Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

Homens na cozinha


 

Foi um exercício de serendipidade saber que um homem que cozinhe tem os seus encantos. Tinha convidado uma mulher para jantar - chamemos-lhe Mary Alice. Pus um Erroll Garner, depois um Miles Davies, depois o "Moonglow" e o tema do Picnic, a música mais romântica que conheço, da cena de amor mais romântica jamais filmada, e apresentei o primeiro prato que tinha preparado com antecedência - camarão Rothschild, que consta de pães esvaziados salteados em manteiga clarificada, recheados com camarão ligeiramente estufado em caldo de peixe, o caldo reduzido praticamente a xarope, acabado no forno com um pouco de Gruyère e uma fatia de trufa. Apresentei-lho.

"Oh", disse ela, e foi atrás de mim para a cozinha onde fiz os tournedós Rossini - pequenos bifes de vaca cobertos de foie gras, uma fatia de trufa e uma redução de Madeira.

"Ah." Ela começou a fazer-me perguntas muito pormenorizadas sobre o que eu fazia e quem eu era.

O culminar foi uma criação espectacular chamada Le Talleyrand. Faz-se com cerejas enlatadas, imagine-se, e amêndoas moídas e açucar, cobre-se de merengue e, no merengue, põe-se metade de uma casca de ovo vazia, vai ao forno e, para o espectáculo, apagam-se as luzes, lança-se o fogo a um pouco de kirsch ou rum, que se verte na casca de ovo quando sai do forno toda tostada, ficando a parecer um pequeno vulcão - que é a parte em que as coisas se podem tornar muito húmidas.

Os olhos de Mary Alice estavam límpidos e suplicantes. "És o homem mais profundo e mais complexo que conheço, e adoro a tua sabedoria e os teus dedos... mas eu marquei outro encontro para hoje às dez". E lá foi ela passar a noite com outro tipo. Tanto trabalho para proveito dele! E nunca ele telefonou a agradecer-me.


Jonathan Reynolds, Dinner with Demmons, 2003

 

Esta é a introdução a um dos capítulos do livro que me anda a apaixonar por estes dias - A Ferver, do jornalista Bill Buford - classificado como um dos "livros do ano" pelo New York Times. O livro é o relato de um mergulho alucinante no reino encantado (mas nem sempre muito feérico) de um dos Chefs mais aclamados da cidade de todos os contrastes, Nova Iorque: Mario Batali. Batali tem, para quem conhece o millieu, um estatuto semelhante ao de um Picasso ou Dali, ou seja, o de um génio temperamental e excessivo que faz autêntica magia na cozinha. Bill Buford é o fascinado aprendiz de feiticeiro, que se sujeita a todas as exigências e humilhações para penetrar na caverna de Ali Babá e ficar a conhecer todos os segredos do exótico Batali.

 

Para mim que, como muitas outras mulheres, perfilho inteiramente a teoria de que um homem que saiba cozinhar tem encantos acrescidos, pesando muito no seu curriculum esses dotes de magia culinária, esta história é uma delícia. Aconselho a leitura deste livro (ainda que a tradução não seja famosa) aos homens portugueses. E às mulheres, claro, para se munirem de novos e saborosos critérios de escolha...

 

(A Ferver, de Bill Buford - Sextante Editores)

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 18:34
link do post
Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

Minúsculas distâncias

 

Faço o maior gosto nos meus amigos do outro lado do Atlântico. Não tenho tido o tempo que gostaria para visitá-los mas estão no meu coração, todos eles. Recebo desses amigos longínquos um carinho  que sempre me comove, e gostava de poder retribuir-lhes como merecem.  Um dia, estou certa, "aquele abraço" será bem real. Até lá continuaremos a  trocar livros, mails, ideias, e a fortalecer a nossa amizade, mesmo que à "minúscula" distância de um oceano.

 

Hoje o correio trouxe-me mais uma prova desse carinho, uma prova de luxo, aliás: o último livro da querida Fal Azevedo, com uma dedicatória da autora, cheia de ternura.

 

O título é inteligente e sugestivo - "Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite", a capa é linda e, o que é mais importante, a escrita é fluida e de grande qualidade. Estou viciada nesta narrativa a dois tempos, em dois registos, cheia de emoções contraditórias e de uma intensidade dramática que não esconde um subtil sentido de humor. Tudo o que eu gosto numa história e na maneira de contá-la. Resumindo, estou a adorar o seu livro, Fal. Parabéns!

 

Agradeço este presente à autora, naturalmente, mas também à incansável abelhinha mestra que faz a ponte entre todos estes amigos dispersos: a queridíssima Meg (foi ela quem me deu a conhecer muitos deles, e a Fal está incluída neste número). A tua vocação de matriarca blogosférica é inestimável, minha amiga!

 

Beijos para ambas, e o meu obrigada comovido.

 

(Nota: A imagem acima é do convite para o lançamento do livro da Fal, onde eu gostaria muito de ter estado para dar-lhe um beijo de parabéns. Fica para a próxima...)

