Sábado, 29 de Março de 2008

Cata-Ventos

Humores
EBDP, em Em Bicos de Pés

Primeiro de Março
Azia, no Azeite & Azia

Fragmento VIII
Estrelicia Esse, no Arcádia Lusitana

O Telefone Vermelho
O Réprobo, no As Afinidades Afectivas

Livros irrequietos
Huckleberry Friend, no Codornizes

Sensação de eternidade
Sofia, n' O meu Cais

O fiambre e o telemóvel
Pedro Correia, no Corta-Fitas

Indomável Pecadora
</span>Meg, no Sub Rosa

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Tibet (Saudades minhas)?
Pedro Aniceto, no
Reflexões de um cão com pulgas </span>
?
Júlia Moura Lopes, n' O Privilégio dos Caminhos

Feng-Shui a dias
Laura Abreu Cravo, no Mel com Cicuta
Bagdad
Manuel, no Palombella Rossa
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Sexta-feira, 28 de Março de 2008

Obrigada


Por indicação da Teresa Ribeiro, o Porta do Vento foi eleito blog da semana no Corta-Fitas. É uma distinção que muito me honra.
Obrigada à Teresa e ao Corta-Fitas, um dos blogs que tem a minha incondicional fidelidade desde que navego nesta onda blogosférica.
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Sábado, 15 de Março de 2008

Cata-Ventos

God save America
João Paulo Cardoso, no Eldorado

Gente decidida
Mariav, no Vou pelo Sonho
Cores vivas. Ou mortas.
FJV, no A Origem das Espécies
Sábado, 15 de Março de 2008
Luísa, no Nocturno
A Mulher de António Costa na coutada do Macho Lusitano
O Jansenista, n'O Jansenista
"O dia da Operação" - MEC
Misspearls, no Miss Pearls
Dia da Mulher
Tatiana Rocha, no Coisa Rara
A sanha
Espumante, no Espumadamente
Um homem normal, apesar de
Pedro Rolo Duarte, no PedroRoloDuarte


É uma pizzaria portuguesa, com certeza
Desclassificado, no Vendo a minha Mãe
(Nota: Reparei agora que este é o post nº 500 do Porta do Vento, quase a completar um ano de vida. Parece-me justo e lógico que seja uma homenagem a outros blogs, e fico contente pela coincidência.)
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Terça-feira, 11 de Março de 2008

Se eu soubesse o que seria, se...

O Paulo Cunha Porto, Réprobo azul e branco que muito prezo, desafia-me a projectar-me em mil coisas, desde os números (que nunca foram o meu forte) até aos climas, imagine-se! Ainda pensei disfarçar, mas a deselegância com os amigos não é o meu pior defeito. Valha-nos isso. Com este e outros argumentos de peso, o meu narcisismo aproveitou logo a perspectiva de um jogo de espelhos para pôr-se em bicos de pés. Acabei por perceber, lendo as respostas de outros, que a pergunta não é tanto "o que seria" mas "o que gostaria de ser". De outro modo, cairia por terra a tese da auto-crítica para dar lugar a um descabelado auto-elogio. Assim é só sonho, ninguém leva a mal. E aqui estou a responder, com a certeza de ficar muito aquém do que seria, se... tivesse juízo!
Se eu fosse um dia da semana, seria... Sexta-feira, mas só se tivesse um Robinson Crusoe para brincar. Tudo menos um Domingo, a não ser que pudesse ser um Plácido.
Se eu fosse um número, seria... o 7. Eu e mais alguns biliões de pessoas, mas é preciso ser-se humilde.
Se eu fosse uma flor, seria... uma Frésia amarela, a minha flor preferida. Se já não as houvesse na florista, então uma hortênsia azul.
Se eu fosse uma direcção, seria... o Sul, definitivamente e cada vez mais. De poucas coisas tenho tanta certeza, e não me perguntem porquê.
Se eu fosse um móvel, seria... uma Chaise-longue bem confortável, estofada a veludo castanho-chocolate.
Se eu fosse um quadro, seria... de Magritte ou de Boticcelli.
Se eu fosse um líquido, seria... um Vinho velho, tinto.
Se eu fosse um pecado, seria… o catálogo completo, com excepção da Inveja e da Avareza (e excluindo também, irritada - eu não excluí a Ira - estes novos pecados modernos com que o Vaticano se lembrou de nos presentear agora, como se estivéssemos mal servidos de culpas e a vida nos fosse fácil...). Não é o Papa que calça Prada?
Se eu fosse uma pedra, seria… uma Safira, a minha pedra astral.
Se eu fosse um metal, seria… Ouro, porque é eterno, macio, e tem um mistério incomparável.
Se eu fosse uma árvore, seria… um Plátano em Outubro, para ter em mim todos os tons que há na paleta do Outono.
Se eu fosse uma fruta, seria… uma Maçã encarnada. Porque sim.
Se eu fosse um clima, seria… um clima desses que pinta às vezes e deixa a gente à toa, ora!
Se eu fosse um instrumento musical, seria… uma Guitarra, dedilhada por um virtuoso.
Se eu fosse um elemento seria… o Ar (o meu signo é de Ar), livre e adaptável a todas as formas. Uma brisa às vezes, outras uma nortada. Um ar da minha graça...
Se eu fosse uma cor, seria… Azul. Em todos os tons e matizes, mas sobretudo o azul-cobalto (a cor do mar na Gruta Azul, em Capri) e o azul-turquesa (a cor do mar na Baía de Carthago). Nem sempre se pode ser original, e recuso-me a escolher o "branco gelo" só para fazer género.
Se eu fosse um animal, seria… um Tigre de Bengala, o mais belo animal que já vi.
Se eu fosse um som, seria… o do Mar, que canta só para mim, às vezes.
Se eu fosse uma canção seria… American Tune, de Bach / Paul Simon.
Se eu fosse um perfume seria… o Eau d'Issey, de homem. Ou o Paloma Picasso, para a noite.
Se eu fosse uma comida, seria… Chocolate. (nem me atrevo a pensar em enumerar outras, porque a lista seria infindável)
Se eu fosse um cheiro, seria… o do Pão acabado de cozer.
Se eu fosse uma palavra, seria... uma Palavra escrita ou cantada.
Se eu fosse um verbo, seria… Amar. Não conheço outro mais completo.
Se eu fosse um objecto seria… uma Mala de viagem, sempre pronta.
Se eu fosse uma peça de roupa seria… uma Camisola de caxemira, directamente sobre a pele.
Se eu fosse uma parte do corpo, seria… os Olhos. Sem eles, não consigo imaginar a vida.
Se eu fosse uma expressão, seria… na Lua. É onde estou, a maior parte do tempo.
Se eu fosse um desenho animado, seria… Tintin, o meu preferido, aventureiro e curioso.
Se eu fosse um filme, seria… As Horas, uma lição para toda a vida.
Se eu fosse uma forma, seria… uma Esfera, que não se deixa apanhar nas esquinas...
Se eu fosse uma estação do ano, seria… o Outono, pela luz e pelas cores. E pelas sonatas que inspira.
Se eu fosse uma frase, seria… esta, de Cecília Meirelles: "Aprendi com a Primavera a deixar-me cortar e voltar sempre inteira."

Passo o desafio a quem quiser pegar-lhe, que isto dá muito trabalho...

publicado por Ana Vidal às 23:27
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Sexta-feira, 7 de Março de 2008

Mudanças

Há uns tempos, um sapo piscou-me o olho.

E eu vou atrás dele... sabe-se lá se não se transforma num príncipe?
Sempre acreditei em contos de fadas.
(Por enquanto, ainda continuo por cá. Quando me mudar do Blogger para o Sapo, aqui estará o novo endereço )


publicado por Ana Vidal às 23:50
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Quinta-feira, 6 de Março de 2008

A marquesa saiu às 5 horas


A minha amiga Meg, incansável e excelente blogueira, propõe um desafio irresistível a todos os comentadores do seu badaladíssimo Sub Rosa (com novo visual, a propósito): o de glosar, à semelhança do que fez o escritor Paulo Mendes Campos (brilhantemente, como poderão ler no post da Meg) esta frase: A marquesa saiu às cinco horas. A frase surgiu de uma ideia do poeta Paul Valéry:
“Valéry, com seu horror à vulgaridade literária, dizia-se incapaz de escrever um romance por não possuir a coragem de redigir uma frase como esta: A marquesa saiu às cinco horas."
Pois bem, Paulo Mendes Campos inventou novas versões para descrever um episódio tão banal como esta saída da marquesa, com hora marcada. Algumas delas são hilariantes. O que vos peço - a vós, ilustres e bem humorados comentadores desta Porta do Vento - é que alinhem na brincadeira e sugiram as vossas próprias versões, contribuindo para o disparate colectivo. Podem fazê-lo na caixa de comentários da Meg, que ela depois fará um apanhado dos melhores (ou de todos, não sei) e com eles fará um novo post.
Eu já contribuí. Vá lá, juntem-se ao desafio. É divertido e ginastica os neurónios...

