Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

Discurso político

Qualquer expressão listada na primeira coluna pode ser combinada com qualquer uma das outras colunas, permitindo sempre um discurso coerente. As variações possíveis são cerca de dez mil.

 

Senhores candidatos a políticos, façam o favor de usar e abusar deste quadro utilíssimo.

 

Portugueses,

a execução deste projecto

nos obriga à análise

das nossas opções de desenvolvimento no futuro

Por outro lado,

a complexidade dos estudos efectuados

cumpre um papel essencial na formação

das nossas metas financeiras e administrativas

Assim mesmo,

a expansão de nossa actividade

exige a precisão e a definição

dos conceitos de participação geral

Não podemos esquecer que,

a actual estrutura da organização

auxilia a preparação e a definição

das atitudes e das atribuições da directoria

Do mesmo modo,

o novo modelo estrutural aqui preconizado

contribui para a correcta determinação

das novas proposições

A prática mostra que,

o desenvolvimento de formas distintas de actuação

assume importantes posições na definição

das opções básicas para o sucesso do programa

Nunca é demais insistir, uma vez que

a constante divulgação das informações

 

facilita a definição

do nosso sistema de formação de quadros

A experiência mostra que,

a consolidação das estruturas

prejudica a percepção da importância

das condições apropriadas para os negócios

É fundamental ressaltar que,

 

a análise dos diversos resultados

oferece uma oportunidade de verificação

dos índices pretendidos

O incentivo ao avanço tecnológico, assim como

o início do programa de formação de atitudes

acarreta um processo de reformulação

das formas de acção

 

 

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Domingo, 9 de Novembro de 2008

Números

 

Na manifestação anterior tinham sido 100.000. Desta vez, o número aumentou para 120.000.

 

Cento e vinte mil professores. Cento e vinte mil cidadãos que levantaram o rabo do sofá e, contra todos os hábitos conformistas e comodistas deste país de demissionários, vieram de toda a parte até à capital, a um sábado, para manifestar a sua indignação e o seu descontentamento com as políticas de Educação que  eles afirmam tornar-lhes impossível a prática da sua profissão.

 

Cento e vinte mil. CENTO E VINTE MIL. CENTO E VINTE MIL.

 

De quantos mais precisará a ministra da Educação para parar este braço-de-ferro sem sentido? De quantos mais precisará para, ao menos, admitir a hipótese de que talvez - apenas talvez - eles possam ter alguma razão?

 

  (Fotografia encontrada aqui)

 

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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

Quero, posso e mando!

 

 

«Quero que Lisboa seja um cidade portuária e, pelo que tenho interpretado, a maioria nesta Câmara quer que Lisboa continue a ser uma cidade portuária. Eu não quero um porto só com uma marina de iates ou com um terminal de contentores mas um porto que fortaleça a base económica da cidade»

 

A contestação generalizada que este assunto tem gerado ultimamente terá tido, pelo menos, o mérito de obrigar todos os interessados a dizer o que têm na manga. António Costa já se pronunciou e, no tom ditatorial a que o governo do seu partido já nos habituou, foi peremptório a dizer o que "quer" e o que "não quer". E eu que pensava que o que ele "queria" era devolver o rio à cidade, como tão convictamente anunciava antes de ser eleito!

 

Esperemos, então, a expressão pública do que "querem" a APL e o próprio governo. Assim "possam e mandem" todos eles, claro.

 

Atenção: A petição contra este escândalo continua na barra lateral deste blogue. Assinem e divulguem, porque também todos nós temos "querer". No momento em que escrevo estas linhas, o número de assinaturas é de 6171. Não chega...

 

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Terça-feira, 21 de Outubro de 2008

Espírito de sacrifício

 

O mundo ocidental está em crise profunda.

A campanha americana arrasta-se numa monotonia sem fim.

Alguém tinha de fazer alguma coisa...


Vejam este video e digam de vossa justiça.

 


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Sábado, 27 de Setembro de 2008

A importância de se chamar Ernesto

 

Inebriado (ou enciumado?) pelo gesto magnânimo de Sócrates em relação às escolas portuguesas, o secretário de Estado da Administração Interna, José Magalhães, reclama agora a necessidade de uma distribuição de computadores Magalhães pelos efectivos da polícia. Tento seguir-lhe o raciocínio para ver se percebo a lógica do pedido, mas confesso que não a encontro. Que a Polícia precise de  modernizar-se informaticamente, parece-me perfeitamente compreensível. Mas porque carga de água  há-de ser através de portáteis (ainda por cima criados para crianças), se toda a burocracia se desenrola nas esquadras? Será que o argumento de que os portáteis são "uma arma ultra-leve" sugere que Magalhães tenciona usá-los para... atirar à cabeça dos ladrões, numa perseguição policial?

 

Nah, não me parece... estamos todos a enlouquecer, mas Magalhães não pode ser tão lunático. Mas então... esta obsessão de Magalhães pelos Magalhães só pode ter uma razão: a oportunidade única de ver o seu nome perpetuado na História como o homem que fez a Polícia transpor a modernidade informática... nem que seja gravado na tampa de um laptop!

 

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Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

The great american circus

 

Raramente comento política, e por duas incontornáveis razões: porque percebo pouco do assunto e porque, talvez por isso mesmo, quase sempre ele me maça e me deprime. Não me meto em altas cavalarias (embora cada vez mais sobre pilecas...) quando há muito quem o faça melhor do que eu.

 

Mas é claro que gosto de manter-me informada, pelo menos sobre os grandes temas da actualidade política, e por isso as eleições americanas não me têm passado ao lado. Seria impossível, com todo o aparato e tempo de antena que ocupam nos espaços noticiosos nacionais. E já que me obrigam a acompanhar o grande circo eleitoral americano, arrisco uma reflexão própria.

