Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Sou sincera

Rita Ferro

 

 

Se este filme não mudar o seu marido,

mude de marido.

 

 


Steve,  promovido na companhia em que trabalha precisamente no seu dia de anos, descobre que a mulher lhe preparou uma festa-surpresa. Tem todas as razões para estar feliz. Ao abrir a porta de casa, no entanto, apesar das grinaldas de acolhimento e das mensagens de parabéns desenhadas pelos filhos, estranha o silêncio, a escuridão e, mais tarde, o fio cortado do telefone. Se é uma surpresa, desta vez a mulher conseguiu-a! Misteriosamente, só a TV funciona. Ao lado do aparelho está um vídeo, com uma nova mensagem manuscrita pelas crianças: «read me». Começa a vê-lo já esfriado por um pressentimento e não se engana: a imaginada surpresa transforma-se numa armadilha de terror psicológico, que o mantém preso e sozinho numa casa deserta, agora trancada por fora. Ninguém o ajudará. Ressentida pela negligência do marido em tantos anos de vida conjugal,  Alexandra faz-lhe um xeque-mate. Sitiado e raivoso, ele ouvirá pela primeira vez todas as queixas da mulher. E pela última. 

 

Um filme que nenhuma mulher deverá perder, pois espelha magistralmente todo o contencioso feminino, apesar da evolução dos homens.

 

Um conselho: se tem o azar de ter um companheiro destes, ao lado de quem se sente invisível – poor you - eis uma oportunidade para lhe fazer também xeque-mate. Instale-o comodamente na  sala sem jornais nem distracções, e obrigue-o a ver este filme. E, já agora: se um dia me encontrar na rua, agradeça-me. A sua vida vai melhorar.

 

Num clube de vídeo perto de si,

com o título traduzido «A vingança de Alexandra»

 

 


 

Ficam as perguntas de hoje, para ambos os sexos:

 

Já se sentiu invisível, no amor?
Que sentimentos vê nascer em si, perante a desconsideração da sua verdadeira identidade?

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 10:08
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55 comentários:
De Pedro a 2 de Setembro de 2009 às 17:58
Gostei bastante do post, deixou-me bastante curioso em relação ao filme.
Vou alugá-lo mal o encontre e depois então poderei pronunciar-me...
em relação às questões postas:

Q: Já se sentiu invisível, no amor?
A: Não me recordo, mas penso que não.

Q: Que sentimentos vê nascer em si, perante a desconsideração da sua verdadeira identidade?
A: Afastamento e desintresse... não me vejo a amar sem ser amado e considerado pela minha pessoa... se não há consideração eu afasto-me.

De rita ferro a 3 de Setembro de 2009 às 00:52
Pois é, Pedro, mais vale afastarmo-nos logo. Mas há laços de toda a ordem, os filhos (tantas vezes como álibi), investimentos tremendos a fundo perdido, e a macabra dúvida, ao mesmo tempo, de termos sido nós um pouco a contribuir para situação, pela passividade, pela pusilanimidade, pela renúncia, etc, etc, etc. E o amor não é uma coisa lógica, nunca foi. Verdade? Um abraço pela contribuição honesta, volte sempre!
De Pedro a 3 de Setembro de 2009 às 22:54
Rita,
Agradeço a resposta e mantendo-me fiel à honestidade devo dizer que eu jamais me encontraria numa situação dessas!
Eu sou Pai e por isso consigo perceber o argumento dos filhos usados como álibi, embora eu não creio que o farei nunca, mas... nunca é uma palavra muito grande.
Eu acho que é a pouca auto-estima que conduz a situações de passividade ou renuncia ou mesmo a pusilanimidade e acho que é por este ângulo, da auto-estima, que as pessoas devem olhar para jamais chegarem a este ponto.
A auto-estima, ao contrário do que muito se diz, não é feita pelos outros mas por nós mesmos (basta olhar para a construção da palavra).
Quando alguém nos deita abaixo (e aqui sim, já consigo falar com conhecimento de causa) cabe-nos a nós olhar para dentro e agarrar-nos aos nosso valores pois de cada vez que o fizermos e não deixarmos que outros nos deitem abaixo, esses valores tornam-se mais fortes e logo servirão ainda melhor numa próxima situação.
O Amor não é uma coisa lógica, certo... é um sentimento e não uma razão.
Mas também aqui os sentimentos não devem ser encarados como "coisas" que nos acontecem e sobre os quais não temos controlo nenhum e sobre os quais não podemos trabalhar.
A Inteligência Emocional é o produto deste mesmo trabalho e aprendizagem/evolução.
É neste "trabalho" que o Amor que sentiremos na vida por outra pessoa pode servir-nos para o bem (felicidade) ou para situações destas de cegueira e/ou quase humilhação/anulação.