(Nota: Não resisti a ilustrar este post com um retrato da nossa Marquesa de Alorna)
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publicado por Ana Vidal às 15:48
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Quarta-feira, 5 de Março de 2008

A cor das palavras

«Mínimo

Você acena para mim do alto de sua torre e em meu corpo se instala um sentimento sinuoso que se espalha e me entorpece. Fico ali, sob o sol amornado pelo vento que farfalha nas folhas secas dos velhos oitis, acenando de volta, discreto e comovido como se me despedisse de alguém prestes a partir num improvável zepelim. Falamos pelo celular, mas os celulares de modo algum substituem a telepatia. Talvez os gestos, que na distância mais adivinhamos do que vemos, sejam o que restou dessa forma esquecida de intimidade. As palavras, tão triviais, vão com o vento, mas o que importa é a indisfarçavel emoção que as colore. As minhas são azuis. Quisera poder pintá-las de laranja, mas lido tão mal com essas tintas que é melhor nem tentar. Azuis... E meus dedos dedilham no ar mais um aceno como se estupidamente quisessem tocar no vento uma melodia doce e triste como eu parado ali, sem querer ir embora, sem saber ficar.

Sim, se fosse tudo isso um sonho, seria um zepelim e não o prédio a abrigar sua varanda no último andar. E eu ficaria ali, no cais imaginário onde ancorei talvez para sempre minha alma, a acenar as infinitas despedidas a que me sinto condenado. Feliz por você, porque serão sempre mais felizes os que partem - e essa é a felicidade dos que ficam, saber que são mais felizes os que partem. Aceno para você e ficaria ali acenando até você sumir no horizonte, diminuindo lentamente até ser engolida pelo céu e restar em mim como algo tão incerto como um sonho. E ainda assim ficaria ali depois, imóvel cais que sou, à espera e hesitante.

Mas, as palavras, sempre elas, me despertam de volta para a vida, incessante e breve: há que seguir em frente rumo a desimportância inadiável das tarefas que me aguardam. "Que nos aguardam", eu gostaria de dizer, mas como posso falar por você? E alguma vez terei podido? Aceno de novo, timidamente, como quem tenta agarrar-se ao vento e deixo-me ir, levado pelas minhas próprias pernas.
Você entrará de volta para a aconchegante penumbra de sua casa e eu retomarei meu passo apressado avenida adentro. E o quadro (você no alto, magnífica, e eu, lá embaixo, tão pequeno, tão minínimo) se desfará no ar como um zepelim tragado pelo céu. Circulos, perfeitas espirais, vida que segue... E esta crônica, devo confessar, é só a tentativa ingênua e torpe de comover você e parar o vento.»

Nota: Isto escreveu o Antônio, no seu fantástico Café Impresso. Gostava de ter sido eu a escrever estas palavras azuis, porque me tocaram fundo. Porque senti, como minhas, todas e cada uma delas.
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publicado por Ana Vidal às 23:10
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Sábado, 1 de Março de 2008

Cata-Ventos


Rio x Havana: qualquer semelhança é mera pobreza.
Adelaide Amorim, n'O bem, o mal e a coluna do meio
Se virando
Allan Robert, no Carta da Itália
Mini 92
Jayme Serva, no Dito assim parece à toa
Porque hoje é sábado (Vol. V)
Milton Ribeiro, no MR
Desconfio
Peri S.C., no Armazém peri s.c.
Rio das Flores
Capitão-Mor, no Portuga nos Trópicos

(Nota: Blogs do Brasil)

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publicado por Ana Vidal às 23:37
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1 ano de Afinidades Efectivas


O excelente Afinidades Efectivas faz hoje um ano. Muitos parabéns ao Paulo/Réprobo pelo rigor, pela exigência, pela graça com que constrói aquele espaço privilegiado. Ou melhor, privilegiados somos nós, os seus leitores. Muitos anos de vida blogosférica! E da outra também, claro...
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publicado por Ana Vidal às 17:18
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Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008

A kiss is just a kiss?

(Casablanca)

Aqui discute-se se um beijo é apenas um beijo, ou não. Não resisti a trazer para aqui o assunto, porque sobre isto não tenho a menor dúvida: um beijo, consentido e com sentido, nunca é "só" um beijo. É um vocábulo explícito, de uma linguagem planetária e inequívoca. Encerra sempre, num molde indestrutível, o desejo que o forjou. Traz em si memórias de beijos sonhados e expectativas de beijos futuros. E mesmo que não tenha passado nem futuro, cada beijo é, por si só, um universo.

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publicado por Ana Vidal às 02:41
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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

Meia dúzia de nadas

Lá me apanharam em mais uma corrente. Mas, vinda da Leonor, não posso recusar. Assim, deixo aqui as tais "6 insignificâncias" sobre a minha pessoa, que não interessam a ninguém mas que tiveram o mérito de me fazer olhar para dentro. São estas:
    1. Demoro muito a "sair" de um filme de que gostei. Quando se acendem as luzes da sala de cinema e olho à minha volta, tudo me parece estranho: as pessoas, as conversas, o ambiente. Às vezes, um dia inteiro não chega para voltar à realidade. Acontece-me o mesmo com alguns livros.
    2. Adoro flores amarelas: rosas, frésias, narcisos, túlipas.
    3. O mar faz-me uma falta física: se estou muito tempo afastada, começo a entristecer perigosamente.
    4. Perco-me por tapetes orientais. E por chocolates.
    5. Nada tem a capacidade de me comover como a música. E pode ser qualquer uma a ter este efeito, desde a erudita ao fado.
    6. Sou a pessoa mais distraída do mundo, mas sou boa fisionomista. Raramente esqueço uma cara e tenho a mania de encontrar semelhanças entre as pessoas.
    7. Em Itália, sinto-me em casa. Mas é a Índia o meu grande desafio.

E pronto. Eu sei que são 7 e não 6, mas eu gosto mais do número 7 (outra mania minha, também). Passo o desafio ao Pedro Viegas, à Rosarinho, ao Paulo, à Musqueteira, à Meg, à Sofia e ao Pedro SB, que é da casa e por isso responderá aqui mesmo. Se lhe apetecer, claro, como aliás todos os outros.

publicado por Ana Vidal às 14:54
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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008

Cata-Ventos


Cecilia Bartoli
Francisca Cunha Rêgo, no Blogue do JL

No princípio
JG, no Zoo Bizarro

O vento que passa fora do Ashram
O Jansenista, n' O Jansenista

O Flagelo dos Plágios
O Réprobo, no Afinidades Efectivas

Parole
Rui Bebiano, n' A Terceira Noite

100% Dignidade
Jorge Rosmaninho, no Africanidades

O Princípio do Fim
Daniel Oliveira, no Arrastão

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Equilíbrio Instável
Legível, no Papel de Fantasia
</span>
As time goes by
LBP, no
Lord Broken-Pottery

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Sábado, 16 de Fevereiro de 2008

O triunfo dos Gatos


Se George Orwell fosse um blogger, mudaria o título do seu famosíssimo livro para "O triunfo dos Gatos". Perito como era em analogias com o reino animal, teria provavelmente sucumbido à avassaladora invasão da blogosfera pelos gatos.
Esta constatação reflecte um fenómeno que alguém, algum dia, se dará ao trabalho de estudar. Tenho-me dado conta de que há uma imensidão de blogs que glorificam os pequenos felinos, e o mais engraçado é que são, muitos deles, os blogs e os bloggers com quem eu descubro mais afinidades. Se quisesse dar-me ao trabalho de extrair da minha lista os links para os amantes de gatos, tenho a certeza de que a percentagem me deixaria de boca aberta. Para citar só alguns exemplos de entre os que visito regularmente, este, este, este, este, este e este. E isto tem que querer dizer alguma coisa.
Ora, eu fui educada a não gostar de gatos. Em casa dos meus pais a primazia sempre foi para os cães e, durante muitos anos, esses cães eram galgos. O meu pai era um exímio cavaleiro e um apaixonado por caçadas às lebres, prazer que só abandonou depois de uma fractura grave numa perna, devida à queda de um cavalo. Mas os galgos ficaram por lá, correndo no pátio de casa atrás dos (muitos) gatos da vizinhança. Lembro-me bem do Aquiles, do Falcão, da Torrinha, do Tango, do Raiado, da extrema elegância dos corpos longilíneos e musculados num quase voo rasante, perseguindo, a uma velocidade alucinante, os pobres gatos que se atreviam a entrar por entre as grades do portão e só paravam, salvos de morte certa, no galho mais alto de uma das árvores. Depois dos galgos vieram os labradores, os pastores alemães, os grand danois.
Eu adorava animais: tive em casa toda a espécie de bicharada, desde o impossíveil Pirueta, um coelho que se escondia na prateleira mais alta da estante e que corria loucamente pela casa toda (milagrosamente, nunca foi comido por nenhum dos cães), ao incómodo Xico, um cabrito bebé que trepava a sofás e mesas e que os meus pais condenaram rapidamente ao prato, sem eu saber. Pelo meio, rãs, lagartixas, mochos e até ratos, todos criei com desvelo, em caixas de sapatos ou gaiolas, até se transformarem em insuportáveis adultos que todos odiavam, menos eu. Mas esse afã de maternidade precoce nunca incluiu gatos.
Não nego que acho os gatos, como todos os felinos, animais lindos. Que admiro neles a natureza livre e indomável, a orgulhosa recusa em bajular os donos, a independência emocional. E até penso que, por definição, os gatos teriam mais a ver comigo do que os cães. Mas a verdade é que isso não acontece, e a explicação para esse mistério só poderá estar numa infância despovoada de gatos (ou povoada de gatos que não eram mais do que negaças para treino dos galgos), em que os cães eram os reis absolutos da casa.
(Fotografia encontrada aqui)
publicado por Ana Vidal às 18:29
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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