 

publicado por Ana Vidal às 21:34
link do post
Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

Tempo de cerejas

 

Este delicioso texto da Leonor Barros levou-me a este outro, de António Lobo Antunes, que por sua vez me levou pela mão, directamente à minha infância. Conheço tudo aquilo, igualzinho, sem tirar nem pôr.

 

Nem só as conversas são como as cerejas.  As leituras também podem abrir essa fonte inesgotável, essa encantatória reacção em cadeia que nos leva, numa viagem inesperada e vertiginosa, até aos mais remotos locais da memória.

 

Obrigada, Leonor.

 

publicado por Ana Vidal às 15:47
link do post
Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

B-A BA russo

 

 

A Rosa, já o disse por aí, está há tantos anos connosco que faz parte da família. Veio um dia para casa das "tias" - já lá vão mais de setenta anos - para brincar com o meu pai, e nunca mais se foi embora. Pelo caminho, criou-nos a todos (a mim e aos meus irmãos) e depois aos nossos filhos. Com um bocadinho de sorte, e todos nós gostaríamos que isso acontecesse, ainda há-de conhecer os nossos netos. A Rosa é do tempo em que havia "criadas" e não "empregadas", palavra que significa, literalmente, alguém que era criado numa casa, juntamente com as crianças dessa casa. Não era um emprego, era uma vida.

 

Quando as minhas tias a levaram para casa, a Rosa era uma de sete irmãos muito brancos, muito loiros e muito, muito pobres. Tinham ascendência alemã, o que, numa terra ribatejana de peles tisnadas, bigodes e patilhas tão negros como os toiros da lezíria, era uma absoluta extravagância. Por isso eram conhecidos como "os russos", um bando de aves raras entregue a si próprio, porque os pais se matavam a trabalhar para criá-los com o mínimo dos mínimos e não sobrava nem um segundo para olhar por eles.  É claro que a Rosa, tal como os irmãos, fugia da escola porque tinha coisas muito mais interessantes para fazer, como apanhar fruta das árvores ou correr atrás dos gatos da vizinhança. Eu teria feito o mesmo, se pudesse.

 

Nunca quis aprender a ler, nunca se interessou pelo assunto. Três gerações consecutivas o tentaram aplicadamente, mas o máximo que conseguimos foi que ela aprendesse a escrever o próprio nome e a juntar algumas letras de imprensa, garrafais, em palavras simples. Só há pouco tempo, e por via da culinária, se convenceu a treinar um pouco mais a leitura. Muito a custo, e só porque é uma cozinheira de mão cheia e gosta de experimentar receitas novas, nem sempre tendo à mão quem lhas leia nos livros de cozinha. É engraçado ouvi-la ler as receitas, soletrando cada sílaba até fazer sentido no conjunto, numa operação que pode demorar vários minutos por palavra. Apanha, às vezes, um daqueles panfletos publicitários que aparecem na caixa do correio e põe-se a ler alto, sí-la-ba a sí-la-ba, até ficar cansada ou um de nós desatar a rir.

 

Além de cozinhar e passar a ferro como ninguém, a Rosa faz rendas. Das suas mãos já saíram quilómetros de verdadeiras filigranas de linha Âncora número 60 (finíssima!), com os desenhos mais imaginativos e intrincados. Um destes dias perguntei-lhe que renda estava a fazer agora. Foi buscar o saco, para me mostrar. No meio das linhas e agulhas vi um livro, e fiquei curiosa: nunca tinha visto tal coisa nas mãos dela. Escondeu-o no bolso do avental e disse-me, corada, que andava a treinar a leitura às escondidas e que aquele livro era fininho, por isso não a assustava. Tinha-o apanhado lá por casa, ninguém estava a lê-lo e ela não queria que se soubesse. E já tinha lido uma parte: em três pinceladas cómicas contou-me uma história, mais ou menos confusa, até ao ponto a que chegara. Não tinha passado ainda das primeiras páginas mas estava entusiasmada.

 

Fiquei impressionada. Fiz-lhe ver a importância daquilo, enquanto ela se ria da minha solenidade: “Rosa, é o teu primeiro livro, isto tem de ser comemorado!” E obriguei-a a mostrar-me o livrinho, o que demorou algum tempo. Quando finalmente o tive nas mãos, abri a boca de espanto: a Rosa, sem ninguém saber (nem ela própria…), fez jus à alcunha de infância e estreou-se... com um conto de Tchékov!

 

(Nota: Também no Pastéis de Nada)

 

Etiquetas: ,
publicado por Ana Vidal às 23:56
link do post
Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

Juan José Arreola


LIBERDADE 

 

«Acabo de proclamar a independência dos meus actos. À cerimônia compareceram apenas alguns desejos insatisfeitos, duas ou três atitudes condenáveis. Um propósito nobilitante, que prometera aparecer, enviou à última hora a sua escusa humilde. A cena transcorreu num silêncio pavoroso.

