Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

 

"Soltem a Parede!" 

 

Se houvesse um top para o outdoor mais espatafúrdio da propaganda para as Autárquicas, aquele seria o número 1.

 

Em frente à Praia da Parede, e também num outro meio escondido atrás de um majestoso ulmeiro no Parque Morais, aparecia a patética figura de Ambrósio Teodoro, esgueirando-se por um buraco recortado no esferovite e ao lado, num estilo gráfico a fazer lembrar o "Star Wars", a frase "Soltem a Parede!" apelidada pela oposição de "slogan sem pés nem cabeça inspirado num concurso apresentado por um sem-pescoço".

 

Pondo-se a jeito dos seus inúmeros detractores, Ambrósio aparecia no cartaz como que vestido à Noddy, de camisinha Hugo Chavez vermelha, calções Pinto da Costa azuis e gorro Malan Bacai Sanhá na cabeça, um gorro que usava tanto na fila do Minipreço como numa ida à ópera, porque havia que desviar a atenção de uma calvície de aparência bizarra, que ganhava terreno acima das orelhas e junto à nuca.

 

Ambrósio Teodoro, 65 anos, paredense de gema, tinha fundado o MISPA - Movimento Independente Soltem a Parede três meses antes, numa casa de banho do MacDonald's a meio de uma convulsão intestinal após ter amarfanhado três Big Mac's.

 

A família foi a sua base de apoio.

Tal como dizia a matriarca dos Cadaval y Teodoro, Benedita, 126 anos de vida, "enquanto o Ambrósio estiver entretido a chatear os paredenses, não nos chateia a nós".

E o seu avô, nascido em 1834, batia-lhe nas costas e concordava com a sua menina, antes de sair para o seu jogging matinal.

 

A imbecilidade dos Cadaval y Teodoro tinha origem desconhecida.

A longevidade poderia se alicerçar na inquestionável virtude dos ventos marítimos que embalavam a Parede ou, quiçá, numa alimentação equilibrada onde os iogurtes e as saladinhas de pinhão davam o mote.

 

Ambrósio Teodoro era a excepção à regra.

Devorava pizzas, massas, hamburguers, pataniscas de bacalhau, pipis e moelas, como se o mundo fosse acabar no minuto seguinte.

 

Agora andava na fase das sandes mistas, só para se ufanar com um gutural "quero uma sandes mista! Mista não! MISPA!" diante dos empregados, metamorfoseando-se entre freguês e caçador de fregueses para a sua freguesia.

 

Na Parede, em Cascais, no Estoril até, todos conheciam, desprezavam e apedrejavam Ambrósio Teodoro, figura de repulsiva imagem, abominável carácter e flagrante inconstância política.

 

Tinha vestido e despido todas as cores.

A camisola do PSD.

Do PS.

Da CDU.

Defendera os Khmers Vermelhos, o Black Power, a Squadra Azzurra, o Greenpeace, e até o cabelo do Herman.

 

Valha a verdade, Ambrósio nunca desistiu.

E aí está ele a concorrer à Junta de Freguesia da Parede com o seu MISPA.

 

Não estranhe se encontrar na Parede cartazes com uma bizarra figura com os seus 210 quilos, apertados numa parede recortada de esferovite, parecendo grávido de uma ninhada de São Bernardos.

 

Mais que o "Soltem a Parede!", parece um "Soltaram o Godzilla!", uma espécie de alerta da Protecção Civil para todos os paredenses.

Salve-se quem puder.

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Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

 

Manual para Escritores Lobisomens 

 

O que é necessário para se ser escritor?

Um misto de esforço e talento?

Imaginação desenfreada ou um caldeirão de vivências?

Viver exilado numa ilha vulcânica ou encetar relações íntimas com jovens escritoras brasileiras?

Ou, mais prosaicamente, um título que inclua a palavra "sexo"?

 

Não me leve a mal quem escreve profissionalmente e que ociosamente (em insano instante) me lê, mas dou grande relevância à última hipótese.

 

Não que seja necessário escrever a palavra "sexo" em todos os títulos, de todas as capas, de todos os livros, mas porque um bom título faz toda a diferença.

 

Espreite-se a obra dos dois pesos-pesados da literatura nacional, José Saramago e António Lobo Antunes:

 

Saramago é metafísica agnóstica com os seus "Ensaio Sobre a Cegueira", ou "O Homem Duplicado", ou ainda "o Evangelho Segundo Jesus Cristo".

 

Lobo Antunes é psicologia poética com títulos como o neófito "Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?"

 

Se quereis ser um Lobo da literatura, devereis atentar na necessidade de nomear uma obra com ideias aparentemente desconexas.

Cavalos no mar que fazem sombra aos peixes é, apesar de estúpido, brilhante.

 

"Que Farei Quando Tudo Arde? " resulta melhor na época de incêndios e "Eu Hei-de Amar uma Pedra" soa a toxicodependência, mas é tudo de uma imaginação prodigiosa que causa inveja nas entranhas de esforçados blogueiros como o pateta que escreveu estas linhas.

 

Há mais.

"Exortação aos Crocodilos", "Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura", "Os Cus de Judas" e por aí fora, numa demonstração de genialidade ímpar ou de consumo regular de estupefacientes.

 

Tentei snifar estes inspiradores sopros de talento, sem recurso a alucinogéneos e, ainda sem sinopses, esboços, rascunhos ou sequer rabiscos, tratei já de nomear os meus primeiros livros.

 

- "Morreu-se-me o Amor Quando Chamo o teu Nome"

 

- "Aos Olhos do Céu os Homens Cegam na Terra"

 

- "As Cores da Alma Quando Canta"

 

- "Banho de Prata ou Chuva de Limalhas"

 

- "Já Se Matam Saudades Com Abraços de Urso"

 

Como se vê, não é fácil trilhar caminhos para ser um escritor Lobo.

Talvez seja mais livre de escolhos a perspectiva de ser um Lobisomem Escritor.

 

Seguir o sangue quente dos passos mundanos dos génios da literatura, quiçá namoriscar uma brasileira bem jovem, torneada sim, boas formas, mas melhor conteúdo, onde a inteligência abunda.

A bunda, sim.

Escritor é homem de grande ego, de grandes coisas.

 

O que é, então, necessário para se ser escritor?

Talvez um misto de Lobo e Lobisomem.

 

Não hei-de amar uma pedra mas escreverei, garantidamente, um livro intitulado:

"Em Terras de Verdade, Dar Abunda".

 

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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Lapsus Linguae

 

João Paulo Cardoso

 

Vota D. Sancho 

 

Domingo seremos chamados a votar.

Entregar-nos-ão uma tira de papel higiénico com uns 15 partidos, movimentos e coligações, uma série de émes e pês, sem mais nem porquês.

 

Há quem diga que é tudo o mesmo cócó.

 

Deve ser por isso que somos direccionados para uma casinha, com a tal tira de papel higiénico na mão, quer tenhamos ou não vontade.

 

Lá chegados, constata-se com espanto que não há uma sanita, uma retrete, um cagatório, um buraco no chão que seja.

Apenas uma caneta, ainda por cima amarrada a um cordel.

Isso tem razão de ser e eu já lá vou.

 

Antes disso, vista um casaquinho que vamos até ao Inverno do ano 1200.

Não se preocupe que voltamos antes do jogo com o Benfica.

 

(Enquanto viajamos para 1200, queria saber se está tudo bem aí por casa.

Está? Isso é que é preciso.

Então e este calorzinho de início de Outono, an?

Ah! Chegámos!)

 

No tempo dos reis é que era.

Ninguém nos chateava ao domingo para ir votar, no máximo seria dia para lavar o burro numa estação de serviço, ou espancar um ou dois mouros ao fim da tarde.

 

Não se escolhiam chefes de governo, porque era mais do que certo que seria o rei, e depois o filho, e o filho dele, às vezes um sobrinho, ou, em último caso, um bastardo.

 

Eu gosto da palavra "bastardo".

Soa-me a perversão, a forróbodó, até a labasquice.

 

"Ai, não sei quê, quem é que nos governa agora?"

"O bastardo!"

"Por mim tudo bem."

 

Em breve poderemos votar até por sms, mas naquela altura não havia telemóveis.

A cozinheira do reino chegava ao pátio do castelo, com uma enorme panela vazia às costas, batia-lhe com um presunto, e bradava para as ameias:

 

"O almoço vai ser servido!!!

Hoje é mão de vaca com feijão!!!"

 

E desatava tudo a correr escadas abaixo, empurravam-se e chamavam nomes uns aos outros.

 

Sobretudo àqueles que, nas torres mais altas, esventrados pela fraqueza, caíam lá de cima com fanicos que culminavam com uma violenta aterragem em cima da panela.

Ficaram conhecidos por um nome que ainda hoje vinga, quando se trata de enxovalhar rapazes que gostam de dar a panela...

 

Os únicos partidos que existiam, eram os que vinham das zaragatas com os árabes e algumas meninas menos afortunadas que iam buscar água a fontes mais distantes da aldeia.

 

"Mãe!! Partiram-me a bilha!!!"

"Valha-me nossa senhora!! Querem ver que vou ser avó aos 27 anos?!"

 

Não havendo partidos políticos, evitavam-se aqueles confrontos patéticos entre esquerda e direita, a não ser na hora de sentar à mesa com o rei D. Sancho, por exemplo...

 

"Meus amigos:

Vou-me sentar aqui ao centro, com esta vadia em cima do joelho, e vossemecês sentem-se à esquerda e à direita, que o javali vai já, já, ser servido!"

