Domingo, 30 de Novembro de 2008

To whom it might concern

 

 

 

 

Ter mau perder é uma chatice.

Exibir o mau perder em forma de despeito, é um espectáculo triste.

Transformar o despeito numa espécie de superioridade moral, é insuportável.

Pensar que nesse moralismo não se vê o despeito que o gerou, é confrangedor.

Ficar eternamente a destilar fel, a fermentar vinganças e a disparar setas envenenadas, à sombra de uma mal disfarçada arrogância e de uma pose de virtude ultrajada, é verdadeiramente patético.

 

Proteja-nos Deus dos que se julgam santos, que são muito mais perigosos do que os pecadores.

 

PS: Sim, é um recado. E só interessa a quem se dirige.

 

(Imagem: "Anjodemo", de Escher)

 

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publicado por Ana Vidal às 02:12
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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

Destaque no Sapal


 

Agradeço ao simpático Sapo o destaque que dá esta semana ao Porta do Vento.

Sobretudo por tê-lo feito exactamente agora, dando maior visibilidade à Causa da Casa: a petição contra a muralha de contentores em Alcântara.

 

publicado por Ana Vidal às 22:38
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Quero, posso e mando!

 

 

«Quero que Lisboa seja um cidade portuária e, pelo que tenho interpretado, a maioria nesta Câmara quer que Lisboa continue a ser uma cidade portuária. Eu não quero um porto só com uma marina de iates ou com um terminal de contentores mas um porto que fortaleça a base económica da cidade»

 

A contestação generalizada que este assunto tem gerado ultimamente terá tido, pelo menos, o mérito de obrigar todos os interessados a dizer o que têm na manga. António Costa já se pronunciou e, no tom ditatorial a que o governo do seu partido já nos habituou, foi peremptório a dizer o que "quer" e o que "não quer". E eu que pensava que o que ele "queria" era devolver o rio à cidade, como tão convictamente anunciava antes de ser eleito!

 

Esperemos, então, a expressão pública do que "querem" a APL e o próprio governo. Assim "possam e mandem" todos eles, claro.

 

Atenção: A petição contra este escândalo continua na barra lateral deste blogue. Assinem e divulguem, porque também todos nós temos "querer". No momento em que escrevo estas linhas, o número de assinaturas é de 6171. Não chega...

 

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publicado por Ana Vidal às 00:07
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Terça-feira, 28 de Outubro de 2008

NÃO a uma Lisboa emparedada


 

Roubei esta fotografia à Luísa para ilustrar um tema que me parece importante e urgente: o apelo à assinatura nesta petição contra a decisão governamental de emparedar, com contentores, uma zona privilegiada de Lisboa: Alcântara (doca do Espanhol). Ainda por cima sem consulta, ou, sequer, uma satisfação aos munícipes. Enfim, uma atitude digna da mais refinada ditadura, a tal que o PS se orgulha de ter derrubado neste país...

 

Se não quiserem assinar sem saber bem do que se trata, leiam primeiro isto e isto.

E se concordarem com a petição, por favor divulguem-na.

 

(Nota: reparem no nome do barco... não é mesmo adequado?)

 

publicado por Ana Vidal às 02:32
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Terça-feira, 5 de Agosto de 2008

Rik

 

Há algum tempo, divulguei aqui um pedido de ajuda encabeçado pela Caritas de Setúbal - o Apadrinhamento à Distância -  destinado a melhorar a vida das crianças pobres de S. Tomé e Príncipe. A iniciativa está muito bem organizada, estabelecendo um laço personalizado entre quem ajuda e quem é ajudado, o que faz toda a diferença no que toca a empenhamento: apela à responsabilidade pessoal, dá uma cara (e as caras são mesmo irresistíveis...) à nossa vontade de ajudar. Digo "nossa" porque já tenho um afilhado em S. Tomé. Chegou ontem, à minha caixa de correio, a carta com a ficha da criança que me foi atribuída.

 

Dá pelo pomposo nome de Henrikson e tem 5 anos. Tem uns olhos imensos, interrogativos, e a expressão ligeiramente zangada de quem não percebe muito bem porque lhe calhou sofrer assim, logo desde o primeiro momento em que pôs um pé no mundo. É impossível não querer protegê-lo, é enorme o impulso de tentar substituir aquele pai que já morreu, a mãe e os irmãos (4, todos mais velhos) que não se interessam por ele. Não os crucifico: não faço a menor ideia do que é viver como eles, naquele grau de miséria extrema em que só a sobrevivência pessoal importa e tudo o resto se apaga... mesmo os mais básicos instintos, como o maternal. Parece-nos, a nós que vivemos com todo o conforto da civilização (mesmo os que têm dificuldades), muito criticável este abandono de um filho. Mas o que faríamos nós em semelhantes condições? Não sei. Não julgo, portanto. Não é esse o meu papel, nem isso adiantaria nada ao meu afilhado.

 

Tenho um afilhado em S. Tomé e vou chamar-lhe Rik, porque o seu nome completo me parece muito pesado para aquela carinha de quem quer descobrir o mundo inteiro num bater de asas, aquele olhar esperto e matreiro de sobrevivente, aquele desafio na expressão que, apesar de tudo, é muito doce. Vou escrever-lhe sempre, mesmo sabendo que não terei resposta muitas vezes. As pessoas que olham por estas crianças têm muito mais que fazer, não têm muito tempo para as cartas. Apesar disso, prometem mandar notícias das vitórias de cada uma delas, sempre que lhes sobre um bocadinho para isso. É um trabalho admirável, que respeito como poucos outros.

 

Vá, entusiasmem-se também. Custa-nos tão pouco... e para estas crianças faz toda a diferença. É a distância que vai entre a total impossibilidade e o milagre de uma educação condigna, que lhes seja útil mais tarde e lhes dê uma Vida. Porque o que têm pela frente é pouco mais do que morte...

 

Aqui fica o contacto, para quem quiser candidatar-se ou saber mais informações: caritas.setubal@mail.telepac.pt

 

(Nota: Fico muito feliz por saber que contagiei outras pessoas com este apelo, quando o postei aqui. Ontem também o Pedro Silveira Botelho, meu amigo e "sócio" neste blogue, me disse que recebeu uma carta com a atribuição de um afilhado. No caso dele, a criança tem 2 anos e chama-se Helder. O Pedro já lhe escreveu a primeira carta e pediu-me que a publicasse aqui - retomando com ela os seus Observatórios - com a intenção de divulgar esta iniciativa. É o que farei.)

 

publicado por Ana Vidal às 13:40
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Terça-feira, 20 de Maio de 2008

David, some years later...

 

If you don't move, you get fat.

 

(clique na imagem para aumentar)

 

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publicado por Ana Vidal às 10:42
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Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Os bois pelos nomes



"Angola is a country run by criminals".

Bob Geldof

Não há dúvida: gosto das pessoas que chamam os bois pelos nomes.

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publicado por Ana Vidal às 23:25
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Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

Rooms by the Sea


Já instalados, uma curtíssima explicação aos curiosos: o novo logotipo do Porta do Vento  inspirou-se - como alguns certamente já repararam - neste quadro de Edward Hopper (Rooms by the Sea) que eu simplesmente adoro. Gostava de tê-lo na minha sala para olhá-lo todos os dias, e gostava ainda mais de ter uma sala como esta, para abrir a porta e... navegar.

Falei nisso ao Pedro Neves (o designer deste novo look do Porta do Vento), em poucas palavras, mas ele percebeu logo o que eu queria. Criou uma imagem estilizada e muito bem conseguida, que simboliza na perfeição o espírito deste blog: uma porta aberta, a deixar passar todos os ventos que aqui quiserem aportar, e um aroma de maresia que lhes dê as boas-vindas.

Quanto à cor de fundo, foi-me proposta também pelo Pedro e aprovada à primeira. Achei graça ao facto de ele ter sugerido um tom de azul que se aproxima muito da minha cor preferida: aquilo a que eu chamo azul Leonor (ou azul Quénia, outro nome igualmente sugestivo, como lhe chama uma querida comentadora deste blog) e que eu tinha já escolhido para o Violinos no Telhado. Este é um tom mais claro, mas assim até tem melhor leitura. O símbolo do moinho de vento (a preceder os títulos dos posts) é mais um pormenor que devo ao Pedro.