 

Como seria de esperar (já tardava), assistimos agora a um contra-ataque final poderosíssimo dos republicanos, concertado entre a administração Bush e o seu candidato McCain,  e na minha opinião magistralmente orquestrado. Paulatinamente, os conservadores deixaram o primeiro milho para os pardais, no caso um pardal atraente e mediático a quem era imperioso permitir que exibisse a plumagem até que deixasse de ser novidade. O contra-ataque começou com a contratação da "miss" Sarah Palin e daí para cá tem vindo num crescendo imparável, aproveitando (pergunto-me até que ponto não terá sido induzida...) a crise económica para a manipulação das emoções mais básicas dos básicos cidadãos americanos. Já Bush tinha feito o mesmo com a cartada da insegurança causada pelo terrorismo, e agora a instabilidade económica serve perfeitamente para o mesmo efeito. Há que encontrar um herói que salve o país e o mundo e lhes devolva a paz e a prosperidade, e depois se afaste gingando no seu cavalo em direcção ao horizonte, ao pôr-do-sol, com uma música de fundo de derreter corações. O facto de o partido ter as rédeas do governo ajuda muito a que se aproprie facilmente desse papel.

 

A suspensão da campanha de McCain parece-me um golpe de mestre: evita um debate problemático, com antecedentes perigosos - foi a juventude e o dinamismo de Kennedy que lhe deram a vitória, numa situação semelhante - e fará parecer Barak Obama, ao recusar-se a suspender a sua, um ambicioso que põe a sua eleição à frente da união por uma causa superior, em torno de uma urgência nacional. Nada foi deixado ao acaso, e a quem quiser aprender alguma coisa sobre marketing político basta estar com atenção a este curso intensivo.

 

Gosto de Barak Obama, e gosto dele de uma forma espontânea que tem pouco que ver com políticas concretas. É fácil gostar-se dele, sobretudo por contraste com uma figura que sofre o estigma da sombra negra de Bush. Não sou ingénua ao ponto de acreditar que Obama seja um herói romântico, impoluto e incorruptível, mas deixei-me arrebatar pelo sonho, pelo símbolo, pela mudança de mentalidades que a sua eleição significaria. Gosto da ideia de imaginar a alegria de Luther King com essa vitória, e gostaria de presenciar a de Nelson Mandela.

 

Cheguei a acreditar que isso seria uma realidade, até porque Obama reuniu uma corte invejável de apoiantes ilustres. E porque se tem saído muito bem nos discursos, e porque tem feito uma campanha "limpa". Mas fui ingénua. Esqueci-me da argúcia política dos corredores de fundo e do seu tremendo poder. E não estava à espera do recuo de Obama na ousadia, ao escolher como segunda figura uma personalidade mais consensual, preferindo sacrificar Hillary Clinton. Um "preto" e uma mulher de uma vez só, pela primeira vez na Casa Branca, pareceram-lhe uma arriscada dose de leão para os americanos, e terá tido provavelmente razão. Mas a cartada Palin e uma providencial crise económica foram o xeque-mate dos conservadores.

 

Talvez o mundo ocidental fique mais seguro com McCain, cuja figura não afronta grupos minoritários nem nos obriga a todos a olhar nos olhos os nossos atavismos e preconceitos. Talvez seja mais prudente assim, numa época em que tudo tem de ser tratado com pinças. Mas a mim, que sou um bocadinho lírica, custa-me sempre abrir mão do Sonho. E este parecia mesmo à mão.

 

No, Barak, you can't. Sorry. Na América haverá mais do mesmo, nada mudará para que tudo se mantenha.

 

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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

Descaramento

 

Eu também ouvi o discurso*. E ia escrever alguma coisa sobre o assunto, ainda sob o efeito da indignação que aquele descaramento todo me causou, mas encontrei este post, e... está tudo dito:

 

"Há uns instantes aparecia o Zédu, Camarada-Presidente, a prometer que perseguiria implacavelmente aqueles que exploram o povo angolano em proveito próprio: vai portanto matar as filhas e suicidar-se em seguida - todos os ingredientes de uma tragédia grega!"

 

(no Jansenista)

 

* O rei de Espanha ensinou-nos uma nova frase para estas ocasiões: "Porque no te callas?"

 

publicado por Ana Vidal às 02:25
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Quinta-feira, 31 de Julho de 2008

Ora bolas!

 

O Rato Roeu a Rolha da garrafa do Rei da Rússia.

 

O discurso foi este, mais coisa menos coisa.

 

Que Rato? Esse mesmo, o que a montanha pariu.

Que Montanha? Talvez o Pico, nos Açores...

 

 

(Nota: espero que a montanha se conserve quietinha no mesmo sítio, já que vou estar lá dentro de duas semanas...) 

 

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Sábado, 19 de Julho de 2008

Vergonha



"Venho aqui dar uma palavra de confiança a Angola no trabalho que o Governo angolano tem feito que é, a todos os títulos, notável. (...) Quero que o Governo de Angola saiba que temos confiança no povo angolano, que temos confiança em Angola, temos confiança no Governo angolano e no trabalho que tem desenvolvido"  -  José Sócrates, recentemente, em Luanda.

 

Às vezes tenho vergonha de ser portuguesa.

 

(Adenda: E ainda não sabia disto...)

 

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Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Boas intenções

 

Nas notícias da noite, Cavaco Silva despede-se dos atletas portugueses, a caminho da China para os Jogos Olímpicos. Depois de algumas palavras de circunstância (de alento, pronto...), aperta a mão a um dos mais promissores candidatos às medalhas - Nelson Évora - dizendo-lhe: "Boa sorte!"

 

A resposta do atleta é prontíssima: "Obrigado... igualmente!"

 

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Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

Patinhês



Ouvido há pouco, na SIC Notícias: "A minha verdade é a força da sintonia com as novas elites do PSD, no seio das bases" .

Esta pérola de clareza e profundidade é a divisa do Programa de Campanha de Patinha Antão, que foi logo declarando apoiar Alberto João Jardim se a sua própria candidatura não vencer.

Com "elites" deste calibre, não me parece que as bases vão longe...

