Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007

Está quase


A melhor coisa de se estar afastado durante algum tempo é constatarmos que fazemos falta e que gostam de nós. Seja para um grupo restrito de pessoas, seja para um imenso público anónimo, ser-se querido é sempre muito bom.
A longa lista de mails, por ler, na minha caixa postal, somada às mensagens que encontro aqui na caixa de comentários do blog, dizem-me que há quem tenha sentido a minha falta. Quem tenha tido saudades. E só por isso, meus amigos, já valeu a pena ter estado estes dias todos embrulhada em caixotes e com a casa virada do avesso.
Obrigada a todos, pelo carinho. Prometo voltar em breve (não, ainda não tenho net regularmente - não conhecem a TV Cabo, por acaso??), e, para já, vou passando por aqui para pôr a conversa em dia.
Nota 1: Que bom que é ter interlocutores inteligentes: deixei aqui um subtil desafio com a palavra "rede" (escrita e sugerida numa imagem vaga), o que suscitou logo vários trocadilhos e interpretações, tal como esperava.
Nota 2: As arrumações estão quase feitas. E não, não me mudei para o Palácio da Pena. Mas tenho pena.

publicado por Ana Vidal às 16:37
link do post
Terça-feira, 13 de Novembro de 2007

Um presente


Há dias, tive um presente muito especial: uma agenda para 2008.
Mas não é uma agenda qualquer. Nada disso. É daquelas que guardamos religiosamente, e que continuamos a abrir muito tempo depois de aquelas datas baterem certas com os dias da semana. Muito tempo depois de termos enchido aquelas páginas de anotações, lembretes, pensamentos, contas, ideias.
Não é uma agenda qualquer. É o Culinário 2008*, ainda virgem dos meus escritos e já muito bem recheado de petiscos a pedirem para serem feitos e apreciados: uma receita por cada dia do ano, e todas apetitosas.
Obrigada, Sofia.

*(da Assírio & Alvim)
publicado por Ana Vidal às 01:35
link do post
Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

Alice no país dos hai-kais



Alice Ruiz: querida amiga, poeta, letrista e mestra de hai-kai, essa subtilíssima arte da palavra fotográfica. Chamo-lhe assim porque um hai-kai é o registo de um momento, imobilizado e fixado para sempre, como numa fotografia (não sei se a definição será muito ortodoxa, mas é assim que eu vejo esta forma de poesia).
O disco Paralelas é o belo resultado de uma parceria bem sucedida: Alice e Alzira Espíndola, letra e música, respectivamente. Além das vozes de ambas (falada a primeira, cantada a segunda), também as de Zelia Duncan e Arnaldo Antunes, a fazer deste trabalho um registo memorável.
Aqui ficam alguns exemplos do talento de Alice (escolhi-os do livro Desorientais, uma recolha exaustiva dos hai-kais da poeta) :







lembra aquele beijo
corpo alma e mente?
pois eu esqueci completamente
*
dançamos em pensamento
a dança dos anos
que nos devemos
*
roubaram a casa
as moscas ficaram
às moscas
*
o menino me ensina
como um velho sábio
o quanto sou menina
*
à beira do insuportável
essa qualidade rara
ser insubordinável
(Alice Ruiz, in Desorientais)


(Alzira Espíndola e Zelia Duncan, cantando uma letra de Alice - É só começar - do Paralelas)

É só começar
ninguém precisa
ter talento
p'ra transformar
caso em descaso
já o contrário
é que é o caso
se você não tem, lamento
é preciso ser forte
é preciso ser fraco
é preciso ganhar
e perder o juízo
sai dessa pose
pára de pensar no prejuízo
e segue em frente
tem hora p'ra chegar
tem hora p'ra se afastar
não sabe como?
é só começar
Etiquetas: , , ,
publicado por Ana Vidal às 01:07
link do post
Domingo, 4 de Novembro de 2007