E pronto. Resta dizer que tive que resistir à tentação de trazer todos os widgets que tinha no Blogger, e que me vou rendendo (a custo) a este minimalismo de bom gosto. Mas ainda hei-de pôr uma ou duas gracinhas da minha lavra, se bem me conheço. Pouca coisa, prometo.

Sei que estranharão este novo layout, como eu própria ainda o estranho. Mas é uma questão de habituar os olhos a este azul (que é lindo, admitam...) e depressa voltarão a sentir-se em casa, tal como eu. Assim o espero, pelo menos.

publicado por Ana Vidal às 22:08
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Domingo, 13 de Abril de 2008

Feira de Velharias (5)


Cada vez tenho menos paciência para a política e para os políticos. Agradeço-lhes a vocação ou a ambição, porque cada uma delas (ou ambas) os levaram a lutar por lugares que eu detestaria ter que ocupar. E alguém tem que fazer o trabalho deles, isso é inegável. A anarquia pura é uma utopia, bonita mas impensável na prática.
O que me parece é que, mesmo os mais idealistas e bem intencionados, acabam por ter que dançar conforme a música que encontram já a tocar. Os que não se adaptam e se recusam a fazer concessões, tornam-se demasiado incómodos e são convidados a sair do salão, a bem ou a mal.
Mas há os que, realmente, parecem ter nascido para essa vida. Entram a matar e cortam a direito, fazem o que acham ser preciso, a qualquer preço, e têm um (natural?) grau de distanciamento e de insensibilidade aos problemas do comum dos mortais que lhes permite nunca olhar para trás e até, quem sabe, dormir tranquilos.
É o caso do nosso primeiro ministro José Sócrates (um nome de uma enorme responsabilidade, caramba!). Tem a frieza de um cubo de gelo e a arrogância de um César. Chegou a afirmar sobre si próprio, mostrando como se tem em grande conta: «Sou um animal feroz» (Expresso, 24/07/2004). Não sei se é um animal feroz, mas é, pelo menos, ferozmente indiferente.
Eu, que não sei falar politiquês e prefiro a linguagem da poesia, dedico-lhe este magnífico poema de Carlos Drummond de Andrade: "E agora, José?"* , com a romântica ilusão de que o leia algum dia e que ele o faça pensar um pouco no quick step que nos tem obrigado a dançar, quando nem para a valsa temos sapatos...
 
E AGORA, JOSÉ?

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
 
 
Nota: Descobri, entretanto, que Sócrates nasceu em Vilar de Maçada. Começo a compreender os seus traumas e até entendo que tenha fugido de lá, mas, bolas!, tinha que se vingar em nós??
(* Clique aqui para ouvir o poema, dito pelo próprio CDA)
(Publicado pela primeira vez em 1/6/2007)
 
publicado por Ana Vidal às 11:29
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Sábado, 5 de Abril de 2008

Avec...quoi?


Demoiselles... dêem largas á imaginação... abram portas e janelas de par em par... ás zero... em ponto... Maldoror depositará uma flor... em vossos corações... eleitas entre biliões...
"J'ai fait un pacte avec la prosttution afin de semer le désordre dans les familles"

Chat Noir avec

À minha caixa postal têm vindo parar, ultimamente, mensagens surreais de um tal Chat Noir Avec (???), escritas num francês macarrónico ou num português arrevezado, que se supõem misteriosas mas não passam de cómicas. Imediatamente antes da assinatura, a invariável frase ameaçadora: J'ai fait un pacte avec la prosttution afin de semer le désordre dans les familles.

Ora bem, o que eu quero dizer a este gato preto é que as únicas coisas que tem semeado por aqui são... erros ortográficos de bradar aos céus. A não ser que o Avec esteja ainda por aparecer com novas pragas, mais sedutoras do que uma flor depositada no coração das eleitas escolhidas entre biliões (não conheço as outras demoiselles contempladas mas estou habituada a ser a única eleita, pelo que o plural ainda me parece excessivo), até agora esse pacto de desunir famílias ainda não fez qualquer efeito.

Não perca tempo comigo, bichano. Há-de haver quem se deslumbre com o seu francês de Alcabideche e o seu Maldoror Valentino, semeando flores em noites de lua cheia. A mim, ingrata como sou, só me dá para rir. Já tentou as Mães de Bragança?

Adenda - Não resisto a partilhar a última mensagem que recebi, hoje mesmo, do Chat Noir Avec, que agora se tomou de fervores monárquicos e poéticos e acrescentou mais um idioma à sua vasta cultura linguística: o castelhano. Ora vejam:

..."todas ibamos a ser reinas"...se Leticia...lo iba...porque no tu...noche de sueño...

...esta noche... petite demoiselle ...te daré el...cielo...deste amor...que és de Pedro...por...Inês...

Estou quase a ceder. Quem é que resiste a isto, digam lá??

(07/04/2008)


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publicado por Ana Vidal às 12:04
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Segunda-feira, 31 de Março de 2008

O pior de nós

Recebi este texto de um amigo, por e-mail, com o pedido de divulgá-lo pelos meus contactos. Melhor do que isso é pô-lo aqui, o que faço com muito gosto. Fiz alguma pesquisa para confirmar a veracidade desta história inacreditável, e parece que é mesmo verdadeira. Por incrível que pareça, um espírito doente lembrou-se de chamar Arte a esta cruel aberração. E, pior do que isso, alguém (com responsabilidades neste sector) lhe deu cobertura. Pela segunda vez, ainda por cima.
«Como muitos devem saber e até ter protestado, em 2007, Guillermo Vargas Habacuc, um suposto artista, acolheu um cão abandonado de rua, atou-o a uma corda curtíssima na parede de uma galeria de arte e ali o deixou, a morrer lentamente de fome e sede. Durante vários dias, tanto o autor de semelhante crueldade, como os visitantes da galeria de arte, presenciaram impassíveis a agonia do pobre animal. Até que ele finalmente morreu, seguramente depois de ter passado por um doloroso, absurdo e incompreensível calvário.

Parece-lhe forte? Pois ainda não é tudo: a prestigiada Bienal Centroamericana de Arte decidiu, incompreensivelmente, que a selvageria que acabava de ser cometida por tal sujeito era Arte, e deste modo tão absurdo Guillermo Vargas Habacuc foi convidado a repetir a sua cruel acção na dita Bienal em 2008. Facto que podemos tentar impedir, colaborando com a assinatura nesta petição:
http://www.petitiononline.com/13031953/petition.html
(não tem que pagar nem registar-se para assinar a petição) para que este homem não seja felicitado nem chamado de 'artista' por tão cruel acto, por semelhante insensibilidade e desfrute com a dor alheia.»

Nota minha: Por outras fotografias que encontrei na net pode ver-se a indiferença com que os visitantes da galeria reagiram a esta "experiência". Ninguém se lembrou, ao que parece, de tirar dali o cão, de levar-lhe comida ou, pelo menos, de perguntar qual seria o seu destino. Por cima do animal, na parede, há frases escritas... com ração! A natureza humana não pára nunca de me surpreender.
Eu já assinei a petição, claro.
publicado por Ana Vidal às 23:21
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Domingo, 30 de Março de 2008

Feira de Velharias (3)

Já ouviu falar?

- Já ouviu falar na Cidadela de Cascais, nos chalets do Monte Estoril, no Jardim dos Passarinhos, na Praia dos Pescadores, na pastelaria Garrett, no Casino Estoril?

-Não, não faço ideia. O que são todas essas coisas com nomes curiosos?

- São enfeites simpáticos e bonitinhos, que puseram à volta do Estoril Sol Residence para lhe dar um charme especial e um certo arzinho retro que satisfaz o gosto sofisticado dos futuros moradores.
- Ah, sim, o Estoril Sol Residence conheço, evidentemente!! Do resto é que nunca tinha ouvido falar...
(Nota: Publicado pela primeira vez em 15/07/2007. Clique para ver o video)
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publicado por Ana Vidal às 11:51
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Sábado, 8 de Março de 2008

Educar é preciso

100.000 pessoas é MUITA gente.
Alguma coisa quererá dizer, não?

(Encontrado aqui.)


