Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Diário do paraíso (1)

 

 

Mal cheguei, atirei para longe tudo o que me lembrava as rotinas diárias: roupas justas, sapatos, maquilhagem, enfeites, carteira e afins. Instalei-me, enfiei uma jellabah, única roupa admitida nos próximos dias (excepto um fato de banho, se o tempo permitir), e saí, descalça, a explorar o paraíso. Caminhei durante duas horas, os pés dentro de água, sem outra companhia que a das ondas mansas e da areia morna. Não pensem que exagero, isto é mesmo um oásis perdido. Há um único rasto de passos humanos na praia, depois do meu primeiro passeio: o meu. Há solidões que são um luxo.

 

Sinto-me em casa, acolhida por toda esta beleza. Mas acontece-me isto em qualquer lugar do mundo onde vá: depressa dispo, sem oferecer resistência, todas as peles que me separam do que me rodeia, e em pouco tempo me torno uma nativa, diluindo-me na paisagem. Aqui, foi muito fácil: passaram poucas horas e sou uma concha.

 

Deixo-vos com Oasis, uma canção linda do meu querido Pedro Guerra, que não ouvia há muito tempo. Até amanhã!

 


 

Los oasis son siempre espejismos
hay pasiones que niegan el cielo
cuando me quisieron
yo no quise tanto
y cuando he querido
no siempre quisieron


Las palabras no solo definen
hay canciones que guardan misterios
cuando me llamaron
no escuché el mensaje
cuando yo lo quise
no me respondieron


Poco, mucho
algo, casi, casi nada
no siempre se cruzan
todas las miradas


Hay distancias que guardan caricias
y lugares de pocos senderos
mis señales de humo
no encontraron ojos
y llegaron cartas
cuando estaba lejos


En el mar hay tesoros y peces
en el río hay arena y secretos
cuando lo quisiste
no salió la luna
cuando no esperabas
te llovieron besos

 

(Nota: Tirei esta fotografia à chegada, da janela do meu quarto. Os dois barcos de recreio que se vêm nela pertencem a alguém que só vem ao fim de semana. Até lá, são só uma nota decorativa no azul e verde que vejo daqui.)

 

publicado por Ana Vidal às 23:15
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21 comentários:
De mike a 13 de Maio de 2008 às 21:19
Curiosity killed the cat, mas eu não sou gato e descobri onde é esse paraíso, Ana. Instalou-se o pânico? o paraíso de repente fá-la sentir no que se adivinha passar a ser um inferno? Calma... que não digo a ninguém, pode ficar tranquila. Trust me!... ui, quando alguém me diz esta frase, fico logo em pulgas e com elas atrás da orelha (risos).
De Ana Vidal a 13 de Maio de 2008 às 22:31
LOL. Temos bluff, Mr. Mike? Hummm... trust you? Não me parece...
Mas pode dar o seu palpite, claro, e atirar o barro à parede. No último dia prometo dizer onde é o meu paraíso.
De mike a 13 de Maio de 2008 às 23:42
Saber esperar é uma grande virtude, Ana :)
Esperarei pelo último dia... ;)

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