Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Semibreves

Ana Vidal

 

 

 

 

Cinzas 

 

Foram-se os dias mais iluminados 

as breves bebedeiras, os rastilhos

os projectos de livros e de filhos

ou de altos pinheiros nunca plantados 

 

Esgotou-se o tempo no olhar mortiço 

antes bravio, livre, amotinado

e do frémito ardente do passado

ficaram só as cinzas. Foi-se o viço 

 

do antigo sorriso. E a palavra 

solta e rebelde, hoje é tão comum

como o suspiro que entre rugas lavra 

 

E por fim, cruel como nenhum 

o último vigor que a alentava:

foram-se os ódios todos, um a um.

 

 

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Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Semibreves

Ana Vidal

 

 

 

Civilização

 

Hoje acordámos algures entre o Tigre e o Eufrates, e do mais alto zigurate contemplámos o mundo. Deixámo-nos cobrir de ouro e pedrarias e, com as asas de Enlil, voámos sobre Ur como pássaros deslumbrados. Eu dei-te o sagrado nome de Dumuzi e tu chamaste-me Inanna, tua rainha. E descobrimos em nós o mar primordial, os ancestrais tesouros que tínhamos guardados, sem o sabermos, na montanha cósmica da nossa memória. Hoje fomos inspirados Hammurabis, bordando palavras novas em pedra, para que nunca mais as esqueçamos e os vindouros saibam, um dia, que as proferimos. Hoje selámos promessas com licores e tâmaras tão doces como as nossas bocas recém-despertas. E depois esculpimo-nos em pedra negra com mãos aventureiras e livres, nessa pedra tão misteriosa como a origem do Tempo, sombreando a nácar e a lápiz-lazuli o brilho fascinado dos nossos olhos. Por fim, coroámo-nos imperadores do Sonho, porque os astros nos disseram que só ele persiste e permanece, mesmo quando tudo o mais se desfaz em ruínas. 

Hoje inventámos uma civilização. A nossa.

 

(Imagem: René Magritte - L'art de la conversation)

 

 

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Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Nudez

 

Dispa-se primeiro, atentamente, toda a desatenção. Não é indiferente que se dispa a indiferença, logo depois. A seguir, ainda que seja a medo, dispa-se os medos que os anos costuraram até formar uma capa pesada, sufocante. Defenda-se o espírito de todas as defesas. Desmascare-se cada máscara, cada disfarce. Desproteja-se o corpo da ilusória protecção das cicatrizes.  Da guarda armada das cautelas, guarde-se distância. Liberte-se a alma dos desalmados pesos que a vestiam. Lance-se ao vento, desfeitos, velhos preitos e preceitos. Limpe-se os olhos de brumas e de escolhos, os ouvidos de ruídos, a boca de palavras ocas. Dispa-se dos gestos as gestas do passado. Dispa-se da última derme o verme da vaidade. Por fim, dispa-se depressa a pressa, que é preciso saber esperar. E só então, vestindo devagar uma nudez total, se pode receber uma lua inesperada.

 

(Imagem - René Magritte)

 

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Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Fénix

 

No dia em que tudo ruiu, fez-se à estrada. Não olhou para trás. Não procurou entre as cinzas, soterrados nos escombros de uma vida, sonhos desfeitos que ainda pudessem respirar. Não socorreu memórias sobreviventes, deixou-as asfixiar no fumo que sobrou da grande fogueira que tinham ateado, ainda inconscientes da catástrofe que se avizinhava. Passou por cima de gestos e de palavras, pisou sorrisos agonizantes com os pés nus, já calçados para a viagem. Escorraçou todas as lembranças que teimavam em agarrar-se-lhe à pele e afugentou fantasmas, velhos conhecidos, a quererem passar para lá da porta de entrada. Ou de saída. Só de saída, nesse dia. Lavou das narinas os cheiros familiares, expulsou dos olhos as imagens coloridas de arcos-íris passados, sacudiu das mãos o velho ímpeto de arrumar uma vez mais o caos, de repor a ordem, como sempre fizera. Não aplacou os demónios que bailavam por todo o lado, enfim vitoriosos, seguros do seu poder. Por uma vez, deu-lhes tudo o que exigiam. Fechou a porta atrás de si e atirou a chave para longe. Lá dentro, por detrás da madeira triste, uma vida acorrentada. Não levou nada, não queria nada. De seu, só uma indómita e urgente vontade de partir. Tudo o resto ficou para trás, e nunca mais lhe fez falta.

