Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Poemas escolhidos - 6


 

 

SEM RECEITA

 

Primeiro, lenta e precisamente,

arranca-se a pele,

esse limite com a matéria.

Mas a das asas melhor deixar,

pois se agarra à carne

como se ainda fossem voar.

As coxas, soltas e firmes,

devem ser abertas

e abertas vão estar.

E o peito nu

com sua carne branca,

nem lembrar

a proximidade do coração.

Esse não.

Quem pode saber

como se tempera um coração?

 

Limpa-se as vísceras,

reserva-se os miúdos

para acompanhar.

Escolhe-se as ervas,

espalha-se o sal,

acende-se o fogo,

marca-se o tempo.

E por fim, de recheio,

a inocente maçã

que tão doce, úmida e eleita

nos tirou do paraíso

e nos fez assim:

sem receita.

 

(Alice Ruiz)

  

Para ouvir o poema musicado e cantado, clicar aqui.

 

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publicado por Ana Vidal às 13:48
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Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

Beleza pura - 2

Em honra de todas as minhas amigas bloguistas, aqui fica um Vuelvo al Sur em grande estilo. Porque hoje é segunda-feira, e todos os dias são bons para regressar ao Sul...

 

Mas não me esqueci dos amigos: para eles, a excelente música de Astor Piazzola nesta  interpretação dos Gotan Project, quase tão boa como... o resto.

 

Adenda: Tive que substituir o video porque o anterior deixou de estar disponível. Uma pena, como poderão comprovar todas as mulheres que ainda conseguiram vê-lo... Fica a música.

 

(Vuelvo al Sur - Gotan Project/Piazzola)

publicado por Ana Vidal às 18:01
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Domingo, 6 de Julho de 2008

At last

(At Last - Lou Rawls and Dianne Reeves)

 

(At Last - Etta James)

publicado por Ana Vidal às 23:07
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Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

Sonhos ao piano

(Keith Jarrett - Köln Konzert) 

 

Nota 1: As imagens deste video são do filme O Piano, não sei porquê. O filme tem uma belíssima banda sonora que nada tem que ver com o Concerto de Colónia, embora a escolha de imagens não desmereça em nada a excelente música de Keith Jarrett. 

 

Nota 2: Video substituído. Porque também a mim fazia confusão esta estranha mistura, procurei e acabei por encontrar outro video com o mesmo trecho do concerto. Agora temos um cão como protagonista (!!), mas pelo menos as imagens não sugerem outra música...

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publicado por Ana Vidal às 16:00
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Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

Dream a little dream

(Laura Fygi)

 

(Louis Armstrong)

publicado por Ana Vidal às 00:26
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Ópera à sobremesa

(Verdi - La Traviata - Choeur des Bohémiens)

publicado por Ana Vidal às 22:23
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Sábado, 21 de Junho de 2008

Send in more clowns

Não são só as conversas que são como as cerejas. As canções também. Ontem deitei-me com Send in the clowns e hoje acordei ainda embalada por ela. Fui procurá-la em outras versões e esscolhi estas duas (há imensas), que também me enchem as medidas. Vozes que são instrumentos bem afinados, preciosos, convincentes.

 

A primeira, na voz especialíssima de Barbra Streisand. Há sempre nela a melodia e a interpretação cénica. E não posso deixar de sublinhar também o bom gosto com que se veste sempre: o vestido é tão sublime como a voz.

 

 

A música é como as cerejas, dizia eu. Pois bem, se falamos de interpretação cénica vamos fatalmente desembocar num palco. E quem melhor do que Dame Judi Dench para "mandar vir os palhaços", com classe e dramatismo insuperáveis? E a senhora até canta, Santo Deus! Deliciem-se.

 

publicado por Ana Vidal às 11:14
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Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

Pára tudo...

... que eu tenho estado aqui deliciada a ouvir a magnífica Sara Vaughan, num programa especial do canal Mezzo.  A voz dela é um instrumento deslumbrante. Ou melhor, é uma orquestra inteira. Quando ela ataca Send in the clowns, outra das minhas canções de sempre, só me apetece voar (de avião, balão ou asa delta, tanto faz) para NY e aterrar no Blue Note.

 

 

(Send in the clowns - encontrei-a!)

 

 

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publicado por Ana Vidal às 23:54
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Verão

 

Chegou o Verão.

 

A celebrá-lo, uma canção de sempre (que eu adoro) numa versão diferente do habitual: a de Amália, também ela uma voz de sempre para mim. Até Gershwin teria gostado de ouvi-la, acho eu.  


(Summertime - Porgy and Bess, de George Gershwin)

 

(Nota: Summertime deve ser das canções mais cantadas de todos os tempos. Interpretaram-na muitas das vozes mais celebradas no mundo inteiro, com versões maravilhosas e inesquecíveis. Escolhi a de Amália Rodrigues por ser das mais originais e inesperadas que conheço.)

 

publicado por Ana Vidal às 16:46
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Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Oldies (9)

E aqui está ela, a minha Diva. Abriram-lhe o caminho outras Divas, de mérito igualmente  indiscutível. Ladrilharam, com as suas vozes míticas, a estrada que ela pisaria algum tempo depois. Billie Holiday, Mahalia Jackson, Ella Fitzgerald... para citar só algumas, foram madrinhas de luxo daquela que é, para mim, a melhor de todas elas. Talvez por achá-la mais completa: a sua voz vai da extrema doçura, apenas sussurada, até ao tsunami imparável e arrasador. É brisa e trovão, é veludo e sólida madeira. Única, irrepetível, eis Miss Aretha Franklin.

 

Difícil, mais do que nunca, foi escolher só 3 canções...

 

(I say a little prayer)

 

(Natural Woman)

 

(Nessun Dorma)

 

Pronto, abro uma excepção para ela, nem que seja para mostrá-la ao piano. Ficam quatro canções, e não três...

(Bridge over troubled water)

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publicado por Ana Vidal às 18:06
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Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

A pedido...

... do Miguel L., aqui fica uma canção do Pedro Guerra de que também eu gosto muito: "Las gafas de Lennon". E uma deliciosa ilustração que lhe fica a matar.