Cata-Ventos

Por que outra razão fariam isto às pessoas?
Cristina Ferreira de Almeida, no Corta-Fitas
Se o ridículo matasse
João Távora, no Corta-Fitas
Namoro
Leonor Barros, no A Curva da Estrada
Valadares, o psicologismo de alcova e a erecção espontânea
Azia, no Azeite & Azia
Animais
Ricardo A. Alves, no Abencerragem.
Às vezes esqueço-me
Mad, no Juro que tenho mais que fazer
Noite de regresso
Sofia, n'O meu cais
Será que estou?
Ernesta, no Cabra de Serviço
E pronto. Para a semana há mais.
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publicado por Ana Vidal às 22:50
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Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008

Ainda a propósito de aniversários...


Conselhos para agradar apesar de tudo

Ter um sorriso nos lábios e uma flor na lapela.

Vestir-se com tecidos suaves, veludos, tweed, caxemira, que dêem vontade de acariciar.

Para não cheirar a velho, retirar dos bolsos as bolas de naftalina e pôr um pouco de perfume distinto, que dê vontade de cheirar.

Não usar cores demasiado vivas, mas as tonalidades da sua estação, o Outono.

Comer feijões finos para ficar extrafino.

Ser desenvolto, leve, nunca pesado. Como os elefantes para atravessar o lago gelado, caminhar na ponta dos pés. Saltar para não se afundar.

Não falar como um livro, não se tornar grave e sentencioso, ficar malicioso, troçar de si e de todos.

Ser pessimista e jovial. Saber dizer asneiras.

Cultivar o inútil e as rosas, o escárnio e as abóboras-meninas.

Aprender de cor poesias para poder dizê-las sem óculos e no escuro.

Ser curioso e ambicioso.

Não se queixar, de manhã, de ter dores por todo o corpo. Pensar que as pequenas dores nos fazem companhia, ocupam o espírito, ficamos amigos. E quando já não as temos, aborrecemo-nos. Lembrem-se que, «passados os cinquenta anos, se acordarmos sem ter nenhuma dor, é porque estamos mortos», mesmo.

Jean-Louis Fournier

(O humor corrosivo de Jean-Louis Fournier, roubado no Zoo Bizarro , o blog do meu amigo JG)

publicado por Ana Vidal às 22:53
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Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

Domingo


Por muito blue que me ponham os domingos, o surpreendente StatCounter salva-me sempre da neura. Hoje, diz-me que houve gente que veio aqui à procura de respostas para dúvidas existenciais profundas, eu diria mesmo lancinantes. Como não gosto de deixar ninguém angustiado, vou tentar ajudar. Mas não prometo grandes revelações. Ora bem:
Para quem procura "mulheres loiras na praia", lamento informar que não é a minha especialidade. Não aconselho a Suécia, por duas razões: fica um bocadinho longe e as praias são frias. Enfim, ligeiramente. Mas acho que, sem ter que procurar muito e se não for muito exigente na qualidade das tintas, há-de encontrar muitas loiras nas praias portuguesas.
A quem está desesperado por "chapéus femininos matinais para casamento", seja para um casamento mesmo ou só por fétiche, lembro a sempre airosa e tão útil touca de banho, que de manhã fica sempre bem.
Finalmente, vá-se lá saber porquê, há quem espere de mim "ideias de como fazer um arrastão no São João". Por muito boa vontade que eu tenha, meu caro, isso é que eu não sei mesmo. O São João, para mim, é mais sardinhas e manjericos. Mas não corte já os pulsos. Posso falar-lhe da experiência de Carcavelos, que parece ter corrido muito bem: junte muitos amigos (de preferência dos que morem nas Marianas, Cova da Moura, Chelas e outros bairros chiques como estes), organize com eles um passeio à praia, em hora de enchente, marque o dia 24 de Junho para o evento, e... divirtam-se! Com sorte, até vai encontrar o amigo que anda à procura de loiras na praia e, quem sabe, ficam amigos para sempre e fazem juntos muitos outros arrastões...
E é tudo por hoje. Espero ter sido útil, não quero que vos falte nada.
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publicado por Ana Vidal às 18:16
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Sábado, 9 de Fevereiro de 2008

Baleal, um amor antigo

Todos nós temos uma praia. A "nossa praia". Uma espécie de mundo encantado, perdido no tempo, onde estão guardadas, intocáveis, as nossas mais doces lembranças da infância e da adolescência. A minha é, sem dúvida, o Baleal. Estive afastada dela, fisicamente, durante anos. Mas o espaço que este lugar especial teve sempre no meu coração nunca foi ocupado por nenhum outro. Por qualquer razão que desconheço - há forças subterrâneas que não têm explicação simples, e são mais importantes do que pensamos - o Baleal voltou a tornar-se um apelo fortíssimo na minha vida. Sinto-lhe, mesmo de longe, o eterno cheiro a maresia, o vento cortante das madrugadas, a extrema brancura da areia finíssima. Cinco sentidos alerta, à espreita das memórias. Porque todas as velhas memórias se corporizam neste lugar mágico, onde o tempo teima em não passar.

Ando há muito tempo para escrever sobre o Baleal. Mas a minha irmã Madalena descreveu-o assim, e eu nunca o faria melhor. Convido-vos a ler esta declaração de amor à minha praia, à nossa praia de infância:

A Ilha do Baleal é um daqueles sítios alcançados por bafo divino em dia de suprema inspiração, dona de uma beleza natural que, além de absolutamente estonteante, é originalíssima na costa portuguesa (digo eu, que não a conheço toda), e isto só do ponto de vista geográfico e não do resto (ao dito resto iremos, a seu tempo). A Ilha, que não o é, sê-lo-ia quase se não estivesse ligada ao “continente” por uma língua de areia com duas praias – e aqui começa a originalidade, mas nem por sombras se esgota – que se enfrentam, mais que se admiram, mesmo em frente uma da outra.

Nós, os nativos, insistimos em chamar-lhe Ilha, talvez porque há muitos anos quem a frequentava lembra-se bem de chegar ao Redondo e ter que esperar que a maré baixasse para poder atravessar, pois a maré cheia juntava as águas até quase se perder o pé, ou pelo menos até tornar perigosa a travessia, por causa das correntes fortíssimas formadas pela junção das duas águas. O que, aliás, acontece ciclicamente, e é só mais uma das suas originalidades: a Ilha comporta-se como se tivesse vontade própria, transforma-se quando lhe dá na gana, renova a sua imagem, redefine os seus caminhos, o tamanho das suas praias, a quantidade da sua areia, a altura das suas rochas até quase à véspera familiares,provavelmente para nos confundir, nos encantar ou simplesmente nos fazer reapaixonar pelas suas formas renovadas.


Nega sistematicamente – ou não fosse ela um espírito livre – todas as transformações feitas por mão humana, imperfeitas por definição e desígnio divino, como o famigerado pontão para passagem de carros, espécie de cicatriz de uma operação mal conseguida, quase todos os anos reparado porque o mar o enche de areia ou porque lhe tira tanta que lhe faz perigar os alicerces, como se a própria Ilha o rejeitasse como corpo estranho, coisa de tal maneira óbvia que nós, míseros mortais e pouco sabedores dos mistérios da natureza, não alcançamos à primeira vista. Ou talvez porque, no fundo, desejamos que ela realmente venha ser uma ilha perdida nas brumas, inacessível aos milhares de veraneantes atraídos como mariposas pelo seu brilho.