 

Creio que o erro esteve na proclamação ruidosa: trombetas e sinos, foguetes e tambores. E, para culminar, uma engenhosa queima de moral pirotécnica, que não chegou a arder de todo.

 

No final das contas, achei-me sozinho comigo mesmo. Despojado de todos os atributos de caudilho, os confins da noite encontraram-me empenhado na simples tarefa de escritório. Com os últimos restos de heroísmo, atirei-me à penosa incumbência de redigir os artigos de uma extensa Constituição, que amanhã submeterei à assembleia-geral. O trabalho divertiu-me um pouco, apagando do meu espírito a triste impressão do fracasso.

 

Leves e insidiosos pensamentos de rebeldia voam como mariposas noturnas em volta da lâmpada, enquanto sobre os escombros de minha prosa jurídica passa, de quando em vez, um tênue sopro da Marselhesa.» 

 

Quem escreve assim é Juan José Arreola, um escritor mexicano de quem eu nunca tinha lido nada. Mea culpa. Mas fui salva da ignorância pela erudição, sempre generosamente partilhada, da minha amiga Meg. Este texto subjugou-me à primeira linha, e, na próxima ida à feira do livro (na 3a feira não escapa, espero) vou procurar obras dele. Pela Meg fico a saber que Arreola  foi "amigo e interlocutor de Jorge Luis Borges. Da mesma geração que Juan Rulfo, foi um  renovador da literatura não só mexicana, mas de toda a literatura da America Latina. "      

 

Deixo-vos ainda duas outras pérolas de Arreola, especialista em micro-narrativas:   

        

"Dois pontos que se atraem não têm por que seguir forçosamente uma linha recta. Sem dúvida, é o caminho mais curto. Há, no entanto, os que preferem o infinito." 

 

"Sou um Adão que sonha no paraíso, mas acordo sempre com as costelas intactas."

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 02:36
link do post
Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Diário do paraíso (2)

 

Esta manhã a praia não era só minha. Um pescador solitário chegou, pousou a trouxa, sorriu-me com ar cúmplice e disse-me qualquer coisa que me pareceu um bom-dia. Depois armou duas longas canas, que espetou à beira de água, e ficou imóvel, de pé, olhos pregados no horizonte. Os pescadores são filósofos, precisam de espaço e de silêncio. Era exactamente o que eu queria também, e por isso me afastei passado algum tempo. Não trocámos mais palavras, mas houve qualquer coisa que gerou um entendimento mútuo imediato. Os muitos quilómetros de praia ensolarada albergaram, hoje, duas solidões voluntárias e felizes.

 

 

Trouxe livros, muitos livros. Mais exactamente, cinco (!) livros. Não porque vá lê-los todos, mas porque não sei quando um deles me apetece e gosto de ir lendo vários ao mesmo tempo. Hoje levei para a praia O sol dos Scorta (Laurent Gaudé). Foi prémio Goncourt em 2004 e estou a lê-lo por recomendação de um amigo. O primeiro capítulo deixou-me logo rendida, a escrita é arrebatadora:

 

"O calor do sol parecia fender a terra. Nem um sopro de vento fazia estremecer as oliveiras. Tudo permanecia imóvel. O perfume das colinas esvanecera-se. A rocha gemia de calor.  O mês de Agosto imperava no maciço de Gargano com a segurança de um senhor. Era impossível acreditar que, nestas terras, algum dia pudesse ter chovido."

 

Trouxe também, para acabá-lo, A mulher certa (Sandor Marai), que já me tinha conquistado antes com o maravilhoso As velas ardem até ao fim. Depois de um diálogo vertiginoso, este implacável monólogo, igualmente primoroso:

 

"Dizes que não é necessário, nem possível, «compreender» como se ama? Enganas-te, minha cara. Eu também julgava isso e, durante muito tempo, gritei-o, a modo de acusação contra o céu. O amor existe ou não existe. Que mais há para «compreender» aí?"

 

Ainda um livro de poesia: a Antologia pessoal de Astrid Cabral, acabadinho de sair no Brasil, que a autora me enviou pelo correio com uma dedicatória que me comoveu. Astrid é, além de uma grande e respeitada Poeta, uma querida amiga, e deu-me a honra de aceitar prefaciar a edição brasileira da minha antologia gastronómica "A Poesia é para comer":

 

"Conhecer-se

 

A gente se despe em frente

a espelhos e ousa enfrentar-se.

Porém não há mesmo como

ver-se, blindada a alma

e as costas inalcançáveis.

Somos opacos, translúcidos

apenas a radiografias.

Contudo resta a ânsia

de bem nítido nos vermos

na dimensão do real.

Mas, por mais que nos olhemos,

o eclipse é sempre total."