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publicado por Ana Vidal às 20:55
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Dia de... quem??

Já o disse várias vezes aqui - embirro solenemente com esta moda dos "dias de". Mas com o de hoje, confesso, embirro mais ainda.
Não me interessa se se aproveita a data para chamar a atenção para os problemas do universo feminino, que continuam a ser muitos e graves, infelizmente. Lamento é que as mulheres se agarrem a esta migalha patética para fazer valer os seus direitos e ouvir a sua voz, não percebendo que o seu "dia de" as remete para o eterno guetto do costume: o de uma estranha população incómoda, barulhenta e histérica, que no passado perdeu muitas vezes a razão pelos excessos e que se agiganta agora em todas as frentes, ameaçadora. É ridículo que haja um "dia da mulher", pela simples razão de que essa inocente (?) intenção converte todos os outros em "dias do homem". Ou não será assim?
Todos os dias são, afinal, das mulheres e dos homens, construindo pontes e derrubando barreiras sem espavento mediático, talvez, mas com muito mais eficácia. Dando uso às emoções mas também à inteligência, que é para isso que serve o cérebro que todos temos, homens ou mulheres. Por isso, este dia especial não faz o menor sentido para mim. Mais: é um insulto.
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publicado por Ana Vidal às 11:56
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Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

Esclarecimento

Não é meu costume bater em ceguinhos. E também não tenho o hábito de alinhar em caças às bruxas ou em poses farisaicas fáceis, porque escudadas numa legião de concordantes, contra alguém que prevaricou, muito ou pouco. Se aderi à crucificação do primeiro ministro por causa do longínquo projecto (apenas assinado ou saído do seu mau gosto embrionário) daquela espécie de "casa dos bicos" em trompe l'oeil de azulejo de casa de banho, foi porque ele tem provado, à exaustão, ter um total e absoluto desprezo por todos nós.
Não me parece que o pecado de assinar projectos destes seja assim tão grave, ainda por cima aos vinte e tal anos. Afinal de contas, mamarrachos há-os por todo o país, infelizmente. Este é só mais um, feito por um engenheireco recém-formado (ainda sem pretensões a primeiro ministro, julga-se) que queria ganhar umas coroas ou fazer o jeito a alguém, como tantos outros. E o gosto educa-se, aprende-se, refina-se com o tempo e com um esforço pessoal que não parece ter faltado nunca ao ambicioso Sócrates. Eu - e julgo que muita gente dirá o mesmo - perdoar-lhe-ia de bom grado a escorregadela arquitectónica, fosse ele mais humano. Mas a insuportável arrogância deste Armani man inacessível, que nos vende uma imagem cuidada de quem foi nado e criado num sofisticado loft novaiorquino do west end, impossibilita-nos o fechar de olhos ao passado incómodo. Só por isso não resisto a lembrar-lhe que também tem telhados de vidro. Ou melhor, de chapa de zinco.
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publicado por Ana Vidal às 00:32
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Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Minúsculo


Voltando à remodelação ministerial, ou àquilo que pretende parecer: o despedimento de Correia de Campos não passa afinal de um "pequeno acontecimento". Exactamente como o foi, para ele, a morte de uma pessoa.
Era só isto.
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Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007

Rescaldo

Natal: nascendo o esquecimento
Sentada na mesa farta, farto-me de pensar. Não se faz luz nos castiçais da memória.
Decoro as cobiçosas entradas sobre a mesa, desadornando as saídas da minha mente.
Os meus pensamentos voam como borboletas poisando no fulgir da árvore matizada. Deslizo no brilho das bolas e na imponência das fitas. Esqueci-me de uma fita no presente da minha mãe.
No meu presente, não esqueço o maravilhoso laço que nos liga. Acho que passará bem sem fitas!
Destaco a fita-cola de cada um dos papéis que envolvem os meus presentes. Que tenho eu para dar? Terá valor o que tenho para oferecer?
Embrulhei-me na azáfama, vendo o tempo sempre a escassear. A venda do consumo consumia-me os olhos. Vendo bem, estaria eu a vender-me?
Comprei o que pensei que faria as pessoas felizes. Fugaz felicidade em saquinhos.
Em cada saquinho estava uma prenda, mas isso não faz de mim prendada.
Não se prendam com o que digo. Muitas pessoas se alegram hoje, embora dando importância a diferentes conteúdos.
Eu apenas acho que me esqueci de alguma coisa… Não havia alguém que fazia anos hoje?

Nota: Encontrado aqui, onde as palavras são escolhidas a dedo e misturadas com sabedoria e talento.

publicado por Ana Vidal às 11:04
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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007

Está quase


A melhor coisa de se estar afastado durante algum tempo é constatarmos que fazemos falta e que gostam de nós. Seja para um grupo restrito de pessoas, seja para um imenso público anónimo, ser-se querido é sempre muito bom.
A longa lista de mails, por ler, na minha caixa postal, somada às mensagens que encontro aqui na caixa de comentários do blog, dizem-me que há quem tenha sentido a minha falta. Quem tenha tido saudades. E só por isso, meus amigos, já valeu a pena ter estado estes dias todos embrulhada em caixotes e com a casa virada do avesso.
Obrigada a todos, pelo carinho. Prometo voltar em breve (não, ainda não tenho net regularmente - não conhecem a TV Cabo, por acaso??), e, para já, vou passando por aqui para pôr a conversa em dia.
Nota 1: Que bom que é ter interlocutores inteligentes: deixei aqui um subtil desafio com a palavra "rede" (escrita e sugerida numa imagem vaga), o que suscitou logo vários trocadilhos e interpretações, tal como esperava.
Nota 2: As arrumações estão quase feitas. E não, não me mudei para o Palácio da Pena. Mas tenho pena.

publicado por Ana Vidal às 16:37
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007

Na minha, não!



Como não tenho tempo para escrever, faço minhas todas as palavras do FAL, do Corta-fitas.
E só acrescento: há pelo menos uma casa neste país, senhor primeiro ministro, onde o seu convidado-maravilha não será recebido: a minha.
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publicado por Ana Vidal às 22:54
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Terça-feira, 20 de Novembro de 2007

Com a casa às costas


Meus amigos, nos próximos dias não haverá novos posts.
Estou na fase final da minha mudança de casa, por isso podem adivinhar o caos que aqui vai!
Mas vou passando por aqui de vez em quando (não resisto), sobretudo à noite.
De dia, sou um caracol...
Fiquem bem. A bientôt.
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publicado por Ana Vidal às 12:34
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Quinta-feira, 15 de Novembro de 2007

Em vias de extinção

Imagine um lugar onde se pode ler gratuitamente as obras de Machado de Assis, ou A Divina Comédia, ou ter acesso às melhores historinhas infantis de todos os tempos. Um lugar que lhe mostra as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci. Onde se pode escutar músicas em MP3 de alta qualidade. Pois esse lugar existe!
O Ministério da Educação do Brasil disponibiliza tudo isso, basta aceder o site:
www.dominiopublico.gov.br

Só de literatura portuguesa são 732 obras! Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desactivar o projecto por falta de uso, já que o número de acessos é muito baixo. Vamos tentar reverter esta desgraça, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura.
Nota: Recebi esta mensagem de um amigo, por e-mail, e publico-a aqui por me parecer importante a sua divulgação. O site é do governo brasileiro, mas todos nós podemos utilizar esta ferramenta. Aconselho uma visita. Ou melhor: muitas, para que não acabe.

publicado por Ana Vidal às 10:40
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Sábado, 10 de Novembro de 2007

CHI-LE-NOS


Existe uma embirração estranhíssima entre os presidentes da república portugueses e o povo do Chile: primeiro foi Jorge Sampaio, que chamou cubanos aos chilenos. Agora, Cavaco Silva chamou-lhes chineses!!!
Meus senhores, soletrem comigo, devagarinho:
C-H-I-L-E-N-O-S.
Vá, outra vez. Agora com sílabas:
CHI-LE-NOS.
Isso mesmo. Pronto. Viram que não é difícil?