De um lado, a ilha oferece-se ao continente, generosa na fartura das suas praias gémeas – falsas – uma de águas calmas mas perigosas, a outra de águas revoltas e correntes fortes mas previsíveis. Como a mente humana, aliás: toda a Ilha é uma analogia. E ainda nos oferece mais duas praias, uma escondida do primeiro olhar, por ser reduto antigo de barcos de pesca e por definição segura, protectora, aconchegante: a dos Barcos; e outra tão pequena que torna admirável o facto de ter sido baptizada: a das Cebolas, ainda que o seu nome não seja nem remotamente poético.


Do outro lado, aberta ao azul-cobalto, a Ilha mostra a sua face rebelde, gigantesca e sempre agreste, menos moldada às vontades humanas e imune a invasões. É o lado oceânico, com vista para as Berlengas, sua congénere longínqua e ao mesmo tempo ali tão perto, e para os Farilhões, ilhotas desertas e heliporto exclusivo de pássaros marinhos, a eterna inveja da nossa Ilha de alma eternamente selvagem. Ela aponta-lhes a sua proa cortante e abrupta, como se quisesse levantar âncora, imitando penínsulas saramaguianas na desesperada tentativa de se lhes juntar. A prová-lo, a Ilha das Pombas, esta com I maiúsculo por direito próprio, rochedo virgem e rebelde que fugiu das saias da mãe, conseguiu desertar da cobiça humana e buscar uma vizinhança composta exclusivamente por seres marinhos, ou quando muito alados, e fez-se ao mar há já uns bons milhares de anos.


Ainda que de rocha pura, a Ilha tem essência marinha, feminina. É mais feita de mar que de terra – a prová-lo o facto de não haver uma única árvore em todo o seu território, nem mesmo um pessegueiro, ainda que de outros tempos, só tojos raquíticos que sobrevivem à custa de pura teimosia – quase como se criar raízes não calcárias fosse motivo de vergonha para uma ilha que se preze...



É orgulhosa, a nossa Ilha. Não nos quer lá – ou não nos brindasse com tempestades quase de granizo em pleno estio, e só aos parcos mas persistentes visitantes invernais concede raras manhãs ensolaradas, gloriosas, ainda que gélidas. Parece até que considera esta adoração de que é objecto um contratempo, uma contrariedade temporária de que se verá livre rapidamente – para ela o tempo é efémero e o seu não se mede pela mesma medida que o nosso. Uma vida humana é um décimo de segundo. A memória da geração anterior somada a uma vida de agora não é mais que um suspiro.Talvez nos deixe construir casas porque as pintamos de branco, quem sabe as confunde com velas desfraldadas ao vento e conta com elas para sair mar afora, rumo ao pôr-do-sol...



(Fotografias: Mário Cordeiro)

publicado por Ana Vidal às 23:33
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Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008

Palavras minhas

Pede-me a Leonor Barros que nomeie as 12 palavras de que mais gosto. Difícil tarefa, escolher só 12. Adoro palavras e tenho a veleidade de achar que sou correspondida. Gosto de dizê-las, de escrevê-las, de repeti-las mentalmente, soltas ou em combinações caprichosas que elas próprias tratam de compôr. Dói-me quando as maltratam, como se fossem gente, e alegro-me quando as glorificam. As palavras são um brinquedo eterno e universal, além de absolutamente democrático: todos temos acesso a elas, ao seu mistério, à sua beleza, ao seu peso específico. Com palavras se pode dar vida e com palavras se pode matar. Mesmo os silêncios são feitos de palavras imaginadas, sonhadas, desejadas ou temidas. As palavras dançam à nossa volta durante uma vida inteira, a convidar-nos para o seu baile alucinante. Dancemos com elas.
Vamos às minhas preferidas, então. Não me detive no significado mas talvez na fonética, ou apenas no misterioso eco interior que cada uma delas provoca em mim, sem razão aparente. Aqui estão:
Maresia
Areia
Madrugada
Baía
Luz
Delícia
Cambraia

Ventania
Pele

Silêncio
Voragem
Ilha

Parabéns pela ideia, Leonor. O exercício é estimulante, ao contrário de algumas correntes que andam por aí na blogosfera. E passo o desafio a 12 amigos blogueiros (um por cada palavra preferida): Teresa, Mariav, Capitão-Mor, JuliaML, Pedro Viegas, Jayme Serva, African Queen, RAA, Lord Broken-Pottery, Adelaide Amorim, Sofia e Feitixeira, porque todos eles são gente da palavra. E de palavra.
publicado por Ana Vidal às 19:06
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Sábado, 26 de Janeiro de 2008

Obrigada

O Porta do Vento foi distinguido com um simpático selo de qualidade, atribuído pela T do Dias que Voam. Agradeço a honra e espero continuar a merecê-la, embora com muito pouco tempo disponível nos últimos dias. De tal maneira que nem tinha dado por esta distinção.
Peço desculpa mas não vou nomear 5 blogs de qualidade, como me pedem. Conheço e visito regularmente muitos e excelentes blogs, seria difícil e injusto escolher apenas 5 deles. Assim, ofereço este selo a todos esses blogs onde me divirto, aprendo e me emociono tantas vezes.
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publicado por Ana Vidal às 00:35
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

Pelo sonho


mais um recém-nascido neste imenso e (ainda) novo mundo da blogosfera: ainda não se aguenta bem em pé, ainda tropeça e cai, mas promete.
Ou não abrisse as portas com o belíssimo poema de Sebastião da Gama, anunciando que é pelo sonho que vai. E vai bem, que o sonho é o único caminho que nos leva a algum lugar. Tenho muita honra em ser uma das madrinhas do neófito.
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publicado por Ana Vidal às 23:28
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Não havia necessidade


adoeci. nada de grave. constipado. o pingo, no seu estalactítico vaivém, sempre abeirado da queda. é uma chatice. nada de mais. passei numa farmácia para comprar uns medicamentos. chamava-se sanitas. bem sei que estar doente é uma merda, mas não era preciso isto.


Nota: Encontrado aqui, onde já não passava há algum tempo. Por puro esquecimento, porque sempre que por lá passo encontro alguma coisa que me faz tirar o chapéu ao autor. Devo prevenir os incautos de que os textos às vezes são "da pesada" para ouvidos (ou olhos) mais sensíveis. Mas garanto que vale a pena ultrapassar esse pormenor, pela genialidade de alguns posts. Parabéns ao Azia.

publicado por Ana Vidal às 20:02
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Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007

Rescaldo

Natal: nascendo o esquecimento
Sentada na mesa farta, farto-me de pensar. Não se faz luz nos castiçais da memória.
Decoro as cobiçosas entradas sobre a mesa, desadornando as saídas da minha mente.
Os meus pensamentos voam como borboletas poisando no fulgir da árvore matizada. Deslizo no brilho das bolas e na imponência das fitas. Esqueci-me de uma fita no presente da minha mãe.
No meu presente, não esqueço o maravilhoso laço que nos liga. Acho que passará bem sem fitas!
Destaco a fita-cola de cada um dos papéis que envolvem os meus presentes. Que tenho eu para dar? Terá valor o que tenho para oferecer?
Embrulhei-me na azáfama, vendo o tempo sempre a escassear. A venda do consumo consumia-me os olhos. Vendo bem, estaria eu a vender-me?
Comprei o que pensei que faria as pessoas felizes. Fugaz felicidade em saquinhos.
Em cada saquinho estava uma prenda, mas isso não faz de mim prendada.
Não se prendam com o que digo. Muitas pessoas se alegram hoje, embora dando importância a diferentes conteúdos.
Eu apenas acho que me esqueci de alguma coisa… Não havia alguém que fazia anos hoje?

Nota: Encontrado aqui, onde as palavras são escolhidas a dedo e misturadas com sabedoria e talento.

publicado por Ana Vidal às 11:04
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Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007

Património bloguístico

Além dos autores do Corta-Fitas (uma das minhas paragens diárias na blogosfera), que são de grande qualidade, este blogue tem um património precioso e invulgar: os comentadores anónimos. São de uma fidelidade canina e têm graça, normalmente. Não sei se serão uma única pessoa, que se desdobra em várias personalidades, ou, até, se serão heterónimos dos próprios autores do blogue, num exercício de "pescadinha de rabo na boca". Não sei, nem me interessa. Sei que me divertem, e que são uma das razões pelas quais nunca deixo de lá ir espreitar.
Dou-vos um exemplo. A esta entrada da Cristina Ferreira de Almeida, já de si bem apanhada, os anónimos reagiram assim:

Anónimo Anónimo disse...

Veja lá mas é se o Joaquim a leva por maus caminhos.

Nunca fiando...

2:18 PM

Anónimo Anónimo disse...

Não olhe para trás, senhora, olhe que ainda vai contra um muro!

2:33 PM

Blogger cfa disse...

Vamos esforçar-nos um bocadinho mais nos comentários, boa? Vá lá, anónimos, vocês conseguem melhor!

3:08 PM

Anónimo Anónimo disse...

Terá encontrado o Joaquim de Almeida?