 

Os comensais esvaíam-se em júbilo, roncos de estômago e um ou outro traque.

 

"Viva D. Sancho que não se esquece do rancho!"

 

"Acontece que... meus súbditos... palhaços... labregos em geral..."

 

Silêncio.

Três ou quatro convivas escarafunchavam a penca, e caçavam macaquinhos que mastigavam discretamente para enganar a larica.

Foi assim que nasceu a pastilha elástica.

 

"Acontece que não há javali para todos.

Eu vou ficar com a parte maior e só porque noto que, com a fome, não vedes nada à vossa frente, e em terra de cegos, quem tem olho é rei.

O resto do javali... enfim... entendam-se!"

 

"Ah, partes iguais para todos!", clamaram os que se sentaram à esquerda.

"Não senhor! Mais javali para quem mais produz!", exigiram os da direita.

 

E teria sido assim que começaria a confusão, não fosse ter sido servida uma vinhaça do catano, que fez com que o assunto ficasse esquecido durante 800 anos.

 

Como se sabe, só em 1975 é que um grupo de barbudos revolucionários, apercebendo-se que o javali continuava a ser mal dividido, decidiu-se pela realização de eleições.

 

E então...

Ó JP, magnânimo historiador do reino de aquém e de além mar... porque é que existe uma caneta amarrada por um cordel nas "casinhas de voto"?

 

Nunca ouviu dizer que a caneta é uma arma?

 

Estipulou-se que o eleitor está autorizado (e peço já desculpa pela frase de duplo sentido que vem a seguir...) a enfiá-la com toda a força no olho de um rei ciclope que apareça por ali, mesmo que garanta ser dirigente do PPM.

 

O cordel é só para dar graça.

 

 

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Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

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João Paulo Cardoso

 

 

Os Políticos Fedorentos 

 

O tchuca-tchuca das audiências ameaçava deixar a SIC na gare de Carnaxide quando a estação abriu portas e janelas, para algo mais do que ver passar os comboios e apostou numa espécie de tapas televisivas para o serão, até porque está na moda piscar o olho a Espanha; começou com o Ronaldo e a tal Nereida.

 

Vai daí, a televisão da auréola multicolor, lançou petiscos como pataniscas de sereias em parede de esferovite, às vezes demolhadas em piscina, e o tal TGV que, presume-se Manuela Ferreira Leite não via nas noites de domingo.

 

Depois, a direcção de programas lembrou-se de uma patuscada que poderia abrir o apetite dos teleespectadores, as saladinhas de política light, com a série "políticos como nunca os viu, e vai-se a ver são parecidos com os seus vizinhos".

E a seguir, as entrevistas feitas por gatos que esmiúçam sufrágios.

 

O processo de tingimento da política, do cinzento para cor de rosa, para mostrar que "eles são humanos como nós", ainda agora começou, e o filão parece inesgotável.

 

Aqui vão algumas ideias:

 

"Votos de um Bom Lanche"

 

A SIC acompanha os lanches dos candidatos e transmite a ida de Sócrates a um salão de chá na Lapa e a luta entre a placa dentária de Jerónimo e um tenaz coirato na Festa do Avante.

Manuela Ferreira Leite e o método utilizado para deixar uma papa Cerelac bem fofinha e saborosa para o seu netinho é uma das edições mais esperadas.

"Eu gosto de mexer muito bem a papinha com esta colherzinha de pau, que já era da minha bisavó, e assim eliminar os grumos da papinha. O 'piqueno' até se derrete todo!!"

 

"Partidos no Ginásio"

 

Imagens de um Louçã suado no ginásio, Manuela molhada na piscina (ann... esqueçam), Sócrates com os bofes de fora no jogging, Portas a percorrer a Ovibeja de trotinete e Jerónimo numa luta corpo a corpo com... ann... deixem ver... um coirato na Festa do Avante, poderiam ser bons catalisadores de audiências.

"É a minha primeira vez de trotinete na Ovibeja, mas já cá estive anteriormente de patins. Pelo menos a julgar por anteriores decisões de antigosa dirigentes do CDS-PP. Mas voltei e aqui estou a deslizar como uma pena!"

 

"Políticos com Tomates"

 

Quais as preferências dos cinco principais candidatos às Legislativas no momento de escolher verdura para a salada?

Ferreira Leite preferirá o Minipreço e Sócrates, o Continente? Portas opta pelas lojas gourmet do El Corte Inglés?

Jerónimo de Sousa deverá ser mesmo fiel cliente da Reforma Agrária? Louçã manda a empregada ou vai ele à mercearia do Sr. António?

Como é que escolhem os tomates? Apalpando-os?

A palavra a Ferreira Leite:

"Prefiro apalpar os tomatinhos mais maduros que os verdes. Apalpar verdes parece-me coisa mais à CDU..."

 

"O Kamasutra de S. Bento"

 

As cameras da SIC no último reduto da intimidade dos candidatos.

Na hora de fazer o amor, qual a posição preferida de Jerónimo? Pela esquerda?

Manuela à direita?

Portas... bem ao centro?

Gemem? Guincham? Arfam?

Fazem coligações?

"Na cama, sinceramente, tanto sou o 'animal feroz' como o 'bonzinho', depende da disposição.

A iluminação do local é importante e a uma musiquinha de fundo também.

E vou confessar-lhe que gosto de uma boa marmelada no tapete da sala, junto à lareira, com o quentinho das chamas a aquecer o rabioche... é que eu sou beirão, sabe?"

 

"Palácio das Necessidades"

 

Com tudo já inventado, a SIC vai à casa de banho com os líderes políticos e fila tudo de todos os ângulos, mesmo os mais escabrosos.

Fica-se a saber que Manuela Ferreira Leite tem obstipação, Louçã leva com ele uma revista de palavras cruzadas, Sócrates gosta de ler a 'filosofia de wc' que pincela as casas de banho de centros comerciais, Portas deixa a porta aberta e fecha os olhos e... e Jerónimo?

Cá está ele, na casa de banho com dois cameramen camaradas...

"Pronto... era o que eu dizia lá fora. Quando acabo de urinar gosto de abanar assim o pirilau para a esquerda e para a direita... enfim, nem tanto para a direita... assim, estão a ver?... Podem filmar à vontade, não tenho vergonha... ainda não é caso para dizer 'foice o martelo', pois não?

Ah, ah, ah, era uma piada...

Ah, desculpem lá aquele pum, enquanto urinava, camaradas. Foi um coirato que comi há pouco na Festa do Avante..."

 

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Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

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João Paulo Cardoso

 

 

A boca do Inferno

 

Manuela Moura Guedes, está na cara, é uma mulher que gosta de lançar bocas.

 

Apropriadamente, escancarou-se pela primeira vez aos olhos (e ouvidos) dos portugueses na década das calças à boca de sino, como locutora de continuidade.

No princípio anunciava os programas que iam entrar na nossa televisão, no fim anunciou que saía da nossa televisão.

 

Em 1979, Moura Guedes anunciou bocas cantantes no Festival RTP da Canção onde, para sua tristeza, não estiveram os seus amigos Mick Jagger, dos Rolling Stones e Steven Tyler, dos Aerosmiths.

Face a estas ausências, Manuela encontrou motivo de regozijo no anúncio de vitória de uma homónima que tinha Bravo como apelido.

Manuela Bravo soava bem para caramba e o "Sobe, Sobe Balão Sobe", só podia ser um sinal para soltar o ego.

 

Assim, não demorou muito tempo para Manuela Moura Guedes começar a cantar, consagrando melodiosamente um tema escrito por Miguel Esteves Cardoso, "Foram Cardos, Foram Prosas".

Não confundir com "foram cardos, foram Prisas".

 

A partir daí sucederam-se outras experiências, sempre com muito rugido de fundo.

 

Experiências televisivas, com a apresentação nos anos 80 de "Berros e Bocas", e nos 90 com "Raios e Coriscos"...

Matrimoniais, casando com José Eduardo Moniz e inspirando dezenas de casais portugueses a mascararem-se em futuros carnavais de "Zé e Manela"...

E até políticas, com cheirinho a Nostradamus , quando foi deputada na assembleia, muito antes de ser deportada da TVI.

 

É na televisão das novelas e dos apresentadores vestidos em technicolor que MMG se transforma no leão da MGM e amplifica o seu rugido de fundo.

 

Há quem diga que preparava escrupulosamente as caçadas de sexta.

Que escolhia o chefe da manada como presa predilecta.

 

O que é certo é que alguém calou Manuela Moura Guedes.

 

A nível pessoal, evita que passe o serão das sextas-feiras a apanhar bibelots das Caldas que desfaleciam no soalho por causa da trepidação.

 

A outro nível, dizem que dá jeito ao governo.

Mas conheço dois ou três secretários de estado que, ainda hoje, tremem de cima a baixo quando passam de carro juntinho à Boca do Inferno, ali ao pé de Cascais.

 

O que diz o eterno marulhar das ondas insubmissas?

Porque choram as sereias em noite de lua cheia?

O que sabem as rochas açoitadas pelas vagas, escravas da rotina das marés?

 

E mais importante ainda...

 

Não se pode fechar aquilo?

Suspender?

Terraplanar para fazer uma auto-estrada?

 

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Sexta-feira, 31 de Julho de 2009

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João Paulo Cardoso

 

A Máquina do Tempo

 

Desta vez, optei descaradamente por plagiar um texto.

Um texto escrito por um tal João Paulo Cardoso há cerca de três semanas, num blog dedicado à nostalgia,"A Máquina do Tempo" (http://a-maquina-do-tempo.blogspot.com/).