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publicado por Ana Vidal às 01:04
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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

Cais das Colunas


Em época de efemérides, o Torquato da Luz lembrou-me, com este belo poema, uma questão que também me inquieta e sobre a qual já falei aqui: as novas "obras de Santa Ingrácia" do Terreiro do Paço, que nos levaram da vista o saudoso Cais das Colunas:


Sobre ser belo, tinha
uma aparência de eternidade
que lhe advinha,
não da idade,
mas da quase-irrealidade
com que marcava a linha
de rosto da cidade.
Hoje é apenas um monturo,
um lugar triste e abandonado,
ao qual roubaram o passado
e recusam o futuro.
E é de temer que o novelo
do tempo que tenho pela frente
não seja suficiente
para voltar a vê-lo.
Como lembrou, e muito oportunamente, um comentador do Ofício Diário , quem disse que a poesia não pode ser útil?
(Fotografia de Annie Assouline)

publicado por Ana Vidal às 22:20
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Do surrealismo aéreo nacional


«Na tentativa de fazer um fim-de-semana prolongado diferente, um amigo meu - vou chamar-lhe P. - decidiu vir a Bruxelas na passada quinta-feira. Para tanto, comprou um bilhete de avião de ida e volta à TAP (o surrealismo começa aqui, está-se mesmo a ver) para um voo que, saindo cedinho de Lisboa, aterrava em Bruxelas às 11h30 da manhã, hora local.
Assim, apresentou-se no check-in do aeroporto de Lisboa cerca das 6h30 da manhã. Porque é portador de uma deficiência motora, o P. desloca-se numa cadeira de rodas, tendo sido necessário fornecer-lhe assistência para o levar até ao avião. Feito o check-in, apareceu um senhor bagageiro para desempenhar a tarefa.Foi conduzido através do aeroporto, mas não pela normal zona de embarque. Passou no raio-x usado pelas tripulações e viu-se do lado de fora do aeroporto, tendo sido transportado até ao avião à segunda tentativa do bagageiro de pôr uma carrinha a trabalhar (a primeira não tinha bateria, pois tinha sido deixada com as luzes acesas durante toda a noite).
Após a entrada no avião, sentou-se no lugar indicado no seu talão de embarque, mas, momentos depois, apareceu um segundo passageiro para o mesmo lugar. A situação foi prontamente resolvida pela hospedeira, pois havia muitos lugares desocupados. Fechadas as portas, o avião fez-se à pista e uma voz fez-se ouvir nos altifalantes, dando início ao pesadelo do P.: Senhores passageiros, fala-vos o comandante. Bem-vindos a bordo deste voo da TAP com destino a Zurique.
Sim, leram bem, não me enganei. O P. tinha sido empurrado até ao avião errado, nenhum elemento da tripulação tinha verificado o seu cartão de embarque, nem quando se levantou o problema dos dois passageiros para o mesmo lugar e conclui-se de que não servira de nada as hospedeiras terem andado para a frente e para trás a fingir-se muito concentradas a contar os passageiros, pois o avião ia descolar com um passageiro a mais. Isto diz muito acerca da competência das pessoas e das questões de segurança aérea, não diz?
Mas, continuando o impensável!...
Apercebendo-se de que estava no avião errado, o meu amigo informou uma hospedeira acerca do facto, mas a mesma disse-lhe que nada podia fazer, informando-o de que o avião estava mesmo quase a levantar voo. No entanto, a hospedeira garantiu que informaria o comandante que, por sua vez, deveria informar os serviços da TAP, em última instância os de Zurique, que deviam tratar do reencaminhamento do passageiro para Bruxelas.
Passaram-se três horas, que é sensivelmente o tempo de voo entre Lisboa e Zurique. Aterrado o avião, o P. telefonou a explicar o que lhe acontecera e eu, conseguindo ver na Internet que havia um voo Zurique-Bruxelas dali a 45 minutos, disse-lhe qual era o número da respectiva porta de embarque. Lá chegado, ele pôde constatar que nenhum funcionário da TAP tinha feito o que quer que fosse para reparar a falha cometida. Nas três horas de voo, ninguém lhe tinha reservado bilhete para Bruxelas, ninguém o esperava para o reencaminhar para outro voo, ninguém lá estava nem para um simples pedido de desculpas, para nada. A TAP despejou-o, pura e simplesmente, num país que não era aquele para o qual queria viajar. Foi a Suiça, mas podia ter sido o Brasil, os EUA ou Cabo Verde... Foi um adulto, mas podia ter sido uma criança.
Após vários telefonemas à portuguesa, para amigos dos primos das secretárias dos vizinhos dos porteiros das empregadas da limpeza dos administradores da TAP, lá conseguimos que duas antas se dignassem a contactar o P., a dar-lhe vouchers para almoçar e a informá-lo de que lhe reservariam um lugar no próximo voo, que chegaria a Bruxelas às seis da tarde.
Resta-me ainda contar que também foram surrealistas as respostas que obtive nos telefonemas que fiz para localizar a bagagem do P.. Entre outras pérolas, a menina o serviço de bagagens da TAP assegurou-me que as bagagens teriam seguido para Bruxelas. Quando lhe perguntei se não era verdade que, por razões de segurança, são retiradas dos aviões as bagagens dos passageiros que faltam ao embarque, ela respondeu-me que desconhecia esses procedimentos. Perceberam bem? O serviço de bagagens DESCONHECE os procedimentos RELATIVOS ÀS BAGAGENS nos casos de não embarque dos passageiros. Mas não está só. A senhora do balcão da TAP de Bruxelas, com quem também falei, que me disse que trabalha para a TAP HÁ VINTE ANOS, também me disse que, embora não mo podendo assegurar, também lhe cheirava que as bagagens tinham vindo no avião para Bruxelas. Aconselhou-me a meter-me no carro e a ir procurá-las no aeroporto de Bruxelas (coisa inteligente, que haveria de servir-me de muito, sem eu sequer dispor do número da bagagem...)
Sucede que eu, que nunca trabalhei para nenhuma companhia aérea, estava certa. A bagagem, que tinha sido colocada no voo para Bruxelas, teve de ser retirada do avião, devido à falta de embarque do passageiro. Por essa razão, o voo saiu de Lisboa com uma hora de atraso. Culpa de quem?...»
Encontrado aqui. Reproduzo na íntegra, porque estas coisas acontecem muito mais vezes do que deviam e são graves, por isso têm de ser divulgadas.
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publicado por Ana Vidal às 22:47
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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007

Beleza masculina


A propósito das belezas masculinas que têm invadido este e outros blogs, aqui ficam alguns conselhos úteis para os que consideram ter menos atributos. Como vêm, toga e unhas limpas, nariz sem pelos e um cheirinho simpático, e as hipóteses são as mesmas para todos. Mas muita atenção à ferrugem nas fivelas!
"Mas não tenhas gosto em frisar com ferro o teu cabelo, nem rapes, com a aspereza da pedra pomes, as pernas; deixa que façam isso aqueles por quem a mãe Cibeleia é celebrada ao som de cantos ululantes.

Uma beleza desarranjada é o que fica bem aos homens.

A filha de Minos, Teseu a levou, sem ter a cabeça enfeitada com qualquer gancho; Hipólito, Fedra perdeu-se de amores por ele, e ele não era lá muito elegante; paixão de uma deusa foi Adónis, afeiçoado aos bosques.

É a limpeza que deve dar prazer, revele o corpo a pele tisnada no Campo de Marte; esteja a toga apresentável e sem nódoas; não deve usar-se calçado ressequido e não haja ferrugem nas fivelas, nem ande o pé a nadar, desengonçado, em pele largueirona, nem dê mau aspecto a cabelos enrijecidos um corte mal feito; sejam cabelo e barba aparados por mão firme; as unhas não devem dar nas vistas de compridas e devem estar limpas, e no nariz não deve haver qualquer pelo; não saia mau hálito de uma boca malcheirosa, nem atinja o nariz dos outros o fedor do macho e do pai do rebanho.

Quanto ao resto, deixa-o por conta das mulheres dadas ao prazer ou de qualquer homem que tenha o vício de possuir outro homem."
Ovídio, in A arte de amar

publicado por Ana Vidal às 20:01
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Sábado, 20 de Outubro de 2007

Men die first because they want to


E para que não me acusem de ser inflexível neste tema eterno e sempre quente "homens versus mulheres", aqui deixo um texto com graça - e com graça se dizem algumas verdades, há que admiti-lo - que me foi enviado por um amigo, suponho que como provocação, devida à onda feminista dos meus últimos posts. Mantive o inglês porque achei que se perderia muita da sua fina ironia na tradução. Os ingleses são exímios nessa arte.
Como vês, Manel, aqui está ele. Pronunciem-se. Palpitem. E viva o contraditório!