cmpts
De rita ferro a 4 de Setembro de 2009 às 10:43
Sim, concordo inteiramente, o amor não pode permanecer irracional. Ou pelo menos tanto! Mas no dia em que se tornar racional perde pureza e ganha cálculo. O que é bonito no amor é o desinteresse, a gratuidade. Mas... e quando se abusa deles? No amor, a prepotência do mais forte sobre o mais fraco não é excepção. Quanto à auto-estima, detesto essa palavra, fico até nervosa quando a oiço aplicada a mim. É o tipo de linguagem «psi» que me deixa em franja. Mas acho que os outros podem aniquilá-la, sim. E há muito adepto desse desporto, aliás :-))
De Pedro a 4 de Setembro de 2009 às 11:53
O que é bonito no amor é o desinteresse, a gratuidade. Mas... e quando se abusa deles? No amor, a prepotência do mais forte sobre o mais fraco não é excepção.


Claro que concordo inteiramente e é precisamente pegando nesta ideia que digo que o amor não pode ser cego e nos prender os movimentos ao ponto de imobilizar numa situação destas.
Era por isto que dizia que não creio que alguma vez fosse chegar a estar nesta situação.

Quanto à auto-estima, detesto essa palavra, fico até nervosa quando a oiço aplicada a mim. É o tipo de linguagem psi » que me deixa em franja. Mas acho que os outros podem aniquilá-la, sim. E há muito adepto desse desporto, aliás :-))


Podemos falar do mesmo (neste contexto claro) se falarmos em insegurança, ou fragilidade, e voltando a referir que é apenas o meu ponto de vista, isto é de ser "eu" a ver-me nessa situação, digo que não creio possível.
Se concordo inteiramente que há muito adepto desse desporto (numa faixa de sociedade mais instruída e citadina até penso que possa haver mais mulheres que homens nesta condição) cabe em parte ao visado também não se deixar enfiar nesses cavernas emocionais em que rápidamente se deixa de ver o Sol e em que tudo começa a morrer lentamente.
É que uma vez empurrados para uma caverna pelo Lobo, só conseguimos sair dela se voltarmos a passar por ele!
Daí a importância de não se deixar empurrar para esses sítios.

Rita, eu não sou psi " e peço desculpa se a minha escrita assim parece. Sou uma pessoa com convicções fortes e por isso com opiniões fortes também e por vezes deixo-me levar pelo entusiasmo.
Sou mau escritor e por vezes perco-me e acabo por transmitir ideias erradas, mas adoro "conversar" desta maneira.

Fazendo um resumo da minha opinião do Post (original) é a seguinte:
1. reconheço a existência dessas situações
2. não me vejo à minha pessoa estar algum dia nela
3. pegando em 2. tenho opiniões sobre a razão de 1. poder acontecer com alguma frequência, ou seja estou a basear as minhas opiniões olhando para dentro.

