Sábado, 2 de Agosto de 2008

Respirar

Encontrei este belíssimo texto no Miniscente, do Luís Carmelo. A qualidade é a de sempre, no que diz respeito ao que por ali se lê. Mas estas palavras tocaram-me especialmente, por tê-las descoberto hoje. Ofereço-as a dois amigos que estão de partida para África, ficando a torcer (com uma pontinha de inveja, confesso) para que se sintam exactamente assim enquanto estiverem por lá.

 

 

"Primeira Respiração"

 

"Estou em África.
 
O ar é maior, enche-me o peito com uma força que me ultrapassa. Há uns dias, quando menos esperava, senti-me a descalçar. E andei. Andei com os pés dentro da terra, num passo arrastado, demorado, sem forma conhecida. Não sabia que podia entrar assim no mundo. O céu é maior…mas não nos esmaga. Preenche todos os espaços. É mais do que cor, mais do que uma ilusão. Há uns dias, quando menos esperava, deitei-me sem tecto. E ouvi. Cada estrela, cada cheiro. Descobri. Que aqui o céu tem… som.
 
Se eu fosse uma árvore era África. Ou um animal. Ou uma pedra. Era África. Seria o meu próprio início. Acho que é verdade."
 

 

 

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publicado por Ana Vidal às 20:06
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14 comentários:
De Luísa a 3 de Agosto de 2008 às 15:28
África é a ligação às origens, a aproximação à terra, «a primeira respiração», sem dúvida. Num Alentejo infinito, povoado de animais selvagens e exóticos, quem não sonha poder passar um dia? :-)
De Ana Vidal a 3 de Agosto de 2008 às 16:38
Luísa, o Alentejo é mesmo um cheirinho dessa força dos primórdios, vivi lá e senti isso. Falta-lhe é dimensão, claro. Suponho que África seja a "terra-mãe" em todo o seu esplendor.

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