If you put a woman on a pedestal and try to protect her from the rat-race… you’re a male chauvinist.
If you stay home and do the housework… you’re a pansy.
If you work too hard… there’s never any time for her.
If you don’t work enough… you’re a good-for-nothing scum bag.
If she has a boring, repetitive job with low pay… this is exploitation.
If you have a boring, repetitive job with low pay… you should get off your lazy arse and find something better.
If you get a promotion ahead of her… that’s favouritism.
If she gets a job ahead of you… it’s equal opportunity.
If you mention how nice she looks… it’s sexual harassment.
If you keep quiet… it’s male indifference.
If you cry… you’re a wimp.
If you don’t… you’re an insensitive bastard.
If you make a decision without consulting her… you’re a chauvinist pig.
If she makes a decision without consulting you… she’s a liberated woman.
If you ask her to do something she doesn’t enjoy… that’s domination.
If she asks you… it’s a favour.
If you appreciate the female form and frilly underwear… you’re a pervert.
If you don’t… you’re gay.
If you like a woman to shave her legs and stay in shape… you’re sexist.
If you try to keep yourself in shape… you’re vain.
If you don’t… you’re a slob.
If you buy her flowers… you’re after something.
If you don’t… you’re not thoughtful.
If you’re proud of your achievements… you’re full of yourself.
If you aren’t… you’re not ambitious.
If she has a headache… she’s tiered.
If you have a headache… you don’t love her anymore.
If you want it too often… you’re oversexed.
If you don’t… there must be someone else.

Men die first because they want to.

Juntei uma musiquinha adequada a esta declaração de guerra masculina: Le Ballet (Celine Dion). Dancemos, pois.


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publicado por Ana Vidal às 12:00
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Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007

Contra a pobreza




(Clique nas imagens para aumentá-las e ler as legendas)

Também por cá temos pobreza, e muita. Assustadoramente crescente, e não ao contrário. Ver aqui, nesta notícia.

publicado por Ana Vidal às 12:59
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Sábado, 13 de Outubro de 2007

Descubra as diferenças II


Doris Lessing, a octogenária que acabou de ser agraciada com o Nobel da Literatura, foi apanhada de surpresa por jornalistas ao sair do supermercado, no bairro londrino onde vive. De sacos na mão, afogueada e com o carrapito meio desmanchado, disse a um deles, divertida: "Eu achei estranho, realmente, tantos repórteres por aqui... mas, como neste bairro se filmam muitas novelas (soap operas), pensei que estavam cá por causa disso. O que não me passou pela cabeça é que era por mim!"
Comoveu-me a total ausência de vaidade, a bonomia, a sábia relativização das coisas deste mundo. E lembrei-me, inevitavelmente, de outro laureado a quem os louros subiram, literalmente, à cabeça. Adivinhem quem.
publicado por Ana Vidal às 15:13
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Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007

Basta!


Aplaudo, sem reticências nem pruridos, a atitude de Santana Lopes na SIC. Alguém tinha que fazer o que ele fez, um dia qualquer. Alguém tinha que mostrar-se ofendido com uma atitude ofensiva como esta que o levou a levantar-se e sair do estúdio, em directo. Todos os dias assistimos a estes absurdos televisivos: interrompem-se convidados a meio de uma frase para saltar para uma qualquer notícia de futebol, por mais insignificante que seja. Esta era-o, claramente: a chegada de um treinador de futebol ao aeroporto, vindo de um sítio qualquer e a propósito de nada.

Alguém tinha que tomar uma atitude que demonstrasse o disparate dos critérios que as televisões adoptam por causa da guerra de audiências. Quantas vezes já nos fizeram engolir, como notícia de abertura de noticiário, a publicidade mais descarada aos programas de entretenimento dos canais? Quantas vezes já vimos interromper directos interessantes com patetices sem explicação, fazendo perder o fio à meada a quem estava a desenvolver um raciocínio e a nós, que o seguíamos? Mas o poder dos media é tão grande que ninguém se atreve a afrontá-lo, com medo de perder a hipótese de ser de novo convidado (e de novo interrompido, muito provavelmente). Só Pedro Santana Lopes, que, valha a verdade, nunca primou por atitudes politicamente correctas, teve a coragem de dizer "basta!".

Sei que se vai dizer que é mais uma forma de PSL chamar as atenções para si próprio, que é uma birra "à Santana", etc. Como queiram. Desta vez tiro-lhe o chapéu, porque fez o que tinha que ser feito, fosse por quem fosse. Só tenho pena que não tenha sido outra figura, com maior credibilidade e com menos telhados de vidro, a impor algum respeito às televisões. Mas a verdade é que Pedro Santana Lopes - de vez em quando e entre muitos tiros no próprio pé - dá uma lição de coragem aos seus maiores críticos.
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publicado por Ana Vidal às 16:55
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Sábado, 1 de Setembro de 2007

Flautista precisa-se


O governo diz que não precisamos de nos preocupar, pelo menos por enquanto, com a invasão de ratos espanhóis . Mas eu não fico descansada. Sei lá se não serão da ETA...

Pelo sim pelo não, acho que devíamos contratar já um bisneto do flautista de Hamelin. E, já que cá vem, aproveitar o cachet e pedir-lhe para levar também os ratos que por cá andam, sobretudo os que se acham donos dos nossos celeiros.
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publicado por Ana Vidal às 23:39
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Quinta-feira, 30 de Agosto de 2007

Diálogo de surdos


O COMENDADOR
Vamos lá ver se chegamos a um common sense. Será que o homem não diz coisa com coisa, ou será que o defeito é meu?
Em Joe Berardo, os nossos repórteres encontraram alguém à sua altura: eles fingem que perguntam, ele finge que responde.

Nota: "Pescado" no BlogoExisto, de João Pinto e Castro.
Depois não digam que sou só eu que embirro com o homem.
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publicado por Ana Vidal às 03:21
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Sábado, 25 de Agosto de 2007

Filiações

Perguntam-me porque é que, na minha lista de links, tenho blogs de esquerda e outros de direita. E porque é que, nos meus posts, umas vezes me pronuncio a favor, e outras contra, as ideias de uns e de outros. E perguntam-me qual é, afinal, a minha orientação política.
E agora pergunto eu: porque é que hei-de ter uma? É obrigatório?
Não vou dizer que sou apolítica - tudo é política, afinal - mas sou garantidamente apartidária. Disse-o logo na declaração de princípios que aqui deixei, no primeiro dia deste blog. Gosto de ser livre. LIVRE. Livra!
Será assim tão difícil de perceber? Valorizo actos, ideias e carácteres, e muito mais raramente ideologias e estatutos. Dou preferência a Gente. Apaixono-me por Pessoas e por aquilo de que elas são capazes, em todos os sentidos. Pela capacidade que tantas vezes têm de me surpreender e de me ensinar. Desconfio de Grupos organizados que queiram disciplinar-me o pensamento e os passos. E dou razão a quem acho que a tem em cada momento, seja de esquerda ou de direita, do norte ou do sul, do Benfica ou do Sporting.
Sou individualista e rebelde, eu sei: dificilmente adiro, dificilmente me encaixo, dificilmente acato. Gosto de pensar pela minha própria cabeça, mesmo quando estou errada. E aceito as consequências que daí advêm, nem sempre simpáticas. Mas ofereço e exijo respeito.
Na vida militar, seria um desastre: mataria ou morreria de asfixia, porque a obediência cega não me convence nem me verga. Das utopias, já gosto. Dos improváveis. E até dos supostos impossíveis.
É assim que eu sou. Por isso não me peçam filiações.
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publicado por Ana Vidal às 12:42
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Terça-feira, 21 de Agosto de 2007