Sedução na página 161


Por intermédio da Leonor Barros, do Geração Rasca, passou pela Porta do Vento a tal corrente blogosférica da "pág. 161". Antes de mais, agradeço à Leonor o simpático convite, e adiro à corrente com muito gosto. São estas as regras:
1. Pegue no livro mais próximo, com mais de 161 páginas – implica acaso e não escolha.
2. Abra o livro na página 161.
3. Na referida página procure a 5.ª frase completa.
4. Transcreva na íntegra para o seu blogue a frase encontrada.
5. Passe o desafio a cinco bloggers (por minha conta e risco, aumentei para seis).
No livro que estou agora a ler - Como tornar-se doente mental, de J.L. Pio Abreu - a página 161 é uma das 8 da extensa bibliografia, por isso presumo que não conta. Assim, querendo manter as coisas com algum rigor e isenção, resolvi fazer o seguinte: dirigir-me à estante, apalpando as lombadas sem olhá-las, avaliando-lhes a espessura para excluir automaticamente os livros que não tivessem o número mínimo de páginas. O livro em que peguei, por este método, é uma espécie de "3 em 1": Poemas - As Elegias de Duíno - Sonetos a Orfeu, de Rainer Maria Rilke. Curiosamente, a página 161 é... uma fotografia! Assim, olhei para a página par que lhe correspondia, e lá encontrei a 5a frase completa, que é esta:
"mais sedutores que Frine se seduzem a si próprios"
E pronto, passo o testemunho aos seguintes bloggers:
  1. Juro que tenho mais que fazer, da Madalena
  2. O Eldorado, do JP
  3. Dito Assim, do Jayme Serva
  4. Codornizes, do Pedro Cordeiro
  5. Zoo, do JG
  6. Abencerragem, do Ricardo António Alves

publicado por Ana Vidal às 19:13
link do post

Madrid


O fim de semana alargado (de 4 dias) em Madrid, que tínhamos planeado, acabou afinal por resumir-se a dois dias bem medidos, porque uma das pessoas que ia connosco teve que voltar a Lisboa mais cedo por razões profissionais urgentes. Foi pena. Mas esses dois dias, apesar das alterações, foram muito bem aproveitados e valeram cada segundo. Madrid vale bem, sempre, cada segundo de estadia.

Na última vez que eu tinha estado em Madrid, tinham passado cerca de 15 dias do pavoroso atentado da Estação de Atocha, e ainda tenho na memória a esmagadora tristeza de uma cidade que sempre me habituei a conhecer fervilhante de vida: nesses dias havia velas acesas e ramos de flores em todas as esquinas, espalhados pelo chão, e uma estranha apatia estupefacta tinha tomado conta das pessoas. À excepção de alguns grupos de oração, não se via praticamente ninguém na rua. Vim de lá impressionada, sem vontade de voltar tão depressa àquela Madrid fantasmagórica, tão diferente do habitual. E desta vez, confesso, ia numa certa expectativa pelo ambiente em que iria encontrar a cidade, sabendo que o tema do momento, como não podia deixar de ser, era a recém-pronunciada sentença do 11-M (designação que os espanhóis adoptaram para a "sua tragédia" de terrorismo islâmico, à semelhança dos novaiorquinos, com a abreviatura 9-11). Felizmente, o meu medo dissipou-se logo à chegada. Madrid renasceu das cinzas, com aquela força anímica de que os espanhóis - calejados pela memória de uma sangrenta guerra civil e pelos imprevisíveis e igualmente sangrentos atentados da ETA - se habituaram a socorrer-se, não permitindo que o Mal os impeça de festejar a Vida. Grande povo!

É claro que, apesar de Madrid estar cheia de forasteiros nestes dias - muitos madrilenos aproveitaram as mini-férias para sair da cidade - as conversas de café e as notícias de jornal dão conta das várias indignações populares, que resultam da clareza inequívoca da sentença jurídica: a confirmação da manipulação mediática do acontecimento por parte do PP, à época no poder (desastrosa jogada política que custou ao partido as eleições que se seguiram, e sobre a qual terá que voltar a prestar contas agora); a absolvição de vários réus, nomeadamente o odiado Rabei Osman "El Egipcio", e também Hassan "El Haski" e Youssef Belhadj, por manifesta falta de provas.
Compreensivelmente, o povo quer ver feita justiça: os 191 mortos e os mais de 1.800 feridos dos atentados de Atocha, não podem nem devem ser esquecidos. Mas o tribunal provou saber julgar com isenção e distanciamento emocional: fixou em 900.000 € a indemnização que receberá cada um dos familiares das vítimas mortais, e condenou a 42.922 anos de prisão Jamal Zougam e Otman "El Ghanoui", ambos como autores materiais dos atentados. Além destes, vários outros réus foram condenados por crimes de associação criminosa e armada, cumplicidade, etc. Dez desses islamitas condenados já estão a fazer uma greve de fome, como protesto pela sentença. Nunca se pode contentar toda a gente, mas creio que a impressão geral que fica deste dificílimo julgamento, é a sua isenção.
Entretanto, Ayman Al-Zawahiri, número dois da hierarquia da Al Qaeda, já apelou à mobilização dos seus seguidores para novos ataques aos interesses dos países ocidentais - EUA, França e Espanha - nos países do Magreb: Argélia, Tunísia, Líbia e Marrocos, por considerar estes países "escravos do Ocidente". A guerra santa, infelizmente, não tem um fim à vista.