 

 

 

 

Las gafas de Lennon hicieron historia

y algun que otro gesto que hoy guardo en memoria

de un tiempo que fué

un tiempo de flores y buenas noticias

un tiempo de amores y dulces caricias.

Imagine all the people

Y aun esta por ver que no sera posible.

Imagine all the people.

Y habra que responder que no sera posible

 

Las gafas de Lennon son lunas redondas

tan siempre modernas tan llenas de historias

de un tiempo que fué

un tiempo de luces y buenas canciones

un tiempo de guerras paradas con flores.

Imagine all the people.

Y aun esta por ver que no sera posible.

Imagine all the people.

Y habra que responder que no sera posible

 

Vivimos el tiempo que alcabo nos toca,

salimos al paso gastamos las botas

de un tiempo que es

no es bueno quedarse colgados de un sueño

habra que empujarlo, llegado el momento.

Imagine all the people.

Y aun esta por ver que no sera posible.

Imagine all the people.

Y habra que responder que no sera posible.

Imagine all the people.

Y aun esta por ver que no sera posible.

Imagine all the people.

Y habra que responder que si sera posible.

 

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Domingo, 15 de Junho de 2008

Bom Domingo!

Para hoje, uma sugestão diferente: a fantástica banda sonora Mararia (premiadíssima), do meu querido Pedro Guerra, para o filme do mesmo nome que ainda não consegui apanhar no clube de vídeo. A música, essa, conheço-a há muito tempo e adoro. Ouçam-na com o som bem alto, como se deve ouvir boa música. Bom Domingo! 

 

(Mararia - Pedro Guerra)

 

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Sábado, 14 de Junho de 2008

Bom dia!

(Days of wine and roses - Frank Sinatra)

 

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Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

Coisas de que tenho saudades?

Uma boa noite de Ópera.

 

(Sutherland, Tourangeau - Viens, Mallika! "Flower Duet" Lakmé)

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Terça-feira, 10 de Junho de 2008

Oldies (8)

Terence Trent d'Arby é o dono da tal voz que mais se aproximou da de Otis Redding, na minha opinião. Escolhi três canções de que gosto muito: Holding on to you (a canção mais hot que já ouvi); Delicate (com a igualmente fantástica Des'ree) e Sign your name Em todas elas, o timbre e a temperatura únicos de uma voz excepcional. E continuamos na Soul, aqui nos Oldies. É nessa onda que estou, e não me parece que algum dos meus leitores tenha queixas a apresentar a esta escolha. Pois não?   

 


 


 


 

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Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

Feira de Velharias (11)

 
Calma
 
A calma é daquelas coisas que só a vida e o tempo nos ensinam. E, mesmo assim, podemos viver uma vida inteira sem aprendê-la: não adianta lê-la nos olhos dos outros, ouvi-la da boca dos outros, percebê-la nos gestos e atitudes dos outros. A calma é muito mais fácil de aconselhar do que de praticar, mesmo para quem já passou por muitas tempestades e lhes sobreviveu.
E no entanto é um conceito linear, talvez o mais simples dos segredos: saber esperar. Esperar o tempo exacto para colher os frutos no momento certo, ganhando o prémio de não saboreá-los verdes e, por isso mesmo, ainda insípidos; respirar fundo e deixar passar a onda, para poder vir à superfície em seguida, não só ainda vivo como capaz de mais umas braçadas até à praia; deixar que alguma distância se interponha entre nós e a nossa voracidade espontânea, para que aquilo que queremos muito nos seja dado com prazer e não entregue por assalto à mão armada. Porque tudo o que se conquista lentamente tem o dobro do sabor e da duração.
A calma é um bem precioso, mas escasso. Nele radicam, tão só, a justiça e a sabedoria. E ao contrário da fama que tem, completamente injusta, não impede ninguém de viver plenamente e com arrebatamento. Muito pelo contrário, aliás. Que o digam as milenares sabedorias orientais, que o digam os tântricos. Difícil, mesmo, é entendermos isto. Somos viciados em emoções fortes, em adrenalinas fáceis e momentâneas. Temos pressa, e por isso atropelamos sensações e queimamos etapas, tudo para chegar mais cedo. E com isso perdemos, quase sempre, o prazer indizível da viagem.
 
(Tocando em frente - Maria Bethânia)

Nota: esta canção de Almir Sater (a prova de que até dos "bregas" podem sair criações magníficas), muito valorizada também pela voz inconfundível de Maria Bethânia, diz-nos tudo o que é preciso saber:

Ando devagar porque já tive pressa, e levo esse sorriso porque já chorei demais. Hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe, só levo a certeza de que muito pouco eu sei, eu nada sei...
 

(Publicada pela primeira vez em Dez/2007)

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Sábado, 7 de Junho de 2008

Amor à primeira nota

Acabou de ser-me apresentado (obrigada, M.!) e apaixonei-me logo, à primeira nota. Chama-se Corneille e contraria, com absoluta propriedade, a voz corrente de que a música de expressão francófona morreu de vez. 

 

O género musical? Classificam-no como R&B, mas é muito mais do que isso. O alcance das composições e das letras, o ritmo, o swing perfeito, fazem com que fuja a um rótulo básico e espartilhado num único conceito. A música de Corneille é envolvente, melódica e rica de contrastes. As canções mais ritmadas ficam no ouvido e apetece dançá-las. E depois há também esta balada, que me deixou comovida como uma conversa doce pela noite fora. A letra é preciosa, a música é linda. O título... bem, o título é, no mínimo, inteligente. Ofereço-a a todas as mulheres que amam assim, malgré tout.

 

 

(clicar no título para ouvir).