 

Igualmente recebido pelo correio, de uma amiga brasileira que assina dois blogs de que sou visita regular - Adelaide Amorim - o livro Como se livrar de Glória. Estou a descobri-lo ainda, com um imenso prazer:

 

"Ambos sabiam o que se desejavam dizer. Sabiam também que tipo de informação e consolo poderiam trocar, mas não valia a pena acelerar as palavras e as intenções, que iriam chegando naturalmente, sem quebrar o clima de acolhimento mútuo."

 

Finalmente, um livro que trouxe por razões de trabalho: O meu país inventado, de Isabel Allende. Preciso de ler sobre o Chile e aceito sugestões de quem souber de outras fontes de informação interessantes.

 

"Nos bairros de lata havia consciência de classe, orgulho de pertencer ao proletariado, o que foi para mim surpreendente numa sociedade tão arrivista como a chilena. Descobri então que o arrivismo era próprio da classe média; os pobres estavam demasiado ocupados na difícil arte da sobrevivência."

 

Como se pode ver por todas estas companhias, a minha solidão é muito relativa...

 

E pronto. Para hoje, uma das canções de Elton John de que mais gosto. E que vem muito a propósito, nestes lazy days de pensar, ler e escrever: Writing.

 

 

Is there anything left
Maybe steak and eggs
Waking up to washing up
Making up your bed
Lazy days my razor blade
Could use a better edge

It's enough to make you laugh
Relax in a nice cool bath
Inspiration for navigation
Of our new found craft
I know you and you know me
It's always half and half

And we were oh oh, so you know
Not the kind to dawdle
Will the things we wrote today
Sound as good tomorrow
Will we still be writing
In approaching years
Stifling yawns on Sundays
As the weekends disappear

We could stretch our legs if we'd half a mind
But don't disturb us if you hear us trying
To instigate the structure of another line or two
Cause writing's lighting up
And I like life enough to see it through

 

(Nota: Porque sou muito indisciplinada, impus algumas regras a mim própria. Uma delas é só vir aos blogs à noite, e por pouco tempo. Por isso não farei muitas visitas nestes dias, mas é claro que gosto muito de saber que vêm visitar-me aqui e prometo ir respondendo às vossas mensagens.)

 

publicado por Ana Vidal às 21:10
link do post
Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

Dia do Livro

No dia mundial do Livro e do Direito de Autor, a minha homenagem a um Homem, escritor, filósofo e pedagogo muito especial que, de mais que uma maneira, tocou a minha vida.

 



«(...) Olhamos para dentro de nós e apercebemo-nos de que fomos pouca coisa, de que somos pouca coisa. Escrevemos livros, sobretudo um livro, montámos toda uma teoria de respostas satisfatórias para as nossas mais fundas interrogações, julgámo-nos senhores de um saber superior ao da maioria dos nossos amigos ou contemporâneos, mas sempre a mesma pergunta, contundente e inevitável: O que se encontra, meu Deus?»


António Quadros, "Uma Frescura de Asas".


(Imagem: Livro - Fotografia de Chema Madoz)

Etiquetas: ,
publicado por Ana Vidal às 22:07
link do post
Segunda-feira, 3 de Março de 2008

Maria Gabriela Llansol 1931-2008


De mim, direi que fui uma vez enviado, trouxeste a frase que nunca antes leras, o meu corpo a disse, e não reparaste que ficaste com ela escrita.


(Maria Gabriela Llansol - Lisboaleipzig 2)

Etiquetas: ,
publicado por Ana Vidal às 21:32
link do post
Domingo, 16 de Dezembro de 2007

Obrigada

Obrigada a todos os meus amigos que tiveram a paciência e a coragem de ter ido ontem à Azambuja para o lançamento do meu livro, nesta época em que todo o tempo está ocupado.
E obrigada também a todos os que não puderam estar presentes, e, literalmente, me entupiram o telefone e o computador com mensagens e mails tão queridos que me aqueceram a alma.
A todos agradeço, comovida, porque sei que os amigos são o mais precioso dos bens. E os meus são os melhores do mundo!

publicado por Ana Vidal às 12:36
link do post
Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007

Convite

Entretanto, duas boas notícias:

1. Gostava muito de contar com todos no lançamento do meu livro Gente do Sul, que será na Azambuja (eu sei, eu sei, não é exactamente o sítio mais prático. Mas aviso que há comes e bebes, talvez convença assim os mais relutantes...), no próximo dia 15 de Dezembro (sábado) às 18h, no Auditório Municipal de Azambuja. O livro será apresentado pelo Dr. Joaquim Ramos, Presidente da Câmara de Azambuja. Apareçam por lá!