Bom, chega de política e de tristezas: Madrid tem sempre uma oferta de Arte invejável, e foi sobretudo por isso que lá fomos desta vez. Com um objectivo específico, antes de qualquer outro: ver a exposição de pintura de Paula Rego no Centro de Artes Reina Sofia. E, neste capítulo, tudo o que eu possa aqui dizer ficará a anos-luz da realidade. Integrada na V Mostra de Cultura Portuguesa, a que Madrid dedica uma série de iniciativas representativas das várias artes em Portugal - música, pintura, fotografia, azulejaria, etc. - a exposição comemorativa de toda a carreira de Paula Rego é a mais completa que foi feita até hoje e é, positivamente, de cortar a respiração. Ocupa toda uma ala do 1º andar do Rainha Sofia, e abrange desde as primeiras experiências académicas da pintora (já geniais, aliás) até aos´trabalhos executados no passado ano de 2006. Quase todos os quadros-ícones da sua obra lá estão: "a mulher-cão", "a família", "o baile", toda a série das "avestruzes-bailarinas", a série sobre o aborto clandestino, etc. São, na sua maioria, quadros de enormes dimensões, que têm um impacto completamente diferente (como é natural) daquele que exerce sobre nós uma reprodução vinte vezes menor, por muito boa que seja.

No meu caso, confesso, foi a total rendição à pintora: além da prodigiosa mestria técnica (unanimemente reconhecida pelos maiores críticos de arte mundiais), está patente, na obra desta mulher, um profundo e impressionante conhecimento da natureza humana, nas suas facetas mais sórdidas mas também nas mais redentoras. A série de pequenos desenhos denominada genericamente "misericórdia", fez-me saltar lágrimas dos olhos, de tão comovente. São cenas de entre-ajuda humana, nas situações mais difíceis da vida de todos nós: aquele conceito a que os cristãos chamam vulgarmente "caridade" e que tão desvirtuado e mal interpretado tem sido ao longo dos tempos. O que mais impressiona nelas é o próprio tema, raramente abordado em pintura. Mas, se há adjectivo que possa aplicar-se à obra de Paula Rego, é mesmo "incómoda". Não só pela violência de algumas imagens, retratadas sem fantasias nem romantismos de qualquer espécie, mas sobretudo pela coragem de abordar temas que não são considerados "estéticos". Paula Rego pinta a realidade nua e crua, pungente e grandiosa na sua complexidade: as figuras femininas são robustas e quase rudes (gente de trabalho, comum, e não modelos de perfeição), mas tão expressivas quanto um ser humano pode ser. A ténue linha de divisão entre seres racionais e irracionais está bem expressa na utilização de animais em poses e situações humanas, a mostrar-nos como estamos todos tão próximos da bestialidade e, por outro lado, como alguns animais se aproximam ou até ultrapassam as nossas so called "melhores qualidades".

Magnífica experiência, é o que tenho a dizer. E de tal maneira forte que, ao subir para ver Picasso (que está no andar logo por cima em toda a sua pujança, inclusivamente com o impressionante Guernica), ficamos perdidos, sem conseguir fazer a mudança de registo e sem conseguir, sequer, aderir ao mestre (e até a Dali, que lá está representado também e que é um pintor que eu adoro). Não nos é possível desligar logo do impacto poderoso de Paula Rego, e esse facto já diz muito sobre a qualidade da sua obra. Volto a dizer: rendi-me incondicionalmente à pintora, embora mantenha que não aguentaria olhar todos os dias para a maioria dos seus quadros e que, só por essa razão, não os queria ter na minha sala. São espelhos incómodos, que nos deixam sem pele. Mas que demonstram bem o poder da arte, quando é boa.