(Imagem: Cartoon de Millôr Fernandes)

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Domingo, 13 de Abril de 2008

Feira de Velharias (5)


Cada vez tenho menos paciência para a política e para os políticos. Agradeço-lhes a vocação ou a ambição, porque cada uma delas (ou ambas) os levaram a lutar por lugares que eu detestaria ter que ocupar. E alguém tem que fazer o trabalho deles, isso é inegável. A anarquia pura é uma utopia, bonita mas impensável na prática.
O que me parece é que, mesmo os mais idealistas e bem intencionados, acabam por ter que dançar conforme a música que encontram já a tocar. Os que não se adaptam e se recusam a fazer concessões, tornam-se demasiado incómodos e são convidados a sair do salão, a bem ou a mal.
Mas há os que, realmente, parecem ter nascido para essa vida. Entram a matar e cortam a direito, fazem o que acham ser preciso, a qualquer preço, e têm um (natural?) grau de distanciamento e de insensibilidade aos problemas do comum dos mortais que lhes permite nunca olhar para trás e até, quem sabe, dormir tranquilos.
É o caso do nosso primeiro ministro José Sócrates (um nome de uma enorme responsabilidade, caramba!). Tem a frieza de um cubo de gelo e a arrogância de um César. Chegou a afirmar sobre si próprio, mostrando como se tem em grande conta: «Sou um animal feroz» (Expresso, 24/07/2004). Não sei se é um animal feroz, mas é, pelo menos, ferozmente indiferente.
Eu, que não sei falar politiquês e prefiro a linguagem da poesia, dedico-lhe este magnífico poema de Carlos Drummond de Andrade: "E agora, José?"* , com a romântica ilusão de que o leia algum dia e que ele o faça pensar um pouco no quick step que nos tem obrigado a dançar, quando nem para a valsa temos sapatos...
 
E AGORA, JOSÉ?

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
 
 
Nota: Descobri, entretanto, que Sócrates nasceu em Vilar de Maçada. Começo a compreender os seus traumas e até entendo que tenha fugido de lá, mas, bolas!, tinha que se vingar em nós??
(* Clique aqui para ouvir o poema, dito pelo próprio CDA)
(Publicado pela primeira vez em 1/6/2007)
 
publicado por Ana Vidal às 11:29
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Terça-feira, 8 de Abril de 2008

Jamé dito


Estive a ouvir, deliciada, as justificações do ministro Mário Lino para as "frases infelizes" (palavras do próprio) que disse, num passado próximo de que todos nos lembramos, sobre a polémica localização do novo aeroporto.
Em entrevista à SIC Notícias, perante uma Ana Lourenço a lutar para conter o riso, Mário Lino voltou a meter os pés pelas mãos ao dizer que "jamé disse jamé", quem o disse foram os autores dos estudos apresentados. Tudo uma confusão dos media, portanto. Quanto à classificação da margem Sul como "um deserto", lá admitiu ter usado a expressão. Mas afirmou ter ficado genuinamente espantado com a repercussão que tais palavras tiveram nos autarcas atingidos e nos habitantes da margem Sul a quem tinha chamado beduínos (esta é minha, não foi ML que disse, claro), já que, no almoço onde a brilhante metáfora fora proferida, ninguém se tinha mostrado minimamente incomodado com ela.
Ora, daqui concluo que Mário Lino conhece mal os portugueses. Em primeiro lugar, a esses almoços e jantares dos políticos vai-se para comer à borla, e nunca para ouvir o que quer que seja. Depois, uma refeição é uma coisa sagrada. Desde que seja farta e bem regada, a benevolência é garantida. Mais depressa os convivas se amotinariam por um bacalhau sem sal ou uma mousse deslaçada do que por uma ofensa, mesmo que fosse às senhoras suas mães.
A seguir, garantiu vir a respeitar religiosamente o período de nojo imposto pela lei antes de aceitar um cargo de administrador numa grande empresa pública ou privada, quando sair do governo. Ou seja, ficamos a saber que já está a preparar a reforma.
Por fim, quando eu já estava a desesperar de encontrar algum interesse no desastrado ministro, algumas características pessoais suas, lidas pela jornalista no teleponto, salvaram-no do abismo sem remissão. Pelo menos aos meus olhos. Parece que Mário Lino é um fervoroso amante de ópera, tem assinatura nos concertos da Gulbenkian e é fumador de cachimbo. Por estas, confesso humildemente que não esperava.
Mas também fiquei a saber que exercita os neurónios nas tabelas do Sudoku, e isso é que me deixou desconfiada: ou treina pouco ou faz batota, porque os resultados dessa intensa actividade intelectual não se viram até agora, jamé...
publicado por Ana Vidal às 23:49
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Terça-feira, 25 de Março de 2008

De volta ao mundo real

Mais de 30 advogados começam, esta terça-feira, a colaborar com a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária para evitar a prescrição de milhares de multas de trânsito. Por cada proposta de decisão, cada advogado vai receber 1,67 euros.

(ler o resto da notícia aqui)

O estado de graça da minha primavera poética não durou muito. As notícias que nos entram pela casa dentro constantemente, triste realidade de um país à beira de um ataque de nervos (muito aguentamos nós, brandos cidadãos!) são de um absurdo pernicioso e inquietante. Estamos a viver num estado policial, muitos o sentem e todos os dias esta sensação aumenta. A pressão impõe-se, sem apelo nem agravo, e só muito raramente há uma compensação que alivie o garrote das medidas titânicas deste governo.
Sobre Justiça, acho que todos concordamos: temos, desde sempre, uma "justiça injusta" e demasiadamente lenta, em que casos de gritante e elementar reparação prescrevem por carência de efectivos e excesso de processos sobre as secretárias dos advogados que o Estado paga (leia-se: que nós, todos nós, pagamos com as nossas contribuições e impostos). Direitos básicos são ignorados, reclamações mais do que justificadas são liminarmente eliminadas pelo implacável cilindro do Tempo, sem que ninguém faça nada para alterar este estado de coisas.
A medida agora anunciada - as multas de trânsito prestes a prescrever, "salvas" do esquecimento por advogados privados pagos "à peça" pelo Estado (leia-se de novo: por todos nós) - prova bem, uma vez mais, o que é prioritário para os nossos governantes: arrecadar receitas, a todo o preço. A criatividade das medidas é toda canalizada para este objectivo único, que se sobrepõe a todas as outras necessidades nacionais. Uma solução deste tipo - a contratação pontual de advogados desempregados ou mal pagos - pagando-lhes da mesma forma, poderia acelerar a resolução de muitos desses casos que se eternizam nos tribunais. Mas não: ganhou a caça à multa e aos trocos dos portugueses. Isso, sim, é importante. Estamos entendidos.