2. Soube agora mesmo que outro livro meu, A Poesia é para Comer, acaba de ganhar um prémio internacional: o Gourmand World Cookbook Award 2007, para o melhor livro português na categoria de Best Food Literature Book. Com este prémio, o livro fica automaticamente candidato ao prémio máximo, o Gourmand Best in the World, cujo vencedor será anunciado em Maio de 2008. Para quem não conhece, os Gourmand World CookBook Awards são uma espécie de Óscares para os livros de Cozinha, atribuídos por um júri internacional e muito concorridos. Só por curiosidade, o criador e presidente destes Prémios (belga ou suiço, não sei bem) chama-se, bem a propósito, Mr. Edouard Cointreau.
publicado por Ana Vidal às 17:24
link do post
Terça-feira, 13 de Novembro de 2007

Um presente


Há dias, tive um presente muito especial: uma agenda para 2008.
Mas não é uma agenda qualquer. Nada disso. É daquelas que guardamos religiosamente, e que continuamos a abrir muito tempo depois de aquelas datas baterem certas com os dias da semana. Muito tempo depois de termos enchido aquelas páginas de anotações, lembretes, pensamentos, contas, ideias.
Não é uma agenda qualquer. É o Culinário 2008*, ainda virgem dos meus escritos e já muito bem recheado de petiscos a pedirem para serem feitos e apreciados: uma receita por cada dia do ano, e todas apetitosas.
Obrigada, Sofia.

*(da Assírio & Alvim)
publicado por Ana Vidal às 01:35
link do post
Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

Alice no país dos hai-kais



Alice Ruiz: querida amiga, poeta, letrista e mestra de hai-kai, essa subtilíssima arte da palavra fotográfica. Chamo-lhe assim porque um hai-kai é o registo de um momento, imobilizado e fixado para sempre, como numa fotografia (não sei se a definição será muito ortodoxa, mas é assim que eu vejo esta forma de poesia).
O disco Paralelas é o belo resultado de uma parceria bem sucedida: Alice e Alzira Espíndola, letra e música, respectivamente. Além das vozes de ambas (falada a primeira, cantada a segunda), também as de Zelia Duncan e Arnaldo Antunes, a fazer deste trabalho um registo memorável.
Aqui ficam alguns exemplos do talento de Alice (escolhi-os do livro Desorientais, uma recolha exaustiva dos hai-kais da poeta) :







lembra aquele beijo
corpo alma e mente?
pois eu esqueci completamente
*
dançamos em pensamento
a dança dos anos
que nos devemos
*
roubaram a casa
as moscas ficaram
às moscas
*
o menino me ensina
como um velho sábio
o quanto sou menina
*
à beira do insuportável
essa qualidade rara
ser insubordinável
(Alice Ruiz, in Desorientais)


(Alzira Espíndola e Zelia Duncan, cantando uma letra de Alice - É só começar - do Paralelas)

É só começar
ninguém precisa
ter talento
p'ra transformar
caso em descaso
já o contrário
é que é o caso
se você não tem, lamento
é preciso ser forte
é preciso ser fraco
é preciso ganhar
e perder o juízo
sai dessa pose
pára de pensar no prejuízo
e segue em frente
tem hora p'ra chegar
tem hora p'ra se afastar
não sabe como?
é só começar
Etiquetas: , , ,
publicado por Ana Vidal às 01:07
link do post
Domingo, 4 de Novembro de 2007

Sedução na página 161


Por intermédio da Leonor Barros, do Geração Rasca, passou pela Porta do Vento a tal corrente blogosférica da "pág. 161". Antes de mais, agradeço à Leonor o simpático convite, e adiro à corrente com muito gosto. São estas as regras:
1. Pegue no livro mais próximo, com mais de 161 páginas – implica acaso e não escolha.
2. Abra o livro na página 161.
3. Na referida página procure a 5.ª frase completa.
4. Transcreva na íntegra para o seu blogue a frase encontrada.
5. Passe o desafio a cinco bloggers (por minha conta e risco, aumentei para seis).
No livro que estou agora a ler - Como tornar-se doente mental, de J.L. Pio Abreu - a página 161 é uma das 8 da extensa bibliografia, por isso presumo que não conta. Assim, querendo manter as coisas com algum rigor e isenção, resolvi fazer o seguinte: dirigir-me à estante, apalpando as lombadas sem olhá-las, avaliando-lhes a espessura para excluir automaticamente os livros que não tivessem o número mínimo de páginas. O livro em que peguei, por este método, é uma espécie de "3 em 1": Poemas - As Elegias de Duíno - Sonetos a Orfeu, de Rainer Maria Rilke. Curiosamente, a página 161 é... uma fotografia! Assim, olhei para a página par que lhe correspondia, e lá encontrei a 5a frase completa, que é esta:
"mais sedutores que Frine se seduzem a si próprios"
E pronto, passo o testemunho aos seguintes bloggers:
  1. Juro que tenho mais que fazer, da Madalena
  2. O Eldorado, do JP
  3. Dito Assim, do Jayme Serva
  4. Codornizes, do Pedro Cordeiro
  5. Zoo, do JG
  6. Abencerragem, do Ricardo António Alves

publicado por Ana Vidal às 19:13
link do post
Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007

Famosos imbecis

"É preciso uma boa dose de imbecilidade para querer ser famoso"
Esta frase, de grande efeito dramático, foi dita por Miguel Sousa Tavares ao DN Online, numa entrevista recente a propósito do lançamento do seu segundo romance, Rio das Flores. O qual, by the way, teve uma notável 1ª tiragem de 100.000 exemplares!!
Então, Miguel, que mau feitio é esse? Sejamos honestos: será que tem alguma dúvida de que os seus livros não se venderiam como pãezinhos quentes, se você não fosse... famoso????