 

 

(Imagem: René Magritte)

 

 

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Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

Fugas

 


Lembras-te? Nesse dia, tudo nos fugia. Fugiam-nos as palavras, as belas, doces e sensuais palavras guardadas durante tanto tempo, cuidadosamente, amorosamente, em papel de seda como jóias raras. Fugiam-nos as palavras e deixavam-nos ali, frente a frente, estranhamente nus e vazios, sem elas. Fugiam-nos os olhos para o horizonte, porque, se os cruzássemos, seriam dardos, seriam labaredas, seriam punhais tão poderosos que nos matariam ali mesmo, sem remédio, num hara kiri conjunto. Fugiam-nos as mãos para objectos e bolsos, com medo de encontrar-se por um segundo que fosse, por um segundo que fosse, por um segundo que fosse. As mãos sabiam que era imperioso manterem-se distantes e ocupadas, e por isso desenhavam curvas no ar, enrolavam cabelos, comprimiam diligentemente o miolo do pão, em gestos inocentes e nervosos, que tentavam desesperadamente contrariar a eterna lei da atracção das coisas, dos corpos, das vontades. Fugiam-nos as lembranças para um tempo perdido no tempo, para um lugar que já não existia, que talvez nunca tivesse mesmo existido, a não ser na nossa prodigiosa imaginação. Fugia-nos a voz para cavernas de medo e de silêncio, sabendo que o mais ínfimo som libertado se transformaria, de imediato, numa sinfonia imparável, magnética, gloriosa, capaz de arrasar montanhas e esvaziar oceanos. Fugia-nos o chão debaixo dos passos, hesitantes e teimosamente paralelos, cuidando de que não houvesse o menor perigo de convergência. Fugia-nos o passado, o presente e o futuro, deixando-nos suspensos num limbo impossível.  Fugíamos nós, enfim, mestres de todas as fugas. Fugíamos um do outro, dos outros e de nós próprios. Fugíamos, convictos. E nunca mais nos encontrámos. E nunca mais nos perdemos.

 

(Imagem: René Magritte)

 

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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Imolação

 

Primeiro, calámos a orquestra, que insistia em envolver-nos de notas quentes, lânguidas, festivas. Incendiava-nos sem pedir licença, lavrava por dentro de nós uma melodia hipnótica que nos privava de toda a vontade. Por isso lhe pegámos fogo, lentamente, meticulosamente, deixando que as lágrimas nos dançassem nos olhos ao som da música que se esvaía como sangue de um pulso dilacerado. Do allegro ao requiem.

 

Mas ficaram as palavras. Mesmo sem os sons que as vestiam de encantamento, ficaram as palavras. Havia que queimá-las também na mesma pira ardente, como  viúvas do Ganges no seu sati. E assim lançámos às chamas as palavras, nuas, indefesas, tremeluzindo numa despedida muda.

 

Mas ficou o silêncio. Um silêncio ensurdecedor, feito de cinzas, povoado pelos fantasmas de todas as notas e de todas as palavras que tínhamos morto inutilmente. Um silêncio que alastrou como rastilho e se riu de nós, descarado, terrível, satânico. Era imperioso emudecê-lo depressa e por isso queimámos o silêncio, já sem forças para tanto sacrifício.

 

Mas ficámos nós.

 

 

(Imagem: René Magritte - La Belle Captive)

 

 

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Sábado, 27 de Dezembro de 2008

Sete

 

Abre as portas, amor, e acolhe o mar que te espera lá fora. Olha-o de frente: as sete ondas da maré levar-te-ão sete recados meus, sete perguntas a que nunca respondeste, sete lágrimas que por ti chorei, sete desejos que nunca chegaste a conhecer. Deixa que as ondas venham morrer a teus pés, sem pressa, dóceis como gueixas. Agora, escuta-as bem.

 

A primeira, dir-te-á que não há fuga ou ausência que te afastem de mim.

A segunda, levar-te-á aquele riso iluminado que te fazia voltar à infância.

A terceira, avivará em ti a memória daqueles dias em que o mundo foi só nosso.