publicado por Ana Vidal às 11:11
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Segunda-feira, 17 de Março de 2008

Feira de Velharias (2)

A vitória do sr. Costa

Vieram de Freixo-de-Espada-à-Cinta, de Cabeceiras-de-Baixo e de Alguidares-de-Cima, todos eles interessadíssimos no resultado das eleições na capital. Chegaram nas carrêras apinhadas, cantando a plenos pulmões, pelo caminho: "1, 2, 3, 4, 5, 6, 7... viva a nossa caminete!" e "Senhor chófer, por favor, ponha o pé no acelarador!".
Trouxeram os fatos de-ver-a-Deus, as arrecadas e cordões de ouro e os sapatos bem engraxados, porque não é todos os dias que se aparece na televisão. Sorriram para as câmaras com as dentaduras dançantes, sonoras como castanholas, de olhos arregalados pelo tamanho do hall do hotel Altis (maior do que a Casa do Povo inteirinha, benza-o Deus!). Receberam bonés e bandeirinhas para agitar no ar, que puderam levar para casa para exibir depois, orgulhosamente, no vidro de trás do carro. Tiveram direito a ração melhorada e a fotografia de grupo da excursão, para mais tarde recordar.
Mas... recordar o quê? Que foi preciso chegar-se ao ridículo de recrutar gente por esse país fora para fazer número, para gritar vivas ao candidato vencedor de Lisboa (aquele senhor que aparecia dantes lá na terra, a prometer muitas coisas quando toda a serra já tinha ardido...), porque os lisboetas se estão marimbando para a palhaçada da política, foram todos a banhos e já descobriram, há muito tempo, que não há almoços grátis?
Era vê-los, felizes mas um bocadinho apardalados, sem saber muito bem ao que vinham. Por Mafra passaram a correr, viram o convento de longe, "é grande, o manganão", e desaguaram em Lisboa sem saber como. Mas, que importa lá isso? Valeu o cumbíbio. E os comes e os bebes.
O resto?... o resto é paisagem!
(Publicado a primeira vez em 17-07-2007)
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publicado por Ana Vidal às 01:06
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Terça-feira, 4 de Março de 2008

Rótulos


Politicamente, sei que estou exactamente onde quero estar quando os amigos de direita me acham esquerdista, e os de esquerda não têm dúvidas de que sou de direita.

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Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

Cuba

Na melhor nódoa cai o pano.
publicado por Ana Vidal às 20:57
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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

Negar a evidência



O desemprego vai diminuir.
Não se sabe quando, mas vai.
Um dia. Talvez ainda neste século...


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Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Minúsculo


Voltando à remodelação ministerial, ou àquilo que pretende parecer: o despedimento de Correia de Campos não passa afinal de um "pequeno acontecimento". Exactamente como o foi, para ele, a morte de uma pessoa.
Era só isto.
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Domingo, 20 de Janeiro de 2008

Nada na manga, respeitável público

(...) Rádios e televisões oficiais estão a transmitir um apelo das autoridades eleitorais para que o povo cubano se dirija "massivamente" às urnas, "com entusiasmo e espírito revolucionário e com a certeza" de que se trata de um processo "transparente e democrático". Estas eleições serão uma nova demonstração da decisão e vontade do povo cubano de defender o presente e o futuro da pátria", acrescenta o apelo.


Ah, mas é claro que sim!... quem é o espírito de má fé que duvida disto???
A democracia em Cuba é uma evidência. Honi soi...
publicado por Ana Vidal às 18:28
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Domingo, 13 de Janeiro de 2008

Uma lágrima, um voto

Acabei de ouvir Marcelo Rebelo de Sousa dizer que Hillary Clinton ganhou em New Hampshire porque chorou em público. Ao que parece, comoveu-se e soltou umas oportuníssimas lágrimas, quando uma velhinha lhe perguntou como reagia ao excesso de pressão desta campanha.
Concluíu Marcelo que a senhora mostrou, desta forma, uma faceta mais humana que lhe rendeu votos preciosos. Talvez tenha razão, não sei. De qualquer maneira, ver alguém chorar por votos, a mim, parece-me hillaryante.
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Sábado, 12 de Janeiro de 2008

Porque no te callas?


Que Mário Soares sempre cultivou uma pose majestática, já todos sabemos. O país deixou-o sempre brincar aos reis, porque sempre lhe achou graça e sempre lhe perdoou tudo. Em nome de uma dívida antiga, possivelmente, já que ele nos "salvou" de uma mais do que certa condenação a um comunismo radical altamente preocupante, à época. Mas Soares não pode queixar-se do seu país: Portugal tem demonstrado larga e generosamente a sua gratidão, concedendo-lhe uma espécie de carta branca (que atribui a muito poucos, note-se) e aturando todos os caprichos e excentricidades deste seu longevo enfant gaté. Às vezes, já um bocadinho farto, diz-lhe um "basta!", como aconteceu nas últimas eleições presidenciais. Mas, normalmente, deixa-o passear a sua coroa fictícia sem comentários de maior. Trinta e tal anos depois, a tal dívida já foi, quanto a mim, mais do que saldada.
Mas Soares leva o seu papel de rei muito a sério. Agora, segundo parece, foi o seu "par" espanhol que o inspirou. Na Fundação onde instalou a sua corte, mandou calar sem cerimónias um membro da plateia que interrompeu o discurso de Sócrates com um comentário crítico, dizendo-lhe: "O senhor cale-se, está aqui como convidado mas também pode ser convidado a sair." .
Ora aí está. Para quem sempre fez da liberdade de expressão uma bandeira, não está mal...
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publicado por Ana Vidal às 10:46
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Domingo, 16 de Dezembro de 2007