Eu, então, acho que basta uma boa dose de desconhecimento daquilo que é a fama, e mais outra boa dose de ambição, para se querer ser famoso.

E não é por aí, afinal, que começam quase todos os famosos?
Nota: Vale a pena ler o resto da entrevista.
publicado por Ana Vidal às 11:45
link do post
Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007

Beleza masculina


A propósito das belezas masculinas que têm invadido este e outros blogs, aqui ficam alguns conselhos úteis para os que consideram ter menos atributos. Como vêm, toga e unhas limpas, nariz sem pelos e um cheirinho simpático, e as hipóteses são as mesmas para todos. Mas muita atenção à ferrugem nas fivelas!
"Mas não tenhas gosto em frisar com ferro o teu cabelo, nem rapes, com a aspereza da pedra pomes, as pernas; deixa que façam isso aqueles por quem a mãe Cibeleia é celebrada ao som de cantos ululantes.

Uma beleza desarranjada é o que fica bem aos homens.

A filha de Minos, Teseu a levou, sem ter a cabeça enfeitada com qualquer gancho; Hipólito, Fedra perdeu-se de amores por ele, e ele não era lá muito elegante; paixão de uma deusa foi Adónis, afeiçoado aos bosques.

É a limpeza que deve dar prazer, revele o corpo a pele tisnada no Campo de Marte; esteja a toga apresentável e sem nódoas; não deve usar-se calçado ressequido e não haja ferrugem nas fivelas, nem ande o pé a nadar, desengonçado, em pele largueirona, nem dê mau aspecto a cabelos enrijecidos um corte mal feito; sejam cabelo e barba aparados por mão firme; as unhas não devem dar nas vistas de compridas e devem estar limpas, e no nariz não deve haver qualquer pelo; não saia mau hálito de uma boca malcheirosa, nem atinja o nariz dos outros o fedor do macho e do pai do rebanho.

Quanto ao resto, deixa-o por conta das mulheres dadas ao prazer ou de qualquer homem que tenha o vício de possuir outro homem."
Ovídio, in A arte de amar

publicado por Ana Vidal às 20:01
link do post
Terça-feira, 23 de Outubro de 2007

Uma stôra especial


Ao fim de três dias de uma gripe que me deixou completamente afónica, e sem conseguir melhorar nada, rendi-me: trouxe o trabalho mais importante que tinha em mãos e fiquei em casa, "no choco". E, já que o fiz, reclamei tudo aquilo a que se tem direito nestas situações: torradas e chá com mel, um colar de algodão embebido em álcool para manter a garganta quente, xarope de cenoura (tudo isto são mezinhas da minha mãe, que por acaso até era médica...) e, last but not the least, a deprimente visão dos famigerados programas de televisão para donas de casa e reformados. Aguentei, afundada numa apatia de febre e ben-u-rons, quase duas horas de indescritíveis conversas e cantorias várias. Mas, quando já estava quase a cortar os pulsos, uma professora de português do ciclo preparatório salvou-me a vida. E o dia.
Tive a sorte e o privilégio de ter tido excelentes professores no ciclo (na altura chamava-se liceu). Vêm-me logo à memória alguns nomes, assim que penso nisso: Mariana Ginestal Machado, José Pita Soares, Manuela Geada, Luís Mourão, e tantos outros de quem retive melhor a figura do que o nome. Um desses casos foi, exactamente, uma fantástica professora de português, magra e esquálida, que de imediato foi baptizada de "Maria Ninguém" por associação com a personagem do Frei Luís de Sousa, que fazia parte do programa. Não me lembro do seu nome verdadeiro por essa razão, mas nunca mais esquecerei as suas aulas, transformadas em palcos empolgantes que ela improvisava, apaixonadamente, sempre que os textos se prestavam à representação. A essa professora devo, em grande parte, o meu gosto pelo teatro e pelos livros.
A professora que ouvi hoje na televisão - a propósito das conclusões sobre a implementação do Plano Nacional de Leitura - lembrou-me muito essa "Maria Ninguém", mas tem ainda muito mais valor, porque manifesta a mesma paixão por uma profissão que exerce em circunstâncias incomparavelmente mais adversas. Foi comovente o seu testemunho, a entrega total, o entusiasmo inquebrantável perante todas as dificuldades que encontra diariamente. E são muitas. Todos sabemos as dramáticas condições em que os professores ensinam hoje em dia, logísticas e psicológicas. É quase um milagre que consigam manter a sanidade mental, quanto mais o prazer de ensinar. Este caso - o de alguém que ensina a "língua mater dolorosa" há mais de 30 anos, e com a mesma paixão, é especialmente raro. De tal maneira ela foi eloquente que recebeu como prémio, de surpresa, o telefonema de um antigo aluno (hoje psicólogo), também ele comovido e declarando-se agradecido para sempre à sua antiga professora.
Mas talvez o que mais me impressionou nesta entrevista tenha sido o total desassombro desta mulher: ainda no activo, deu a cara e chamou "os bois pelos nomes", pondo o dedo numa eterna ferida, ao acusar de mediocridade e saloice os autores de programas pedagógicos completamente desadequados, que levam os alunos a afastar-se do prazer da leitura e os impedem de apreciar devidamente, mais tarde, as obras que são obrigados a estudar quando ainda não têm maturidade nem capacidade para entendê-las. Corajosamente, citou Pessoa ao classificar de "baba pedagógica" a infantilidade de alguns conteúdos, outro erro de que sofrem os programas. E acabou com uma frase com a qual concordo em absoluto: não há "disciplinas papões", o gosto ou o desinteresse dos alunos pelas matérias dependem sobretudo da forma como o professor as transmite, e da sua afectividade por essas matérias. Grande stôra!