Enfim, a exposição não só vale a pena como é absolutamente obrigatória, na minha opinião. Se lá puderem ir, não deixem de fazê-lo. Ainda estará por lá até ao fim do ano. E se não puderem mesmo, então não percam a esperança: o Museu Paula Rego será uma realidade a curto prazo, em Cascais.

Um pormenor importante: aconselho vivamente o uso do audio-guia (embora não exista em português!!!), que explica criteriosamente as histórias que estão por detrás dos quadros principais, as mudanças de fase e de motivações, e que inclui até explicações da própria pintora. É completamente diferente ter este apoio, sobretudo nas figurações menos óbvias.

Mas nem só de arte vive o homem: embora não tenha dado tempo para o flamenco - estava programada uma visita ao famoso Café de Chinitas, decorado pelo português Duarte Pinto Coelho - a gastronomia é sempre um must em Madrid: não deixámos de cenar perdiz no antiquíssimo Sobrino de Botín (o restaurante mais antigo do mundo, segundo o Guiness), onde continua a comer-se maravilhosamente e onde os preços, curiosamente, não aumentaram muito. O ambiente é fantástico, os empregados são eternos, a comida insuperável. Está sempre completamente cheio, é uma sorte conseguir uma mesa sem reserva. Tivemos sorte.

O mesmo não se pode dizer das esplanadas da Plaza Mayor, onde almoçámos mal e por um preço astronómico. Os turistas tomaram posse dos velhos restaurantes e inflaccionaram os preços, a um ponto ridículo para a qualidade actual. Salvou-nos o Jose Luis, na Castellana, cujos solomillos e o revuelto de gambas e asparragos verdes, ao jantar, nos fizeram esquecer completamente o desaire do almoço.

Resta-me dizer que o belo sol de Madrid nos permitiu passear e andar por las tiendas (não resisto aos sapatos, em Espanha...), e por isso fizemos quilómetros a pé. Tudo está bem quando acaba bem, e só foi pena que tivesse acabado tão depressa. Mas hei-de voltar, quantas vezes possa, a Madrid. Essa é uma das poucas certezas que tenho.

(Paco de Lucia - Entre dos Aguas)

Nota 1: Aqui fica o fabuloso som de Paco de Lucia, que um dia ouvi ao vivo (precisamente no Café de Chinitas), há muitos anos.

Nota 2: Duas notícias curiosas, ouvidas na TVE: a primeira é a de que o "Toro de Osborne" - autêntico símbolo nacional - acaba de fazer 50 anos. Uma centena de exemplares está espalhada por todo o território, lembrando-nos de que estamos em Espanha; a segunda diz respeito a um crime passional, ocorrido recentemente e relatado da seguinte maneira (impensável ainda há poucos anos) - "1o años de carcere para el chico que mató a su novio".
Nota 3: Infelizmente, e embora nos tenhamos falado por telefone mais do que uma vez, não nos foi possível tomar "una copa" com os bloguistas amigos do Codornizes e d'O Meu Cais. Eles estiveram por lá mais dois dias, por isso aconselho a lê-los: são viajantes curiosos e muito mais novos (aguentam bem mais do que eu, que já não tenho o ritmo deles), conhecem Madrid a palmo e sabem aproveitar tudo o que há para ver. Por exemplo, as filas intermináveis (davam a volta ao quarteirão) para o Prado e para o Thyssen desmoralizaram-nos, além de termos tido pouco tempo. Eles, tenho a certeza, não desistiram e conseguiram lá ir.
publicado por Ana Vidal às 12:10
link do post
Terça-feira, 30 de Outubro de 2007

Assim, sim


Nem de propósito, acabo de receber esta mensagem por mail:
Os LD - Leigos para o Desenvolvimento - vão dar início a mais uma ano de formação. Ccomo já vem sendo hábito, vão realizar-se as sessões de apresentação nos diversos núcleos:
Porto - 2 de Novembro
Coimbra - 6 de Novembro
Lisboa - 8 de Novembro
Para mais informações ligue: 217 574 278
ou envie um E-mail para: ongd.leigos@gmail.com
Nota: A organização (católica) LEIGOS PARA O DESENVOLVIMENTO forma voluntários para o apoio de populações em países desfavorecidos, in loco. Este movimento propõe-se dar a estas populações mais que uma simples ajuda - oferecer-lhes um futuro. Para isso, coloca jovens licenciados a trabalhar nas áreas da educação, da saúde e da promoção social, em comunidades carentes de África e Timor. Mas há outras formas de contribuir, e todas são bem aceites, já que toda a ajuda é preciosa. Espreitem o site: www.leigos.org
Leigos para o Desenvolvimento
Estrada da Torre, nº 261769-014 Lisboa
Telefones: 21 757 43 57 ou 21 757 42 78
Fax.: 21 757 91 88