Discurso histórico

A selar o famoso Tratado que engalanou Lisboa e levou o primeiro ministro a orgasmos múltiplos de eloquência e protagonimo, aqui fica o comentário do correspondente da BBC, Mark Doyle, em Lisboa:
«The Summit ended, as do most meetings of this sort, with smiling photocalls. The Portuguese Prime Minister, Jose Socrates, gave an extraordinary closing speech which spoke about bridges being built, steps forward being taken, and visions being pursued.
He went off on such an oratorical flight, in fact, that I became mesmerised by the beauty of the Portuguese language and the elegance of his delivery. I was so bewitched that I didn't register any concrete points in the speech at all.
Perhaps there weren't any. But it certainly sounded good».
Acho que está tudo dito. Ninguém como os ingleses para apanhar os ridículos dos outros. O pior é quando não exageram.
Nota: Obrigada ao Manel, que me enviou o texto (que está entre aspas) por e-mail.

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publicado por Ana Vidal às 12:19
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Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007

Destratado no Tratado


Pela segunda vez em pouco tempo, o pobre ministro Luis Amado (mal-amado, mais propriamente) ficou de mão estendida e ar triste, sem o bacalhau prometido. Agora foi na assinatura do Tratado de Lisboa, à porta do Mosteiro dos Jerónimos, talvez por culpa da confusão gerada pela gaffe protocolar do irrequieto "Sarkô".
É certo que já aprendeu a disfarçar a desfeita que sempre lhe toca, e, desta vez, um ligeiro aperto de... braço, livrou-o de maiores constrangimentos. Mas começo a ter pena dele, porque, se o ditado está certo, não há duas sem três.
Talvez esta pose - de braços firmemente cruzados - o salve da terceira humilhação.

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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007

Humor negro

Como querem que eu respeite a política em Portugal, quando a primeira figura (triste, por sinal...) do maior partido da oposição aproveita a notícia de um crime qualquer para exigir ao primeiro ministro um pedido de desculpas ao povo pela falta de segurança no país???

Será que Menezes acha que faltam motivos SÉRIOS para apontar o dedo ao governo? Será que a demagogia mais básica se aliou de vez ao ridículo? Será que a imaginação e sentido de oportunidade de LFM não chegam a mais do que a esta miséria?

Preocupa-me a prepotência imparável deste governo, mas assusta-me ainda mais a falta de alternativas válidas.

O Bordalo é que os topava bem.
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Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007

Cimeira?

Não percebo porque é que chamam Cimeira a uma tal exibição de ditadores implacáveis e desumanos, tratados pela Europa com todas as honrarias, como se fossem gente de carácter e digna de admiração. É triste e dá que pensar. Por que valores, afinal, se rege o mundo ocidental (dito "civilizado"), se se verga assim aos diamantes e ao petróleo com tanta facilidade, esquecendo o sangue que escorre de ambos? E não me venham com tretas de "oportunidade única de discutir os direitos humanos". A mim, cheira-me a rendição e a hipocrisia. Eu chamar-lhe-ia, antes, uma Baixeira. (Nota: Este post é dedicado ao Pedro Correia, do Corta-Fitas, que tem feito nas últimas semanas um útil e exaustivo levantamento das biografias destes meninos de coro. Leiam-nas, vale a pena.)

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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007

Na minha, não!



Como não tenho tempo para escrever, faço minhas todas as palavras do FAL, do Corta-fitas.
E só acrescento: há pelo menos uma casa neste país, senhor primeiro ministro, onde o seu convidado-maravilha não será recebido: a minha.
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publicado por Ana Vidal às 22:54
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Sábado, 17 de Novembro de 2007

Campista ilustre

Preocupa-me o dilema de protocolo do MNE com o local onde instalar a tenda de Kadhafi, já que o homem recusa dormir debaixo de telha. Por isso, aqui fica o meu humilde contributo para resolver o problema que tanto atormenta a Missão da Presidência da UE: uma lista dos parques de campismo do distrito de Lisboa. Todos com águas correntes, quentes e frias. Até junto os números de telefone para uma reserva prévia, não vá dar-se o caso de não haver vaga. Se nenhum destes servir, talvez o INATEL. Pronto, pronto, não me agradeçam. Temos que ser uns para os outros.

 
Alenquer
Alenquer Camping
263 733 224
 
Cascais
Guincho (Orbitur)
214 857 019
 
Ericeira
Mil Reguengos (Parque Municipal)
261 862 513
 
Lisboa
Lisboa Camping
217 623 100
 
Lourinhã
Areia Branca (Parque Municipal)
261 412 199
 
Mafra
Sobreiro
261 815 525
 
Sintra (Colares)
Praia Grande
219 290 581
 
Vila Franca de Xira
Vila Franca de Xira
263 275 258
publicado por Ana Vidal às 23:31
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Quinta-feira, 15 de Novembro de 2007

Heavy Chávez Remix

Para acabar de vez com este assunto, aqui está uma boa ideia: em vez de falar nele... dançá-lo! Chávez presta-se, convenhamos: é heavy em vários sentidos. E o remix assenta-lhe como uma luva.

publicado por Ana Vidal às 10:09
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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007

Os palhaços de serviço


Não deixa de ser irónico que tanto a esquerda como a direita internacionais tenham, hoje em dia, os seus "palhaços de serviço".
Até agora era Bush o bobo da corte "a pedido", fornecendo um inesgotável manancial de gaffes e constrangimentos, para grande gáudio da esquerda. Mas eis que apareceu Chávez, e as forças equilibraram-se em termos de ridículo. O que me parece saudável, porque isso afasta a tentação de se usarem argumentos falaciosos e obriga os políticos e comentadores a centrarem-se no que realmente interessa. Sem batotas fáceis, já que há telhados de vidro de ambos os lados.
Imagens: George Bush (via Causa Nossa); Hugo Chávez (via Arrastão)

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publicado por Ana Vidal às 23:07
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Terça-feira, 30 de Outubro de 2007

Como é lindo o amor europeu

E se eles querem um abraço ou um beijinho... nós, pimba!