Este regresso ao passado chama-se "O Malandrim" e espero que gostem.

 

"Poderia ter sido um bom actor, eu.

Não como um Isaac Alfaiate porque não tenho os joelhos tão bonitos, mas ao nível de um José Wallenstein, mais pela fuça do que pelas façanhas artísticas.

 

Todos já mentimos uma vez e todos fizemos asneiras em criança.

Mais do que uma vez.

 

A história que se segue aconteceu algures entre 1975 e 1980, na casa da minha saudosa avó Catarina.

Mais propriamente na cozinha.

 

Vovózita tinha ido às compras ao sr. Alberto, ainda hoje com a mercearia de pé, resistindo a supers, hipers e mega-mercados.

Trouxe pelo menos um saco cheio de coisas boas, daquelas a que um puto guloso não resiste, espreita e acaba por partir um ovo de uma caixa de meia dúzia.

 

Receoso de sentir o calor de umas palmadas bem dadas no rabo, tive uma ideia genial.

Fazendo fé em alguma taralhoquice da minha avó, engendrei uma realidade alternativa em que ela se tinha esquecido de comprar ovos.

 

Mas para isso era necessário desaparecer com os cinco ovos inteiros e um partido.

 

Então - notem no engenho da criança mais estúpida do que uma porta -, agarrei na caixa de ovos e atirei-a pela janela.

Um voo do 1º andar para o quintal da dona Olívia, a senhoria.

 

A existência de uma bela gemada entre as plantas de quintal não passou despercebida e lá veio o inevitável castigo para o malandrim.

 

Cerca de 10 anos mais tarde, vinha carregado com compras da cooperativa de consumo que fica ainda do outro lado da linha, quando vi a minha prima Zezinha uns metros à frente e, o que é que resolve inventar a esquizofrenia desta mente?

 

Um faz de conta que estou a esconder algo muito feio atrás desta roseira bonita.

Agora que, ao longe, a minha prima parece intrigada, faço uma expressão de pânico, desvio-me do seu caminho, e acelero o passo.

 

Não sei porque o fiz mas, como seria óbvio, a história chegou rapidamente aos meus pais e eu sem conseguir explicar o que se tinha passado, ou melhor, que não se tinha passado nada.

 

Ainda hoje não sei porque é que, quando não fazia asneiras, simulava que fazia asneiras.

Apesar de imensamente pateta, poderia ter sido um bom actor, eu."

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Sexta-feira, 24 de Julho de 2009

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João Paulo Cardoso

 

 

O Regresso do Menino da Lágrima 

 

Faltavam poucos minutos para que, depois de anos em lista de espera, o Menino da Lágrima fosse finalmente atendido no Serviço de Oftalmologia do Hospital de Santa Maria.

Felizmente, no último momento, foi salvo pela Coca Cola Light.

 

Mas quem é o Menino da Lágrima?

Porque chora?

Quem são os seus pais?

Estará a fazer birra porque partiu o Magalhães?

Ou levou com o chinelo porque não comeu a sopa de espinafres?

 

Pintado pelo italiano Bragolin ou - noutra versão - pelo espanhol Franchot Seville, em 1969, retrata um miúdo sem família, cujos pais morreram num incêndio, tendo ficado completamente ao abandono e maltratado por tudo e por todos.

Chuif... Chuif...

Possivelmente ficou com uma fagulha eternamente alojada nos olhinhos.

 

Reza a lenda que o menino, além de desgraçado, é causador de desgraças, pior que um gato preto para cá e para lá debaixo de um escadote numa sexta-feira 13 com lua cheia.

Diz um padre da altura que ele, só por existir, provoca incêndios.

 

Como é que alguém que deita o Niagara pelos olhos incendeia meia Espanha como acontece neste momento, é que estou ainda para saber.

 

Outra lenda avança que o pintor vendeu a alma ao Diabo, acordo do qual haviam resultado os lacrimejantes meninos.

Sim, porque há mais.

Existem pelo menos 56 versões, ou seja, milhares de catraios choramingas por esse mundo fora.

 

Não se sabe se são conjuntivites ou simplesmente remelas, mas aquela que ficou conhecida como a Síndrome de Bonga, tem levado a uma corrida generalizada aos serviços oftalmológicos de todo o mundo.

 

Em Portugal, os meninos chorões seriam atendidos no Santa Maria, mas o Ministério da Saúde, por razões que saltam à vista, equacionava transferir as crianças para locais mais seguros como os pavilhões de soldadura na Siderurgia Nacional, quando a Coca Cola Light interveio.

 

Caía o Carmo e a Trindade se alguém na Casa Pia tivesse anunciado que recebia gaiatos piegas em troca de bebidas gaseificadas.

Como é a Coca Cola ninguém diz nada, mas a mim ninguém me atira areia para os olhos.

E se atirarem, não me apanham a usar Avastin.

 

Questionado se havia esperança para as seis pessoas que tarde se candidataram ao papel de figurantes no "Ensaio Sobre a Cegueira", o director clínico do Santa Maria terá respondido um vago "vamos ver, vamos ver".

 

Além do Menino da Lágrima há outras coisas que não vemos há muito tempo e ainda bem.

Desapareceram de vista os naprons por cima das televisões a preto e banco.

Os galos de Barcelos que previam o tempo.

A Olga Cardoso.

 

Também não se sabe o que é feito do ET e se, tal qual o Zé Maria, teve uma oportunidade na televisão para mostrar que sabia fazer ovos estrelados.

 

Há quem diga que o cabeçudo enrugado, vagamente parecido com o Andre Agassi, se entregou à droga, requisita metadona de quando em vez e arruma carros em Alcântara.

Faz pela vida, é o que é.

E em terra de cegos, quem tem um olho é rei.

 

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Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

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João Paulo Cardoso

 

 

O Homem na Lua 

 

O homem chegou à Lua, já lá vão 40 anos, mas são ainda inesquecíveis as palavras de Lance Armstrong, vencedor da última etapa da corrida espacial entre os Estados Unidos e a União Soviética:

 

"Este é um pequeno passo para o homem, mas um salto gigantesco para a humanidade.

Querida, deixei a luz do candeeiro da mesa de cabeceira acesa."

 

Lance Armstrong é amiúde confundido com Louis Armstrong, mítico jazz singer do século XX e até com um tal de Neil Armstrong, um desconhecido talhante do Arkansas, conhecido como "o primeiro homem na rua".

Isto depois de cinco meses sem pagar a renda do estabelecimento.

 

Chegar à paisagem lunar de bicicleta parecia, de facto, uma proeza irrepetitível.

Até que, nos anos 80, Elliott e o seu amigo ET repetiram a dose.

Eu próprio já lá fui duas vezes montado numa motoserra.

 

A Lua fica a 384 mil e 405 quilómetros da Terra, ou seja, é ainda mais longe do que ir de Lisboa a Vila Franca de Xira, mas sem portagens.

 

Não se pense, no entanto que se trata de uma SCUT, uma estrada sem custo para o utilizador.

Basta ver o que o milionário/parolo português, Mário Ferreira, vai ter que pagar para lá dar uma voltinha e fugir da mulher.

O que é que aconteceu ao "Querida, vou ali comprar tabaco" ?

 

Mais fácil é compreender a Lua do que uma mulher.

O satélite natural da Terra só tem quatro fases; de quando em vez volta a ser nova e, mesmo quando cheia, é elogiada por poetas e lobisomens, revitalizando a auto-estima.

 

Os leitores mais desbocados e brejeiros deste blog (se os houver) poderão sempre acrescentar que a Lua também tem mais buracos.

É verdade.

Mas há coisas que nunca mudam mesmo com (aparente) falta de gravidade:

A maior parte deles continua a ter acesso interdito, anda-se a saltitar ali há volta e pouco mais.

 

As diferenças entre o sexo feminino e a Lua são de tal ordem, que nenhuma mulher se disponibilizou para lá ir na primeira viagem.

Vamos que a bela da astronauta parte um salto.

Há que convir que um sítio sem 77 sapatarias em centros comerciais não tem nada de apelativo.

 

E é por estas e por outras que a Sonae ainda não tem um Full Moon Shopping Center ou um Forum Marte.

Preferiu antes investir em Tróia e os preços para lá chegar são, cada vez mais, de outro planeta.

É que nem de bicicleta...

 

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Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

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João Paulo Cardoso

 

 

O Fantasma de Michael Jackson 

 

Tenho frio, falta-me o calor dos aplausos.

Era feito de pele, osso e botox, agora sou só anti-matéria, another part of me.

Um espectro.

 

Um espectro descuidado.

A CNN filmou-me na mansão de Neverland, tal qual um smooth criminal, a caminho da casa de banho para aliviar a bexiga.

Ah pois... já não tenho bexiga.

 

Não que me restasse muita coisa, sei que estava cada vez mais parecido com um dos mortos-vivos do "Thriller", mas tenho uma human nature, eternamente insatisfeito, don't stop 'til get enough, neste caso em relação à imagem, obsecado com o man in the mirror.

 

"Avistado o fantasma de Michael Jackson"...

 

Fantasma já eu era há muito tempo.

Um espectro com frio.

Don't scream.

 

Vou ter saudades dos meus filhos.

We are the world.

Não esqueço os bons momentos, que foram muitos, remember the time dos abraços, das corridas entre risinhos, debaixo de casacos e véus escuros, protegê-los dos holofotes, off the wall.