publicado por Ana Vidal às 21:37
link do post
Quarta-feira, 3 de Outubro de 2007

Quem quer ser normal, se pode ser genial?


Já percebo porque é que tanta gente hoje em dia gosta de se dizer bipolar, mesmo sem saber muito bem o que isso é: a genialidade é um adereço que fica sempre bem ao tom de pele.
O antigo nome da doença - perturbação maníaco-depressiva - não era tão apelativo, convenhamos. Mas ser bipolar é, para muitos, sinónimo de ser artista.
É claro que não é bem assim: não é verdade que todos os artistas sejam bipolares, e muito menos que todos os bipolares sejam artistas. Ilusões.
Leiam aqui:

Edgar Allan Poe, Lord Byron, Van Gogh e Virgínia Wolf são alguns dos artistas bipolares "marcados pela genialidade e pela loucura" referidos em "Tocados pelo Fogo", um livro da psiquiatra norte-americana Kay Redfield Jamison, hoje apresentado.
"As pessoas com uma vida mais agitada e temperamental, com relações afectivas muito intensas, são mais predispostas para a arte", afirma o psiquiatra do Hospital Júlio de Matos, em Lisboa, que acrescenta que "a arte pode funcionar como uma reparação do equilíbrio perdido em consequência das variações de humor", característica da doença bipolar.

Etiquetas: ,
publicado por Ana Vidal às 22:29
link do post
Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007

Espíritos simpáticos

«387. A simpatia tem sempre por motivo um conhecimento anterior?

- Não; dois espíritos que tenham afinidades procuram-se naturalmente, sem que se hajam conhecido como encarnados.
388. Os encontros que se dão algumas vezes entre certas pessoas, e que se atribuem ao acaso, não serão o efeito de uma espécie de relações simpáticas?
- Há, entre os seres pensantes, ligações que ainda não conheceis. O magnetismo é a bússola dessa ciência, que um dia compreendereis melhor.
389. De onde vem a atracção instintiva que se experimenta por certas pessoas, à primeira vista?
- Espíritos simpáticos, que se percebem e se reconhecem, muito antes de se falarem.»

(in 'O livro dos Espíritos', Cap.7)


Simpática, esta ideia dos Espíritos Simpáticos.
E talvez explique algumas "coincidências" que todos nós experimentamos às vezes.
Etiquetas: ,
publicado por Ana Vidal às 23:07
link do post
Sexta-feira, 21 de Setembro de 2007

Lobas II


“As mulheres carregam nos olhos os fogos dos sete infernos. Pode-se pegar na carne delas, qualquer trecho do corpo: é quente. Não será do sol do mundo. É das antiquíssimas labaredas, que elas atravessam sem se queimar.
Mas o fogo aquece-as para sempre e a cintilância das labaredas perdura, anzol ou garra de ar.
As mulheres quando morrem vão, mas voltam vestidas de outras peles e de outros cabelos para continuar os serviços lá delas. O diabo autoriza quando estão no ponto: “Voltem”. O diabo sabe o que faz. Aí elas se misturam de novo no meio dos povos e o aroma delas é de raízes silvestres. As curvas feitas nas ancas são cavadas pessoalmente pelo diabo que recheia muito bem recheada a parede das ancas. Ele mira e remira as ancas e satisfeito sorri, o hábil oleiro.
O diabo ensina as artes de falar; de sorrir; de prometer; de chorar; de aliciar; de imantar, de fingir, até elas alcançarem a sabedoria: para ir deixando um rastro de estragos.
Dizem que há exceções. Quanto a essa parte não sei.”
Haroldo Maranhão (escritor brasileiro - 1927-2004)

