Passou pela docência numa universidade católica e acabou por fixar-se num género de fotografia para publicidade de alta-costura e alimentação sofisticada,
que alguns consideraram pornográfica e indispôs as feministas,
acusando-a de exaltar a «objectificação» da mulher.
Não se ralou grande coisa e é hoje uma artista plástica consagrada em todo o mundo. Hipnotiza, pois descreve o sexo, a sensualidade e o prazer sem recurso ao explícito e com uma notável economia de meios.
Para um minuto de filme, neste caso, bastou-lhe uma boca,
Nada como uma mulher para, sem recorrer ao explícito, ... explicitá-lo; por isso são muito melhores que os homens, esses "cabeças no ar", quando se trata de subliminarmente fazer passar a mensagem. Essa capacidade não se fica pela fotografia, estende-se a todas as facetas da vida. Quanto a artista, que não conhecia, vou procurá-la na net: o video é fabuloso.
Também achei o vídeo bom, meunikaki; gosto quando as sugestões são isso mesmo: ínvias. E o que conta é a mancha, a impressão: esta transporta-me para o prazer sem pressas, quando alguém, tão raramente, consegue o milagre de fazer parar esta nossa cabeça vigilante, permanentemente alerta, penitente e punitiva :-))
De Patricia da Cunha a 17 de Junho de 2009 às 09:03
Para se achar que é pornografia é preciso ser-se completamente quadrado, não ter liberdade interior de espécie alguma, para já não falar da "imaginação" que tanta cor e alegria dá a tudo na vida. E quando digo tudo é tudo mesmo. Claro que as feministas nunca poderiam gostar. Ou não fossem o que são: "feministas" É uma raça que odeio! O filme é espectacular e deixa-me a sonhar ..... com muita coisa! És uma mulher de coragem Prima. Sempre o soube e por isso te admiro. Beijos Patricia
Querida prima, não digas mal das feministas! Se embirras com o nome muda-o! Mas vou dizer-te um segredo: sabes porque me adoras e me consideras uma mulher de coragem? Entre outras coisas, porque sou feminista! Eu sei, vais negar, mas não te zangues: ainda as associas a um imaginário de sufragistas frustradas, ressabiadas, que, na impossibilidade de os conquistarem, odeiam os homens! Mas ser feminista não é nada disso, Pat, acredita. Tu própria és feminista em todos os teus gestos de liberdade! Numa destas semanas dedico-te um post. Só para ti, prima. Para ver se consigo mudar a tua opinião um pouco que seja. Um nadinha só. Adoro-te. E considero que tens ainda mais coragem do que eu! Beijos mil!
De Patricia da Cunha a 17 de Junho de 2009 às 14:11
Feminina não posso ser mais. Em todos os sentidos. Por todos os os poros. E tu também prima querida. Feminina até mais não, por muito que me queiras contrariar. Mas feminista, não sei se algum dia me convencerás. Nunca digo nunca a nada. Mas......!!! Veremos. Quanto à coragem, não sei viver sem ela. Beijos minha eterna viajante......
Sei que, como eu, gostas de dar o braço a torcer quando reconheces aos outros razão. Volta então quarta-feira e o post é para ti. Ou melhor: para todos aqui, mas dedicado a ti. São palavras com voz da Isabel Allende, gostas dela? Eu gostava muito, como escritora, até certa altura; depois, começou a ser autobiográfica e deixei de gostar. Mas ficou a pessoa, a personagem. E dessa gosto cada vez mais. É ela que vai falar para ti. Uma grande feminista. Esta próxima quarta ou a outra. Hesito entre ela e o Madhoff, porque são dois casos que me interessam - parecidos, não são? Sim, estão ligados. E sabes porquê? Porque se fossem as mulheres a governar esta crise nunca teria existido :-)) Temos defeitos, claro. Mas não estes. Do Madoff...
