Sétima arte
No dia em que fez quarenta anos, encomendou uma dúzia de rosas vermelhas. Reservou a melhor mesa no Café Central. A que ficava ao lado da porta envidraçada. Vestiu-se de rosa malva e comprou uma aliança de ouro branco, que colocou na mão direita. Às oito em ponto, pediu ao pianista que tocasse o tema de “E Tudo o Vento Levou”. No final da música, entregaram-lhe as rosas, que ela agradeceu com os olhos rasos de lágrimas, enquanto acariciava a aliança no dedo. Aos que estavam sentados na mesa ao lado pareceu-lhes que ela sussurrava um nome. Sérgio, talvez. O dono do café trouxe o bolo que ela encomendara. Ela partiu-o delicadamente. No lábios o mesmo sorriso comovido. Ninguém sabia o nome dela. Limitaram-se a felicitá-la pelo aniversário enquanto ela pousava os pratos com bolo nas pequenas mesas de café. Ela agradecia e acrescentava: É receita da minha mãe...
Texto enviado por: Cristina Nobre Soares