 

Sei que dizem que eles não são bem meus filhos, como se fosse tudo black or white, ao mesmo tempo que condescendem em relação ao mais novo, o mais parecido comigo.

"Tem o nariz do pai", escreveram.

 

E é literalmente verdade, confirmo-o.

Eu passava a vida a dizer ao Prince Michael "não apanhes porcarias do chão", mas o sacana do puto era reguila, bad mesmo.

 

"Vai lavar os dentes, Prince Michael!"

"Leave me alone!"

 

"Não faças mal à mana e deixa a girafa, Prince Michael! A girafa é minha."

"Mas the girl is mine!"

 

"Não brinques com os comprimidos do pai, Prince Michael!"

"Vai levar na bilha!"

Enfim, um amor de criança.

 

Vou ter saudades deles.

Não consigo descrever the way you make me feel.

Eu continuo rock with you, beat it.

Velo por vocês.

You are not alone.

 

Agora sou um fantasma, um espectro.

Já vos disse que tinha frio?

No lado de cá adoptei a personalidade de Billie Jean, uma liberian girl.

 

Os outros não se importam, acham que se era bizarro em vida, não o deixaria de ser na morte.

Na verdade, they don't care about us.

 

Mas para mim esta é one more chance, wanna be startin' somethin'.

Longe dos paparazzi à procura de blood on the dance floor.

 

Por enquanto não quero heal the world, nem sequer ser o rei da pop espírita.

Não que eu tenha desistido de ser o centro das atenções, apenas custa um pouco adaptar-me a este mundo sem paredes, sem palcos, sem analgésicos.

 

Gostavam de ver mais de mim?

A sério?

Se aparecer, mesmo como fantasma, will you be there?

 

Já a pensar nisso, tentei há pouco ensaiar o moonwalk, ou melhor, um ghostwalk, mas está complicado.

Invariavelmente a manobra termina comigo a levitar e a dar um pontapé nos óculos do John Lennon.

 

Isso.

Smile.

É esse o espírito.

 

Corrijo:

Sou eu o espírito.

Um fantasma, um espectro.

 

Um espectro com frio.

Querem ver que estou a chocar uma Gripe A?

Vou perguntar ali ao Elvis onde é a farmácia.

 

 

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Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

No País dos Recordes

 

Gloriosa nação de Portugal!

 

500 anos depois, o nosso país volta a ser uma potência mundial, pelo menos em matéria de recordes no Guiness Book, com a preciosa ajuda do grande macho latino com ar de ursinho de peluche, Tony Carreira, esse trovador dos novos tempos.

 

Milhares de pessoas estiveram no Parque da Bela Vista à volta das chamuças e coxinhas de frango, sumóis e tintol, no maior piquenique do mundo.

Aplaudiram o Tony no maior aplauso do mundo e fizeram tanto lixo que também conseguiram encher o maior ecoponto do mundo.

 

Tal como Martin Luther King, neste momento da nossa história "I Have a Dream".

 

Sonho com novos recordes, inebriantes momentos de júbilo e fogo-fátuo.

Anas Malhoas, caldo verde e sacos azuis.

Fios de prata pendurados numa mata de pelos, gente que diz "prontos" e jogos de matraquilhos.

 

Meus amigos, este é o momento!!

 

Não devemos deixar que a inércia abrande esta dinâmica de vitória nascida à sombra de um pinheiro, numa toalha aos quadradinhos, entre morcelas e pudins flan!!

 

Venha comigo e ajude-me a organizar o próximo recorde do mundo!!

 

No caso, "O Maior Número de Tugas nos Centros Comerciais Vestindo Fatos de Treino".

 

Para já, só posso adiantar que vai ser a um domingo, em dia de eleições, que é para que ninguém tenha sequer a veleidade de faltar.

 

Ainda pensei convidar o Kenny G. para a animação musical, já que a música de elevador não difere muito da dos centros comerciais mas, lá está, como é dia de eleições, alguém poderia gritar "no blow job for the boys!"

 

Pessoalmente sou obrigado a concordar que não é muito bonito ver homens tão entusiasticamente empenhados a soprar num instrumento, mas isso sou eu, que não percebo nada de aceleração de partículas nucleares.

 

Matando o Kenny, ressuscitei a Barbi.

 

A Barbi é uma moçoila lá do bairro que não canta nada de jeito, mas que tem uma prateleira e uma bagageira mais imponentes que as da citada Ana Mamalhoa e, parecendo que não, neste tipo de espectáculos para a populaça, é mais importante ter uma artista com a capacidade de um contentor de Alcântara do que com a qualidade de um fadista de Alfama.

 

Além da Barbi e dos assegurados comes e bebes, no caso com a colaboração da McDonald's, Companhia das Sandes, Pizza Hut e Farturas Tialice, o importante é mesmo que apareçam muitos, bué da pessoal, resmas de people, vestidos de fato de treino.

 

Sofisticados, surrados, Adidas vintage ou Rio Boque da Feira da Ladra, às risquinhas, estampados, descosidos, largueirões ou daqueles que realçam as bochechas do rabo, não importa.

 

Espero sim que sejam muitos, mais que as mães, e que Deus providencie um lindo terramoto que os leve a todos.

 

 

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Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

 

A Amareleja e o Turismo Pateta

 

Está decidido e não consigo esconder a excitação, o que se torna verdadeiramente incómodo quando ando de Metro:

As minhas próximas férias vão ser na Amareleja.

 

Tal como gosto de reservar uma semaninha no Natal para visitar um primo esquimó, ou apanhar escaldões no deserto com um grupo de folclore beduíno com quem travei amizade durante um fim de semana radical em Buenos Aires, porque não passar o Verão na Amareleja?

 

Se há o turismo de massas (que consiste em cotovelinhos e fusilis a banhos no Algarve), o turismo rural (dividir cama com um burrico numa herdade alentejana), o turismo radical, cultural e até espacial, porque não este tipo de turismo a que chamei... ann... pateta?

 

O expoente máximo deste tipo de turismo surreal, absurdo e estúpido como uma porta, está então agendado para o período de canícula, lá para Julho, ou Agosto.

Ou Novembro.

Ou em qualquer outra altura porque estamos em Portugal, recentemente confirmado como país tropical.

 

Estão formalmente convidados para 15 dias de loucura na aldeia mais quente da Europa, quiçá do Alentejo.

Um amigo meu, a que carinhosamente chamamos Palhaço, já disse que ia sim senhor, porque entende que lá anda tudo em cuecas, factor potenciador de amizade e algo mais.

Tratando-se das cuecas dele e relembrando o acampamento de 1985 em Tróia, eu diria "algo mais badalhoco".

 

Com uns belos 47ºC em 2003, se não me falha o mercúrio do termómetro e o disco rígido da cachimónia, já na última sexta-feira a bela aldeia alentejana alcandorou-se aos 41 graus que, com jeitinho, já vai dando para estrelar um ovinho no alcatrão.

 

Prevendo de antemão uma corrida a esse paraíso de férias do concelho de Moura, distrito de Beja, tratei de reunir o máximo de informação possível sobre a Amareleja, costumes, língua, moeda oficial, pontos de interesse, descontos no Minipreço, essas coisas.

 

Na internet, agradeço desde já a prestimosa ajuda e apoio psicológico da Cidália Guerreiro e do seu blog "Amaralejando", a que acedemos digitando no rectângulozinho http://amarelejando.blogs.sapo.pt/.

Se poderia ter posto aqui um link?

Poder podia, mas não era a mesma coisa.

Até porque a internet só funciona de segunda a quinta no Alentejo, depois está fechada.

 

Fiquei então a saber no "blog onde se deve falar de Amareleja e dos amarelejenses" que a aldeia e os skaters estão orgulhosos dos seus painéis solares, que são assim a modos que uma tablete de chocolate branco enterrada no meio da planície...

 

... que um dos pratos tradicionais é o "Caldo de Espinafres com Bacalhau"... (podia ser pior)

 

... ou que as origens de tão belo e colorido nome estarão explicadas num documento de 01 de Abril de 1695, onde se fala de um tal "Lugar de Nossa Senhora da Conceição de MARELEJA".

Atendendo à data do papel bolorento, a coisa até deverá ser mentira but... who cares?

 

Importante mesmo é fazer com que o Turismo Pateta floresça radioso como um girassol e, nesse sentido, já ando a fazer a mala com aquele entusiasmo próprio deste tipo de férias.

 

A Teresa Guilherme recomendava num concurso que provocava aneurismas que nunca se esquecesse a escova de dentes.

Na mala do turista que pretende visitar a Amareleja, interessa mais uma boa colecção de cuecas.

Farei com que o Palhaço não se esqueça disso.

 

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Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

 

Ave Lusitânia 

 

Como costuma dizer, e com razão, o meu vizinho chinês da loja Xiao Ming Lang, "Poltugal é um país develas culioso!"

 

Além de ser um país dito "culioso", Portugal é um país de velas.

 

Velas ao vento à descoberta de novos mundos, na epopeia quinhentista que guindou a nação lusitânia ao topo do mundo.

Velas acesas à espera de milagres, no lento definhar ao sabor da crise, quinhentos anos depois.

 

Poderia ser mais uma pérola da milenar cultura mandarim mas é lema saído da peculiar filosofia de vida deste vosso escriba.

Apontem que não duro sempre; sou vela a arder há um bom tempo, um rio de cera afogado pelas chamas.

 

"Do cume da glória avista-se o vale do destino"

 

Na espuma dos dias, marejados pelo sucesso, vem à tona um oráculo apenas interpretado pela gesta de escolhidos, normalmente poetas, nas vielas desprezados, nas naus agrilhoados à rota de especiarias, ouro, prata e marfim.