Lamento o Post tão longo.. :(
De Pedro a 4 de Setembro de 2009 às 11:56
Não sei bem o que se passou mas as citações que tentei fazer ficaram mal formatadas e aparentam que cortei o texto....

foram elas:
(...)O que é bonito no amor é o desinteresse, a gratuidade. Mas... e quando se abusa deles? No amor, a prepotência do mais forte sobre o mais fraco não é excepção. (...)


(...)Quanto à auto-estima, detesto essa palavra, fico até nervosa quando a oiço aplicada a mim. É o tipo de linguagem «psi» que me deixa em franja. Mas acho que os outros podem aniquilá-la, sim. E há muito adepto desse desporto, aliás :-)) (...)

De rita ferro a 4 de Setembro de 2009 às 12:12

Querido Pedro, não era de todo minha intenção criticar a utilização da palavra, também a uso, pois facilita a compreensão do que se quer dizer concretamente. Mas é como usar-se agora «afecto» em vez de sentimento; tudo me cheira a palavras repescadas da Psicologia, uma ciência útil mas, para mim, demasiado redutora perante a complexidão e diversidade da alma humana, na tentação que tem de etiquetar. A falta de auto-estima transcorre apenas da tristeza, da insegurança e da frustração, e o termo é usado por vezes metendo tudo no mesmo saco, e daí a minha embirração. Tenho, aliás, estrebuchado com muita gente por causa de apreciações de pacotilha como essas, no que me diz respeito; no plano pessoal, por exemplo, eu tenho as inseguranças todas próprias de quem não é idiota e aprendeu a ver-se e a apreciar-se também através do olhar dos outros. Agora, que ninguém me venha dizer que não gosto de mim - que é basicamente o que o termo «auto-estima» pretende significar. Pelo contrário. Como a maioria das pessoas - e esse é, talvez, um das maiores infelicidades - eu gosto mais de mim do que qualquer pessoa, prefiro a minha companhia a qualquer outra, e perturba-me e desestabiliza-me mais uma dor de dentes minha, do que a notícia de um massacre em directo. Duro e cruel porventura, mas verdadeiro. Por tudo isso me irrita a expressão auto-estima, tão aviltada no discurso quotidiano. como se nela se encaixasse tudo. Mas também a uso frequentemente, em avaliações sumárias. De resto, concordo consigo em tudo. E oiça, Pedro: a sua colaboração é sempre bem-vinda e gosta-se dela espontânea, como a sua. A literatura é outra coisa, de todo necessária nestes diálogos. Obrigada, mais uma vez, pela consideração que revelam os seus comentários. Abraço e obrigada!
De Anónimo a 5 de Setembro de 2009 às 00:11
«PAI, A NOITE
Acordei com falta de paternage: uma saudade metafísica, um ódio pelo irreparável que não vos descrevo. Foi hoje, depois de acordar e antes de abrir os olhos, que passei revista às coisas que o meu pai me dizia e as confrontei com a minha vida. Sosseguei, porque ele passou pelo mesmo, mas partiu em paz. Quando, por razões pragmáticas, se é obrigado a viver sem transcendência, há ideias que parecem zombar da nossa condição. Mas só por fora. Enfim, tentarei reproduzir o diálogo que travámos, não sei se consigo; estes estados de semi-consciência são como os sonhos: parecem enormes, mas duram instantes. «Pai, eu não sou bonita...» «Filha, toda a beleza é aviso.» «Pai, eu não sei o que ando cá a fazer...» «Filha: percorre o teu caminho até ao fundo, e, com os versos que achaste, aumenta o Mundo!» «Pai, dois divórcios no papo e continuo sem saber o que é o amor...» «Filha: não sentirás tu a saudade do amor que não mereceste, de uma outra liberdade?» «Pai, eu tenho medo da morte...» «Filha: Sê um princípio, não um fim. Que depois de ti, as tempestades sejam outras e as lágrimas mais leves!» «Pai, eu não valho nada...» «Mexe-te: é preciso imitar Deus e criar outrem que não tu fora de ti.» «Pai, o tempo de Deus já lá vai...» «Enganas-te: o tempo de Deus é o tempo da atenção. O tempo de Deus é hoje.» «Pai, já tinha