A quarta, levantará no ar a espuma de todo o tempo que perdemos.

A quinta, será um afago leve da minha mão, brisa apenas, arrepio.

A sexta, arrancar-te-á um suspiro fundo, num beijo imaginado.

A sétima, incendiará de lembranças o teu corpo imóvel, já liberto.

 

Abre as portas, amor, e olha o mar. Houve um tempo em que ele foi a nossa única testemunha. Agora, é a nossa única memória. Olha-o nos olhos: cada onda levará até ti sete saudades, vezes sete, vezes sete, vezes sete…

 

 

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Sábado, 6 de Dezembro de 2008

Mais alto

 

 

 

Construímos o nosso castelo sobre a mais alta escarpa do sonho, no cume da utopia. Pedra a pedra o moldámos, exigentes. Era a perfeição que nos guiava os gestos, escancarando aos nossos olhos incrédulos a sua eterna insatisfação. Quisemos que a nossa morada fosse única, inimitável, irrepetível. Ninguém teria um castelo igual ao nosso, mágico baluarte de um segredo que só nós conhecíamos. Nenhum mortal tocaria as estrelas como nós, nenhum ser vivo saberia jamais como deixá-las escorregar por entre os dedos, como brinquedos dos deuses que éramos. Inebriava-nos o ar puro que só nós respirávamos, a voz do vento que cantava só para nós. Gravámos uma divisa sobre a porta: Mais Alto.

 

E subimos sempre mais alto, mais alto, mais alto.

Tão alto, que a queda nos foi fatal.

 

 

(Imagem: Le Chateau des Pyrenees, de Magritte)

 

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Domingo, 16 de Novembro de 2008

Matéria

 

E no entanto, meu amigo, não é de evidências, mas de intangíveis, que se faz essa fugaz matéria a que chamamos amor. Faz-se de uma substância estranha, mutante e imprevisível, apenas materializada na surpresa que de repente nos devolve o espelho: um corpo que desconhecíamos, um olhar perplexo. Faz-se de um súbito sobressalto que nos invade as entranhas, um imperioso capricho da pele, um inapelável desassossego. Faz-se de um gesto irreprimível, todo languidez e impotência. Faz-se da essência dos rios, correndo em curso livre até se precipitarem num mar que nunca viram, mas sabem ser o seu único destino. E faz-se da placidez dos lagos. Faz-se da beleza terrível de um incêndio, da voragem de um tornado, do mortífero poder de um raio. Faz-se de clarividência e de cegueira, de lucidez e de loucura. Faz-se de júbilo e de angústia. Faz-se de pudor e de lascívia. Faz-se do mais magnífico festim e da mais insuportável solidão. Faz-se de glória e de miséria, de riso e de pranto, de cobardia e de audácia, de música e de silêncio, de luz e de sombra. Faz-se de guerra e de paz. De vida e de morte. De tudo. De nada.

 

(Imagem: René Magritte - Liaison Dangereuse)

 

 

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Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

Abrigo

 

A casa respira.

Aqui se pariu…

 

A casa conspira.

Aqui se sonhou…

 

A casa transpira.

Aqui se amou…

 

A casa suspira.

Aqui se morreu…

 

 

(Imagem: O Império da luz - René Magritte)

 

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Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

A duas mãos

 

Vou dizer-te uma coisa, e tu vais prometer-me que não a dizes a ninguém, a ninguém.  Vou dizer-te uma coisa, e tu juras que não acreditas nela, ou não acreditas em toda ela. Vou dizer-te uma coisa, porque tenho uma indomável vontade de te dizer coisas, muitas coisas, de dia, de noite e entre os dois. Todos os dias.

 

Vou contar-te um segredo, e tu vais prometer-me que o guardas para ti, só para ti. Vou contar-te um segredo, e tu juras que fazes dele um rio, um mar, um mundo. Vou contar-te um segredo, porque tenho uma indomável vontade de transformar palavras em flores, para que as uses ao peito num ramo colorido, de dia, de noite e entre os dois. Todos os dias. E quero que só tu saibas que essas flores são palavras, e que essas palavras são o meu segredo.

 

(Nota: O primeiro parágrafo não é de minha autoria,. Faz parte de um texto  poético, lindo, que me foi dedicado. O segundo é uma resposta a esse texto, e espero que façam sentido juntos.)