 

Portugal atingiu a glória de velas ao vento.

E de velas se faz o caminho no vale do destino.

 

Na quarta-feira foi feriado, Dia de Portugal, já sem velas ao vento.

O meu vizinho chinês da loja Xiao Ming Lang foi trabalhar.

 

Na quinta-feira foi outra vez feriado, Corpo de Deus.

E lá foi ele trabalhar, vender velas aos mais católicos.

Procissão de fé, esgotados ouro, prata e marfim.

 

Afinal de contas, do cume da glória avista-se o vale do destino.

 

Os antepassados do meu vizinho inventaram o papel.

E muito papel ganham eles vendendo velas aos portugueses.

 

Portugal é um país "develas" curioso.

Ave Lusitânia.

 

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Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

As Europeias

 

Pedem-me uns senhores que eu nunca vi, mas que se assumem como paladinos da democracia, que este domingo, dia 07 de Junho, não fique sentado no sofá e vá votar nas Europeias.

Como sou bem mandado resolvi votar já hoje.

 

Votaria nas espanholas que se vestem para matar, gastam duas horas do serão, frente ao espelho, antes de sair de casa mas, por outro lado, votar em "nuestras hermanas" é desaconselhável.

Os negócios de família costumam dar mau resultado, basta olhar para o Boavista. Além disso, as Carmens têm muito 'salero', prejudicial para o coração.

 

Voto então nas francesas, que ascendem na horizontal a lugares de poder, sobretudo se forem afinal italianas, modelos, cantoras e mais altas que os consortes para impor respeito.

Rainhas da líbido sem rédeas, as Michelles, assim que chega o Verão, colocam as mamocas de fora, fazem rimar ménage com bavaroise e beijam com mais sucção que o aspirador lá de casa.

Afinal também não voto aqui.

 

As italianas são de sangue quente e curvas perigosas.

Apresentadoras, actrizes, deputadas, embaladoras de chouriços, tudo ali transpira sensualidade.

Infelizmente a irascibilidade das Giovannas, que gritam "putana" a cada 30 segundos, deita tudo a perder.

Próximas...

 

Alemãs e inglesas só mesmo no Algarve, com o Zezé Camarinha.

As Ingrids têm mais cabedal que o Mercado do Pinhal Novo e as Margareths são muito deslavadas e eu gosto de bifas mais bem passadas.

Passo.

 

As suecas são altas, louras e de olhos azuis.

Um pouco frias e de difícil comunicação, a menos que cantem os êxitos dos Abba.

Dífícil dizer que não às Vilmas, a não ser pelo facto de gostar de dormir com as luzes apagadas, algo impossível no país do sol da meia-noite.

 

Restam, entre outras, as belezas de leste, que sucedem a espanholas, primeiro, francesas, depois, italianas a seguir e, nos anos 80 as suecas, como perdição dos machos europeus.

Checas, húngaras, polacas - generalizando uma vez mais - são aparentemente perfeitas, traços delicados, olhos claros, formas perfeitas e adeptas de umas boas palmadas, a avaliar pela mãe da pequena Alexandra, alías Sandra, aliás Pequena Matrioska.

Como são dadas a desvios de personalidade, vou ter que passar.

 

Feitas as contas, ficamos com as portuguesas.

Por isso votamos mais nas legislativas e mais ainda nas autárquicas, onde conhecemos todas.

Todas as candidaturas, claro.

 

Há uma outra razão para a elevada abstenção, especialmente masculina, esperada este domingo.

Com tantas e tão boas escolhas, as nossas mulheres nem querem falar na possibilidade de exercermos "o nosso direito" nas Europeias.

 

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Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

 

Grande Mostra Portuguesa de Suspeitos à Mostra

 

Portugal é um tribunal à beira mar plantado, tantos são os casos mediáticos à espera de resolução.

 

Será que os pedófilos da Casa Pia vão ser castigados?

Houve marosca no caso Freeport?

Quantos se alambazaram no BPN?

 

Mais importante ainda:

Quem é que levou o pastel de nata que tinha aqui?

 

Aproximem-se.

Quero ver quem tem os cantos da boca lambuzados pelo creme, digo, pelo crime.

 

Por esta altura, com a chegada da "Playboy" portuguesa, esperava que Portugal fosse já "um país de peitos", mas não, é um país de suspeitos.

Vestidos dos pés à cabeça, não se mostram como vieram ao mundo, quanto mais o que têm feito nos últimos anos.

 

Suspeitos há muito, peitos à mostra só houve, até agora, dois pares, um da Mónica Sofia, outro da Cláudia Jacques.

Segue-se o par da menina Malhoa, ela própria suspeita de ter subornado o gerente de uma casa de tatuagens.

 

Ela já merecia ver criada uma comissão de inquérito, mais que não fosse para averiguar se o talento aparece, enfim, debaixo da roupa.

 

Já estou a ver o intrépido Nuno Melo, também ele um 'playboy', interrogar de forma dura, literalmente, a menina dos tattoos...

 

"Vai-me desculpar, senhora Malhoa, mas continuo a não ver onde escondeu o talento.

Se puder mostrar essa tatuagem aí ao fundo das costas...isso aí é o quê? Uma rosa?

Desculpe não se percebe bem... Se calhar convinha tirar essa roupinha... para que esta comissão fique... ann... esclarecida..."

 

E isto das suspeições, de espreitar por cima do ombro, de segredar até listas de compras, parecendo que não, pega-se mais depressa do que uma Gripe A depois de ir para a cama com uma mexicana de nariz a pingar...

 

Eu próprio, no momento em que escrevo estas linhas, não confio em metade das teclas do meu teclado.

Parece-me estranho ver os algarismos na mesma fileira e haver uma tecla que promove letras pequenas a grandes, assim à laia de pagamento de favores...

 

Estou a pensar entregar pessoalmente esta crónica à Ana Vidal.

 

É que isto do e-mail também tem muito que se lhe diga.

E se o Oliveira e Costa, o Charles Smith, a Kate McCann ou o Vale e Azevedo andam metidos nesta coisa da Internet?

 

Ana, encontramo-nos atrás da casa amarela, está bem?

 

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Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

 

Frangos e Livros

Lisboa à tarde, entre feiras e montras ao sabor da crise.

 

A Nossa Senhora estava na margem sul, a minha senhora seguia para a margem norte, fácil de optar. Entre o que é de todos e o que é só meu, gosto de privilegiar a exclusividade.

 

O domingo meteorológico chocalhava o termómetro com brisas geladas e com bafos quentes, como que se aprestando para seleccionar os mais fracos, castigando-os com uma gripe sem direito a vogal em caixa alta, espera-se.

 

Almoço em família no Bonjardim, instituição da baixa, ali às Portas de Santo Antão, primeira casa a assar frangos no espeto em Lisboa e frango acabou por ser o almoço, recordando outros repastos 25 anos atrás.Faltou aferir a qualidade da mousse de chocolate, uma tradição gourmet (ou gulosa e alarve, segundo a perspectiva...) deste vosso projecto de badocha.

 

Pequena deambulação pelo Rossio e pela mostra Máscara Ibérica, cenários e sabores da península em destaque.Banho de bola em marketing, simpatia e originalidade para as representações espanholas.

O costume.

 

Destaque para as pouco conhecidas regiões da Cantábria e das Astúrias, estimulando a vontade de viajar mundo fora, assim a sorte milionária me bata à porta.


E depois a Feira do Livro, último dia da 79ª edição, com mais reticências do que pontos de exclamação.

 

A crise afasta entusiastas de sempre e curiosos de ocasião e não ajuda, de todo, o açambarcamento de praticamente toda a ala nascente pela Leya, com direito a circuito fechado, com seguranças à porta.

A rever em futuras edições.

 

O caminho de volta, sem livros no saco mas com dezenas de títulos ainda por ler em casa, fez-se com torpor e promessas de regresso, porque Lisboa continua a ser cidade branca, amada, desejada e motivo para peregrinações.

 

Inclusive da minha e da Nossa Senhora.

 

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Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

 

Bela Vista Sexual Club

 

 

Chamavam-lhe Bela Vista à boca pequena porque as paredes tinham ouvidos.

Era uma espécie de gueto onde se juntavam pretos e branquelas, monhés e amarelos, esquimós e benfiquistas.

 

Aos olhos do mundo, a Bela Vista era conhecida como sendo um barril de pólvora mas ninguém se dera ao trabalho de saber onde estava a ponta do rastilho.

 

Bem... não se tratava de saber onde, mas quando.

 

Todos os finais de tarde as primas Quiroga se juntavam para yoga, na praça central.

Quatro belas moçoilas, na casa dos quarenta, corpo magenta sweet sixteen.

Alongamentos tântricos, flores de lotus.

Ferraris roubados movidos a testosterona parqueavam perto.

 

Ei-los de todas as raças confluindo num ponto morto do mapa.

Espécie de xis, marcado a giz.

O mapa do tesouro.

 

Bela Vista.

O tejadilho de um velho e abandonado autocarro da Carris, de dois andares, onde se juntavam novos e velhos para ver as primas Quiroga.

 

Havia tensão?

Havia.

Palavras homófonas também.

 

Havia conflitos?

Com certeza.

 

Ali era a Bela Vista.

Ficava melhor quem primeiro chegava e cegava quem chegava depois.

 

Lá fora, no mundo sem yoga das primas Quiroga, jamais compreenderiam.

Por eles continuaria assim, segredo guardado, o autocarro abandonado.

