Quinta-feira, 20 de Setembro de 2007

Lobas I

«O título do livro - "Mulheres que correm com os Lobos - Mitos e histórias do arquétipo da Mulher Selvagem" - foi inspirado nos meus estudos sobre a biologia de animais selvagens, em especial os lobos. Os estudos de lobos Canis Lupus e Canis Rufus são como a história das mulheres, no que diz respeito à sua vivacidade e à sua labuta. Os lobos saudáveis e as mulheres saudáveis têm certas características psíquicas em comum: percepção aguçada, espírito brincalhão e uma elevada capacidade para a dedicação. Os lobos e as mulheres são gregários por natureza, curiosos, dotados de grande resistência e força. São profundamente intuitivos e têm grande preocupação para com as suas crias, os seus parceiros e sua matilha. Têm experiência em se adaptar a circunstâncias em constante mutação. Têm uma determinação feroz e uma extrema coragem.
No entanto, as duas espécies foram perseguidas e acossadas, sendo-lhes falsamente atribuído o facto de serem trapaceiros e vorazes, excessivamente agressivos e de terem menor valor do que os seus detractores. Foram alvo daqueles que preferiam arrasar as matas virgens, bem como os arredores selvagens da psique, erradicando o que fosse instintivo sem deixar que dele restasse nenhum sinal. A actividade predatória contra os lobos e contra as mulheres, por parte daqueles que não os compreendem, é de uma semelhança surpreendente.
Todas nós, mulheres, temos anseio pelo que é selvagem.
Existem poucos antídotos aceites pela nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer os cabelos e usamo-los para esconder os nossos sentimentos e a nossa essência mais profunda. No entanto, o espectro da mulher selvagem ainda nos espreita, de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem, decididamente, quatro patas.»

(Clarissa Pinkola Estés, in "Mulheres que correm com os Lobos")
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publicado por Ana Vidal às 00:39
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11 comentários:
De rita a 6 de Outubro de 2007 às 18:46
Olá esse livro existe em Portugal numa edição brasileira da "ROCCO"
De ana vidal a 21 de Setembro de 2007 às 00:52
Os meus comentadores são um luxo que nunca vou dispensar. Espero que não me fujam, porque este blog não teria a menor graça sem vocês.

Sobre lobos e lobas, Capitán, falaremos um dia. Para já, vou pensar no enigma que nos deixas. Abraço mental (que não dói) e as melhoras da asa.

beijo
De Mário Cordeiro a 21 de Setembro de 2007 às 00:21
Olá
De "costela rachada ao peito", tentando enganar as dores com analgésicos-"bomba" (azares de quem corre para buscar filhos e tropeça num buraco dos paralelipípedos da calçada portuguesa, deixado por um zeloso funcionário da EDP, GDP, EPAl ou EPUL), ficam dois apontamentos sugeridos por mais uma magnífica entrada:

1) há um livro muto interessante, intitulado "Pelos Lobos", que saíu há alguns anos (creio que está também esgotado) e que aglomera intervenções de gente de diversos sectores da vida pública, opinando sobre o lobo. Exemplo: Jorge Miranda: "Agora que os ditadores parecem ter sido vencidos, não será altura de reabilitar os lobos na natureza?"
Relembro também um excerto de Agustina: "Havia em casa uma ama, zamorama de origem, que contava muitas histórias de lobos. Qual delas a mais assustadora e tenebrosa. Mas as histórias de homens eram mais tétricas, porque nelas se incluía a razão imprevisível e a mancha do poder (...)" (em “As portas do paraíso não têm sineta”) - Ana. É um tema que deve ser recorrente.

2)um desafio: porque é que há lobisomens, lobos maus (Capuchinho Vermelho, Três Porquinhos, Sete Cabritinhos) e não um Leão, Tigre ou Panterahomem, por exemplo? E porque é que "Homo Homini Lupus"? E o que tem isto a ver com a investigação forense do Caso McCann? Aceitam-se sugestões...
Abraços, mas agora não apertados se não uivo de dores!!!
De pedro sanchez a 20 de Setembro de 2007 às 17:23
Não há dúvidas nenhumas, para mim, nesta visualisação e neste livro que só pelo título atrai sedução.

Sobre documentários de animais são sem dúvida as dos lobos os que mais me prendem ao pequeno écran, e sempre fiz um pouco essa relação de semelhança.

Raramente os sinais dados pela natureza, neste caso a vida animal, são por nós ouvidos e intrepretados, nem tão pouco lhes prestamos atenção, pois achamos de somenos importância.

Talvez por isso na vida real as relações entre machos e fêmeas tenham por vezes tantos acidentes de percurso.

Vá lá minhas queridas lobas não me tratem mal nem me expulsem de alcateia.

bjs.
De Mad a 20 de Setembro de 2007 às 13:25
Mais um livro que eu só vou ler quando chegar a Lisboa.
De ana vidal a 20 de Setembro de 2007 às 13:00
Um beijo também para ti, AQ.
Já fui mais fundamentalista neste tema do feminismo, confesso. Hoje vejo as coisas com mais distância (e sobretudo com mais calma), mas sempre que há atropelos e abusos com mulheres não tenho dúvidas de que lado estou! Ainda há muito por fazer, até que os pratos se equilibrem. E o livro ajuda a perceber muita coisa sobre o universo feminino, tão ignorado ainda dos homens.
De African Queen a 20 de Setembro de 2007 às 12:46
Uau, meu Deus, as ideias que este livro me suscita. N�o que concorde com tudo, mas remete-nos de facto para uma an�lise extraordin�ria do universo feminino. Esta � a minha �rea de trabalho, a minha cruzada, cara Ana, as identidades das mulheres... e dos homens e como os seus lugares na sociedade podem ser mais equilibrados, justos... enfim, fiquei feliz por se lan�ar este tema que me � t�o querido e por despertar a curiosidade para este livro.
Abra�o real e feminista :)
De ana vidal a 20 de Setembro de 2007 às 12:27
Sem-se-ver,
Olá, obrigada pela visita. Seja bem vinda a esta casa.
De sem-se-ver a 20 de Setembro de 2007 às 11:45
(e pronto: lá a adicionei aos meus favoritos. eis senão quando o fecho de um blog correspondeu à abertura de mais um, para mim)
De ana vidal a 20 de Setembro de 2007 às 10:49
O livro é fascinante, Manel. Mas estás com azar, infelizmente está completamente esgotado. Já corri todas as livrarias e nada. Estão à espera de nova edição. Comprei o meu há 2 anos na feira do livro, na edição inglesa. Depois até foi traduzido, mas agora nem um nem outro. Emprestava-to, mas já prometi que o dava a um amigo que anda a estudar o assunto. Se conseguires arranjar-me outro, diz. Talvez na net, vou procurar.

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