Eufémia transgénica

Tenho acompanhado, como todos os portugueses, o inacreditável caso da ceifa terrorista de um campo de milho privado e legal, transgénico ou não. Esperei uma atitude imediata de condenação deste óbvio acto de vandalismo, mas nada. Sócrates, do alto do seu eterno Olimpo, nem se dignou tocar no assunto. O ministro da Agricultura titubeou, a GNR desculpou-se com a falta de BIs para uma correcta identificação dos manifestantes (!!!!!), o agricultor lesado praticamente não foi ouvido (será que vai ser indemnizado, ao menos?).
Não há muito mais a dizer sobre este assunto, no mundo da blogosfera. Muitos têm tratado o tema à exaustão, de forma séria, com opiniões sustentadas sobre factos comprovados. Não tenho a pretensão, portanto, de acrescentar muito ao que já foi dito, redito e visto de todos os prismas. Sugiro a leitura desta notável recolha feita pelo Afonso Reis Cabral, no Janelar, a quem ainda não saiba toda a história. E limito-me a fazer uma brevíssima reflexão. Mais de 30 anos após o 25 de Abril - 33 anos de democracia plena (ainda que bamba e imatura, às vezes) - constato esta coisa extraordinária: que ainda não nos livrámos de um terrível complexo de esquerda que nos acompanha desde esses inflamados anos da revolução.
Ficamos paralisados perante um acto de puro terrorismo e não conseguimos condená-lo inequivocamente, porque no nosso espírito pairam ainda as Catarinas Eufémias, mártires desses tempos idos. Aliás, não foi por acaso que este pretenso "movimento" recebeu o nome de Verde Eufémia. Como se fosse a mesma coisa, agora. Como se um grupelho de meninos urbanos em férias, não identificados e de cara tapada, fosse comparável aos trabalhadores rurais de então, mouros de trabalho e muitas vezes humilhados, que exigiam uma vida mais digna, embora claramente manipulados por uma máquina partidária implacável e bem afinada que se encarregava de manter ao rubro o ódio aos patrões, antes latente.
Não, ainda não nos livrámos desse complexo de esquerda. Do medo de sermos apelidados de fascistas ou de sermos conotados com uma direita saudosista, só porque nos insurgimos contra a selvajaria explícita e gratuita. Contra a justiça feita pelas próprias mãos, num estado de direito. Esquecemo-nos de que o agricultor cuja seara foi destruida não é um latifundiário ricaço e arrogante, mas um homem de trabalho. De muito trabalho e de muito esforço e de muita luta, como só quem ainda teima em fazer agricultura neste país é capaz. Ao pobre homem não bastavam os imponderáveis de um clima em permanente mutação e a concorrência de uma comunidade europeia onde todos os outros são mais poderosos do que ele. Não. Tinha de levar ainda com um bando de verdes eufémios a brincar aos ceifeiros, para inglês ver. Ou para Bloco ver. Não é justo. Podiam antes ter ido queimar os carros dos paizinhos, que também poluem e também fazem mal à saúde. Mas isso já não tinha graça. Os transgénicos é que estão a dar. Uma pergunta: Não estará esta Eufémia, assim verde e reencarnada 30 anos depois, também ela geneticamente modificada?
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publicado por Ana Vidal às 23:53
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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007

Aplauso


É tão vulgar ouvirmos e lermos notícias sobre nepotismo, corrupção, mau uso de dinheiros públicos, etc, que já estranhamos, infelizmente, as notícias que nos falam de gente influente que junta, ao poder, o altruismo e o carácter.
Mas, de vez em quando, uma dessas notícias vem dizer-nos que nem tudo é mau, que ainda há pessoas que não só não se deixam corromper como pensam, em primeiro lugar, no bem comum.
Foi o caso dos administradores do Hospital Pedro Hispano, de Matosinhos. A notícia é de ontem, e fez-me ir para a cama com mais fé na humanidade: tendo visto negado o pedido para uma verba que lhes permitisse comprar equipamento importante para o Hospital, os administradores do Pedro Hispano prescindiram de uma outra verba, essa aprovada, para compra de novos carros para si próprios. Em vez disso, usaram esse dinheiro para comprar o tal equipamento em falta, que permitirá ao Hospital atender melhor os seus utentes e classificar-se como uma unidade mais moderna e eficiente.
O meu aplauso a estes administradores, e espero que este exemplo incentive muitos outros a dar, como eles o fizeram, uma lição de carácter a todos os que usam o poder para a promoção pessoal. Ainda que o façam de uma forma autorizada e perfeitamente legal.
publicado por Ana Vidal às 17:31
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Domingo, 5 de Agosto de 2007

Imagine


Desculpem a insistência, mas ando numa onda de Pedro Guerra. Nada a fazer, é uma coisa recorrente. São óptimas as músicas, as letras e os arranjos, e a voz é desconcertante de tão intimista e sem artifícios.

A verdade é que me dá um enorme prazer ouvir este eterno menino que faz música como gente grande e com gente grande da música (e até uma banda sonora chamada Mararia, para o filme do mesmo nome, que recomendo a todos). Os primeiros cd's - Golosinas, Tan cerca de mi, Raiz e Mararia - continuam a ser os meus preferidos.

Aqui fica a canção "Las gafas de Lennon" (do Golosinas), para todos os que viveram a euforia dos Beatles e de um tempo mágico, em que tudo era possível.

E ainda é, digo eu. Apesar de improvável.
Subam o som e ouçam:
http://www.goear.com/listen.php?v=7427fa0
(tem que ser assim, o GoEar parece que continua de férias)
publicado por Ana Vidal às 13:16
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Quarta-feira, 1 de Agosto de 2007

Parabéns, Ney

Ney Matogrosso faz hoje 66 anos. Parabéns!

publicado por Ana Vidal às 10:42
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Enzima da amizade

Este post é uma gracinha especial para a minha amiga Regine Limaverde, cientista e poeta do Brasil, que me escreveu agora mesmo da Suécia. E que vem a Portugal de passagem, por um dia só, antes de voltar para casa.
Cá te espero, querida. Tudo a postos para te receber: até uma passadeira vermelha já encomendei, de Lisboa ao Estoril...
Enzima

Existe uma enzima
dentro de mim.
Sendo enzima
quebra e constrói
e sua ausência
em meu peito dói.

A baixo pH
poderá se desnaturar
não quero que isto
aconteça.
Nesse sentido
hei de trabalhar.

Minha enzima
me enche de poesia.
Tece laços energéticos,
ataca pontos estratégicos,
me ilumina, me fermenta.
Com ela eu rio,
de tristezas esqueço.
Sinto que vôo, cresço.

Ela não requer
energia de ativação,
o meu coração basta
para iniciar a reação.

Não tem porção metálica.
Não precisa de cofator.
Ela foi feita sob medida
à base de muito amor.

É eterna, não se acaba,
é única
e é rara.
E me é muito cara.

É. Existe uma enzima
dentro de mim
e eu amo
essa enzima.

(Regine Limaverde)

PS: Gostou da surpresa, amiga?
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publicado por Ana Vidal às 00:13
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Sábado, 28 de Julho de 2007

Roleta russa


Para quem, como eu, não conhecia praticamente nada sobre este problema, a enviada especial deste blog no Brasil conta o que se passa por lá.
E ainda nós nos queixamos...


publicado por Ana Vidal às 00:26
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Sexta-feira, 27 de Julho de 2007

Zoom

Definitivamente, a política não aguenta ser vista à lupa. O zoom é quase sempre um espectáculo sórdido.

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publicado por Ana Vidal às 09:04
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Sábado, 21 de Julho de 2007

Em casa de ferreiro


Em recente post no blog Da Literatura, intitulado PORTAS QUE ABRIL FECHOU, Eduardo Pitta dá-nos conta da compra da editora Caminho pelo grupo económico liderado por Pais do Amaral, com o consequente despedimento de 35 funcionários e o exílio (para o Cacém) dos sobreviventes.
Tudo isto porque a imponente moradia da Av. Gago Coutinho onde funcionava a Caminho, propriedade do PCP, albergará a curto prazo a novel fundação do nobel Saramago.