3:19 PM

Anónimo Anónimo disse...

Oh, muito pior que isso foi a minha vida antes de ter conhecido a Juliana Paes.

3:26 PM

Anónimo Anónimo disse...

Se tentou apoiar-se numa perna, mexer no cabelo e falar-lhe com voz doce, o mais provável é que o Joaquim seja gay, apesar da voz máscula e firme.

3:39 PM

Blogger Pedro Correia disse...

Esse gajo é trolha?

4:02 PM

Anónimo Anónimo disse...

Sr. Correia, era favor esforçar-se um bocadinho mais.

4:47 PM

Blogger cfa disse...

Se o Joaquim fosse trolha era perfeito, ainda fazia uns arranjinhos na casa; Se fosse o Joaquim de Almeida fazia ovos mexidos (julgo eu).

5:10 PM

Anónimo j.c. disse...

Não é homem, CFA. Não pode ser homem, porque os homens são perfeitos por natureza. Não precisam de fazer ovos mexidos, nem precisam de fazer coisas básicas: só precisam de saber mandar fazer.
Pode até ser macho. Pode ser um peixinho vermelho. Mas o Joaquim não é homem!...

5:25 PM

Blogger cfa disse...

J.C., lamento informá-lo de que as suas ilhas não constam da memória do meu Joaquim. E não despreze a habilidade de fazer ovos mexidos. Garanto-lhe que leva muitas mulheres à rendição.

5:52 PM

Anónimo j.c. disse...

Três notas, CFA.

1. Um Joaquim sem memória é realmente para lamentar.

2. Não desprezo essa habilidade. Ovos mexidos é coisa que faço com grande qualidade.

3. Maior habilidade é levar muitas mulheres à rendição sem ovos mexidos. Não preciso de ir à cozinha, porque eu sou homem de uma mulher só. Uma de cada vez. Mas só. Ou, quando muito, mal acompanhada...

6:02 PM

Blogger cfa disse...

Ora aí está um comentário engraçado do JC. Contei ao Joaquim e ele disse logo: "Vire à direita". Vejam e aprendam, anónimos do fundo do escalafon!

7:00 PM

Nota: Esta homenagem aos comentadores de blogues alheios não significa, de maneira nenhuma, que os prefira aos da Porta do Vento. Gosto muito dos meus comentadores e não os troco por nenhuns outros. Mas esta assídua troupe de anónimos é, no mínimo, invulgar.
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publicado por Ana Vidal às 21:31
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Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007

Pérolas na Blogosfera V


"Os meus dentes já bateram tanto hoje que houve quem começasse a dançar sevilhanas."
Uma frase com graça apanhada num post do João Villalobos, no excelente Corta-Fitas.
"As lágrimas dos outros são apenas água"
Um provérbio russo cheio de sabedoria, encontrado no Cão com Pulgas (outro belíssimo blog), do Pedro Aniceto.
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publicado por Ana Vidal às 22:02
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Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007

Irresistível

É irresistível espreitar as estatísticas de vez em quando, porque se dá de caras com as misteriosas e hilariantes pistas que trazem as pessoas até ao nosso blog. Aqui ao Porta do Vento, há quem venha parar com estas:


"Você não é nenhum resumo do conto vestido"

(Nem quero... prefiro ser o conto inteiro. Mesmo nu.)


"Casamento matinal?"

(Não, amigo, obrigada. Sou noctívaga.)


"Zé aperta o laço"

(À vontade, desde que não seja no meu pescoço...)


"Devolve-me os laços meu amor"

(Desculpe, não posso. O Zé levou-os todos.)


"Pedalando eu vou"

(Então boa viagem, e veja lá não se arme em camisola amarela.)


"Ementas de luxo"

(Aqui tudo é um luxo, meu caro. O que é que pensava, hein?)


"Estátuas maçónicas"

(Perdão? Disso não temos. Deve ter confundido com o avental das ementas de luxo...)


"Filme chocolate projecto de vida"

(Vê, eu não disse? Quer maior luxo??)

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publicado por Ana Vidal às 00:26
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Domingo, 9 de Dezembro de 2007

Saudades de Lisboa


ALFAMA
Alfama de cacos pintados de tintas e trocas e ventos no rio de pontos picantes e pontas de faca e alpaca de Alfama com alma de alfafa e gente de fama que cai na galhofa do pátio da esquina da feira da ladra de cacos picantes e contas correntes de tretas e pintas de gente com laca nas pontas da fama e ventos de faca que cortam Alfama de portas pintadas com a fama do fado.

(Nuno Rebelo - in Mler If Dada, Coisas que Fascinam)
Nota: Roubado ao RAA, no Abencerragem.
publicado por Ana Vidal às 01:47
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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

Cais das Colunas


Em época de efemérides, o Torquato da Luz lembrou-me, com este belo poema, uma questão que também me inquieta e sobre a qual já falei aqui: as novas "obras de Santa Ingrácia" do Terreiro do Paço, que nos levaram da vista o saudoso Cais das Colunas:


Sobre ser belo, tinha
uma aparência de eternidade
que lhe advinha,
não da idade,
mas da quase-irrealidade
com que marcava a linha
de rosto da cidade.
Hoje é apenas um monturo,
um lugar triste e abandonado,
ao qual roubaram o passado
e recusam o futuro.
E é de temer que o novelo
do tempo que tenho pela frente
não seja suficiente
para voltar a vê-lo.
Como lembrou, e muito oportunamente, um comentador do Ofício Diário , quem disse que a poesia não pode ser útil?
(Fotografia de Annie Assouline)

publicado por Ana Vidal às 22:20
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Do surrealismo aéreo nacional


«Na tentativa de fazer um fim-de-semana prolongado diferente, um amigo meu - vou chamar-lhe P. - decidiu vir a Bruxelas na passada quinta-feira. Para tanto, comprou um bilhete de avião de ida e volta à TAP (o surrealismo começa aqui, está-se mesmo a ver) para um voo que, saindo cedinho de Lisboa, aterrava em Bruxelas às 11h30 da manhã, hora local.
Assim, apresentou-se no check-in do aeroporto de Lisboa cerca das 6h30 da manhã. Porque é portador de uma deficiência motora, o P. desloca-se numa cadeira de rodas, tendo sido necessário fornecer-lhe assistência para o levar até ao avião. Feito o check-in, apareceu um senhor bagageiro para desempenhar a tarefa.Foi conduzido através do aeroporto, mas não pela normal zona de embarque. Passou no raio-x usado pelas tripulações e viu-se do lado de fora do aeroporto, tendo sido transportado até ao avião à segunda tentativa do bagageiro de pôr uma carrinha a trabalhar (a primeira não tinha bateria, pois tinha sido deixada com as luzes acesas durante toda a noite).
Após a entrada no avião, sentou-se no lugar indicado no seu talão de embarque, mas, momentos depois, apareceu um segundo passageiro para o mesmo lugar. A situação foi prontamente resolvida pela hospedeira, pois havia muitos lugares desocupados. Fechadas as portas, o avião fez-se à pista e uma voz fez-se ouvir nos altifalantes, dando início ao pesadelo do P.: Senhores passageiros, fala-vos o comandante. Bem-vindos a bordo deste voo da TAP com destino a Zurique.
Sim, leram bem, não me enganei. O P. tinha sido empurrado até ao avião errado, nenhum elemento da tripulação tinha verificado o seu cartão de embarque, nem quando se levantou o problema dos dois passageiros para o mesmo lugar e conclui-se de que não servira de nada as hospedeiras terem andado para a frente e para trás a fingir-se muito concentradas a contar os passageiros, pois o avião ia descolar com um passageiro a mais. Isto diz muito acerca da competência das pessoas e das questões de segurança aérea, não diz?
Mas, continuando o impensável!...
Apercebendo-se de que estava no avião errado, o meu amigo informou uma hospedeira acerca do facto, mas a mesma disse-lhe que nada podia fazer, informando-o de que o avião estava mesmo quase a levantar voo. No entanto, a hospedeira garantiu que informaria o comandante que, por sua vez, deveria informar os serviços da TAP, em última instância os de Zurique, que deviam tratar do reencaminhamento do passageiro para Bruxelas.
Passaram-se três horas, que é sensivelmente o tempo de voo entre Lisboa e Zurique. Aterrado o avião, o P. telefonou a explicar o que lhe acontecera e eu, conseguindo ver na Internet que havia um voo Zurique-Bruxelas dali a 45 minutos, disse-lhe qual era o número da respectiva porta de embarque. Lá chegado, ele pôde constatar que nenhum funcionário da TAP tinha feito o que quer que fosse para reparar a falha cometida. Nas três horas de voo, ninguém lhe tinha reservado bilhete para Bruxelas, ninguém o esperava para o reencaminhar para outro voo, ninguém lá estava nem para um simples pedido de desculpas, para nada. A TAP despejou-o, pura e simplesmente, num país que não era aquele para o qual queria viajar. Foi a Suiça, mas podia ter sido o Brasil, os EUA ou Cabo Verde... Foi um adulto, mas podia ter sido uma criança.
Após vários telefonemas à portuguesa, para amigos dos primos das secretárias dos vizinhos dos porteiros das empregadas da limpeza dos administradores da TAP, lá conseguimos que duas antas se dignassem a contactar o P., a dar-lhe vouchers para almoçar e a informá-lo de que lhe reservariam um lugar no próximo voo, que chegaria a Bruxelas às seis da tarde.
Resta-me ainda contar que também foram surrealistas as respostas que obtive nos telefonemas que fiz para localizar a bagagem do P.. Entre outras pérolas, a menina o serviço de bagagens da TAP assegurou-me que as bagagens teriam seguido para Bruxelas. Quando lhe perguntei se não era verdade que, por razões de segurança, são retiradas dos aviões as bagagens dos passageiros que faltam ao embarque, ela respondeu-me que desconhecia esses procedimentos. Perceberam bem? O serviço de bagagens DESCONHECE os procedimentos RELATIVOS ÀS BAGAGENS nos casos de não embarque dos passageiros. Mas não está só. A senhora do balcão da TAP de Bruxelas, com quem também falei, que me disse que trabalha para a TAP HÁ VINTE ANOS, também me disse que, embora não mo podendo assegurar, também lhe cheirava que as bagagens tinham vindo no avião para Bruxelas. Aconselhou-me a meter-me no carro e a ir procurá-las no aeroporto de Bruxelas (coisa inteligente, que haveria de servir-me de muito, sem eu sequer dispor do número da bagagem...)
Sucede que eu, que nunca trabalhei para nenhuma companhia aérea, estava certa. A bagagem, que tinha sido colocada no voo para Bruxelas, teve de ser retirada do avião, devido à falta de embarque do passageiro. Por essa razão, o voo saiu de Lisboa com uma hora de atraso. Culpa de quem?...»
Encontrado aqui. Reproduzo na íntegra, porque estas coisas acontecem muito mais vezes do que deviam e são graves, por isso têm de ser divulgadas.
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publicado por Ana Vidal às 22:47
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Domingo, 4 de Novembro de 2007

