Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007

Palavras com dedos


De cada vez que revejo Il Postino ("O Carteiro de Pablo Neruda", na tradução portuguesa) descubro-lhe um pormenor que me tinha escapado antes.
Desta vez foi uma verdadeira pérola da sempre imbatível sabedoria popular, saída da boca da tia de Beatrice num tom de quem sabe muito bem o que diz:
“Quando um homem começa por tocar-nos com palavras, chega longe com as mãos.”
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publicado por Ana Vidal às 01:27
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18 comentários:
De ana vidal a 24 de Setembro de 2007 às 15:42
A frase vale por sí própria, e todas as mulheres sabem como ela é verdadeira.
:)
De Leonor Barros a 24 de Setembro de 2007 às 13:52
Que grande verdade!
O Carteiro é um dos meus filmes preferidos.
Bjs
De Miguel a 24 de Setembro de 2007 às 13:38
Pois, Ana, não vi o filme e fiz o comentário fora do contexto.Tu clarificaste. A frase, felizmente, fica.
De peri s.c. a 24 de Setembro de 2007 às 12:44
No Brasil : " O Carteiro e o Poeta ". Pensava que só aqui traduziam os títulos "criativamente" com fins mercadológicos. Vê-se que não.
Qual seria a tradução do título utilizada em outras línguas ?
bjs
De ana vidal a 24 de Setembro de 2007 às 11:11
Capitán,
Também prefiro outros "mimos", para dizer a verdade. mas o homem era grande na sua arte, a homenagem é justíssima.

Miguelinho,
Nem sempre as pérolas saem das bocas mais eruditas. Esta é um bom exemplo disso: a intenção com que é dita no filme não tem nada de poético ou de filosófico, antes pelo contrário. É dita com desconfiança e manha de velha sabida, como quem já cá anda há muito tempo e sabe que os homens só querem uma coisa das mulheres: pôr-lhes as mãos em cima. A actriz que faz de tia da bela Beatrice (não me lembro o nome dela) é a fantástica Mamma do Feios, Porcos e Maus, e com isso já está tudo dito.
Mas não deixas de ter razão: a frase é belíssima e muito verdadeira, e pode ser lida num contexto inteiramente poético.
De onde se prova que as palavras são armas poderosas que podem ser usadas de variadíssimas maneiras. Os mimos, concordo com o Mário, desperdiçam um recurso precioso.
De African Queen a 24 de Setembro de 2007 às 11:10
Nunca vi este filme. Está naquela lista do "Tenho de ver", "Já devia ter visto", mas na verdade ainda não vi e depois desta frase, se já tinha muita vontade de ver ainda fiquei com mais.
Genial!! e tão verdadeiro :)
De Miguel a 24 de Setembro de 2007 às 09:27
A frase é belíssima. AS palavras simples, agrupadas em duas pequenas linhas, conseguem espantar-nos.
Os provérbios interpelam-nos, muitos chegam-nos ao fundo da alma mas este está para além dela.Acho que merece ascender à categoria de aforismo.
E essa Tia da Beatrice é uma sábia, de facto...nem era preciso a Ana afirmá-lo.A mulher terá nascido do povo , mas ao ser capaz de uma afirmação destas, compreendemos que toda a sua vida se foi construindo como um gradual "upgrade". Ela não transmitiu à sobrinha uma pérola da sabedoria popular, não. Fez, sim, pura erudição.Grandes são os homens que semelhante "mulher nova" conseguem produzir.
De Mário Cordeiro, El Capitán a 24 de Setembro de 2007 às 03:49
Como é que esta regra se aplicaria ao Mimo?

Tenho que dizer que os mimos me causam alguma irritação. Mesmo o Marcel Marceau me punha os nervos em pé de galinha, desde que era miúdo, por causa daquele sorriso tão fora de horas, ou a expressão de desgosto que soava a falso. Deu-mne sempre vontade de dizer:
"Ó tu, enfarinhado. Deixa-te de andares numa de busto de Napoleão e diz o que queres.".
Mas cada um admira a arte que admira - os mimos, para mim, são daqueles a quem se dá dez cêntimos para os nunca mais vermos à frente do nosso caminho...
E sobre os quais penso: "não terão coisas mais interessantes para fazer do que andar aqui às voltas a torrar-me a paciência?".
Demasiadamente terrestre, talvez, mas esta coisa de andar a mostrar a cara e só ter dois sentimentos não me dá muito gozo. Pardon, Marcel, mas este tipo de "mimalhada" a metro não pertence aos meus afectos.

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