Não só lamento e estranho o absoluto silêncio dos sindicatos quanto a esta situação - em casa de ferreiro, espeto de pau - como muito me intriga a escolha de Saramago: não teria sido mais lógico eleger Madrid, capital da Ibéria, para sediar a sua fundação? Na geografia segundo Saramago, Lisboa será, quando muito, uma cidade de recreio. Nada que se compare, portanto, à importância de tão ilustre ibero.
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publicado por Ana Vidal às 04:08
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Quarta-feira, 11 de Julho de 2007

Confiança cega


Post de DJ no Bar Velho, que aqui transcrevo por me parecer fundamental divulgar estes atentados à nossa privacidade, cometidos por quem devia defendê-la mais do que ninguém - os bancos. Os call-center são soluções baratas, eu sei, que poupam nos funcionários contratados, eu sei, mas é absolutamente inadmissível este diálogo numa instituição que se preze.



«Conversas reais

Conversa real estabelecida entre mim e a linha do Millennium BCP esta tarde:
- Millennium BCP, muito boa tarde, em que posso ser útil?
- Gostaria de activar o Tele MB para a TMN, sff.

- Estou a falar com o Sr. X?

- Sim.

- Está a falar com Y. Como está?

- Bem obrigado. Como está?

- Bem obrigado. Quer activar o Tele MB, certo?

- Certo.

- Qual é a rede a que quer associar o serviço?

- TMN.

- Qual é o número em causa?

- 96 xxx xx xx.

- Quais são os quatro dígitos do seu telecódigo?

- Desculpe?

- Qual é o seu telecódigo?

- Mas porque quer saber isso?

- Tem que mos dizer para poder activar o serviço.

- Desculpe, mas quer saber o meu código? Acha mesmo que alguém no seu perfeito juízo vai dar um código que permite realizar operações bancárias, a uma pessoa que não se conhece de lado nenhum?

- O senhor não me conhece, mas pode confiar em mim.

- Eu? Desculpe lá, nós estudámos juntos, vamos para os copos, ou algo parecido? Eu nem sei se você é loira, se é morena, quanto mais se é de confiança.

- Mas o senhor não tem confiança no Millennium?

- Se quer que lhe responda com sinceridade, não.

- Então porque tem cá o dinheiro?

- Dá jeito para receber transferências, dado muita gente e muitas instituições terem conta no Millennium.

- Mas não confia no banco?

- Não.

- Mas em mim pode confiar. Você pode não me conhecer, mas sou de confiança.

- A senhora não vê televisão? Toda a gente aconselha a não dar os códigos a desconhecidos. E mesmo que ninguém dissesse isso, alguém com o mínimo de juízo e bom senso saberia que não se deve dar os códigos a desconhecidos. Por acaso quer que lhe diga os meus códigos dos meus cartões e os códigos de acesso a esta linha?

- Não! Não! Isso é muito diferente!

- Então posso ou não posso confiar em si?

- Pode confiar em mim. Sou funcionária do banco, sou de confiança.

- Minha senhora, em 385 chamadas que já fiz para esta linha, 380 acabaram com uma reclamação minha. Acha que posso confiar em si?

- Em mim pode, não posso responder pelos outros.
- Espero que já tenha entendido que não lhe vou dar o meu telecódigo.

- Não compreendo porque não confia em mim...

- Quero falar com o supervisor, sff.

- Mas porquê? Está a duvidar de mim?
- Minha senhora, não tenho que duvidar ou deixar de duvidar de si. Não dou um algarismo que seja a pessoas que não conheço de lado nenhum.
- Por favor, peço-lhe que não me ofenda. Pode confiar em mim e no banco.

- Passe-me ao supervisor, sff.

Chamada passada ao supervisor. A mesma ladainha. Chamada desligada por falta de paciência e de confiança no Millennium e nas suas pessoas, com a especialidade de, na chamada com o supervisor, este ter dito que nos conhecíamos porque tinha resolvido um problema meu há quatro meses atrás e que eu tinha motivos para confiar.»
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publicado por Ana Vidal às 12:56
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Cais sem Colunas


Alguém me explica onde foram parar as históricas, maravilhosas colunas de pedra do Cais das Colunas?
É que, com as eternas obras do metropolitano afogado do Terreiro do Paço, muitos lisboetas já se devem ter esquecido da existência delas. E parece-me que a ideia é mesmo essa.
Eu não me esqueci, e quero-as de volta. Mas as originais - que contam tanto da história da cidade como se Lisboa escrevesse um livro de memórias - e não duas cópias baratas, feitas à pressa para disfarçar o desaparecimento.
Tudo acontece neste país de brandos costumes, tão brandos que os responsáveis por este tipo de estranhos acontecimentos nunca são chamados à pedra. Que tristeza.
Nota: Fotografia de Annie Assouline
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publicado por Ana Vidal às 02:07
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Segunda-feira, 9 de Julho de 2007

Portugal desconsulado


Associo-me ao protesto contra o encerramento do Consulado de Portugal em Sevilha, um espaço nobre e privilegiado numa das mais importantes cidades de Espanha, que o governo português tenciona entregar de mão beijada ao Ayuntamiento de Sevilha.

O encerramento implica a perda de um edifício histórico português, que foi construído para albergar o Pavilhão de Portugal na Exposição Universal de Sevilha de 1929 e cuja propriedade pertence ao estado português há quase um século.

Proponho que tentemos todos impedir este atentado, denunciando e divulgando a situação por todos os meios ao nosso alcance.
Não chega já de asneiras?
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publicado por Ana Vidal às 00:32
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Quinta-feira, 5 de Julho de 2007

Entrelinhas


Recebi de um amigo este autocolante por e-mail, com a indicação de que está colado um pouco por todo o lado (carros, paredes, etc.), no Brasil. Se lhe retirarmos a palavra senadores (figura que ainda não existe por cá) parece-me que serviria perfeitamente também a nós, portugueses.
Que tal começarmos a reagir, nem que seja pela ironia?
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publicado por Ana Vidal às 14:15
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Sexta-feira, 29 de Junho de 2007

O N que falta


Mais um N, senhor comendador, e teria nome de gente.
Não salto à liça para defender Mega Ferreira porque também não tenho particular simpatia por ele, e também porque ele não precisa das minhas defesas para nada. Mas o que quero dizer é que o senhor comendador, desde que tomou o país de assalto, todos os dias nos reserva algumas surpresas. Por causa de umas bandeiras não penduradas, acabou por pendurar nos paus-de-bandeira do CCB um cesto inteiro de roupa suja - ou mal lavada - em público. Não sei quem tinha razão nem é isso que está em causa. O que sublinho aqui é a falta de... tudo, que o senhor comendador revelou com a peixeirada que fez.
Nessa simples letrinha N, que alguém se esqueceu de acrescentar ao seu nome quando o registou, devem ter ficado a educação, a humildade, a discrição, enfim, a Nobreza que um verdadeiro mecenas das artes deve ter. Para si, o N só deve querer dizer Negócio. E para isso cá estamos nós todos, senhor comendador.

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publicado por Ana Vidal às 15:47
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Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

"Todo o mundo é composto de mudança"


De alguns amigos brasileiros, escritores e gente ligada às letras, tem-me chegado insistentemente, via e-mail, o texto que aqui transcrevo. Prevejo alguma polémica por cá, da parte dos mais desprevenidos e dos eternos renitentes às mudanças. Para esses, aqui fica uma sugestão do insuspeito David Mourão-Ferreira (suponho que ninguém questionará o seu amor pela língua portuguesa):

"É bom lançar ao fogo um velho dicionário
É bom o crepitar das palavras antigas
Adivinhar quais são as que por fim renascem
E que sabem voar ao sairem das cinzas" (...)

Tal como ele, defendo que uma língua é uma coisa viva. Por isso se transforma e adapta aos tempos, desde sempre. E é assim que deve ser, ou ainda estaríamos a falar o português de Gil Vicente!