Digamos que as tais quantas lambarices, são tentadoras quanto baste! :) Gostei igualmente da forma dedicada e tranquila, como os movimentos suaves e melodiosos se desenhavam em torno da minha imaginação. Não importa se seria um beijo, uma narração pormenorizada de umas quantas "oralidades" ou tão somente uma descrição facial de um prazer sentido... Tudo afinal está ali descrito, ou será que nada estará e é apenas a nossa fantasia a criá-lo? Muito bom. Abraço! NM
Pondero nos termos, JdC, tenho responsabilidades na matéria :-)) Hesito entre erótico, sensual, lascivo, lúbrico, voluptuoso, obsceno, afrodisíaco... Por fim, farta de palavras até não poder mais, fico-me nesta: deleitoso. Nunca a uso, não pertence ao meu léxico privado; mas para aqui serve muito bem, não acha? Deleitoso. Deleitoso. Deleitoso...
Pornografia não será com certeza. Mas se me perguntares se achei estético, direi - numa contra-corrente que por vezes me caracteriza - que não. De facto, não achei. Podem dizer que é sublime, arrojado, vanguardista, provocador. Também já vi, na Tate Modern em Londres, um "painel" de fotografias em que uma senhora revelava as várias actividades que fazia na casa de banho. Arte? Sou demasiado ignorante para discutir o que isso é. Na minha modesta apreciação - e porque não fui ensinado a ver algumas "coisas" com um segundo olhar - preciso de beleza, de harmonia, algum equilíbrio - ou de um arrebatamento qualquer. E não encontrei nada disso numa boca que lambe lamelas. Mas se não desse origem a controvérsia não o publicavas, pois não?
Interessante, JdB , o vídeo para mim nada tem de inestético. Pode ser incómodo de ver, dada a indução de certas similitudes e a respectiva projecção de despudor, mas tudo - a música, o movimento, a paleta de cores, a textura das substâncias orgânicas - se harmoniza como um quadro vivo, um bailado, o florescer de uma planta exótica em câmara lenta. Onde falta aqui a beleza, a harmonia, o equilíbrio? Ou, mais provocatoriamente: será aqui que eles faltam ou no espírito de algumas mentes mais blindadas?
Revi o video e mantenho a minha posição. Será porque de facto sou "blindado" ou porque há actividades que não são estéticas na vida real, como sorver sopa, devolver um pouco ao prato, lamber uma malga de papa cerelac (Ana V: Pode-se fazer publicidade no Porta?)? As cores são estéticas, a música ajuda. Mas de facto, o que fixei foi outra coisa. Talvez seja a minha obsessão pelas coisas laterais.
Ah, João, vc obriga-me a perguntas que me ruborizam e violentam a minha castidade, necessárias porém para o compreender como merece! Ah, senhores, sempre tão difícil a uma senhora, dona-de-casa e mãe de filhos crescidos! Como hei-de formular sem chocar as pessoas? Diz-me você que o simples acto de lamber (uma malga, um prato de papa, seja o que for) repele a sua alma polida, estilizada, cavalheira?
Ponhamos a conversa em dois planos. Uma é se aquilo que se faz (ou vê fazer) provoca em nós fantasias eróticas. Lamber um prato de papa ou sorver uma malga de sopa, devolvendo-a, não "me" cumpre esses objectivos. Poderia arranjar exemplos entusiasmantes, mas há o pudor, sabe... e eu escrevo aqui aos sábados. Depois, é pensar se tudo aquilo que fazemos na intimidade e nos excita é estético, ou se gostamos de ver os outros fazer, mesmo que seja num filme. Gostava que a minha alma fosse polida e cavalheira - se puder ser estilizada ainda melhor. Mas não se aplica a isto. Só você, Rita Ferro, me leva a estes desvairos com este calor de ananases...
Uma resposta aristocrática, JdB, não esperava outra coisa! Aliás provoquei-o para ver se o descompunha, mas nem assim, pelos vistos. Passou no teste, parabéns pela estirpe! Vai uma orchata da genuína? Valenciana?