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publicado por Ana Vidal às 20:19
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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007

Putin e as bicicletas


O estranho aparato de segurança que acompanha Putin, visto - com graça - pela Falabarata:
PUT IN
Dos vários meios destacados para a segurança de Putin na sua visita a Lisboa, constam, de entre veículos, centenas de agentes e etc, 159 solípedes, 10 binómios e duas bicicletas.
Assim de binómios importantes só conhecia o binómio de Newton.
Quanto a ***pedes, constavam do meu vocabulário os quadrúpedes e os bípedes, mas confesso que solípedes nunca me tinham passado pelos olhos e ouvidos, que me lembre.
Aprendemos sempre imenso quando nos cruzamos com o léxico próprio de determinados grupos profissionais, embora, neste caso em particular, me mantenha na santa ignorância quanto aos binómios. Serão pares de solípedes, correspondendo portanto a 4 solas e respectivos pés?
De qualquer forma, o que mais me espantou nesta notícia foi a presença das duas bicicletas, curiosamente correspondendo exactamente ao número de helicópteros, também 2. Talvez trabalhem em grupo. O helicóptero vai lá em cima, vê qualquer actividade suspeita e contacta rapidamente com a bicicleta que lhe foi atribuída a qual, por sua vez, se deslocará na bisga para o local em apreço.
Mesmo com 1300 agentes, 99 viaturas, 83 motociclos, mais os binómios e os solípedes, parece-me que a segurança de Putin não ficaria completa nem seria eficaz sem as duas biclas.

publicado por Ana Vidal às 21:35
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Quarta-feira, 17 de Outubro de 2007

Sócrates e a vidente


A vidente concentra-se, fecha os olhos e diz:
- Vejo o senhor a passar numa avenida, num carro aberto, e uma multidão acenando. Sócrates sorri e pergunta:
- Essa multidão está feliz?
- Sim, muito feliz.
- E eles vão a correr atrás do carro?
- Sim, muita gente à volta do carro. Os polícias estão com dificuldades em abrir caminho.
- Levam bandeiras?
- Sim, bandeiras de Portugal e faixas com palavras de esperança e de um futuro melhor.
- Eles gritam, cantam?
- Gritam, sim, frases de esperança: "Agora sim!!! Agora vai melhorar!!!"
- E eu, e eu? Qual é a minha reacção?
- Não dá para ver.
- E por que não?
- Porque o caixão está lacrado.



publicado por Ana Vidal às 01:12
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Domingo, 14 de Outubro de 2007

PAZ à sua alma


Ou melhor, à do espírito que presidia, até há uns anos, à atribuição do Nobel da Paz.
Porque esse morreu, certamente.
E o seu herdeiro não me convence.
publicado por Ana Vidal às 13:13
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Sábado, 13 de Outubro de 2007

Menos pão, mais circo


Os parabéns vêm, normalmente, acompanhados de um presente. É da praxe. E o nosso irrepreensível primeiro-ministro segue-a à regra, pelos vistos.
Depois do "parabéns a vocês", em que ficámos todos muito felizes por ter contribuido com a nossa miséria para fazer descer uns milésimos na percentegem do défice, aí vem, como se esperava, o presente: a subida dos produtos alimentares de primeira necessidade, a partir de agora e até Janeiro de 2008. Só o pão, vai subir 30%!!
Venha de lá mais circo, senhor primeiro ministro, que bem vamos precisar dele para esquecer a dieta forçada...
publicado por Ana Vidal às 12:05
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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007

Parabéns???


Sócrates está a gozar-nos, descaradamente. Tira-nos o pão e dá-nos mais circo, em contrapartida. Sempre mais circo, que o povo gosta mesmo é de palhaços. Mas os palhaços somos nós, afinal.
E por fim, não contente com o espectáculo, ainda nos dá os parabéns. Por nos deixarmos amestrar tão facilmente? Por conseguirmos viver no arame? Ou num trapézio sem rede? Ou, talvez, na jaula dos leões? Parabéns porquê, afinal de contas??
Vinde, formosas damas e distintos cavalheiros. É entrar, é entrar, nesta tenda dos milagres! Por causa da contenção de despesas, o espectáculo é à luz das velas. Até a luz ao fundo do túnel foi apagada. Mas assim até é mais romântico...
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publicado por Ana Vidal às 23:50
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Sexta-feira, 5 de Outubro de 2007

A verdadeira pérola

Um jovem cherne contra o "ensino burguês" que era oferecido ao cardume.

O mesmo ensino, aliás, que fez dele o tubarão que é hoje.

