraris e Mercedes imaginários, a raspar cartõezinhos prateados - todos eles milagrosamente premiados - que espalham por toda a casa.
Sem mexer um dedo, sou sempre finalista de qualquer coisa (porque será que não tenho tanta sorte no Euromilhões?). E a tentação é grande - os milhões prometidos estão sempre quase, quase, ao alcance da mão. A prová-lo, meia dúzia de "felizes contemplados" sorridentes ali estão nos folhetos, em fotografias coloridas, a chamar-me idiota. Mas, ingrata como sou, recolho furiosa a interminável papelada e deito tudo fora.
É por isso que lhe peço: por favor, não perca mais tempo comigo. Guarde imaginação e papel para outros, menos mal-agradecidos ou com maior vocação para milionários. Pela minha parte, não prescindo do prazer de comprar os meus livros numa livraria, mesmo sem receber prémios por isso. O mesmo se passa com os discos. Devo ser masoquista...
Castigue-me de uma vez por todas: devolva-me aos pobres 96% que não foram escolhidos. É lá que mereço estar.
Espero ter finalmente respondido.
E, por favor, não me obrigue a dizer-lhe, noutro tom: VÁ PRIVILEGIAR OUTRO!