 

Chamavam-lhe Bela Vista à boca pequena porque as paredes tinham ouvidos.

Principalmente quando a mostarda chegava ao nariz.

 

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Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

 

Valha-nos Nossa Senhora

 

Maio...

Mês das flores, do coração e, uma coisa leva a outra, dos casamentos.

É também o mês daquelas coisas que se multiplicam à beira das estradas... como é que se chamam mesmo?

Jacarandás?

Ah, não.

São peregrinos.

 

Todos os anos por esta altura, são aos magotes os caminhantes a caminho de Fátima, se bem que alguns se desviem a caminho da EuroDisney.

 

Quando o cansaço que se acumula nas pernas tolda o pensamento, torna-se difícil direccionar a fé e optar entre a fantasia da Bela Adormecida e a realidade da aparição de uma senhora de branco a brilhar em cima de uma oliveira.

Ou entre Donald e os três sobrinhos e o Bispo de Leiria e os três pastorinhos.

 

Que os mais devotamente católicos leitores do "Porta do Vento" não me levem a mal; sou católico e homem de fé.

Continuo a acreditar que é possível ir para a cama com a Scarlett Johansson.

Ou ganhar o Euromilhões três vezes seguidas.

 

E com isto é já a segunda vez que escrevo "Euroqualquer coisa".

A culpa é desse cartazes de propaganda que penduraram por aí, nos mais espatafúrdios locais.

É também pela colocação de inúmeras cópias da avozinha Ferreira Leite e do cota Vital Moreira que se torna complicado andar de carro nas estradas e não acertar num ou outro peregrino.

 

A verdade é que eles põem-se a jeito de verdinho resplandecente vestidos, como se cada um valesse 200 pontos num jogo de computador.

500 para os que vão de joelhos, porque são mais difíceis de apanhar.

 

A moda peregrina Primavera-Verão passa pela utilzação de coletes reflectores verdes, chapéu branco e um cajado, como que o recurso a uma terceira perna.

Artifício não utilizado pelos peregrinos de origem africana.

 

Então nos próximos dias já sabe:

Independentemente do seu credo, miopia ou cilindrada, tenha cuidado nas estradas.

Eles andam aí.

 

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Sexta-feira, 1 de Maio de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

A Gripe Soez

 

Chamam-lhe Gripe Suína.

Ok, o nome de código não é sonante como "Guerra dos 100 anos" ou "Batalha de Waterloo", mas poucas designações seriam tão desprezíveis como esta, uma Gripe Suína assaz soez.

 

A quase pandemia, que pandemónio se tem tornado como furacão, terá tido origem nos porcos do México, país mais conhecido pelos burritos.

E aqui chegado refiro-me àquelas mistelas meio picantes que se levam à boca e não aos simpáticos asnos que nos levam no dorso.

 

Houve um familar já ancião, não me lembro quem, talvez Moisés, que passava a vida a alertar para os perigos da gula por toxinas camufladas por molhos coloridos, fossem elas tacos, enchilladas, chili ou burritos, isto só em relação às bodegas mexicanas.

Afinal o perigo estava com os porcos.

 

O mesmo familiar ancião, talvez Adão, repetia sempre que ia ao médico "Se queres conhecer teu corpo, mata um porco".

E isto porque as semelhanças anatómicas estão no estômago, nos dentes, no fígado, no coração.

 

A porcaria de investigação que efectuei permitiu saber também que os porcos são ainda susceptíveis a algumas das mesmas doenças que afligem os humanos, como cancro, reumatismo, artrite e... gripe.

 

Posto isto, até já sabíamos muito sobre os porcos engripados e sobre os porcalhões que espirram sem pôr a mão à frente da boca, agora sobre os mexicanos...

 

O que é que sabemos sobre os descendentes de Pancho Villa?

 

Que gostam de comida picante, já vimos.

Têm praias afamadas, já sabemos.

O passado é rico em referências Maias ao invés de um presente cheio de reverências à Maya, como acontece em Portugal, não se sabe porquê.

 

Diz também que são especialistas em saltos, seja arame farpado nas fronteiras com os Estados Unidos, seja para as águas quentes de Acapulco.

 

Ah, é verdade.

Há aquela coisa da hola.

Uma multidão ululante em torno de um acontecimento desportivo que, a dado momento, alça o rabo e levanta os braços.

 

Mas os braços levantam-se para quê?

Para colocar aquelas máscaras de protecção contra perdigotos mortais.

 

Era um código só decifrado agora, quase 25 anos depois do Mundial de Futebol do México, onde terá aparecido a hola pela primeira vez.

 

E é aqui que a porca torce o rabo.

Vamos esperar mais 25 anos para que os mexicanos enviem outro sinal à humanidade?

Poderá ser tarde.

 

Proponho que um grupo mais afoito siga este Verão para Cancun, desta vez não para trabalhar para o bronze, mas para trabalhar em prol da humanidade.

Vamos descobrir o que se passa.

Vamos saber mais.

Vamos conseguir.

 

Yes, we Cancun.

 

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Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

 

Digital e qual

Olá a todos.
Antes do mais quero pedir-vos desculpa pela minha ausência na semana passada.
Sim, sou eu, o tipo que escreve aqui às sextas na rubrica "Lapsus Linguae".

A razão porque faltei a tão importante compromisso?
Estive (e estou) de férias.

Acontece que tinha os fusíveis da cachimónia meio esturricados e se houve coisa que deixei de comer, bem passada ou não, foi mioleira de bovinos.
Sim, porque eu sou do signo Touro, nascido a 21 de Maio.
(esta última informação tem como objectivo, em devido tempo, a parabenização à escala global para efeitos de supressão de carências afectivas).

Fiquei tão cansado que ganhei uma tendinite no indicador direito, o tal que faz flexões sobre o botão esquerdo do rato.
E deixem que vos diga que uma das situações mais estranhas deste mundo é frequentar um gabinete de fisioterapia só por causa de um dedo.

Em poucas palavras, a sessão consiste em banhos quentes e frios, 20 minutos em parafina, trabalho de ginásio e banhos e massagens.
Por norma é a enfermeira Vera que fica a acompanhar o meu caso.
Meiga e atenciosa, é um prazer vê-la untar o dedo grosso para cima e para baixo, ao mesmo tempo que passa a língua pelos lábios e tece comentários ao esquema táctico do Sporting de Paulo Bento.

À partida terei encontrado a mulher ideal, viçosa nos seus 22 anos, lábios carnudos, culta, adepta leonina, corpo de pantera, meiga como um cordeiro.
Uma mulher de corpo inteiro, disponível, se eu tiver algo partido.

Agora estou melhor e de volta aos blogs.
Aqui estarei às sextas-feiras e, em breve, também no meu blog, "O Eldorado".

Pretendo recomeçar com calma para não nocautear outra vez.
Mas, se isso acontecer, já sei onde não falta parafina e lábios grossos.

 

 

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Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

Carta ao Coelho da Páscoa

 

Caro, ann... coelho:

Eu sei que não é costume escrever cartas ao Coelho da Páscoa ou a qualquer outro coelho, em primeiro lugar porque os coelhos não sabem ler e só servem para fazer caganitas redondinhas enquanto fornicam como se não houvesse amanhã.
Peço desculpa mas é o que eu acho dos da sua laia.

E se vocês soubessem ler, com esses olhinhos vidrados de quem mastiga palhinhas ilícitas, decerto seriam míopes e toda a gente sabe que não há óculos que sirvam para coelhos, derivado de terem os abanos espetados para cima e não do lado esquerdo e direito da cabeça como nós.
O mais que poderia ser feito, seria criar uma bandolete com óculos mas já tentaram isso para o Nuno Gomes acertar com as balizas contrárias e nada feito.

Em segundo lugar, não se escrevem cartas a si, Coelho da Páscoa porque vossemecê tem todo o ar de que não existe.
Desconheço a capacidade de os coelhos desatarem a pôr ovos, mais para mais, de chocolate. Há-de convir que essa habilidade não convence ninguém e, a ser verdade, já vossemecê trabalharia a recibos verdes com o Victor Hugo Cardinali.

Defender-se-á o meu caro dizendo que tudo isto existe na Ilha da Páscoa, aquele lugar com umas cabeçorras quase maiores do que o ego do Mourinho, mas ainda assim não me convences, ó espécie de ratazana com espanador na cauda.
E hei-de ir a essa ilha averiguar tudo muito bem como se fosse da ASAE, deixa-me só tirar o passe L-666 e embarco num cargueiro rumo ao sul.

De aldrabões está o mundo cheio e
só te fazia bem seguires o exemplo do teu primo, o coelho da Playboy.
Esse sim, é um coelho que trabalha no duro, embora temos que convir que é quase impossível ficar mole diante daquelas coelhinhas boazonas com rabos redondinhos e mamilos espetados como canivetes na noite do Porto.

Pois esse coelho malandro da Playboy tem revistas, canais de televisão e merchandising variado. E os teus ovos de chocolate?
O mais que conseguem são umas prateleiras nos Modelos e nos Feiras Novas.
E umas cáries nos dentes dos putos amarfanhadores de bostas açucaradas como gomas com formato de lagarta das couves.


Alegará o excelentíssimo que há muito mais coisas que não fazem qualquer nexo na Páscoa, como não se poder comer carne na Sexta-feira Santa e depois desatar tudo a comer cabrito e borrego.
Ora... se vossemecê está com inveja de não ser comido por milhões de pessoas, ponha-se na fila atrás do José Castelo Branco e do Cláudio Ramos.
Não me venha para aqui com desejos frustrados.
Oriente-se.
Sente-se em cima de uma cenoura, ou outra coisa qualquer, quero lá saber.