Video descaradamente roubado no Cão com Pulgas, do Pedro Aniceto.

publicado por Ana Vidal às 19:15
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Domingo, 30 de Setembro de 2007

Para acabar de vez com a cultura


Parece-me um erro colossal insistir na utopia de uma "cultura europeia" única, aproveitando a onda de anti-islamismo que reúne consensos no Ocidente.
Primeiro, porque a Europa é, irremediavelmente, multicultural. E ainda bem, digo eu. Essa diversidade é, em grande parte, a sua maior riqueza. E segundo, porque tentar amalgamar à força essas diferentes culturas "por oposição a", ou seja, usando como barricada um ódio comum, é perigoso e dúbio. Nunca este tipo de "frente" feita à pressa deu bons resultados, na história da Humanidade.
Nota: Roubei o título deste post a Woody Allen, assumidamente.
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publicado por Ana Vidal às 13:50
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Sábado, 29 de Setembro de 2007

Fartar Vilanagem

"Adorei esta campanha", disse Marques Mendes. E ainda: "Se quiserem um líder para dividir em vez de unir, esse líder não sou eu», rematou.
Não vejo qual é o espanto da vitória de Menezes. Bate tudo certo, afinal: Somos um país de masoquistas, e lá que somos muito melhores a dividir do que a multiplicar, isso é um dado adquirido. São feitios...
Venha de lá então o eterno fartar vilanagem que todos conhecemos tão bem.
publicado por Ana Vidal às 01:59
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Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007

Um HOMEM

Segundo a Lusa, uma marcha pacífica (que nem chegou sequer a realizar-se) em Cuba, a favor de melhores condições para os presos políticos nas cadeias de Havana, acabou com a prisão de 13 dos seus promotores. Até aqui, nada de surpreendente: todos conhecemos a liberdade de expressão que vigora na "democracia" de Fidel. São dela a melhor prova os tais presos - quase todos intelectuais e jornalistas - cujas condições de vida esta manifestação tencionava denunciar.

O que me chamou a atenção na notícia da Lusa foi um pequeno pormenor: um desses manifestantes agora presos, Jorge Luis Garcia Pérez, acabou recentemente de cumprir 17 anos de cadeia pelo mesmíssimo delito, ou seja, discordar do regime no poder e exprimir o seu pensamento.
É a isto que eu chamo ter convicções, ter coragem, ter coluna vertebral.
Fidel Castro e os seus seguidores que se cuidem: é desta matéria que é feito um líder.

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publicado por Ana Vidal às 21:25
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Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007

Uma questão de nível


PSD: Mandatário de Mendes diz que Menezes chegou ao "nível mais baixo de sempre".
Verdadeiramente espantoso é assistir à cena patética destas duas criaturas, batendo-se por uns sapatos de defunto. Alguém faz a caridade de explicar-lhes que o próprio PSD já desceu tanto, mas tanto, que ninguém o vê???
É que é confrangedor ver que estes dois ainda não deram por isso!
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publicado por Ana Vidal às 00:56
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Terça-feira, 18 de Setembro de 2007

Middle east of the sun, middle west of the moon, dear

Dear big chief Sócrates: eu sei que o seu inglês é técnico, não geográfico. Por isso compreendo perfeitamente que confunda os pontos cardeais, ainda por cima quando se trata dos "middle ones".
É para si este video, dear: a música é óptima e talvez aprenda a situar melhor os alhos e os bugalhos. E não me agradeça, please. Tenho muito gosto, dear.
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publicado por Ana Vidal às 23:24
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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2007

Ora aí está!

«Por um Tibete livre
Percebe-se o melindre que provoca a visita do Dalai Lama a Portugal, mas o país deveria enviar um sinal muito mais forte aos tibetanos e aos chineses. Em especial este país, que tanto pugnou nos areópagos internacionais pela autodeterminação de Timor-Leste. Uma audiência com a comissão parlamentar dos Negócios Estrangeiros é claramente insuficiente, e, por isso, não ficamos lá muito bem na fotografia. »
Encontrado no Abencerragem, do Ricardo António Alves. Subscrevo, e acrescento: A bandeira da independência sempre foi especialmente cara aos portugueses (à excepção de Saramago, claro, mas esse felizmente não tinha voto na matéria quando tivemos invasões). Porquê este "assobiar para o lado" quando se trata do Tibete, tenha a opressão chinesa os anos que tiver?
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publicado por Ana Vidal às 20:59
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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007

No problem!


Exemplar, a atitude do Dalai Lama quanto ao facto de não ser alvo de uma recepção oficial. Como era de se esperar.
Desvalorizou em absoluto uma falha imperdoável - na minha opinião e na de muitos - do governo português, e as suas labirínticas razões para ignorar olimpicamente a visita de um líder espiritual desta envergadura, tão bem explicadas ao país por Luís Amado: "Por motivos óbvios, conhecidos de todos" (??)
Com um sorriso simpático e a habitual simplicidade que o caracteriza (e muita gente confunde, erradamente, com ingenuidade ou mesmo infantilidade) foi dizendo algumas verdades incómodas aos microfones da SIC: que o que o move é a paz e a harmonia entre os povos, e não as honrarias de um reconhecimento oficial nos países por onde passa; que os governos raramente fazem o que deviam quanto aos nobres objectivos humanitários com que ganham eleições; que a última coisa que quer é causar embaraços aos governantes, e que está habituado a estes constrangimentos políticos (o respeitinho à China é muito bonito, nada de provocar a potência que já está a dominar o mundo...).
Enfim, o Dalai Lama deu a todos nós uma lição em todas as frentes, própria de um homem inteligente e sábio que mereceu, por alguma razão!, a atribuição de um Nobel da Paz. E ainda demonstrou ter sentido de humor, ao afirmar que o tinham convidado e pago o bilhete, que era o mais importante.
No problem!, disse ele, sorridente, e percebe-se nessa simples declaração como este homem está acima das menoridades humanas.
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publicado por Ana Vidal às 17:22
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Quinta-feira, 30 de Agosto de 2007

Limpeza geral


Segundo a revista Visão, parece que António Costa começa hoje a limpar Lisboa.
Boas notícias, portanto.