 

 

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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

Ponto de fuga

 

Um dia destes ganho coragem e salto a janela. Passo uma perna, sem pressas, sobre o peitoril familiar; depois a outra, talvez ainda mais devagar, avaliando o risco e todas as consequências futuras dessa loucura, uma por uma. Ou então faço tudo de repente, com a urgência dos cobardes e dos desistentes, que se precipitam no vazio porque temem arrepender-se. E porque preferem entregar-se à sorte, pensando que ao menos terão a fatalidade como álibi e o destino como culpado a quem apontar o dedo. Um dia destes aproveito uma qualquer pedrada certeira para acabar com as dúvidas e estilhaçar utopias, feitas dos pálios e das fanfarras que sustentaram no seu pedestal uma ilusão de liberdade. Um dia destes atiro para uma mala todas as lembranças, todas as memórias, todos os sonhos vividos, desejados ou apenas temidos, e levo tudo comigo para a derradeira aventura. Não faltarão cheiros, cores, sabores intensos, sol e chuva, terra e mar, muito mar. Tudo isso irá comigo, porque tudo isso se me colou à pele com os anos e já faz parte de mim. Um dia destes reaprendo a dizer lareira, mesa, pão, vinho, consoada, linho, lã, aconchego. Está decidido. Um dia destes salto a janela e volto para casa.

 

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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

Liquefeito

 

Dir-te-ia que as águas subiram hoje de novo numa maré tão festiva como inútil porque de novo o navio se fez ao mar sem ti de velas desfraldadas num despudor que ainda te celebra. Dir-te-ia que de tanto fitar o horizonte os meus olhos confundiram já todos os azuis e fundiram todas as formas e refundiram todas as sombras. Dir-te-ia que as fronteiras se diluem sem retorno esbatidas pela maresia e pelo tempo. Dir-te-ia que me adormece o suave balanço das ondas no sussurro manso deste mar eterno que me deixaste de presente talvez para compensar a tua ausência. Dir-te-ia que sou já pedra búzio alga areia estrela-do-mar e que me vou habituando a este corpo mutante e a esta nova pele tão facilmente como me vou desabituando de ti. Dir-te-ia que as brumas já não me assustam e que a ronca do velho farol me canta ao ouvido canções de embalar à noite quando me abraça o nevoeiro imitando os teus braços longos de pirata. Dir-te-ia que a nossa casa me escorre agora da memória, desabitada e nua. Dir-te-ia amor que o nosso mundo se liquefez.

 

(Imagem - René Magritte, O Sedutor) 

 

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Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

Imaginação

 

 

Invento-te, sim. Quero-te ainda interrogação, ainda mistério, ainda e sempre desafio. Dispo-te as peles que usas, uma a uma, para vestir-te aquela que teci para ti. O meu olhar atravessa os muros que ergueste à tua volta, inúteis esconderijos a espicaçar-me a aventura da descoberta. Vejo-te à luminosa transparência da imaginação. Dou-te asas leves: voa! Dou-te olhos atentos: vê! Dou-te uma rota segura: a que te trará de volta um dia, ágil condor que atravessou montanhas e desertos para se encontrar e me encontrou, afinal.

 

(Imagem: René Magritte)

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Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

Nas tuas mãos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Reinventa-me tu. Dou-te pincéis e tintas de todas as cores, uma tela em branco e, mais do que tudo isso, a imensa liberdade de me recriares à tua medida. Redesenha-me: dá-me olhos menos inquietos, mãos menos aventureiras, braços que embalem tudo menos sonhos. Dá-me pernas imóveis, que não acabem em pés andarilhos. Pinta-me o corpo de um tom de mármore belo e pálido como o das estátuas antigas, em que todo o ardor se transformou já em História. Não te detenhas nos cabelos, deixa-os inacabados. Podem ganhar vida própria e enlear-te como algas, e tu sabes como é perigosa a maresia. Evita a curva do pescoço, e foge dos pormenores no peito e no ventre. Passa a correr pela boca, aí todo o cuidado é pouco. Um último aviso: não me pintes um coração nem um cérebro. Porque, se o fizeres, eu volto a construir-me como era.

(Imagem - René Magritte, "Tentando o Impossível")



 

 
publicado por Ana Vidal às 14:51
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