 

Le Bon Dieu est une Femme

 

La terre saigne depuis la nuit des temps
De grandes misères et de guerres souvent
Et pour chaque soldat qui rentre,
une femme attend
Les hommes, les pires et les tout-puissants
Les pires bourreaux et même Adolf vivant
Avaient tous au moins une femme qui
les aimait tant

Quand c'est pas une soeur, c'est une mère qui aime
Et quand c'est pas la mère , c'est l'épouse qui aime
Et quand c'est pas l'épouse, c'est une autre femme
Ou une maîtresse qui espère alors

Si c'est vrai qu'elles nous pardonnent tout
Si c'est vrai qu'elles nous aiment malgré tout
Si c'est vrai qu'elles donnent aux hommes le jour
Moi je dis, que le bon Dieu est une femme

Nos mères paient depuis la nuit des temps
Depuis l'histoire de la pomme d'Adam
Elles portent les maux et les torts du monde,
tout leur vivant
Le ciel bénisse la femme qui aime encore
Un infidèle jusqu'a la mort
Faut être Dieu pour être trahis et aimer plus fort

Quand c'est pas une soeur, c'est une mère qui aime
Et quand c'est pas la mère , c'est l'épouse qui aime
Et quand c'est pas l'épouse, c'est une autre femme
Ou une maîtresse qui espère alors

 

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Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

Oldies (7)

Otis Redding, my one and only da Soul Music... ever!*. Simplesmente maravilhoso, não concordam?

 

 

 

1. The dock of the bay

2. Try a little tenderness

3. My girl

 

* A versão feminina desta maravilha é a igualmente maravilhosa Aretha Franklin, que estará aqui também, nos "Oldies", muito em breve.

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Terça-feira, 3 de Junho de 2008

Mais uma praia

 

 

Do you believe in what you see?

(Zero 7 - In the waiting line)

(Imagem - Gustav Klimt)

 

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Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

A minha praia

 

Tenho estado aqui a acompanhar os concertos de hoje à noite no Rock in Rio, enquanto vou escrevendo e fazendo outras coisas. Primeiro Joss Stone, uma figura que contrasta em  absoluto com a da chocante Amy Winehouse: fresca, simpática, bonita, doce, saudável. E a voz... caramba, que voz!, sobretudo tendo em conta a idade da menina-mulher que canta descalça. Um timbre quente e poderoso, que pertence por direito próprio à Soul Music, como se a frágil loirinha fosse afinal negra e tivesse nascido em New Orleans ou no Harlem.

 

E depois, Rod Stewart. Bem... o homem não é, nunca foi, um dos meus cantores preferidos. E a voz está muito fraquinha, embora a rouquidão habitual ainda disfarce. Mas é impossível não me render às canções eternas (cujas letras sei de cor) e à corte que traz consigo: um palco cheio de gente surpreendente. Mulheres, quase todas, ou não tivesse ele uma fama de quebra-corações a defender. Uma saxofonista espampanante, uma violinista igualmente bonita, e, last but not the least, três vozes sublimes no coro. De repente, uma delas canta, a solo, Proud Mary (dos Credence Clearwater Revival) e eu passo a gostar mais de Rod Stewart só por tê-la trazido. Que maravilha! Depois, canta ele próprio Have you ever seen the rain (também dos CCR), bem apoiado pelo coro de luxo. Rod Stewart fez a vontade aos fãs portugueses: quase todas as suas músicas conhecidas estiveram em palco.

 

Se tivesse dúvidas, hoje confirmaria uma vez mais que a "minha praia" é mesmo a Soul Music. Mas depois penso melhor, e vejo que há muitos outros géneros musicais em que gosto também de dar uns bons mergulhos. Outras praias, também as minhas praias. E descubro que aquilo de que gosto, afinal, é de boa música. Seja ela de que praia for.


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Sexta-feira, 30 de Maio de 2008

Oldies (6)

Saudades de Freddy Mercury e dos Queen, nesta e noutras canções eternas. Saudades desse tempo em que a música se fazia assim, de excesso e destempero, de loucura e de mestria, de talento e de provocação. De génio, enfim.

(Queen - Bohemian Rhapsody)

 

Adenda (mais uma...): Mais duas eternas dos Queen: These Are The Days Of Our Lives e Crazy little thing called love. 

 

 

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Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

Adeus, Mr. Pollack

Ando preguiçosa para escrever. E quando encontro quem diga, melhor do que eu, o que eu tinha para dizer... aproveito a boleia e instalo-me.

 

É o caso desta homenagem a Sydney Pollack, feita pela Teresa . Está lá tudo, está tudo dito. E depois... acaba com aquela cena do Out of Africa que é um autêntico KO para mim. Fico a olhar e a ouvir aquilo com lágrimas nos olhos, sem fala. É difícil fazer melhor em cinema. Trago-a para aqui para vê-la mais vezes, sempre que me apetecer: 

 

 



PS: Acrescento só à lista da Teresa um dos meus filmes de culto, produzidos por Pollack: O talentoso Mr. Ripley).

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Domingo, 25 de Maio de 2008

Oldies (5)

Comecei o dia a falar do Sol, acabo-o com a Lua. Ambos estiveram muito longe do seu melhor, hoje. Mas, repito, melhores dias (e noites) virão. Restam-nos as canções que os ilustram, a lembrar que nem tudo está perdido. Até amanhã!

 

(Credence Clearwater Revival - Bad Moon Rising)

 

Adenda: Estou em maré de adendas, está visto. Soube-me bem relembrar os Credence, por isso aqui vos  deixo mais duas canções deles (eram todas óptimas), com o mesmo tema: a chuva, que nunca mais nos larga este ano - "Have you ever seen the rain" e "Who'll stop the rain". Pode ser que funcionem como uma espécie de macumba e a chuva se vá embora de vez.

 

 

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Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

Deixa isso p'ra lá

 

(Cláudia Leite e Jair Rodrigues - Deixa isso p'ra lá) 


Deixa que digam, que pensem, que falem
 

Deixa isso p'ra lá, vem p'ra cá. O que é que tem? 

Eu não tou fazendo nada, você também...

Faz mal bater um papo assim gostoso com alguém?

 

 

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Terça-feira, 20 de Maio de 2008

Moustaki

 

 

Já mal se mexe, mas ainda mexe comigo.

Já quase não toca, mas ainda me toca.

Já não canta, mas... sim, ainda me encanta.

 

 

publicado por Ana Vidal às 00:32
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Oldies (4)

É difícil encontrar um dueto em que haja tanta cumplicidade e divertimento como neste. Duas vozes óptimas, uma amizade evidente. Resultado: uma excelente parceria, como todas deveriam ser.

