Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

Lá estarei...

 

Acabei de receber este convite. Às vezes tenho pena, muita pena de que haja um oceano entre mim e a minha vontade de dar um salto ao Brasil, por tudo e por nada. Desta vez seria por tudo, sem dúvida. Quanto mais não fosse, para dar um beijo ao neto do homenageado!

 

publicado por Ana Vidal às 11:05
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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

Nobel

 

Preguiçosamente - porque tenho tido pouco tempo e igual quantidade de paciência para a bloguice - roubei ao Luís Serpa esta citação belíssima do novo Nobel da Literatura: 

 

"Ceux qui sont immobiles sur la terre errante: les voyageurs.
Ceux qui fuient sur la terre immobile: les sédentaires.
Mais ceux qui fuient sur la terre errante, et ceux qui sont immobiles sur la terre immobile: comment les appeler?"


Não foi por acaso, certamente, que Le Clézio ganhou o prémio.

 

(Obrigada, Luís. É tão bom ter quem faça os trabalhos de casa por nós...)

 

Adenda: Meus amigos, confesso que fiz uma pequena batota: não pus aqui a citação completa, e fi-lo de propósito para provocar justamente o que aconteceu: cada um deu o seu palpite, e todos eles foram óptimos. Aqui está a solução (parcial) de Monsieur le Nobel:

 

"Ceux qui fuient sur la terre errante: je propose de les appeler "marins"."

 

E os outros?, perguntarão... Eu chamar-lhes-ia "mortos".

 

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publicado por Ana Vidal às 18:34
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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

A geração de Pessoa

 

Abriu ontem esta exposição na Gulbenkian.

Ainda não fui lá, mas tenciono. Aposto que vai valer a pena.

 

publicado por Ana Vidal às 23:48
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Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

Pnet Literatura


 
Acabo de saber, por uma circular do PEN Clube Português, da existência de um novo espaço literário virtual: O site/blogue Pnet Literatura
 
Ainda não tive tempo para explorá-lo como gostaria, mas aplaudo desde já a sua criação. São sempre bem-vindas estas iniciativas.
 
Além disso, esta está muito bem entregue: quem dirige o Pnet Literatura é o Luís Carmelo, cuja competência nestas lides é inquestionável.
 
 
publicado por Ana Vidal às 17:29
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Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Absoluto

 

 

"Un homme qui préfère la voix de sa conscience à celle de son amour, peut être un héros aux yeux des hommes. Mais il est certain qu'il n'est pas mon homme, dis-je tranquilement."

"Pénélope", in Paix à Ithaque, Sándor Márai.*

 

 

Grande, enorme Márai. Não falo só da qualidade literária, que é inquestionável. Falo da densidade, da profundidade, da simplicidade com que diz estas verdades essenciais. Raramente tenho encontrado um escritor (homem) que conheça tão bem a natureza feminina como ele (leiam "A mulher certa", minhas amigas, e digam-me se não tenho razão). A mim, conhece-me como se vivesse desde sempre no meu coração e passasse férias no meu cérebro.

 

*Notas:

1. A citação foi encontrada no Don Vivo e descaradamente roubada para aqui 

2. Imagem - O Livro-Espelho, de Chema Madoz 

 

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publicado por Ana Vidal às 10:49
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Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Dez linhas que fossem boas

Ofereci à Júlia ML este contributo para uma tese que lhe é cara. Mas depois apeteceu-me trazê-lo para aqui, porque é dos textos mais belos e sábios que já li sobre o acto de escrever.

 

 

“...Devia-se esperar e acumular sentido e doçura ao longo de toda uma vida, e esta ser tão longa quanto possível, e então, mesmo no fim dela, talvez se pudesse escrever dez linhas que fossem boas.


Pois os versos não são sentimentos (esses têm-se cedo que baste), - são experiências. Por causa de um verso, tem de se ver muitas cidades, pessoas e coisas, tem de se conhecer os animais, tem de se sentir como os pássaros voam e de saber os gestos com que as pequenas flores se abrem pela manhã. Tem de se poder voltar com o pensamento a caminhos de regiões desconhecidas, a encontros inesperados e a despedidas (...)

(...) E também não chega que se tenha lembranças. Tem de se poder esquecê-las se forem muitas e tem de se ter a grande paciência de esperar que elas regressem.

Porque as próprias recordações ainda não são nada. Só quando se tornam sangue em nós, e olhar e gestos, já sem nome e impossíveis de distinguir de nós mesmos, só então pode acontecer que, numa hora muito rara, desponte no meio delas a primeira palavra de um verso e delas se desprenda.”

(Rainer Maria Rilke, in Cartas a um Jovem Poeta)

 

publicado por Ana Vidal às 01:58
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Terça-feira, 1 de Julho de 2008

Encontro

"As pessoas caem umas nos braços das outras sem delinear a aventura. Quando muito, avançam num ziguezague. Mas, uma vez no rumo certo, corrigem o desvio e se juntam. Amor tão repentino representa um choque, e aqueles que assim se defrontaram são devolvidos ao ponto de partida como por efeito de um disparo. Projetados violentamente, sua trajectória de retorno os incrusta novamente, canhão adentro, num cartucho sem pólvora.


Uma vez por outra, um par se afasta desta regra invariáveI. Seu propósito é francamente linear, não carece de rectidão prévia. Misteriosamente, escolhem o labirinto. Não podem viver separados. Esta é a única certeza que os possui, e terminam perdendo-a ao se procurarem. Quando um deles erra e marca o encontro, o outro finge não perceber e passa sem cumprimentar."

 

Juan José Arreola

 

Nota: mais uma pérola de Arreola, roubada à Meg.

 

(Imagem: Fernando Aguiar - Contratexto ou anti-romance com personagens)


 

publicado por Ana Vidal às 09:46
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Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

120º Aniversário

 

 

Aniversário 

 

 

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, 
Eu era feliz e ninguém estava morto. 
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,  
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer. 

 

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, 
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,  
De ser inteligente para entre a família, 
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim. 
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças. 
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida. 

 

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo, 
O que fui de coração e parentesco. 
O que fui de serões de meia-província, 
O que fui de amarem-me e eu ser menino, 
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui... 
A que distância!... 
(Nem o acho... ) 

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos! 

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,  
Pondo grelado nas paredes... 
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas), 
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,  
É terem morrido todos, 
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio... 

 

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ... 
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo! 
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez, 
Por uma viagem metafísica e carnal, 
Com uma dualidade de eu para mim... 
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes! 

 

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui... 
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos, 
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado, 
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,  
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . . 
  
Pára, meu coração! 
Não penses!  Deixa o pensar na cabeça!  
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!   
Hoje já não faço anos. 
Duro. 
Somam-se-me dias. 
Serei velho quando o for. 
Mais nada. 
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ... 

 

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!... 

 

(Álvaro de Campos)

 

 

(Nota minha: ... Ainda festejam, amigo!)

 

publicado por Ana Vidal às 11:17
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