Etiquetas: ,
publicado por Ana Vidal às 10:04
link do post
Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007

Convite

O meu amigo Nuno Siqueira é um apaixonado e conhecedor profundo do Fado. Acaba de gravar um CD, que só pode ser muito bom. Aqui fica o convite para o lançamento desse trabalho, para todos os que quiserem ir ouvi-lo. O que posso dizer a quem gosta de Fado e estiver hesitante, é que não se vai arrepender.



NUNO DE SIQUEIRA

tem o prazer de convidar para o lançamento do seu CD

O Fado e a Vida

que se realizará no próximo dia 24 de Outubro, pelas
18,30 horas, no Restaurante Solar dos Bicos - Rua dos
Bacalhoeiros, nº. 8-B, em Lisboa.

Etiquetas: ,
publicado por Ana Vidal às 14:29
link do post
Terça-feira, 16 de Outubro de 2007

Amor e cozinha


O filme No Reservations é uma "aguinha com açucar", perfeito exemplar do género a que as comédias românticas americanas já nos habituaram. Todos os clichés caros aos americanos estão lá: a criança órfã que dá lições aos adultos, o casal aparentemente inconciliável que se apaixona perdidamente, a crítica aos sofisticados hábitos dos "ricos" novaiorquinos e a elegia da felicidade simples da middle class, a indispensabilidade dos shrinks, a vitória da família nuclear. Tudo é muito previsível, a puxar à lágrima fácil (truque perverso a que cedemos sempre, aproveitando para chorar coisinhas nossas que estavam em atraso...) e com o happy end moralista da praxe.
Era de esperar mais uma xaropada. Mas, tendo por cenário uma cozinha de restaurante de luxo e por protagonistas dois grandes chefs, para mim já se salvaria a noite, mesmo que tudo o resto fosse uma lástima. E não é. Salva-se igualmente - para além de dois ou três truques culinários que aprende quem está atento e se interessa pelo tema* - a banda sonora, que é óptima. Apoiada em clássicos (também eles previsíveis, mas que não deixam por isso de ser bons) e introduzindo alguns nomes menos conhecidos do grande público. Como este, que escolhi para mostrar aqui - o italianíssimo Paolo Conte - numa canção fantástica e divertida, chamada Vieni via con me (It's wonderful). Ora ouçam:

Nota: Dedico esta música a um casalinho apaixonado que conheço, que, como eu, também gosta muito de cozinhar. Não preciso de dizer nomes, eles sabem.

* Há um erro crasso na tradução portuguesa: quail é codorniz e não perdiz, como se lê nas legendas durante todo o filme.
Etiquetas: , ,
publicado por Ana Vidal às 16:50
link do post
Sábado, 13 de Outubro de 2007

Parabéns, dos sinceros


Faz hoje 66 anos. Chama-se Paul Simon e não precisa de apresentações.
Tem-nos dado, ao longo de quase toda a sua vida, muitos e inestimáveis presentes: as suas composições, transformadas em maravilhosas canções interpretadas a solo ou em dueto com Art Garfunkle, de quem foi inseparável durante uma boa parte da carreira.
Aqui fica uma das minhas preferidas - Bridge over troubled water - que fala de amigos, e de como eles são fundamentais na nossa vida. Sobretudo quando os tempos são de águas turbulentas. Ofereço-a aos meus, amigos e abrigos preciosos. Com um muito obrigada por fazerem da minha vida uma travessia tão mais fácil e empolgante. Tal como a música, aliás.