Emprestado da Meg, no SubRosa, este texto de Haroldo Maranhão é altamente provocatório. Apenas misógino? Sábio? Atrevo-me a dissecá-lo:
Há qualquer coisa, realmente, na natureza feminina - a influência em nós dos ciclos lunares, por exemplo, que o diga - que está profundamente ligada aos primórdios. E os homens sempre diabolizaram o que não entendem e os assusta, exactamente porque não o entendem (muitas "bruxas" acabaram na fogueira por causa disso, literalmente ou em sentido figurado). Não sabem, claro, que tudo o que queremos é amá-los. Mas sentem, ou intuem (a intuição é mais do nosso foro, por isso será talvez instinto de sobrevivência), que esse amor pode, por vezes, ser-lhes fatal.
O tão aclamado "sagrado feminino" encerra em si um enorme poder que tem alguma coisa de perverso, há que reconhecê-lo. A infinita complexidade das mulheres (e também a pura necessidade, num mundo patriarcal), muniu-as de várias e sofisticadas armas, frequentemente usadas de maneira pouco limpa. E os homens, com toda a sua pirotecnia de superioridade, são afinal muito mais vulneráveis. Mais expostos. Até porque lhes é exigido que exibam os atributos de uma força que lhes deve ser natural. As mulheres podem recolher as garras e simular fragilidade, se isso lhes convier, mas aos homens isso não é permitido: presos na sua própria teia, cumprem o arquétipo que lhes foi atribuído, pagando o preço da previsibilidade. Assim, resta-lhes esmagá-las com essa mesma força de que são, eles próprios, cativos. Tudo isso antes que o façam elas, de formas mais subtis e quase sempre mais devastadoras.
Homens e mulheres navegam, desde sempre, num único e irremediável equívoco: presumir que a outra metade fala a mesma língua. Interpretamo-nos uns aos outros à luz de códigos duplos, julgando-os os mesmos. E todos os conflitos derivam daí.
P.S.: Parabéns à Meg pelo seu Sub Rosa, que acaba de fazer 6 anos de vida!
Etiquetas: , ,
publicado por Ana Vidal às 22:46
link do post
Quinta-feira, 20 de Setembro de 2007

Lobas I

«O título do livro - "Mulheres que correm com os Lobos - Mitos e histórias do arquétipo da Mulher Selvagem" - foi inspirado nos meus estudos sobre a biologia de animais selvagens, em especial os lobos. Os estudos de lobos Canis Lupus e Canis Rufus são como a história das mulheres, no que diz respeito à sua vivacidade e à sua labuta. Os lobos saudáveis e as mulheres saudáveis têm certas características psíquicas em comum: percepção aguçada, espírito brincalhão e uma elevada capacidade para a dedicação. Os lobos e as mulheres são gregários por natureza, curiosos, dotados de grande resistência e força. São profundamente intuitivos e têm grande preocupação para com as suas crias, os seus parceiros e sua matilha. Têm experiência em se adaptar a circunstâncias em constante mutação. Têm uma determinação feroz e uma extrema coragem.
No entanto, as duas espécies foram perseguidas e acossadas, sendo-lhes falsamente atribuído o facto de serem trapaceiros e vorazes, excessivamente agressivos e de terem menor valor do que os seus detractores. Foram alvo daqueles que preferiam arrasar as matas virgens, bem como os arredores selvagens da psique, erradicando o que fosse instintivo sem deixar que dele restasse nenhum sinal. A actividade predatória contra os lobos e contra as mulheres, por parte daqueles que não os compreendem, é de uma semelhança surpreendente.
Todas nós, mulheres, temos anseio pelo que é selvagem.
Existem poucos antídotos aceites pela nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer os cabelos e usamo-los para esconder os nossos sentimentos e a nossa essência mais profunda. No entanto, o espectro da mulher selvagem ainda nos espreita, de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem, decididamente, quatro patas.»

(Clarissa Pinkola Estés, in "Mulheres que correm com os Lobos")
Etiquetas: ,
publicado por Ana Vidal às 00:39
link do post

brisas, nortadas e furacões, por


Ana Vidal
Pedro Silveira Botelho
Manuel Fragoso de Almeida
Marie Tourvel
Rita Ferro
João Paulo Cardoso
Luísa
João de Bragança

palavras ao vento


portadovento@sapo.pt

aragens


“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez."

(Jean Cocteau)

portas da casa


Violinos no Telhado
Pastéis de Nada
As Letras da Sopa
O Eldorado
Nocturno
Delito de Opinião
Adeus, até ao meu regresso

Ventos recentes

Homens na cozinha

Minúsculas distâncias

Tempo de cerejas

B-A BA russo

Juan José Arreola

Diário do paraíso (2)

Dia do Livro

Maria Gabriela Llansol 1...

Obrigada

Convite

Um presente

Alice no país dos hai-kai...

Sedução na página 161

Famosos imbecis

Beleza masculina

favoritos

Fado literário

O triunfo dos porcos

E tudo o vento levou

Perfil


ver perfil

. 16 seguidores

Subscrever feeds