idade para não fazer asneiras...» «Não é verdade: a infância é eterna.» «Mas acha normal que eu tenha saudades do meu urso?» «Acho, mas cuidado: o infantilismo dos adultos é pior do que o seu demonismo.» «Não sei, queria tanto ter nascido num mundo melhor...» «Filha, confia em mim: esse mundo melhor é o mundo em que vivemos.» «Pai, por que é tudo tão difícil?» «Filha, simplificar não é assim tão fácil, no nosso tempo.» «Pai, a gente assiste a tanta batota...» «Não faz mal: o erro não é só educativo, é também cultural.» «E as mentiras que ouvimos, pai?» «Também fervo: o uso desonesto da palavra é um dos maiores flagelos da humanidade de hoje.» «E as guerras, pai, admitem-se?» «Filha, como homem cristão, a guerra é para mim um escândalo. Mas escândalo que me leva a tentar compreender...» «Pai, tenho remorsos: às vezes morrem-me pessoas queridas e esqueço-me delas no dia seguinte.» «Não tenhas: todo o amor que aparentemente morreu é todavia vivo» «O pai não está a perceber: eu já nem chorar consigo!» «É natural, querida: que humano hoje, pode e sabe não ser desumano?» «Pai, o pai também pecou?» «Claro, filha: fui puxado, atraído...» «Pai, às vezes sou má, outras vezes boa, e por muito que me esforce não consigo mudar.» «Sossega: se o homem é contradição e identidade, se o homem é vário e inconsciente, se o homem é bom e mau, se o homem é perene alteração, se o homem é repouso e evolução, abandono e vontade, acção e contemplação, egoísmo e ascetismo, se o homem simplesmente é, e se no seu ser cabe todo o universo, filha, assume-te simplesmente inteira, e nada excluas: a sensação ou a fé.» «Pai, ainda bem que partiu antes: nunca Portugal se deixou abandalhar a este ponto...» «Não te rales, canta comigo: ó meu Portugal que foste, que foste grande no mundo, abre as asas, abre as velas, revela o teu ser profundo!» «Pai: o pai acha que há salvação num mundo onde os filhos espancam os pais e as mulheres mandam os bebés de encontro às paredes?» «Filha: na hora destinal do fim, no limite do fracasso, no tempo cadente da derrota, eu canto, eu canto a esperança...» «Pai, os outros fazem-me sentir estúpida...» «Graças a Deus: Ele quis que, no fundo do abismo, os homens uns dos outros degraus fossem.» «Pai, lá fora ninguém nos liga...» «Tem calma: a nossa Arte contém todos os elementos necessários para se impor ao respeito e à admiração do Mundo.» «Pai, quem tem razão? A esquerda ou a direita?» «Querida: nenhum sistema ou nenhuma ideologia pode hoje considerar-se a salvo de suspeita, pode ver-se como solução absoluta, universal e salvadora.» «Sabe, pai? Eu já não acredito em nada...» «Filha, interrogar é já crer. A descrença humana não existe.» «Pai, serei ao menos mulher?» «Não sei, mas aprende: uma só mulher contém todas as mulheres e todas as mulheres não são ainda a mulher.» «Mas o pai sabe tanto...» «Enganas-te: só houve em mim perguntas sem respostas.» «Não minta, pai.» (...)
De Anónimo a 5 de Setembro de 2009 às 00:13
(...) «Não minto: fui a perdida unidade que a inteligência sozinha não pressente.» «Mas, pai, eu não sei nada!» «E eu? Eu que tanto procurei luz e só encontrei noite?» «Noite?» «Sim: três vezes, noite, me debrucei sobre as ciências do sensível, três vezes me julguei vencedor, e três vezes reconheci que o resultado enganador era ainda, noite, a tua voz imperceptível; três vezes, noite, pedi à memória, à minha e à outra, à essência da história, a visão do amanhã, o dom da profecia, a luz no futuro projectada, prévia vidência da finalidade destinada; três vezes, noite, volvi o teu seio, três vezes filho da memória, três vezes agente da história, e apenas ao de leve logrei tocar na fugidia, fugaz razão, que atribuímos à acção, sem jamais todavia dominar, a absoluta verdade e liberdade do ser em perpétua criação.» «Pai, que estafadeira...» «Filha, que gozo!»