Sedução na página 161


Por intermédio da Leonor Barros, do Geração Rasca, passou pela Porta do Vento a tal corrente blogosférica da "pág. 161". Antes de mais, agradeço à Leonor o simpático convite, e adiro à corrente com muito gosto. São estas as regras:
1. Pegue no livro mais próximo, com mais de 161 páginas – implica acaso e não escolha.
2. Abra o livro na página 161.
3. Na referida página procure a 5.ª frase completa.
4. Transcreva na íntegra para o seu blogue a frase encontrada.
5. Passe o desafio a cinco bloggers (por minha conta e risco, aumentei para seis).
No livro que estou agora a ler - Como tornar-se doente mental, de J.L. Pio Abreu - a página 161 é uma das 8 da extensa bibliografia, por isso presumo que não conta. Assim, querendo manter as coisas com algum rigor e isenção, resolvi fazer o seguinte: dirigir-me à estante, apalpando as lombadas sem olhá-las, avaliando-lhes a espessura para excluir automaticamente os livros que não tivessem o número mínimo de páginas. O livro em que peguei, por este método, é uma espécie de "3 em 1": Poemas - As Elegias de Duíno - Sonetos a Orfeu, de Rainer Maria Rilke. Curiosamente, a página 161 é... uma fotografia! Assim, olhei para a página par que lhe correspondia, e lá encontrei a 5a frase completa, que é esta:
"mais sedutores que Frine se seduzem a si próprios"
E pronto, passo o testemunho aos seguintes bloggers:
  1. Juro que tenho mais que fazer, da Madalena
  2. O Eldorado, do JP
  3. Dito Assim, do Jayme Serva
  4. Codornizes, do Pedro Cordeiro
  5. Zoo, do JG
  6. Abencerragem, do Ricardo António Alves

publicado por Ana Vidal às 19:13
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Sábado, 27 de Outubro de 2007

Maternidade


¿Malas madres?
Cuando a Doris Lessing le dieron el Nobel de Literatura hace unas semanas, leí en más de un sitio que recogía su biografía, que cuando eran joven había abandonado a sus hijos para marcharse a vivir a Londres."Había abandonado a sus hijos". Pensé: ¡Qué fea y qué peyorativa frase! Parece puesta adrede para que de antemano la idea que nos hagamos de ella es que por eso no es una buena mujer. Y seguí: ¡qué puñetas de abandono! No los abandonó, los dejó con su padre, que también los podía cuidar igual que ella. Pero en aquellos años que lo hiciera una madre era un escándalo. Y eran muy pocas, como he leído recientemente en otra publicación, las que anteponían su propia felicidad a la maternidad y cargaban de por vida con el calificativo de malas madres. Y en su interior con el remordimiento de no haber atendido a los hijos. En aquellos tiempos y en estos, aunque hoy hay más mujeres que dejan todo - marido e hijos - para irse con un nuevo amor. Pero siguen enfrentándose a la crítica de la sociedad. Se considera normal y no se condena a las madres que no viven con sus hijos por motivos profesionales, pero como la causa sea sentimental, otro hombre, se han caído con todo el equipo. Nunca he pensado que el ser mala madre esté en eso. Creo que se puede ser buena madre en la distancia.
(Um post, desabrido e feminista, de Chapi Escarlata, una "periodista cuarentañera, para nada amargada", como ela própria se intitula.)
Desta vez roubei ao JG um assunto sério, para variar. Costumo trazer do seu ZOO posts de excelente e requintado humor, de uma originalidade que me impressiona sempre (nem imagino onde o JG vai buscar tantas e tão boas graças), mas este óptimo blog também aborda - e com o mesmo rigoroso critério de escolha - assuntos que não são para rir, nem sequer para sorrir. Este é um deles, e por isso o trouxe para aqui.
Era de prever que um tema destes levantasse grande polémica. Claro: uma mãe que "abandona" os filhos por um amor, ou por uma profissão, não merece viver... a periodista cuarentañera abriu uma caixa de Pandora e o linchamento começou de imediato. É sempre tão fácil condenar!
Para começar, tenho que dizer que também não acredito que se possa ser uma boa mãe à distância. Acho isso uma utopia. Pelo menos, uma mãe tão boa como se estivesse presente. Mas as mães não são perfeitas, não podem nem têm que sê-lo sempre. São seres humanos, sujeitos a uma pressão brutal de todos os lados - da famíla, dos filhos, da sociedade, e até de si próprias - como muito poucos homens alguma vez experimentarão. É-lhes exigida a perfeição, nada menos. Vivem no arame mas não podem cair nunca, porque uma plateia implacável (curiosamente, composta menos de homens do que de outras mulheres) espera apenas esse momento para vaiá-las e apontar-lhes o dedo da condenação. Acontece que é, muitas vezes, esse grau desmesurado de exigência que as "empurra" para um fuga qualquer, por não conseguirem corresponder-lhe (quem consegue, sendo SÓ humano?) ou por se sentirem encurraladas na escolha que fizeram: a escolha natural, a que delas se esperava, mas feita muito antes de saberem o que ela iria significar de exclusividade. Porque a maternidade é uma escolha irreversível. Ou nem sequer é uma escolha, em muitíssimos casos.
Nem todas as situações são iguais, como é evidente. Há de tudo. E também há (não o ignoro) mães que são, realmente, de um egoísmo irresponsável. Mas o que quero aqui salientar é que nem todas as que se afastam dos filhos o são. E outra coisa: também há mães cuja irrepreensível presença é muito prejudicial aos filhos. E há as que lhes cobram, a vida inteira, a opção que as fez desistir de uma outra vida qualquer, com que sonharam um dia. E há as que os asfixiam e não os deixam voar. E há as que... Há de tudo, repito.
Não estou a cerrar fileiras com as feministas, e confesso que não me interessa muito se alguém classificará assim os meus argumentos. Acho, só, que temos que ver as coisas de todos os ângulos e não cair na tentação do mais fácil, que é crucificar quem falha. Ou quem parece ter falhado, aos olhos da maioria.

publicado por Ana Vidal às 23:35
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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007