 


(Lisa Standsfield e Barry White - Around the world)

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Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Oldies (3)

Baker Street é, possivelmente, a música mais aclamada de Gerry Rafferty, mas esta é a minha preferida. Escolhi-a para figurar na minha galeria de Oldies porque, além de gostar muito deste fantástico músico, esta canção teve sempre em mim dois efeitos irresistíveis: o de pôr-me a cantar e o de deixar-me bem disposta. Espero que gostem também.

 

(Gerry Rafferty - Right Down The Line)

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Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Diário do paraíso (4)

 

Último dia no paraíso, e a revelação do meu paradeiro: algures entre Troia e a Comporta (ganhaste tu, Huck, podes reivindicar o almocinho...). As fotografias que tirei (excepto esta, de cima) são todas do lado da foz do Sado, ou seja, são mais de rio que de mar. Por isso a água está sempre tão calminha. Mas bastava-me atravessar a estrada para abrir os braços ao oceano, ao poderoso Atlântico que aqui é azul e frio. Estive quatro dias entre o rio e o mar, entre o azul líquido e o verde da serra da Arrábida, entre os pinheiros e as dunas, entre a civilização (ali mesmo ao lado) e a natureza selvagem de uma ilha deserta, entre uma leve brisa ribeirinha e uma ventania de mar aberto, com cheiro de maresia. Uma delícia. A todos os que me imaginaram em paragens longínquas, digo que temos verdadeiros paraísos aqui mesmo, debaixo do nariz. Troia é um deles, mas não sei por quanto tempo ainda. O princípio da península está transformado num gigantesco estaleiro. Todos os dias o barco que faz a travessia traz nas entranhas hordas de operários das obras, como outrora um cavalo levou, para outra Troia, guerreiros armados até aos dentes. É o mesmo presente envenenado, repete-se a História: não tardará muito e tudo isto estará cheio de condomínios de luxo e de prédios de apartamentos, de supermercados e clubes de video, de cafés e de lojas de chineses. Será então outro género de paraíso, para outro género de gente. Mas não para mim. Tenho a sensação de ter gozado os últimos dias de um paraíso perdido, já com morte anunciada. É, dizem eles, o progresso...

 

 

Tudo o que é bom acaba, e isto era bom de mais para durar muito. Foram quatro dias para reflectir, alinhar ideias, escrever algumas delas e respirar outro ar. Sobretudo isso: mudar de ares, uma coisa de que preciso, de vez em quando, como de pão para a boca. Foi uma experiência única: não me lembro de ter estado tanto tempo a sós comigo, sem qualquer interferência exterior. Não era só a praia que era minha, em exclusivo: a casa, a piscina, o jardim, tudo estava à minha inteira disposição e de mais ninguém, porque não havia mais ninguém (a não ser uma empregada ultra-discreta, que só aparecia quando eu a chamava e que me fazia a cama e algumas refeições, a pedido).

 

 

(A Rum Tale - Procol Harum)

I will buy an island somewere in the sun...

 

She's fuddled my fancy, she's muddled me good
I've taken to drinking, and given up food
I'm buying an island, somewhere in the sun
I'll hide from the natives, live only on rum

I'm selling my memoirs, I'm writing it down
If no one will pay me I'll burn down the town
I'll rent out an aircraft and print on the sky
If God likes my story then maybe he'll buy

I'm buying a ticket for places unknown
It's only a one-way: I'm not coming home
She's swallowed my secret, and taken my name
To follow my footsteps and knobble me lame
 

 (We shall overcome - Bruce Springsteen)

À laia de despedida...

 

We shall overcome, we shall overcome
We shall overcome someday
Oh deep in my heart, I do believe
That we shall overcome someday

We'll walk hand in hand, we'll walk hand in hand
We'll walk hand in hand someday
Oh deep in my heart, I do believe
That we shall overcome someday

We shall live in peace, we shall live in peace
We shall live in peace someday
Oh deep in my heart, I do believe
That we shall overcome someday

We shall brothers be, we shall brothers be
We shall brothers be someday
Oh deep in my heart, I do believe
That we shall overcome someday

The truth shall make us free, truth shall make us free
The truth shall make us free someday
Oh deep in my heart, I do believe
That we shall overcome someday

We are not afraid, we are not afraid
We are not afraid today
Oh deep in my heart, I do believe
That we shall overcome someday

 

publicado por Ana Vidal às 23:35
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Terça-feira, 13 de Maio de 2008

A leste do paraíso...

Volto só para deixar um desafio a todos os que têm tentado adivinhar a localização do meu paraíso. Aceitam-se palpites, e no último dia aqui prometo desvendar o mistério. A quem acertar, ofereço... hummm... um almoço! Em Lisboa ou arredores, claro.

 

Aqui ficam mais duas musiquinhas, para baralhar a geografia da adivinha:

East of the Sun, West of the Moon (Diana Krall) e O Extremo Sul (José Miguel Wisnik). Depois não digam que eu não ajudei...

 

  

publicado por Ana Vidal às 22:50
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Diário do paraíso (2)

 

Esta manhã a praia não era só minha. Um pescador solitário chegou, pousou a trouxa, sorriu-me com ar cúmplice e disse-me qualquer coisa que me pareceu um bom-dia. Depois armou duas longas canas, que espetou à beira de água, e ficou imóvel, de pé, olhos pregados no horizonte. Os pescadores são filósofos, precisam de espaço e de silêncio. Era exactamente o que eu queria também, e por isso me afastei passado algum tempo. Não trocámos mais palavras, mas houve qualquer coisa que gerou um entendimento mútuo imediato. Os muitos quilómetros de praia ensolarada albergaram, hoje, duas solidões voluntárias e felizes.

 

 

Trouxe livros, muitos livros. Mais exactamente, cinco (!) livros. Não porque vá lê-los todos, mas porque não sei quando um deles me apetece e gosto de ir lendo vários ao mesmo tempo. Hoje levei para a praia O sol dos Scorta (Laurent Gaudé). Foi prémio Goncourt em 2004 e estou a lê-lo por recomendação de um amigo. O primeiro capítulo deixou-me logo rendida, a escrita é arrebatadora:

 

"O calor do sol parecia fender a terra. Nem um sopro de vento fazia estremecer as oliveiras. Tudo permanecia imóvel. O perfume das colinas esvanecera-se. A rocha gemia de calor.  O mês de Agosto imperava no maciço de Gargano com a segurança de um senhor. Era impossível acreditar que, nestas terras, algum dia pudesse ter chovido."