A cerimónia do lava-pés?
Esta nem deveria comentar... que culpa tenho eu se é um roedor tão badalhoquito, valha-lhe Deus, que não lava os pés como todos nós?
Imagino a porcaria que vai para aí agarrada a essas patas compridas.

Quanto ao facto de Jesus Cristo ter ressuscitado nesta altura e só falar com a Alexandra Solnado, não seja herege por favor. Se ninguém põe a vista em cima do Messias é porque ele anda à procura da Maddie por esse mundo fora.

E em relação ao facto de existir a tradição de comer um bolo chamado folar, que tem um grande ovo no meio da testa como se fosse um ciclope, fique a saber o orelhudo que existem galinhas tibetanas capazes de cagar ovos cozidos no meio de um bolo fôfo.
Isto dá-se na mesma quinta onde as amendoeiras dão amêndoas coloridas com uma generosa calda de açúcar à volta.

Agora... Coelho da Páscoa? Nan... isso não existe.
Deixe-se de enganar as pessoas e arranje um emprego a sério, na polícia, por exemplo.
Assim poderá descobrir quem tramou Roger Rabbit.

 

 

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Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

 

Vende-se amiga indesejada

 

As andorinhas fazem-no, as abelhas também, eu nem por isso.

Tudo anda por aí a esvoaçar, a correr pelos campos, a saltitar entre as flores... eu também queria, mas... não consigo.

 

Em contrapartida, para fazer jus à Primavera, só tenho olhos para uma nova amiga que ganha cada vez maior importância na minha vida, ao ponto de nos termos tornado muito íntimos.

 

Parece que se chama "barriga".

Diz que é muito comum nos homens com mais de 30 anos, pelo menos nos que não se cuidam ou em outros tantos que vivem de braço dado com o stress, de um lado, e com o sedentarismo do outro. Já se sabe... homens que dão para os dois lados. Deus castiga com uma colina divinal encimada por um umbigo.

 

Sou um destes novos gordos por culpa própria, não adianta apontar as banhas noutras direcções. Mas são-me estranhas estas formas de urso polar que não pula.

 

Posso assegurar-vos que era o mais esbelto espécime masculino lá em casa.

Pelo menos quando estava sozinho.

Agora, nem isso.

Tenho a impressão de que a minha forma reflectida no espelho - ainda mais palpável quando confiro a pressão dos pneus abdominais - é mais redonda que o enorme frigorífico americano da minha cozinha.

 

Competir com o frigorífico tem sido inglório durante todo este tempo.

Eu bem o alivio das alheiras, cervejolas ou profiterolles mas aquilo é coisa que não emagrece. Vá lá que, até prova em contrário, também não esvoaça, corre ou saltita.

 

As andorinhas fazem-no, as abelhas também, eu nem por isso.

Mas gostava de voltar atrás.

 

O primeiro passo, terá mesmo que ser pôr um ponto final na relação com a tal nova amiga.

Como?

Essa é que essa...

 

Trocá-la por outra está fora de cogitação.

Bater-lhe? Por amor de Deus, nem pensar nisso!

Por todos os meus valores morais e também porque tenho a certeza de que a dor também seria minha!

 

Talvez jogue aquele trunfo já meio gasto do "eu não sou homem para ti, mereces melhor". Pelo menos é verdade; eu sei que não mereço tanto.

 

Ainda tenho esperança de que, até ao Verão, tudo esteja terminado.

Mas vai ser complicado...

Não contem a ninguém mas temos dormido juntos. 

 

 

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Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

 

As patarecas e a etiqueta

 

A probabilidade de uma rainha do jet-set vir a ser a primeira capa da Playboy portuguesa, confesso aqui na "Porta do Vento", tem sido, ultimamente, um dos meus pesadelos recorrentes.

 

Felizmente os jornais de ontem, sempre atentos ao que de mais importante se passa no mundo, anunciaram que seria a bela Mónica Sofia, ex-Delirium, a capa de tão histórica publicação. Só que, com esta escolha da editora em Portugal da revista do coelhinho, tem-se como garantida a inexistência de poses socialmente correctas, como a nudez integral da estrela de capa sentada num sofá a ler Emily Brontë.

 

O desprezo pelas regras de etiqueta, na ânsia da captura de imagens da patareca, é uma das eternas lacunas deste mundo mais... ann... lascivo. Apesar da minha condição de depravado-mor lá do bairro, considero que a imagem de uma patareca pode e deve ser enquadrada à luz dos mais elementares ensinamentos dos gurus da boa educação social.

 

Difícil será mostrar a bela Mónica aos pulinhos numa exposição de pintura no Centro Cultural de Belém, até porque vivemos numa sociedade em crise de valores, machista e deprimida, ávida de delírios obscenos com suecas, russas, brasileiras ou odaliscas. Se bem que, para as odaliscas mostrarem mais do que as pestanas, seja necessária uma transacção envolvendo camelos e isso é difícil de obter longe de Portugal.

 

Valerá a pena? Claro que sim.

 

A avaliar pela elegância, estilo e sensualidade que a Rainha da Jordânia transmite nas suas vestes ocidentais, não será difícil imaginar a classe com que Rânia mostrará a patareca.

 

 

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Sexta-feira, 20 de Março de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

 

De volta aos neons

 

Já terminou o prazo para os que ainda entregam o IRS em papel, um dos momentos menos edificantes da história colectiva de escrita manual, muito distante do que representou, por exemplo, salvar o manuscrito dos "Lusíadas" da sanguinária voracidade intelectual dos tubarões, há cinco séculos.

 

Pergunto-me como é que hoje somos um número, ou uma soma deles, quando antes éramos delirantes traços multicolores nas paredes da sala dos nossos pais.

Fomos neons exuberantes, somos meros post-its.

 

No meu caso, tudo começou no ventre materno.

Sabem alguns que a minha mãe foi operada em Fevereiro.

Médicos-arqueólogos descobriram nessa ocasião alguns gatafunhos escritos entre 1970 e 1971 e há até quem jure ter lido a expressão "Abaixo Salazar".

Sim, porque nesta altura, ao invés de dentadura, eu tinha ditadura e havia que tomar posição desde cedo.

 

Vieram depois os grafitis nas paredes do quarto e da sala.

Os tais neons de infância, rapidamente censurados pela esponja azul do papá e da mamã, gente sem sensibilidade artística que ao invés de bater palmas ao meu belo traço verde, batiam com o chinelo no meu rabo até este ficar vermelho.

 

Foi sobretudo nas escolas que aprendi a escrever coisas como "a, e, i, o, u" ou o clássico "pa-ta, pe-ta, pi-ta, po-ta" e o resto que soube depois.

 

Foi também nas escolas que comecei escrever bilhetinhos às meninas mais engraçadas e não, não estou a falar das que contavam anedotas ou escorregavam em cascas de banana.

 

Podiam ser pedaços de emoções pouco eficazes ao nível da mensagem, mas um primor em matéria de correcção ortográfica, bem diferente de um "Vamox kurtir bué" em sms, que depressa pôs fim ao charme de uma declaração de amor em imperceptível caligrafia de autor.

 

Eu não gostava de ser um sms.

Se me fosse dado a escolher, também não seria um nome no recenseamento eleitoral, uma assinatura numa declaração de amizade pós-acidente de viação, um número no modelo de IRS, nem sequer uma mensagem romântica em tarja arrastada no céus por avião pago com assinatura em cheque generoso.

 

Não seria tão pouco letrinha valiosa no tal manuscrito dos "Lusíadas", rascunho de Shakespeare ou notas amestradas numa pauta de Mozart.

 

Não.

Procurando contribuir para voltar a edificar a história colectiva de escrita manual, eu gostava era de ser um autógrafo do Tony Carreira na maminha de uma fã.

 

Ou, melhor, uma cábula nas pernas de uma universitária de saia curta, com preferência para uma frequência de Química, daquelas que exigem a transcrição de fórmulas desde o tornozelo até à rendinha da lingerie Triumph.

Tal qual um neon.

 

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Sexta-feira, 13 de Março de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

Mesmo que hoje seja Sexta-feira 13, não há que esconder que os dias estão mais bonitos, antecipando a Primavera.

 

Mas nem pensem que a minha vida é um mar de rosas, de orquídeas, malmequeres ou qualquer outro espécime floral. É que é por esta altura que mais sofro com a minha alergia a políticos.

Atchim!

 

Curiosamente, nada me acontece se me cruzar, salvo seja, com o Mário Lino, na rua. A alergia só acontece à hora dos telejornais.

Assim que aparece um ministro no pequeno ecrã  - atchim - desato a espirrar desalmadamente como se estivesse possuído pelo filho de um alienígena ou pior, pelo fantasma de Napoleão Bonaparte.

 

Napoleão, que para início de conversa tem um nome a fazer lembrar desastrosas campanhas militares em Munique - atchim - além de exímio estratega militar, foi imperador de França, logo chefe de estado, logo político, logo espirro - atchim -  logo existo.

 

A minha alergia primaveril a políticos é particularmente dolorosa quando este tipo de ser humano - algo a merecer confirmação - é desguarnecido de coluna vertebral, o que acontece em 90 por cento dos casos.

 

Para mal dos meus pecados, o meu organismo não tolera gelatina, em especial em ano de eleições e, há que convir, um político gelatinoso é susceptível de provocar graves insuficiências respiratórias.