Rita Ferro (filha de António Quadros)

http://antonioquadros.blogspot.com/2008/10/pai-noite.html
De NC a 5 de Setembro de 2009 às 00:30
Boa noite, Rita Ferro.
Apeteceu-me citá-la. Gosto muito deste seu texto.
Cumprimentos
De Nuno Martins a 2 de Setembro de 2009 às 18:51
Bom, felizmente não passei nem fiz passar ninguém por algo semelhante. Acredito que seja um rude golpe nas aspirações de alguém, quando após uma promoção, não exista mais ninguém para a viver e festejar convenientemente, Além disso, acredito ainda que para se chegar a determinados patamares, a exigência e os sacrifícios em prol dessa mesma elevação, tenha os seus devidos custos, mas se o bom senso, o entendimento e essencialmente o diálogo prevaleceram, tudo se consegue.
Se nada disto fôr possível, sinto que quanto a mim, nem a própria vida fará grande sentido. A mesma não é feita somente de uma carreira, do mesmo modo que a mesma não se preenche simplesmente com o lazer. O respeito mútuo, o espaço dado e a sua respectiva reaproximação, valerão por tudo, isto sempre, numa base de harmonia e consideração por todos...
Muito bom post para despertar mentalidades.
NM
De rita ferro a 3 de Setembro de 2009 às 01:01
Mas ó Nuno, confesse lá: para os homens, a frente profissional (e não digo que o não seja também por exigência das mulheres) permanece ainda a grande prioridade, não é? Simples curiosidade, neste caso. Até porque reparei que o Nuno, perante o drama vivido por esta personagem, que a leva a vingar-se de uma forma insana e extrema, se preocupou em primeiro lugar, no seu comentário, com a frustraçao do marido ao ver-se privado de partilhar a sua alegria, após a promoção no emprego. A sua empatia fixou-se logo no marido desapontado. Foi assim ou fui eu que tresli?

(Re)bem-vindo à Porta!
De Nuno Martins a 3 de Setembro de 2009 às 09:56
Sim, tenho de concordar consigo que a frente profissional é a grande, senão a maior prioridade dos homens. Talvez também aconteça, devido à forte emancipação das mulheres que nas últimas décadas possa ter colocado em risco ou fragilizado a posição dos homens. Nunca entendi nem entendo muito bem ainda, o que afinal, homens e mulheres desejam realmente. No meu caso, talvez por uma questão de personalidade e creio que já o tenha mencionado em comentários anteriores, não pretendo uma enorme carreira pela frente, preferindo descobrir as pequenas coisas da vida e explorá-las com um sentimento diferente de todos aqueles que acham e desejam que o poder, o sucesso e tudo aquilo que lhes é concedido por vezes de formas pouco lícitas, lhes dará o que antes não conseguem. Quanto à empatia no marido desapontado e o facto de me ter fixado nele, resultou de duas situações: o egoísmo e a falta de sensibilidade que creio ser bem mais normal (e infeliz) em relação às mulheres (e aqui particularmente esse aspecto ficou extremamente bem vincado) e o facto de ser homem e de ter tido praticamente toda a minha vida de estudante e até profissional, rodeado de homens. Por tudo isto, debrucei-me mais na perspectiva do homem por algum conhecimento de causa, pela forma como "nós" pensamos e aquilo que quase todos pretendem ou pelo menos, almejam alcançar, mas nunca como uma aliança de defesa em relação ao género masculino. Aliás, tudo o que é de excessos é condenável e não poderei nunca concordar. Por isso, minha querida Rita, a minha empatia resultou numa perspectiva quase instintiva de suposto entendimento dessa mesma postura, de crítica, mas nunca como se tivesse sido um mecanismo de desculpabilização ou de uma atenuação pelas atitudes ou opções tomadas. No fim de contas, tive algo semelhante entre quatro paredes e acredite que o distanciamento e a indiferença, mais do que matarem, moem e corroem com um silêncio e um profundo sentimento de raiva, angústia e impotência, quase assassino.
Muito obrigado pela sua resposta ao meu comentário. Creio que o debate se mantém em aberto :) Um forte abraço.
NM
De rita ferro a 3 de Setembro de 2009 às 11:05
No further questions :-))
De imprevistoseacasos a 2 de Setembro de 2009 às 22:54
Querida Rita