 

Trouxe também, para acabá-lo, A mulher certa (Sandor Marai), que já me tinha conquistado antes com o maravilhoso As velas ardem até ao fim. Depois de um diálogo vertiginoso, este implacável monólogo, igualmente primoroso:

 

"Dizes que não é necessário, nem possível, «compreender» como se ama? Enganas-te, minha cara. Eu também julgava isso e, durante muito tempo, gritei-o, a modo de acusação contra o céu. O amor existe ou não existe. Que mais há para «compreender» aí?"

 

Ainda um livro de poesia: a Antologia pessoal de Astrid Cabral, acabadinho de sair no Brasil, que a autora me enviou pelo correio com uma dedicatória que me comoveu. Astrid é, além de uma grande e respeitada Poeta, uma querida amiga, e deu-me a honra de aceitar prefaciar a edição brasileira da minha antologia gastronómica "A Poesia é para comer":

 

"Conhecer-se

 

A gente se despe em frente

a espelhos e ousa enfrentar-se.

Porém não há mesmo como

ver-se, blindada a alma

e as costas inalcançáveis.

Somos opacos, translúcidos

apenas a radiografias.

Contudo resta a ânsia

de bem nítido nos vermos

na dimensão do real.

Mas, por mais que nos olhemos,

o eclipse é sempre total."

 

Igualmente recebido pelo correio, de uma amiga brasileira que assina dois blogs de que sou visita regular - Adelaide Amorim - o livro Como se livrar de Glória. Estou a descobri-lo ainda, com um imenso prazer:

 

"Ambos sabiam o que se desejavam dizer. Sabiam também que tipo de informação e consolo poderiam trocar, mas não valia a pena acelerar as palavras e as intenções, que iriam chegando naturalmente, sem quebrar o clima de acolhimento mútuo."

 

Finalmente, um livro que trouxe por razões de trabalho: O meu país inventado, de Isabel Allende. Preciso de ler sobre o Chile e aceito sugestões de quem souber de outras fontes de informação interessantes.

 

"Nos bairros de lata havia consciência de classe, orgulho de pertencer ao proletariado, o que foi para mim surpreendente numa sociedade tão arrivista como a chilena. Descobri então que o arrivismo era próprio da classe média; os pobres estavam demasiado ocupados na difícil arte da sobrevivência."

 

Como se pode ver por todas estas companhias, a minha solidão é muito relativa...

 

E pronto. Para hoje, uma das canções de Elton John de que mais gosto. E que vem muito a propósito, nestes lazy days de pensar, ler e escrever: Writing.

 

 

Is there anything left
Maybe steak and eggs
Waking up to washing up
Making up your bed
Lazy days my razor blade
Could use a better edge

It's enough to make you laugh
Relax in a nice cool bath
Inspiration for navigation
Of our new found craft
I know you and you know me
It's always half and half

And we were oh oh, so you know
Not the kind to dawdle
Will the things we wrote today
Sound as good tomorrow
Will we still be writing
In approaching years
Stifling yawns on Sundays
As the weekends disappear

We could stretch our legs if we'd half a mind
But don't disturb us if you hear us trying
To instigate the structure of another line or two
Cause writing's lighting up
And I like life enough to see it through

 

(Nota: Porque sou muito indisciplinada, impus algumas regras a mim própria. Uma delas é só vir aos blogs à noite, e por pouco tempo. Por isso não farei muitas visitas nestes dias, mas é claro que gosto muito de saber que vêm visitar-me aqui e prometo ir respondendo às vossas mensagens.)

 

publicado por Ana Vidal às 21:10
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Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Diário do paraíso (1)

 

 

Mal cheguei, atirei para longe tudo o que me lembrava as rotinas diárias: roupas justas, sapatos, maquilhagem, enfeites, carteira e afins. Instalei-me, enfiei uma jellabah, única roupa admitida nos próximos dias (excepto um fato de banho, se o tempo permitir), e saí, descalça, a explorar o paraíso. Caminhei durante duas horas, os pés dentro de água, sem outra companhia que a das ondas mansas e da areia morna. Não pensem que exagero, isto é mesmo um oásis perdido. Há um único rasto de passos humanos na praia, depois do meu primeiro passeio: o meu. Há solidões que são um luxo.

 

Sinto-me em casa, acolhida por toda esta beleza. Mas acontece-me isto em qualquer lugar do mundo onde vá: depressa dispo, sem oferecer resistência, todas as peles que me separam do que me rodeia, e em pouco tempo me torno uma nativa, diluindo-me na paisagem. Aqui, foi muito fácil: passaram poucas horas e sou uma concha.

 

Deixo-vos com Oasis, uma canção linda do meu querido Pedro Guerra, que não ouvia há muito tempo. Até amanhã!

 


 

Los oasis son siempre espejismos
hay pasiones que niegan el cielo
cuando me quisieron
yo no quise tanto
y cuando he querido
no siempre quisieron


Las palabras no solo definen
hay canciones que guardan misterios
cuando me llamaron
no escuché el mensaje
cuando yo lo quise
no me respondieron


Poco, mucho
algo, casi, casi nada
no siempre se cruzan
todas las miradas


Hay distancias que guardan caricias
y lugares de pocos senderos
mis señales de humo
no encontraron ojos
y llegaron cartas
cuando estaba lejos


En el mar hay tesoros y peces
en el río hay arena y secretos
cuando lo quisiste
no salió la luna
cuando no esperabas
te llovieron besos

 

(Nota: Tirei esta fotografia à chegada, da janela do meu quarto. Os dois barcos de recreio que se vêm nela pertencem a alguém que só vem ao fim de semana. Até lá, são só uma nota decorativa no azul e verde que vejo daqui.)