« Alfabeto passará a ter 26 letras
Está para entrar em vigor a unificação da Língua Portuguesa que prevê, entre outras coisas, um alfabeto de 26 letras. "A frequência com que eles leem no voo é heroica!". Ao que tudo indica, a frase inicial desse texto possui pelo menos quatro erros de ortografia. Mas até o final do ano, quando deve entrar em vigor o "Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa", ela estará corretíssima. Os países-irmãos Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste terão, enfim, uma única forma de escrever. As mudanças só vão acontecer porque três dos oito membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) ratificaram as regras gramaticais do documento proposto em 1990. Brasil e Cabo Verde já haviam assinado o acordo e esperavam a terceira adesão, que veio no final do ano passado, em novembro, por São Tomé e Príncipe. Tão logo as regras sejam incorporadas ao idioma, inicia-se o período de transição no qual ministérios da educação, associações e academias de letras, editores e produtores de materiais didáticos recebam as novas regras ortográficas e possam, gradativamente, reimprimir livros, dicionários, etc.
O português é a terceira língua ocidental mais falada, após o inglês e o espanhol. A ocorrência de ter duas ortografias atrapalha a divulgação do idioma e a sua prática em eventos internacionais. Sua unificação, no entanto, facilitará a definição de critérios para exames e certificados para estrangeiros. Com as modificações propostas no acordo, calcula-se que 1,6% do vocabulário de Portugal seja modificado. No Brasil, a mudança será bem menor: 0,45% das palavras terão a escrita alterada. Mas apesar das mudanças ortográficas, serão conservadas as pronúncias típicas de cada país.
O que muda: As novas normas ortográficas farão com que os portugueses, por exemplo, deixem de escrever "húmido" para escrever "úmido". Também desaparecem da língua escrita, em Portugal, o "c" e o "p" nas palavras onde ele não é pronunciado, como nas palavras "acção", "acto", "adopção", "baptismo", "óptimo" e "Egipto". Mas também os brasileiros terão que se acostumar com algumas mudanças que, a priori, parecem estranhas. As paroxítonas terminadas em "o" duplo, por exemplo, não terão mais acento circunflexo. Ao invés de "abençôo", "enjôo" ou "vôo", os brasileiro terão que escrever "abençoo", "enjoo" e "voo". Também não se usará mais o acento circunflexo nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus decorrentes, ficando correta a grafia "creem", "deem", "leem" e "veem". O trema desaparece completamente. Estará correto escrever "linguiça", "sequência", "frequência" e "quinquênio" ao invés de lingüiça, seqüência, freqüência e qüinqüênio.O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter 26, com a incorporação do "k", do "w" e do "y" e o acento deixará de ser usado para diferenciar "pára" (verbo) de "para" (preposição).
Outras duas mudanças: criação de alguns casos de dupla grafia para fazer diferenciação, como o uso do acento agudo na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito dos verbos da primeira conjugação, tais como "louvámos" em oposição a "louvamos" e "amámos" em oposição a "amamos", além da eliminação do acento agudo nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia".
Antônio Houaiss
Nota: A escrita padronizada para todos os usuários do português foi um estandarte de Antônio Houaiss, um dos grandes homens de letras do Brasil contemporâneo, falecido em março de 1999. O filólogo considerava importante que todos os países lusófonos tivessem uma mesma ortografia. No seu livro "Sugestões para uma política da língua", Antônio Houaiss defendia a essência de embasamentos comuns na variedade do português falado no Brasil e em Portugal. »

Não sei qual o prazo previsto para que este acordo entre em vigor, mas parece que está para breve. Se assim for, é bom que nos vamos habituando à ideia (e não - idéia)...
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publicado por Ana Vidal às 11:41
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Domingo, 17 de Junho de 2007

À mesa de um blog


Bem observado, este post de Eduardo Pitta: Da Literatura: DOMINGO . Os blogs, hoje em dia, cumprem a mesma função dos cafés de antigamente. E, tal como antes, cada um só convida para a sua mesa quem quiser que lá esteja.
Porque há mesas para todos os gostos: desde as elitistas dos cafés chiques, onde o grupo está formado, de pedra e cal, e ninguém mais pode perorar (são os blogs que não admitem comentários) até às mais saloias dos cafés de bairro, em que cabe sempre mais uma cadeira, por isso qualquer desbocado pode entrar na tertúlia e dizer alarvidades de sua justiça. Entre estes dois extremos, há variações possíveis e interessantes. Por exemplo, a de pôr na rua, sem contemplações, os convivas que não saibam comportar-se à mesa, sorvam o café com ruído, palitem os dentes ou agarrem na xícara de dedinho empinado, enquanto dizem baboseiras. O Porta do Vento tende para esta opção, mas, como ainda anda nesta vida de cafés há pouco tempo, por enquanto bebe uma bica aqui, um galão acolá. E assim, de mesa em mesa, há-de encontrar os seus pares e fazer um dia a sua.
Até lá, todos poderão vir dar uma espreitadela e dizer como gostam da torrada. E, porque hoje é domingo, a bica é por conta da casa.
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publicado por Ana Vidal às 17:11
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Game over


Falo ainda (e espero que pela última vez) do pé-de-vento que se gerou em torno do "alegado" (?) plágio dos Gatos.

Já que me meti nesta história (e nela fui citada), não quero deixar de apresentar aqui o trabalho exaustivo e de tratamento jornalístico exemplar feito por Pedro Fonseca, no seu Contra Factos & Argumentos:


Isto, sim, é não ser preguiçoso. Por mim, fiquei finalmente esclarecida.

Game over


Nota 1: Já confessei que sou assídua seguidora do humor dos Gato Fedorento, mas não gosto de intocáveis. É uma questão de princípio. Além disso, quem usa como matéria prima os ridículos e os podres dos outros, tem que admitir ser criticado também e não pode reagir mal. É do mais elementar bom senso.

Nota 2: Deplorável foi a falta de gosto e de sentido de humor de Luis Pereira de Sousa, um dos convidados do último episódio. Quis mostrar fair-play e fazer uma gracinha, e ofereceu aos Gatos uma ratazana nojenta, engaiolada. Por amor de Deus, homem!!! Foi de um mau gosto atroz, além de revelar uma total incapacidade para a subtileza.

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publicado por Ana Vidal às 12:04
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Sábado, 16 de Junho de 2007

Translate this blog


Admito que estou um bocadinho viciada em widgets, ou, como diz a FL com graça, em "amaricar o blog".
Mas desta vez não foi por vício que adicionei as traduções a este espaço. É que descobri, pasmem!! - eu ainda estou de queixo caído - que até no Japão há quem venha espreitar a Porta do Vento! (presumo que sejam portugueses migrantes, mas, just in case...).
Assim, amigos de todo o mundo, espero que isto vos facilite a vida. As traduções são miseráveis, aviso já, mas é o que se pode arranjar. As mais fiáveis são sempre do inglês para outros idiomas, mas eu ainda escrevo em português.
Et voilá!
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publicado por Ana Vidal às 12:43
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Quinta-feira, 14 de Junho de 2007

Aviso à navegação


Para quem me lê (família, amigos e alguns incautos que aqui vieram parar por engano) aqui fica este aviso à navegação:
Quem é que disse que este blog era para ser lido sem comentários??? Ora essa, não concordo nada com isso! Por acaso já leram a minha Declaração de Princípios? Então vão lá atrás, vá lá...
Não me considero dona da verdade, não espero aplausos nem gosto de falar de cátedra, sobre nenhum assunto. As opiniões que exprimo neste blog não passam disso mesmo: opiniões minhas. E serão sempre necessariamente pobres se não forem confrontadas com outras, se não houver algum eco.
Escrevo porque essa é a minha forma de expressão, por necessidade íntima. Mas também por necessidade de partilha. E isso, meus caros, é o que me tem faltado aqui: ultimamente sinto-me a falar sozinha. Não pretendo transformar este blog numa intriga de comadres, mas gostaria muito que quem por aqui passa (e eu sei que passam alguns, vejo pela maquineta infernal que instalei lá em baixo...) deixasse comentários, provocações, massagens de ego, acusações, seja o que for.
A propósito disto, lembro-me de um tio que vivia numa quinta isolada lá para os lados da Serra da Estrela, a quem perguntaram uma vez: "Então como vai isso, lá no fim do mundo? Não te faz falta um amigo?". Ele respondeu, com um suspiro fundo: "Um amigo? Inimigo que fosse, caramba!".
Ora eu estou na mesma. A solidão é dura, gente, mesmo a virtual. Por isso acordem, reajam! Prometo responder. Só um pedido: identifiquem-se. E se não quiserem falar em público, mandem-me uma mensagem. Simples, não?
publicado por Ana Vidal às 18:44
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