Putin e as bicicletas


O estranho aparato de segurança que acompanha Putin, visto - com graça - pela Falabarata:
PUT IN
Dos vários meios destacados para a segurança de Putin na sua visita a Lisboa, constam, de entre veículos, centenas de agentes e etc, 159 solípedes, 10 binómios e duas bicicletas.
Assim de binómios importantes só conhecia o binómio de Newton.
Quanto a ***pedes, constavam do meu vocabulário os quadrúpedes e os bípedes, mas confesso que solípedes nunca me tinham passado pelos olhos e ouvidos, que me lembre.
Aprendemos sempre imenso quando nos cruzamos com o léxico próprio de determinados grupos profissionais, embora, neste caso em particular, me mantenha na santa ignorância quanto aos binómios. Serão pares de solípedes, correspondendo portanto a 4 solas e respectivos pés?
De qualquer forma, o que mais me espantou nesta notícia foi a presença das duas bicicletas, curiosamente correspondendo exactamente ao número de helicópteros, também 2. Talvez trabalhem em grupo. O helicóptero vai lá em cima, vê qualquer actividade suspeita e contacta rapidamente com a bicicleta que lhe foi atribuída a qual, por sua vez, se deslocará na bisga para o local em apreço.
Mesmo com 1300 agentes, 99 viaturas, 83 motociclos, mais os binómios e os solípedes, parece-me que a segurança de Putin não ficaria completa nem seria eficaz sem as duas biclas.

publicado por Ana Vidal às 21:35
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Quarta-feira, 17 de Outubro de 2007

Saltimbancando


Quase toda a minha vida cabe em 60 litros de mochila e meia dúzia de gigabytes de disco rígido. O resto são pessoas, locais e livros, mas esses não os posso carregar comigo.
Esta declaração poética faz parte de um belo texto de Jorge Rosmaninho, no seu Africanidades. Um homem em constantes andanças por África. Saltimbancando, como ele diz.
Boa viagem, Jorge, e que a mudança seja abençoada pelos deuses da sorte.
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publicado por Ana Vidal às 02:52
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Domingo, 14 de Outubro de 2007

Paulo Autran

Só hoje soube da morte de Paulo Autran (07.09.1922 - 12.10.2007). O desaparecimento de um grande actor deixa sempre o mundo mais pequeno. Aqui, como diseur de excelência, que era também.



Poema de Carlos Drummond de Andrade, recitado por Paulo Autran na rádio Band News FM, no dia 29/11/2006 (encontrado no Sem-se-Ver).

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publicado por Ana Vidal às 19:04
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Sábado, 13 de Outubro de 2007

A velha


Encontrei esta delícia de texto num dos meus blogs favoritos, um daqueles por onde passo sempre nas minhas deambulações pelo éter: A Curva da Estrada, da Leonor/Papalagui.
Um texto fantástico, no mais puro estilo Almodôvar. Ou talvez, melhor ainda, Ettore Scola, no meu também eterno favorito Brutti, Sporchi e Cattivi.
Não deixem de ler.
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publicado por Ana Vidal às 12:51
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Sexta-feira, 5 de Outubro de 2007

A verdadeira pérola

Um jovem cherne contra o "ensino burguês" que era oferecido ao cardume.

O mesmo ensino, aliás, que fez dele o tubarão que é hoje.

Video descaradamente roubado no Cão com Pulgas, do Pedro Aniceto.

publicado por Ana Vidal às 19:15
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Domingo, 30 de Setembro de 2007

Praça do Geraldo



«A Praça é, para eles, o centro do mundo. Chegam com as sombras compridas da manhã. Sonolentos e sorrateiros. Um de cada vez, como bailarinos ensaiados. Serenos. De mansinho para não acordar de forma brusca nem o granito nem a cal que despertam aos estalidos com os primeiros raios de sol.(...)»
Belíssimo, e muito verdadeiro, este texto do Jorge Rosmaninho, no seu Africanidades. Um olhar poético, mas também muito lúcido, sobre a realidade dos nossos reformados. Neste caso, os que ainda têm a sorte de ter uma Praça do Geraldo para passar o dia. Vale a pena ler o resto.
publicado por Ana Vidal às 17:27
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Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007

Justiça cega


(...) que raio de afectividade é esta que está na cabeça destes juízes em que é suposto um pai não ter medo de perder o filho? Que raio de paternidade maquinal é esta? Quem, amando o seu filho, prepara tudo para o perder? Pois eu acho que seria um estranho sinal que o fizessem.

Esta é parte de um texto do Daniel Oliveira, no Arrastão, sobre o chamado caso Esmeralda. Nem sempre concordo com o Daniel, mas desta vez subscrevo integralmente o que ele diz. E não o diria melhor, por isso aconselho o resto da leitura na sua origem.
publicado por Ana Vidal às 20:22
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Sexta-feira, 21 de Setembro de 2007

Lobas II


“As mulheres carregam nos olhos os fogos dos sete infernos. Pode-se pegar na carne delas, qualquer trecho do corpo: é quente. Não será do sol do mundo. É das antiquíssimas labaredas, que elas atravessam sem se queimar.
Mas o fogo aquece-as para sempre e a cintilância das labaredas perdura, anzol ou garra de ar.
As mulheres quando morrem vão, mas voltam vestidas de outras peles e de outros cabelos para continuar os serviços lá delas. O diabo autoriza quando estão no ponto: “Voltem”. O diabo sabe o que faz. Aí elas se misturam de novo no meio dos povos e o aroma delas é de raízes silvestres. As curvas feitas nas ancas são cavadas pessoalmente pelo diabo que recheia muito bem recheada a parede das ancas. Ele mira e remira as ancas e satisfeito sorri, o hábil oleiro.
O diabo ensina as artes de falar; de sorrir; de prometer; de chorar; de aliciar; de imantar, de fingir, até elas alcançarem a sabedoria: para ir deixando um rastro de estragos.
Dizem que há exceções. Quanto a essa parte não sei.”
Haroldo Maranhão (escritor brasileiro - 1927-2004)

Emprestado da Meg, no SubRosa, este texto de Haroldo Maranhão é altamente provocatório. Apenas misógino? Sábio? Atrevo-me a dissecá-lo:
Há qualquer coisa, realmente, na natureza feminina - a influência em nós dos ciclos lunares, por exemplo, que o diga - que está profundamente ligada aos primórdios. E os homens sempre diabolizaram o que não entendem e os assusta, exactamente porque não o entendem (muitas "bruxas" acabaram na fogueira por causa disso, literalmente ou em sentido figurado). Não sabem, claro, que tudo o que queremos é amá-los. Mas sentem, ou intuem (a intuição é mais do nosso foro, por isso será talvez instinto de sobrevivência), que esse amor pode, por vezes, ser-lhes fatal.
O tão aclamado "sagrado feminino" encerra em si um enorme poder que tem alguma coisa de perverso, há que reconhecê-lo. A infinita complexidade das mulheres (e também a pura necessidade, num mundo patriarcal), muniu-as de várias e sofisticadas armas, frequentemente usadas de maneira pouco limpa. E os homens, com toda a sua pirotecnia de superioridade, são afinal muito mais vulneráveis. Mais expostos. Até porque lhes é exigido que exibam os atributos de uma força que lhes deve ser natural. As mulheres podem recolher as garras e simular fragilidade, se isso lhes convier, mas aos homens isso não é permitido: presos na sua própria teia, cumprem o arquétipo que lhes foi atribuído, pagando o preço da previsibilidade. Assim, resta-lhes esmagá-las com essa mesma força de que são, eles próprios, cativos. Tudo isso antes que o façam elas, de formas mais subtis e quase sempre mais devastadoras.
Homens e mulheres navegam, desde sempre, num único e irremediável equívoco: presumir que a outra metade fala a mesma língua. Interpretamo-nos uns aos outros à luz de códigos duplos, julgando-os os mesmos. E todos os conflitos derivam daí.
P.S.: Parabéns à Meg pelo seu Sub Rosa, que acaba de fazer 6 anos de vida!
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publicado por Ana Vidal às 22:46
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Sábado, 15 de Setembro de 2007

My Sweet Lord


Irresistível, este post/quase poema do Lord Broken-Pottery. A mostrar todo o talento que ele tem, até a chorar. Tive que roubá-lo para aqui. Mas ele perdoa-me. Não perdoa, my sweet Lord?
Aqui está:
«Gently Weeping
Hoje acordei querendo ser a guitarra do George Harrison. Gentilmente derramaria lágrimas como há muito não faço.
O primeiro pranto seria por saudades acumuladas, feridas abertas não cicatrizadas. Depois choraria o que não consegui fazer, tempo perdido, desperdiçado, jogado fora, menino preguiçoso desde sempre. Lamentaria então, baixinho, os momentos mal vividos onde, enredado em antecipações, todo expectativa, fui mais uma vez criança. Lastimaria o sono que não dormi, sonhos esbanjados em preocupações tolas. E com cuidado, para que não ouvissem esse carpir silente, derramaria algumas lágrimas de ódio e estaria, finalmente, bem mais feliz.
I look at the world and I notice it's turning
While my guitar gently weeps
With every mistake we must surely be learning
Still my guitar gently weeps
(While My Guitar Gently Weeps - George Harrison)»
Já agora junto-lhe este contributo, em jeito de brincadeira. Espero que as lágrimas já tenham secado.
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publicado por Ana Vidal às 01:10
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Domingo, 9 de Setembro de 2007