 

publicado por Ana Vidal às 23:15
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Domingo, 11 de Maio de 2008

Ouro Musical

 

«A pianista Maria João Pires foi esta sexta-feira agraciada pelo governo espanhol com a Medalha de Ouro de Belas Artes 2007, pelos seus serviços em prol do «fomento e difusão da arte, da cultura e do património artístico», informa a Lusa. «A decisão foi tomada no Conselho de Ministros com base numa proposta do ministro da Cultura, César Antonio Molina. Maria João Pires faz parte de um elenco de personalidades do mundo da arte e da cultura, reconhecidos com os galardões, que se destacaram no campo da criação artística e cultural. Entre os galardoados contam-se ainda o português Manoel de Oliveira, o maestro Daniel Barenboim, a cantora de ópera Cecilia Bartoli, o actor Antonio Banderas, o escritor Jorge Semprún, a restauradora Carme Ruscalleda e a artista de circo Paulina Andreu.»

 

Gostei de saber deste prémio. Gostei muito, mesmo. A nossa virtuosa pianista anda muito desaparecida do panorama artístico nacional, infelizmente, após o colapso financeiro de um projecto que era a "menina dos seus olhos": Belgais.

 

Não sei o que aconteceu para que Belgais se afundasse, não me interessam muito as causas. Sejam elas quais forem, lamento profundamente que tenha acabado. Belgais era um projecto pioneiro e quase utópico (digo "quase" porque chegou a realizar-se e a funcionar plenamente, e digo "utópico" porque estava condenado desde o início, tal era a sua ousadia), de um alcance social e cultural invulgar, sobretudo aqui em Portugal.  Eu tive a felicidade de ter estado lá, de ter conhecido aquele mundo encantado por dentro, em todo o seu esplendor. Passei lá um dia inteiro e assisti, deliciada, à rotina de uma verdadeira maravilha.

 

Para quem eventualmente não saiba, Belgais era uma escola de música para crianças desfavorecidas, vindas da paupérrima região serrana que rodeia a cidade de Castelo Branco. E era, também, ponto de encontro e abrigo temporário de músicos, nacionais e estrangeiros, de altíssimo nível (alguns tornavam-se residentes, como professores). Esses músicos, convidados por Maria João Pires, "batiam" a região em busca de aptidões musicais em estado puro, entre as crianças em idade pré-escolar da zona, que não teriam, de outro modo, acesso às mínimas condições que lhes permitissem instruir-se, descobrir e explorar os seus talentos. A escola comprometia-se a alimentá-las durante o dia, a dar-lhes a escolaridade normal, e ainda a proporcionar-lhes uma edução musical de primeira água. Eu assisti a uma dessas aulas, absolutamente fascinante: cerca de 30 crianças de idades várias cantavam em coro afinadíssimo e experimentavam instrumentos, luxuosamente acompanhadas por uma das pianistas mais aclamadas do mundo. Maria João Pires transfigurava-se, literalmente, e via-se que adorava aquela experiência. Semanalmente, havia um concerto (gratuito, claro) para a população da região, em que se incluiam as famílias daquelas crianças privilegiadas. Enfim, um sonho musical sofisticado e gratificante, impensável naquela região extremamente carenciada que aspirava, quando muito, à satisfação das necessidades mais básicas.

 

Esse dia inesquecível incluiu ainda um memorável almoço com os residentes de Belgais e alguns amigos vindos de fora como eu, e todos nos deliciámos com a forma apaixonada como Maria João falava do seu projecto. A quinta era muito bonita e auto-suficiente em alguns aspectos, porque tinha hortas de agricultura biológica, pomares e alguns animais. Foi uma pena a longa agonia de Belgais, a sua morte anunciada e, finalmente, o fechar de portas.

 

Resta-nos a consolação de ouvir Maria João Pires nas gravações que vai editando, e também nos raros concertos que vão fazendo parte do calendário cultural português.

 

Muitos parabéns, Maria João. Este prémio (mais um) é merecidíssimo.

 

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publicado por Ana Vidal às 12:23
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Sábado, 10 de Maio de 2008

Oldies (2)

Paolo Conte, a minha segunda escolha nos Oldies. Irresistível, de charme e de graça, o ar blasé e a voz grave de muitas noites perdidas. E depois... canta em italiano, uma língua que eu adoro, vinda de um país que adoro ainda mais! Tenho sempre, sempre, sempre, saudades de Itália.

 


(Paolo Conte - Vieni via con me/It's Wonderful)

 

 

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Quinta-feira, 1 de Maio de 2008

Oldies (1)

Para hoje, que é dia de descanso, uma voz que ainda hoje faz tremer os meus alicerces: Isaac Hayes, o homem do Shaft. Quem se lembra dele? Aqui, em Moonlight Lovin'.

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publicado por Ana Vidal às 11:32
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Sexta-feira, 25 de Abril de 2008

Até amanhã

Uma canção que adoro, duas versões em que é difícil escolher a melhor: 
Sting
e Eva Cassidy - Fields of Gold.

Até amanhã.

 
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Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

Até amanhã

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Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

My Sweet Lord

 
 
Recebi  esta música de presente por mail, que me emocionou porque, de repente, me fez voltar muitos anos atrás. E soube-me bem. 

Aqui, numa versão de luxo: Eric Clapton, Billy Preston, Dhani Harrison, Paul McCartney, Ringo Starr, Phill Collins, Tom Petty, Gary Brooker, Jeff Lynne, Peter Frampton e Carlos Santana. Melhor do que isto, só se estivesse presente também o próprio George, o homenageado.
publicado por Ana Vidal às 23:33
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Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

Uma VOZ

Hoje, 16 de Abril, é o dia mundial da VOZ. Vou-me rendendo a assinalar estes "dias de", sobretudo aqueles que não têm implicações dúbias ou não me irritam especialmente. Por isso aqui fica uma das mais bonitas canções de amor alguma vez escritas, numa das mais bonitas vozes que já ouvi. E não só bonita: é uma voz de tal maneira expressiva e rica de inflexões que, mesmo para quem não perceba a língua em que as palavras são ditas, é fácil entender o que elas pretendem transmitir e deixar-se levar pelas emoções. É uma "voz-actriz", e de primeira água. Recostem-se e ouçam-na, de preferência sem outros ruídos de fundo. E digam-me lá se não ficamos todos com vontade de ter um amor "soft as an easy chair"...