Nota: E um obrigada especial a um desses amigos, o CM, pelo lembrete desta data.
publicado por Ana Vidal às 22:18
link do post
Terça-feira, 9 de Outubro de 2007

In memoriam

La memoire d'Abraham

Juste une priére

Avant d'obéir

A l'ordre des choses et de nos pères

Avant de partir


Juste une autre vie

Sauvée de l'oubli

Gravée bien mieux que par une larme

Dans la memoire d'Abraham


Longue, l'attente de l'heure

Lourde, la peine en nos coeurs

Mais si grands, notre amour, notre foi en Toi

Et si difficile de te comprendre parfois


Que sera demain

Nos destins plus loin?

Un peu de paix, d'amour et de pain

Au creux de Tes mains


Conduis nos enfants

Pour la fin des temps

Remplis de plus de joies que de larmes

La memoire d'Abraham


Nota: Este blog vai ficar suspenso por uns dias, em memória de duas amigas que perdi no incrível espaço de tempo de 48 horas. Fica esta canção, linda, que dedico à Luisinha e à Margarida.
Etiquetas: ,
publicado por Ana Vidal às 15:49
link do post
Domingo, 7 de Outubro de 2007

Um mundo perfeito


Acabei agora mesmo de chegar do Algarve, depois de dois dias no paraíso: um sol magnífico de despedida de Verão, uma casa de sonho, amigos maravilhosos e, last but not least, a inauguração de uma exposição de aguarelas de uma originalidade espantosa, num espaço superior que também é obrigatório conhecer - a Galeria São Lourenço. É um programa que recomendo a todos, uma visita a esta exposição da pintora Teresa Calem, artista de alto nível (e também uma anfitriã incomparável).

São caras (muitas delas de grandes dimensões), que nos olham directamente nos olhos, inquiridoras e inquietantes, numa espécie de despedida muda. O tema desta exposição é a figura da mitologia grega Daphne* - embora, a mim, estas figuras frágeis e etéreas sugiram muito mais o imaginário e o universo da mitologia celta - e a sua transformação de ser humano em árvore, no momento exacto em que tem consciência dessa metamorfose. É como um desfile de seres, ao mesmo tempo comuns e míticos, que nos anunciam um tempo futuro: um mundo povoado por uma humanidade muito mais perfeita e em comunhão com a natureza, como o foi já, nos primórdios. É uma despedida, mas também a promessa de uma nova era.

A pureza luminosa, a perfeição das formas e a excelência da técnica de Teresa Calem valem bem, garanto-vos, uma viagem ao Algarve. Estas aguarelas vão ficar expostas até ao final de Novembro, e o único risco de decepção é o de chegar lá e já estarem todas vendidas (grande parte delas foi vendida no dia da inauguração).
Por tanta beleza e tanto carinho num só fim de semana, obrigada, Teresa!
*Nota - Na mitologia grega, Daphne (do grego Δάφνη, que significa "loureiro") era uma ninfa, filha do rei Peneu. Apolo foi induzido a apaixonar-se por ela, por uma flecha de Eros. Mas este acertou em Daphne com uma flecha de chumbo, o que fez a ninfa rejeitar o amor de Apolo, que começou a persegui-la. Cansada de fugir, pediu ao pai que a livrasse daquela difícil situação. Ele, então, transformou-a em loureiro. Apolo, inconsolável, disse: "Se não podes ser a minha mulher, serás a minha árvore sagrada". A partir de então, o deus passou a trazer sempre consigo um ramo de louros.
publicado por Ana Vidal às 20:30
link do post

brisas, nortadas e furacões, por


Ana Vidal
Pedro Silveira Botelho
Manuel Fragoso de Almeida
Marie Tourvel
Rita Ferro
João Paulo Cardoso
Luísa
João de Bragança

palavras ao vento


portadovento@sapo.pt

aragens


“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez."

(Jean Cocteau)

portas da casa


Violinos no Telhado
Pastéis de Nada
As Letras da Sopa
O Eldorado
Nocturno
Delito de Opinião
Adeus, até ao meu regresso

Ventos recentes

O que sente uma geração

Amigo é casa

Parabéns!

Alice no país das maravil...

Desafios à linha

A verdade da mentira

Bom fim-de-semana

Porta agradecida

Será que sou bruxa???

Receita para um fim-de-se...

Bom fim-de-semana

The bright side of... dea...

Prémios

Lá estarei...

Força maior

favoritos

Fado literário

O triunfo dos porcos

E tudo o vento levou

Perfil


ver perfil

. 16 seguidores

Subscrever feeds