Desculpa querida, mas esta coisa parece uma amiba descontrolada. Não consigo encontrar qualquer sensualidade nesta coisa. Lembras-te duma frase que disseste ao segurança da Gulbenkian a propósito duma escultura que nós íamos pisando? Se fosse do meu filho, dava-lhe um para de estalos e mandava-o arrumar tudo. Se esta fosse minha filha, dava-lhe um par de estalos e fechava-a no quarto, até lhe passar este ataque de parvoíce. Bjo
Felizmente, a mãe desta não lhe pôde dar um par de estalos porque se charrava :-))
E não te armes em bloody snobbish british frigid kind of woman, porque não és. Fazes-me lembrar o Lord Chesterfield que dizia, a respeito do sexo «“The pleasure is momentary, the position ridiculous, and the expense damnable” :-))
(informa-se os dirty-minders que seguem os comentários que este senhor kapé é meu amigo há trinta anos, homossexual impante e veemente, e que os beijos molhados que me oferece não são predatórios mas apenas alusivos ao vídeo :-))
Olhe Rita Ferro: tenho destas coisas repentistas - de que me arrependo. Não li o texto e atirei-me ao filme como quem devora um queque pela manhã. Quando dei por mim, um peixe avançava contra o ecrã de boca aberta. Recuei, rodei a cabeça 30º e vi então uns belos dentes, pelo que não seria nem um goraz nem um pargo legítimo. Achei muito sensual, como aquele senhor que não tem disto no Zimbabwe (aposto que tem outras coisas, mas enfim...) e dá uma dimensão nova e erótica à lamela. O Vitorino não tinha uma música assim? "Menina que estás à lamela..." Ou seria gamela? Você diverte-me e agarra-me neste blogue, Rita Ferro. Já lhe tinha dito isto?
Que horror, um peixe com dentes: será uma piranha? Olhe, Jorge Antunes: vc diverte-me e agarra-me ao Sou Sincera - já lhe tinha dito isto? Beijo marinho
De José António Barreiros a 17 de Junho de 2009 às 11:21
Bom dia. Pergunta-se: é pornografia? Respondo: não é. Tem com alguma dela um ponto em comum: na ânsia de espicaçar o voyeurismo, insiste na técnica do close-up, parecendo a filmagem de uma intervenção cirúrgica às entranhas. Além disso, tenta a similitude genital/bucal, tema mais do que estafado no truque da sugestão indutora de efeitos. É arte? Respondo: pode ser, pois já vi chamar coisas melhores a coisas piores. Fotografias de ânus em tal pormenor que o esfíncter saltava aos olhos foram expostas já como a quinta-essência da barbatana artística. Penso que em algumas se notava mesmo o insuficiente uso do papel higiénico. Algum público delambia-se de gozo estético. Ele há gostos para tudo. Vale a pena? Vale! É das provocações que fazem saltar a polémica. Como se vê. Só por isso neste mundo frouxo, dá para rir. Sobretudo com os que levam tudo isto muito a sério.
Adorei a descrição da sua «quinta-essência da barbatana artística» - sabe que esteve em Serralves há bem pouco tempo? Ahahahah! Havia de ver as caras de algumas senhoras a olhar para as telas gigantescas, na exposição!... Eram duas exposições, aliás; essa e a outra, bem mais interessante: a da aflição das pessoas, coitadinhas, tentando afivelar o ar adequado para apreciar aquilo. Um show!
Pornografia não acho. São imagens sugestivas que convidam à imaginação dum prazer que se goza, sem se ligar a menhuma noção central, fixando-a, construindo-a e limitando-a também. Pelo simples facto do que parece e a torna homogénea, dum gozo que se reserva a possibilidade de evoluir ao sabor do zigzag da autora. Convidou-me a mergulhar o olhar no processo criativo em que a obra acontece e se desenvolve sem se preocupar com o julgamento do gosto puramente perceptivo, no qual repousa a estética. Ao tomar a parte pelo todo senti que o anatómico devia conduzir ao orgânico. Irrita-me fazer estes comentários pretensiosos mas sou pássaro não tenho as patinhas no chão. Vou ver se descontraio