O desafio da Blogosfera


«Bem observado, este post de Eduardo Pitta: Da Literatura: DOMINGO .
Subscrevo o que ele defende: que os blogs, hoje em dia, cumprem a mesma função dos cafés de antigamente. E, tal como antes, cada um só convida para a sua mesa quem quiser que lá esteja.
Porque há mesas para todos os gostos: desde as elitistas dos cafés chiques, onde o grupo está formado, de pedra e cal, e ninguém mais pode perorar (são os blogs que não admitem comentários) até às mais saloias dos cafés de bairro, em que cabe sempre mais uma cadeira, por isso qualquer desbocado pode entrar na tertúlia e dizer alarvidades de sua justiça. Entre estes dois extremos, há variações possíveis e interessantes. Por exemplo, a de pôr na rua, sem contemplações, os convivas que não saibam comportar-se à mesa, sorvam o café com barulho, palitem os dentes ou agarrem na xícara de dedinho empinado, enquanto dizem baboseiras. O Porta do Vento tende para esta opção intermédia, mas, como ainda anda nesta vida de cafés há pouco tempo, por enquanto bebe uma bica aqui, um galão acolá. E assim, de mesa em mesa, há-de encontrar os seus pares e fazer um dia a sua.
Até lá, todos poderão vir dar uma espreitadela e dizer como gostam da torrada. E, porque hoje é domingo, a bica é por conta da casa.»
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Publiquei o post acima há pouco mais de três meses, quando dava os primeiros passos neste fantástico mundo que é, realmente, a Blogosfera. Estava ainda a tactear terreno para construir aquilo que seria o meu roteiro diário de hoje em dia, um passeio por vários blogs que me ensinam, me provocam, me fazem pensar ou, simplesmente, me divertem. Que, enfim, me enriquecem.

Desde logo me galvanizou esta comunhão gratuita e livre de Conhecimento, em que gente muito qualificada nas suas variadíssimas áreas tem a generosidade de partilhá-lo e até de discuti-lo com quem se disponha a isso. No mundo actual, em que ninguém dá nada a ninguém sem alguma contrapartida, esta atitude parece-me muitíssimo saudável. E pouco me importa que alguns blogs ditos "de culto" sejam meros exercícios de exibição de plumagens, de pirotecnia narcísica. Primeiro, porque mesmo com alguns desses narcisos bloguistas se aprende (quanto mais não seja, a não cair na tentação de imitá-los) e depois, porque o polegar que aponta para cima ou para baixo é sempre o nosso, ou seja, temos sempre a liberdade de escolher quem queremos visitar ou não.

Há blogs para todos os gostos e sensibilidades, e é isso mesmo que é fascinante. Desde as confissões pueris dos primeiros amores de adolescentes, enfeitadas a borboletas e corações trespassados, às mais sofisticadas compilações de material de pesquisa e às teses filosóficas, há de tudo. Ao longo deste tempo passeei-me por "cafés" que fui descobrindo, uns de bairro, outros nas melhores avenidas, elegendo aqueles que gostaria que fossem os meus pares mas sem no entanto aderir de vez a um determinado "grupo de pertença" (mas isso tem a ver com a minha confessa alergia a rótulos). Posso agora dizer que o meu crivo tem vindo a ficar cada vez mais apertado, embora não me escuse a novas aventuras sempre que elas convoquem em mim alguma descoberta ou alguma rebeldia.

É gratificante seguir raciocínios inteligentes dos jornalistas, académicos, analistas e escritores que dão a cara na blogosfera, sabendo-os livres de baias, pressões e linhas (e sobretudo entrelinhas) editoriais. Mesmo os que usam pseudónimos acabam por revelar-se, de uma maneira ou de outra. Nos blogs discutem-se temas fundamentais ou apenas se trocam brincadeiras, que dão colorido e tornam mais suportável o cinzento aparentemente irremediável que tomou de assalto os dias que correm.
Disseram-me que me saturaria em pouco tempo, mas, pelo contrário (e apesar de estar numa fase de trabalho intenso e muito absorvente), o prazer e o interesse não diminuiram. Pior: de um blog inicial (o Porta do Vento foi o primeiro), já estou envolvida em mais três! E em todos eles fiz alguns amigos, com quem, de outra forma, teria remotas hipóteses de trocar ideias (alguns deles estão do outro lado do oceano). É discutível este conceito de amizade? Tudo é discutível, mas não vejo porque não se possa chamar amizade a esta proximidade diária, muitas vezes quase íntima, em que se descobrem afinidades com pessoas reais (e não com um qualquer nick de personagem imaginária, como nos chats). Se o conceito de família se alterou com a evolução dos tempos, e hoje se aceitam como tal núcleos familiares inimagináveis ainda há poucos anos, porque não o de amizade? Claro que só acontece com alguns, de entre os que nos lêm e que nós lemos, mas, às vezes, a troca de ideias passa da esfera pública (o blog) para a privada (o e-mail), e mesmo para o conhecimento "em carne e osso" dos novos amigos. Não vejo nisso nenhum mal. Comigo aconteceu uma coisa ainda mais curiosa: reencontrar velhos amigos no éter, amigos de quem não sabia nada há anos.

Mas não são só os amigos. É também o insondável mistério dos desconhecidos. Espantosamente, este blog teve 5.000 leitores em menos de 4 meses, e mais 1.000, ultimamente, numa só semana! As preciosas e sofisticadas maquinetas que hoje existem à disposição dos bloguistas, permitem-me saber que esta gente está um pouco por todo o mundo, o que é ainda mais aliciante.

A frase que postei numa das minhas últimas "curtas": Um blog sem comentários é como um jardim sem flores, foi uma espécie de provocação aos blogs mais elitistas, que não permitem a interacção que torna a blogosfera neste interessante mundo de partilha de ideias. O eco que provoca aquilo que escrevemos é, para mim, o mais compensador prémio deste meio de comunicação. Não me imagino num interminável monólogo, imune a críticas e opiniões imediatas. Para isso, prefiro escrever um livro.
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publicado por Ana Vidal às 02:20
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Sábado, 8 de Setembro de 2007

Bette Davis, the one and only


“Os homens preocupam-se incessantemente e ficam ressentidos por causa da liberdade recentemente adquirida pelas mulheres nas suas carreiras profissionais. O que não sabem é que a Grande Ansiedade é desnecessária. As mulheres nunca foram, não são e nunca serão independentes dos homens que amam. Todas as mulheres sabem disso. Só os homens se mantêm cegos à realidade. Mas não os culpo, afinal essa atitude que não significa submissão é uma decisão da mulher. Não fiquem pois amuados. Dominem se quiserem , as mulheres adorarão.”
(Bette Davis)


Nota: Esta provocação faz parte de um post delicioso e cheio de conteúdo - como sempre - da Meg no seu Sub Rosa, sobre uma das grandes divas do cinema: Bette Davis. Aqui fica a sugestão, como leitura de fim-de-semana. E uma música a condizer. Espero que gostem.

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publicado por Ana Vidal às 17:33
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Terça-feira, 21 de Agosto de 2007

A bem da decência


Como as coisas mudam!
Esta é uma fotografia de uma cena comum nas praias dos EUA, cerca de 1922. A lei não permitia que a altura das saias dos fatos de banho fosse superior a 15 cm acima do joelho.
Nesta fotografia, um fiscal zela para que a lei seja cumprida. Caso contrário, as sereias seriam multadas por desobediência e teriam que sair da praia.

Nota: "Roubado" hoje no Blog da Sabedoria, do JG.


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publicado por Ana Vidal às 02:03
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Domingo, 19 de Agosto de 2007

Pelo Ambiente

BLOGGERS TO UNITE ON BLOG ACTION DAY

15 de Outubro de 2007 foi o dia escolhido para a divulgação na blogosfera de um assunto cada vez mais importante: O AMBIENTE, a sua vulnerabilidade e as terriveis consequências, se não fizermos nada para o conservar. Junte-se a este movimento, increva-se no site BLOG ACTION DAY (só para estatística) e nesse dia faça um post no seu blog, de acordo com os seus gostos, em texto, imagem, video... alerte a "sua audiência" para uma causa que nos toca a todos. Até lá, divulgue esta iniciativa. Até agora já estão inscritos mais de 500 blogs!


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publicado por Ana Vidal às 19:12
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brisas, nortadas e furacões, por


Ana Vidal
Pedro Silveira Botelho
Manuel Fragoso de Almeida
Marie Tourvel
Rita Ferro
João Paulo Cardoso
Luísa
João de Bragança

palavras ao vento


portadovento@sapo.pt

aragens


“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez."

(Jean Cocteau)

portas da casa


Violinos no Telhado
Pastéis de Nada
As Letras da Sopa
O Eldorado
Nocturno
Delito de Opinião
Adeus, até ao meu regresso

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