Manuel Fragoso de Almeida
Ainda por cima somos pequenos!
Penso que já terão por certo feito esta reflexão, mas, em muitos aspectos, afigura-se-me que a nossa dimensão, enquanto país, nos traz óbices directos ou induzidos que são um factor importante nas dificuldades que o país tem de enfrentar.
Não me esqueço duma prima minha que, depois de angariar a pulso uma carreira internacional no canto clássico, iniciada isoladamente na Alemanha após a conclusão do Conservatório em Portugal, construindo tercetos com artistas internacionais, sendo convidada para actuações na Alemanha, na Áustria, na Suíça, em Inglaterra, e conseguindo mesmo o objectivo, sempre assumido, de actuar nos Estados Unidos… quis cantar em Portugal.
É assim!
A facilidade com que uma pessoa ou um pequeno grupo consegue, normalmente a expensas dos favores políticos, dominar sectores, influenciar decisões na sombra, parar carreiras de sucesso, escolher este e não aquele (aluno, fornecedor, artista, etc.), é confrangedora e deprimente, na explícita injustiça.
Os últimos tempos dos negócios bolsistas em Portugal – BPP, BPN, CGD, BCP, etc., etc., - e a crise em que estamos imersos, lembraram-me uma vez mais a questão da dimensão da bolsa, dos empresários, das empresas, do sistema financeiro.
Exemplificando, no BCP estão também a Teixeira Duarte e a Soares da Costa, onde está a Investifino, que também está na Cimpor, em cujo capital é maioritária a Teixeira Duarte.
Não sei os contornos do negócio entre Manuel Fino e a CGD e não os quero discutir aqui, mas a questão é que, pela mera existência de participações cruzadas significativas, a decisão de não renegociar o empréstimo de Manuel Fino por parte da CGD está logo posta de parte, porque significaria comprometer (pelo menos) a CGD, a Teixeira Duarte, a Soares da Costa, o BCP, o BPI, etc.
Será que existe um Sistema Financeiro Português?
Já agora, um contraponto para que tenhamos alguma esperança, apesar de tudo: com uma dimensão próxima da nossa, a Noruega discutia no seu parlamento, há poucos anos, se deveria ser permitido a um funcionário público telefonar para casa, utilizando para esse efeito o telefone do gabinete estatal onde prestava serviço, ou se tal não seria uma utilização abusiva dos dinheiros públicos.
Afinal, parece-me que a questão não tem assim tanto a ver com a nossa dimensão…