Uma sugestão: Já que pegou na vassoura com tanta genica, senhor Presidente da Câmara, que tal começar por limpar a casa? Parece que está infestada de parasitas, instalados e de casa posta em tudo quanto é frincha, há tempo de mais.
É que, se os deixa estar, com este calor reproduzem-se que é um caso sério.
Uma desinfestaçãozinha era boa ideia.
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publicado por Ana Vidal às 12:07
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Sábado, 25 de Agosto de 2007

Brincadeiras perigosas


O Daniel Oliveira , no seu post de hoje O ladrão aceitável, chama a atenção do eterno conflito entre Israel e a Palestina, a propósito dos acontecimentos de Londres. E aproveita para falar também dos de Silves.
Quanto à primeira premissa - o que se tem passado na Palestina - dou-lhe toda a razão. Mas isso não justifica outros abusos, nem que se incentive "crianças" a "brincar" com coisas sérias, como o respeito pela propriedade e pela lei. É um mau princípio chamar brincadeira a um acto de puro vandalismo, seja ele em Portugal, em Londres ou na Palestina, seja num hectare de milho ou num país inteiro. São brincadeiras perigosas, sempre.
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publicado por Ana Vidal às 16:35
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Terça-feira, 21 de Agosto de 2007

Eufémia transgénica

Tenho acompanhado, como todos os portugueses, o inacreditável caso da ceifa terrorista de um campo de milho privado e legal, transgénico ou não. Esperei uma atitude imediata de condenação deste óbvio acto de vandalismo, mas nada. Sócrates, do alto do seu eterno Olimpo, nem se dignou tocar no assunto. O ministro da Agricultura titubeou, a GNR desculpou-se com a falta de BIs para uma correcta identificação dos manifestantes (!!!!!), o agricultor lesado praticamente não foi ouvido (será que vai ser indemnizado, ao menos?).
Não há muito mais a dizer sobre este assunto, no mundo da blogosfera. Muitos têm tratado o tema à exaustão, de forma séria, com opiniões sustentadas sobre factos comprovados. Não tenho a pretensão, portanto, de acrescentar muito ao que já foi dito, redito e visto de todos os prismas. Sugiro a leitura desta notável recolha feita pelo Afonso Reis Cabral, no Janelar, a quem ainda não saiba toda a história. E limito-me a fazer uma brevíssima reflexão. Mais de 30 anos após o 25 de Abril - 33 anos de democracia plena (ainda que bamba e imatura, às vezes) - constato esta coisa extraordinária: que ainda não nos livrámos de um terrível complexo de esquerda que nos acompanha desde esses inflamados anos da revolução.
Ficamos paralisados perante um acto de puro terrorismo e não conseguimos condená-lo inequivocamente, porque no nosso espírito pairam ainda as Catarinas Eufémias, mártires desses tempos idos. Aliás, não foi por acaso que este pretenso "movimento" recebeu o nome de Verde Eufémia. Como se fosse a mesma coisa, agora. Como se um grupelho de meninos urbanos em férias, não identificados e de cara tapada, fosse comparável aos trabalhadores rurais de então, mouros de trabalho e muitas vezes humilhados, que exigiam uma vida mais digna, embora claramente manipulados por uma máquina partidária implacável e bem afinada que se encarregava de manter ao rubro o ódio aos patrões, antes latente.
Não, ainda não nos livrámos desse complexo de esquerda. Do medo de sermos apelidados de fascistas ou de sermos conotados com uma direita saudosista, só porque nos insurgimos contra a selvajaria explícita e gratuita. Contra a justiça feita pelas próprias mãos, num estado de direito. Esquecemo-nos de que o agricultor cuja seara foi destruida não é um latifundiário ricaço e arrogante, mas um homem de trabalho. De muito trabalho e de muito esforço e de muita luta, como só quem ainda teima em fazer agricultura neste país é capaz. Ao pobre homem não bastavam os imponderáveis de um clima em permanente mutação e a concorrência de uma comunidade europeia onde todos os outros são mais poderosos do que ele. Não. Tinha de levar ainda com um bando de verdes eufémios a brincar aos ceifeiros, para inglês ver. Ou para Bloco ver. Não é justo. Podiam antes ter ido queimar os carros dos paizinhos, que também poluem e também fazem mal à saúde. Mas isso já não tinha graça. Os transgénicos é que estão a dar. Uma pergunta: Não estará esta Eufémia, assim verde e reencarnada 30 anos depois, também ela geneticamente modificada?
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publicado por Ana Vidal às 23:53
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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2007

O regresso do comendador metralha


Aí temos outra vez o inenarrável comendador metralha, que já não fazia piruetas mediáticas há algum tempo. Tudo pela ribalta, que me parece ser o seu deus de estimação e que, palpita-me, vai ser um dia a sua perdição. Estes frágeis feitiços raramente são fiéis aos feiticeiros.

Desta vez, Berardo exige demissões estratégicas e faz, publicamente, insinuações sobre as reais intenções dos "grandes" do BCP. Ou melhor: as de Jardim Gonçalves, o maior dos "grandes" e seu principal rival na batalha sobre o rumo futuro do maior banco português. E Jardim Gonçalves, que até agora tinha ignorado olimpicamente este militante roedor dos seus calcanhares, perdeu a paciência e ameaçou processá-lo.

Não percebo nada do assunto, nem quero. Mas acho que há limites para a impunidade, e que quem vive a lançar estas atoardas tem que saber enfrentar as consequências. Nem tudo pode ser folclore e pirotecnia.


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publicado por Ana Vidal às 12:04
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Sexta-feira, 27 de Julho de 2007

Zoom

Definitivamente, a política não aguenta ser vista à lupa. O zoom é quase sempre um espectáculo sórdido.

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publicado por Ana Vidal às 09:04
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Quarta-feira, 11 de Julho de 2007

Mãos na massa


Frase do dia (do dia do debate à dúzia na RTP, mais exactamente):

"Chega de palavras. O que é preciso é pôr as mãos na massa"
(Fernando Negrão)

Chegou tarde, amigo. Não tenha grandes ilusões. Duvido que ainda haja alguma massa na Câmara de Lisboa para pôr as mãos.
"The early bird gets the worm"...
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publicado por Ana Vidal às 09:58
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brisas, nortadas e furacões, por


Ana Vidal
Pedro Silveira Botelho
Manuel Fragoso de Almeida
Marie Tourvel
Rita Ferro
João Paulo Cardoso
Luísa
João de Bragança

palavras ao vento


portadovento@sapo.pt

aragens


“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez."

(Jean Cocteau)

portas da casa


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