(Evergreen - Barbra Streisand)

Love soft as an easy chair
Love fresh as the morning air
One love that is shared by two
I have found with you

Like a rose under the april snow
I was always certain love would grow
Love ageless and evergreen
Seldom seen by two

You and I will make each night a first
Every day a beginning
Spirits rise and their dance is unrehearsed
They warm and excite us, cause we have the brightest love

Two lives that shine as one
Morning glory and midnight sun
Time weve learned to sail above
Time wont change the meaning of one love
Ageless and ever evergreen

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Sábado, 12 de Abril de 2008

Parabéns

Montserrat Caballé faz hoje 75 anos. Ao longo da sua carreira cantou quase todo o repertório operático clássico, com uma delicadeza e uma doçura que contrastavam com o seu volume físico e faziam com que ele se eclipsasse totalmente. Em palco ficava apenas uma cara linda e expressiva, de medalhão italiano, e uma voz simultaneamente poderosa e suave. A sua Casta Diva (Norma) ficou famosa.
Aqui, num impressionante dueto com outra fantástica voz - Freddy Mercury - a mostrar toda a elasticidade do seu talento e a sua enorme simplicidade. Uma mulher maravilhosa, uma cantora inesquecível. Parabéns, guapa!

(How can I go on - M. Caballé e F. Mercury)

publicado por Ana Vidal às 21:57
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Segunda-feira, 7 de Abril de 2008

Amigos de talento - II


Sempre inventei histórias para os meus filhos, quando eram pequenos. Deixava correr a imaginação e as personagens iam mudando, ao sabor das perguntas que eles me faziam e dos seus desejos. Muitas vezes eram eles mesmos quem sugeria aventuras e peripécias, consoante o interesse do momento ou alguma coisa que tinham visto ou ouvido. Com uma infância vivida no campo, o imaginário infantil dilata-se substancialmente e ganha cores, cheiros e formas impensáveis para uma criança da cidade. Talvez por isso eles respondessem tão bem ao estímulo da participação na composição da história, acrescentando sempre pormenores mais ricos e dando vida a personagens engraçadíssimas. Frequentemente, eram eles que construiam toda a trama, sem se aperceberem disso.
Tenho as melhores recordações dessa época de partilha de sonhos e de loucuras imaginativas, em que me sentia muito próxima daquele universo mágico e me deixava conduzir, sem resistência, por entre seres fantásticos e mundos delirantes. Era com estes pensamentos que os meus filhos adormeciam, e muitas vezes também eu. Além das histórias, cantava-lhes canções de embalar com letras inventadas por mim, muitas vezes na hora, sobre músicas conhecidas. A única que sobreviveu ao tempo e às sucessivas mudanças de casa, escrita num papel amarrotado, foi uma letra que fiz para o meu filho mais velho. Lembro-me muito bem dessa noite de Verão em que a cantei pela primeira vez, de uma lua cheia e magnífica que entrava pelo quarto e abria as portas a todos os sonhos. Aos meus e aos dele...
Curiosamente, encontrei esse papelinho há uns anos. Sem fazer a menor ideia de qual era a música em que a encaixei nessa época (mais de vinte anos antes), gostei ainda do que tinha escrito e apeteceu-me que alguém a musicasse. Falei nisso à minha amiga Rita Vasconcellos, sabendo que ela se entusiasmaria com o projecto. A Rita é arquitecta de profissão, mas é também uma inspirada compositora, para além de outros múltiplos talentos. É, sobretudo, um espírito curioso e sensível, muito próximo ainda da inocência das crianças, como acho que todos gostaríamos de ser. Como eu calculava, achou graça ao desafio. Pedi-lhe que fizesse uma coisa simples, já que era uma "Cantiguinha de embalar", título que dei, logo ali, à canção que surgiria da nossa parceria. Sentou-se ao piano e começou a alinhavar uma melodia suave e delicada, como aquelas das caixinhas de música. Era exactamente isso que eu tinha imaginado para aquela letra. Deixei-a, nessa noite, enredada na sua criação, sabendo de antemão que iria gostar do resultado. Poucos dias depois, ligou-me. "Está pronta, vem ouvir." Lá fui, comovida e curiosa. E amei desde logo o casamento entre as minhas palavras simples e a música da Rita, que tão bem as tinha apreendido.
Por sugestão de amigos, concorremos com esta canção ao Festival da Canção da RTP (há 3 anos). Para isso, demos-lhe o título de Branca Lua e gravou-se uma maqueta em estúdio, com a própria Rita ao piano e a bela voz da Mafalda Sachetti "emprestada" para o efeito. Não ganhou, claro, nem nós esperávamos que isso acontecesse. É uma música/letra que está muito longe do perfil das canções que habitualmente ganham festivais. Mas todo este processo nos deu um enorme gozo e nos aproximou como amigas. Depois disso, decidimos fazer outras parcerias musicais. Estão em fase de acabamento várias canções, e algumas delas farão parte de um interessante projecto musical em que a Rita está agora a trabalhar (não posso adiantar mais sobre o assunto porque ainda está no segredo dos deuses, mas acredito que vai ser um êxito).
Aqui fica a Branca Lua, em maqueta, porque ainda não encontrou uma voz que lhe desse vida definitivamente. Gostaríamos muito que isso acontecesse, um dia.
BRANCA LUA

Branca lua traz um sonho
risonho
ao meu filho adormecido
Deixa-o partir num veleiro
ligeiro
pelo azul desconhecido
Deixa-o tocar as estrelas
prendê-las
entre os dedos pequeninos
como se fossem brinquedos
segredos
que só sabem os meninos

Dá-lhe asas ao pensamento
fermento
duma vida por escrever
que enquanto tudo se espera
quimera
tudo pode acontecer
Ó Lua, quando ele partir
a sorrir
no seu corcel de magia
pede ao sol que se detenha
e não venha
trazer cedo a luz do dia


(Como tenho estado com problemas no Imeem, aqui fica o link se não conseguirem ouvir: http://anavidal.imeem.com/music/MKNuQSuG/mafalda_sachetti_branca_lua/)

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publicado por Ana Vidal às 17:00
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Domingo, 6 de Abril de 2008

Mood

Hoje acordei com vontade de ouvir isto. Grande voz, grandes canções.

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publicado por Ana Vidal às 11:25
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Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

Para afastar as nuvens...

What a wonderful world!