 

Mais para mais, não se sabe porque carga de água é na Primavera que o índice de promiscuidade da classe política atinge valores mais altos. Mudanças de cor no espectro partidário ainda é o menos grave, o pior é mesmo a apetência para chafurdanços nos negócios obscuros do imobiliário, do futebol ou dos lugares privilegiados nos concertos do Tony Carreira.

 

Só mesmo estas noites de Lua Cheia representam um tormento maior aqui para este vosso amigo:

 

É que também sou alérgico a lobisomens.

E também no pequeno ecrã, vá-se lá saber porquê.

 

Mas este é um problema mais fácil de controlar.

 

À partida, o Tony Ramos só está mesmo na SIC.

 

 

 

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Sexta-feira, 6 de Março de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

 

Edições Revistas e Aumentadas

 

A histeria tomou conta dos jornais e revistas nacionais. As vendas caem a pique e há que fazer pela vida, recorrendo à oferta de brindes e aos títulos sensacionalistas. Rara é a publicação que não ofereça um filme, um livro ou uma porcelana das Caldas.

 

Não está longe o dia em que, na compra de uma qualquer revista cor-de-rosa ou jornal cinzentão, receberemos um cupão para levantamento de uma máquina de costura no armazém da papelaria em causa.

 

"Ah, vai levar o 'Correio da Manhã'? Então tem aqui o cupãozinho para levantar um canguru que está lá atrás, no nosso armazém, sim?"

 

Haverá também aquelas alturas em que torcerão o nariz às nossas escolhas, por inconveniência do momento ou por absoluta preguiça...

 

"Quer o '24 Horas'? Não quer nada, isso não dá jeito nenhum!"

"Como?!"

"Para lhe vender o '24 Horas' tenho que lhe oferecer uma mobília para quarto de criança e para isso tenho que tirar o Mercedes do concurso do 'Expresso'. E para guiar o Mercedes tenho que retirar a Enciclopédia do Mundo Animal da 'Sábado'. E está para chegar a colecção de palmeiras decorativas da 'Casa Cláudia' e os morcegos de plástico da 'Pais & Filhos'!"

 

Até os belos quiosques do nosso país que inspiraram, por exemplo, a pintora Maluda, vão ter que se adaptar às circunstâncias e, ao tradicional formato de cogumelo colorido, juntar-se-á, na parte de trás, um hangar repleto de uma parafernália de brindes, como se cada quiosque tivesse a sua Feira da Ladra.

 

O desespero de captar leitores está também na adopção de parangonas com isco no anzol. Os pronomes quantificativos estão na moda.

 

"Toda a verdade sobre as novas maminhas da Maya", ou então, "Tudo o que queria saber sobre fenómenos paranormais", são dois exemplos para o mesmo tema. O que conta é prometer tudo revelar, mesmo que, lá dentro, as promessas fiquem por cumprir.

 

Como não gosto de ver as minhas escolhas condicionadas por subterfúgios marroquinos, confesso que, chegados a este ponto, mais depressa compraria uma revista que tivesse escrito na capa "Casa Pia – Uma pequena parte da verdade" ou "O pouco que sabemos, quase nada, sobre os voos da CIA em Portugal", do que uma das que tudo sabe e tudo oferece.

 

Mas posso mudar de ideias, se a "Pais & Filhos" oferecer mesmo morcegos de plástico...

 

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Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

 

Os 10 Mandamentos do Carnaval
 

Diz-se que a vida são dois dias e o Carnaval são três.
Por isso, depois de falar com diversos advogados, legisladores e constitucionalistas, cheguei à conclusão que o Carnaval é inconstitucional.

Publique-se então o seguinte em "Diário da República":

 

 
1. O chefe de governo anuncia que o feriado vai mesmo ser feriado e desaparece de cena.

2. É instaurada a monarquia, com a importação de Rainhas de Carnaval, made in Brasil

3. A capital do país passa a ser a Mealhada.

4. Faz frio, as rainhas não se despem.

5. O povo lamenta-se e repete descontente "no Brasil é que era".

6. Na Terça-feira Gorda, para fazer juz ao nome, um golpe de estado impõe a Simara como soberana.

7. A ASAE proíbe as matrafonas de bigode.

8. Na Quarta-feira de Cinzas, milhares de homossexuais reprimidos voltam a guardar esqueletos e roupas de mulher no armário.

9. O primeiro-ministro regressa a Portugal como se nada tivesse acontecido.

10. O Carnaval continua.

 

 

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Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

 

É absolutamente irónico que nesta altura a palavra "crise" seja das únicas coisinhas a escapar à crise.

 

A palavra foi a mais escrita na imprensa portuguesa em 2008, de acordo com estudos da Cision, uma empresa de monitorização e avaliação dos meios de comunicação social que, estejam descansados, não pertence a Manuela Ferreira Leite, dando sequência ao célebre "não pode ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite".

 

Com cinco letrinhas apenas, a palavrinha "crise" apareceu 91 mil vezes nos jornais de referência, excluindo os desportivos onde decerto apareceria associada ora a Sporting, ora a Benfica, consoante os golos falhados em verde e vermelho.

 

A crise é tão grande que ainda ontem tive que levar a minha carteira ao hospital, sendo que a pequena tem pela frente uma bateria de exames para se saber ao certo a extensão do problema.

Está no CUF-Descobertas e recebe visitas entre as sete e as oito da noite.

Apareçam e levem qualquer coisinha, uma fruta, umas revistas, umas notas de, vá lá, 50 euros.

Mais do que lhe injectarem soro, acho que ela precisa é de uma injecção de capital, mas isso sou eu a dizer...

 

Tudo isto está tão complicado que ilustrar o momento actual com a imagem de um banqueiro com a corda na garganta, parece-me desadequado, ao preço a que está o metro de corda.

Além disso qualquer Oliveira e Corda, perdão... Oliveira e Costa, sabe que, quando num iate em alto-mar, sulcando as águas de uma qualquer off-shore, não há sítio onde pendurar a corda.

Apenas um céu de azul tão azul, que parece prometer eterna impunidade a quem delapida instituições bancárias, supermercados Minipreço ou caixas de esmolas.

 

Mas atribuir a crise a banqueiros, aos gestores, aos governantes, aos patrões e aos administradores da OPEP parece, no mímimo, redutor.

Acho que os senhores da Cision também têm culpa no cartório, depois de meses dedicados à árdua tarefa de procurar a "crise".

 

"Quem procura sempre alcança", é uma máxima repetida à exaustão pelo alienado do meu vizinho Alfredo que, quando ouve a palavra "crise", acentua com nostalgia que nesse tempo é que o Tavolta dançava bem.

 

 

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Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

 

O que fazer depois de morrer

 

Hoje em dia, os chamados "livros de auto-ajuda"cobrem todas as áreas:

"Como Despachar o seu Marido", "Os Segredos do Segredo do Segredo para Além do Segredo", "A Cura Através das Conchinhas de Praia", etc, etc, etc.

Etc.

Et cetera.

Idem.

Ibidem.

Et pluribus unum.

Há dias vi numa livraria o seguinte título:
"O Que Fazer Depois de Morrer"
A sério, este existe mesmo.
Craig Hamilton-Parker é o autor.

O que pode levar à seguinte situação:

Cemitério de Carnide.
Lisboa.

"Olha... engraçado.
Está tudo às escuras aqui e parece que estou dentro de uma caixa...
Bem... vou levantar-me porque tenho mais que fazer."

Forte cabeçada com direito a palavrões Hugo Chavianos.

"Chiça!!
Tu queres ver que eu morri?
Olha que chatice!
Como é que será que ficou o resultado do Sporting ontem?"


Breves momentos de silêncio para pensar na vida que passou depressa demais.

"O que é que eu faço agora?"

Várias batidinhas de percussão e um som estúpido a imitar uma guitarra portuguesa.

"Povo!
Que lavas no riooooooooo!!!!!
E talhas com o teu machado!
As tábuas do meu caixãoooooo."

Outra vez o som ridículo a imitar guitarra portuguesa.

"Pode haver quem te defenda!!!
Quem compre o teu chão sagradoooooo!!!!
Mas a tua vida não!"Pausa para tirar um burrié e colá-lo no tampo do caixão.

Espirro, sem a habitual réplica "santinho".

Valente traque e vontade de abrir uma janela.
Não há.
Paciência.
Cá se fazem, cá se cheiram.

"É verdade!
Onde é que está aquele belo livro do Craig Hamilton-Parker?"

Prospecção no bolso do casaco onde encontra um terço, bilhetinhos escritos por alguém e um rebuçado Dr. Bayard.

"Olha, um rebuçadito.
Ainda bem.
Estava a morrer de fome."Outro espirro.

"Mau!!
Queres ver que estou a chocar uma gripe?"

Mais iniciativas de prospecção.

"Não encontro a merda do livro.
Estou lixado com isto!
O que é que eu faço agora?"

Agora sou só eu que venho aqui escrever que, se não estão a gostar, isto está quase a acabar.
Ah! O nosso herói encontrou o seu telemóvel.

O dele.

O que é que o seu telemóvel estaria a fazer dentro de uma urna no cemitério de Carnide?
Vamos lá a não ser parvos.
"Deixa-me lá ligar para a Maria a ver se ela vem cá trazer a merda do livro."

Vendo computador e impressora usados.
Bom preço.

"Não tenho rede, é o costume!
Isto assim não há condições, para o ano não venho para aqui."

***********
Se gostou deste post-mortem (trocadilho genial, n'est-ce pas?) deve estar mortinho para comentar, não?

 

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