A invisibilidade de uma parte, numa pretensa relação, ocasiona inevitavelmente a invisíbiliade da auto-estima daquele que é ignorado. Ninguém gosta de ser ignorado, mas muitas vezes a verdade é que não nos fazemos amar como merecemos. Todavia acredito na regeneração das relações, sobretudo quando se reconhece que estas ainda podem trazer felicidade futura. Não vale a pena mascarar o passado ou disfarçar o presente, se já desistimos de uma relação, não achas Rita?

Um beijo! Que bom voltarmos a esta troca.

Fernanda

De rita ferro a 3 de Setembro de 2009 às 01:13
Querida Fernanda! É bom, sim, voltarmos às nossas conversas! Há quem diga que os bloggers são uma chusma cheia de ego e que encontra nos posts e comentários uma forma (patética) de afirmação e exibicionismo. Mas acredita que não é o caso. Em mim, por exemplo, obedece a uma nostalgia da tertúlia, que é coisa que tem deixado progressivamente de existir.

Quanto à regeneração que mencionas, não sou tão optimista; acho que ao quebrar-se a porcelana o restauro, mesmo perfeito, a desvaloriza irreversivelmente. Mas há casos, sim, em que os envolvidos conseguem quase resgatar a matriz. Mas nunca é a mesma coisa, nunca é; há coisas que se dizem e vivem que não se apagam nem se esquecem...

De mike a 3 de Setembro de 2009 às 00:37
Sou sincero, Rita: como o título fala de maridos, desinteressei-me porque adivinhei um post para mulheres. Mas não sou capaz de resistir aos teus posts, por isso, e assim, cheguei às perguntas para ambos os sexos (bem me parecia que este post era fundamentalmente para Elas). E continuo sincero: não, Rita não me lembro de me ter sentido invisível no amor. Aliás, não me lembro de me ter sentido invisível.
De rita ferro a 3 de Setembro de 2009 às 01:15

E aqui na blogosfera, Mike? Não somos todos invisíveis? Ri-te, foi uma provocação! Já tinha saudades das nossas larachas :-))
De mike a 3 de Setembro de 2009 às 17:27
E eu dos teus posts.
De Ni a 29 de Março de 2010 às 14:42
Quem passou pelo desafecto numa relação longa (casamento de 20 anos), arrepia-se ao ler este post. Sente-se o frio na própria essência, o arrepio de memórias
líquidas e gélidas, que me fazem murmurar 'Nunca mais! Nunca, nunca mais!'

A invisibilidade no amor... a violência psicológica, a ponto de provocar dor física... é uma pena de morte em vida, e cabe a quem passa por tal ter a coragem de dizer 'Basta!'.
Por vezes... por vezes... é preciso saber abrir a porta ... ainda que o medo inicial nos tolha...
É preciso dar o passo inicial (o mais difícil) e seguir em frente... porque o afecto é incompatível com quaqluer forma de violência.

Obrigada pela partilha... vou procurar este filme.

Ni

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