(by Louis Armstrong)

(by Eva Cassidy & Katie Melua)

I see trees of green, red roses too

I see them bloom for me and you

And I think to myself what a wonderful world.

I see skies of blue and clouds of white

The bright blessed day, the dark sacred night

And I think to myself what a wonderful world.

The colors of the rainbow so pretty in the sky

Are also on the faces of people going by

I see friends shaking hands saying how do you do

They're really saying I love you.

I hear babies crying, I watch them grow

They'll learn much more than I'll never know

And I think to myself what a wonderful world

Yes I think to myself what a wonderful world.

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publicado por Ana Vidal às 00:20
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Domingo, 30 de Março de 2008

Clap, Clap, Clapton

O grande Eric Clapton faz hoje 63 anos. Aqui o têm, numa canção de James Taylor de que eu gosto muito, a assinalar o dia. Escolhi esta versão "karaoke" para poderem cantar com ele. Parabéns, Eric, e obrigada por tantos e tão fantásticos momentos que me tens dado. No teu caso acho que se pode aplicar, sem favor, a máxima do vinho do Porto: quanto mais velho...

(Don't let me be lonely tonight- Eric Clapton)

(Nota: Esta homenagem foi uma sugestão de um amigo, igualmente fã de Eric Clapton e sempre atento a estas efemérides da boa música. A escolha da música é minha.)

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publicado por Ana Vidal às 16:38
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Domingo, 23 de Março de 2008

Troiana

 

 

Eleni Karaindrou - Trojan Woman

(Nota: encontrado aqui)

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publicado por Ana Vidal às 23:20
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Domingo, 16 de Março de 2008

Para quem ainda tenha dúvidas...

... de que o homem é mesmo genial!

publicado por Ana Vidal às 01:16
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Sábado, 15 de Março de 2008

Génios

É estranho. É muito estranho que, em quase um ano de "bloguice" nesta Porta do Vento, eu não tenha aqui trazido mais do que uma ou duas vezes uma das minhas maiores paixões musicais de sempre: Elton John. É que o acho genial, tão genial que o ponho em pé de igualdade - digo-o sem qualquer complexo ou medo de exagerar - com outro génio: Mozart.

Mais: se eu acreditasse na teoria da reencarnação, teria a certeza de que Elton John é uma segunda pele do Mestre austríaco, tantas são as semelhanças que lhes encontro: para além da genialidade das composições (a de cada um deles tem que ser lida à luz do seu tempo), vejo-lhes a mesma excentricidade, a mesma frescura, a mesma irreverência, a mesma alegria quase infantil, a mesma necessidade de aplauso, o mesmo sentido de humor, o mesmo gosto da provocação e da brincadeira.

E acho que o próprio Elton John se sente herdeiro de tudo isso, ainda que o não confesse. A prova? O traje que escolheu para sua a actuação neste memorável concerto australiano, acompanhado de uma orquestra "à séria", que eu ouço no carro numa perigosa e alucinante concentração de decibéis. Recomendo o exercício a quem quiser começar o dia (ou acabá-lo) de maneira estimulante.

Escolhi o tema "Sorry seems to be the hardest word" - para mim, uma das canções mais bonitas e mais tristes que já foram escritas - que considero o seu Requiem para um amor, tão pungente e dramático como o maravilhoso Requiem de Mozart. Aqui fica a minha homenagem, com um inexplicável atraso, a um génio da música que me acompanha há muitos anos. Digam lá se é possível fazer melhor do que isto...

(Nota: é pena o som, que não é o melhor)

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publicado por Ana Vidal às 19:47
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Sexta-feira, 14 de Março de 2008

Por mão própria

Hoje à tarde, tocaram à porta aqui em casa. A minha empregada foi abrir e ficou estática, sem conseguir articular palavra. Um sorriso franco abriu-se, do lado de fora da porta:
- Boa tarde. A Ana está em casa?
- N-n-n-não, senhor... - gaguejou ela a custo, corada.
- Então, por favor, entregue-lhe isto quando chegar.
- S-s-s-sim, senhor... - gaguejou ela outra vez. E nem se lembrou de mandar entrar o dono da voz grave e sedutora, de tão embasbacada que estava.
- Obrigado.
A porta fechou-se, e com ela, finalmente, a boca da Maria das Dores.
Quando cheguei, esperava-me o novo CD do Luís Represas "Olhos nos Olhos", que tem duas letras minhas (Por mão própria e O inventor de Abraços), além de um relato literal do diálogo da tarde, contado com todos os pontos e vírgulas e ainda emocionado.
Obrigada, Luís. Já o ouvi e é todo óptimo. E as minhas palavras estão muito bem vestidas, com duas músicas lindas. Foram dois abraços muito bem inventados. E obrigada também por mos ter trazido assim, por mão própria, olhos nos olhos.
publicado por Ana Vidal às 20:26
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Domingo, 9 de Março de 2008

Pour la beauté du geste

(As tu déjá aimé - Alex Beaupain)

As-tu déjà aimé pour la beauté du geste?

As-tu déjà croqué la pomme à pleine dent?

Pour la saveur du fruit sa douceur et son zeste

T'es tu perdu souvent?

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publicado por Ana Vidal às 18:47
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Segunda-feira, 3 de Março de 2008

Lembranças


A Teresa lembrou-me o Gordon Lightfoot, que há muuuuuuito tempo eu não ouvia...
Como cada lembrança traz uma outra, a seguinte foi esta versão de "Me And Bobby Mcgee", uma canção que eu adoro.

E logo a seguir, como não podia deixar de ser, lembrei-me da Janis Joplin, na mesma canção.

Inesquecíveis, ambos.
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publicado por Ana Vidal às 02:20
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Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

Shy boy


(Katie Melua - Shy Boy)</span>

If this was a quiz on a tv show

And the prize was a guy who would love me so

Whatever they ask, the answer, i know

Hey, my reply, boy

Is give me a shy boy

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publicado por Ana Vidal às 23:38
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brisas, nortadas e furacões, por


Ana Vidal
Pedro Silveira Botelho
Manuel Fragoso de Almeida
Marie Tourvel
Rita Ferro
João Paulo Cardoso
Luísa
João de Bragança

palavras ao vento


portadovento@sapo.pt

aragens


“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez."

(Jean Cocteau)

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