Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

Nas tuas mãos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Reinventa-me tu. Dou-te pincéis e tintas de todas as cores, uma tela em branco e, mais do que tudo isso, a imensa liberdade de me recriares à tua medida. Redesenha-me: dá-me olhos menos inquietos, mãos menos aventureiras, braços que embalem tudo menos sonhos. Dá-me pernas imóveis, que não acabem em pés andarilhos. Pinta-me o corpo de um tom de mármore belo e pálido como o das estátuas antigas, em que todo o ardor se transformou já em História. Não te detenhas nos cabelos, deixa-os inacabados. Podem ganhar vida própria e enlear-te como algas, e tu sabes como é perigosa a maresia. Evita a curva do pescoço, e foge dos pormenores no peito e no ventre. Passa a correr pela boca, aí todo o cuidado é pouco. Um último aviso: não me pintes um coração nem um cérebro. Porque, se o fizeres, eu volto a construir-me como era.

(Imagem - René Magritte, "Tentando o Impossível")



 

 
publicado por Ana Vidal às 14:51
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18 comentários:
De av a 4 de Abril de 2008 às 23:43
Mike, seja muito bem-vindo. Obrigada pelas palavras simpáticas.
De Mike a 4 de Abril de 2008 às 21:53
Uma simples divagação, inspirada pelo magnífico Magritte mas materializada em escrita de uma forma superior. Parabéns cara AV.
De av a 3 de Abril de 2008 às 13:01
TCL, coincidências? Nem tanto, porque eu sei que também gostas do Magritte. Faz o teu post, estou morta por ver.

Mariav, Pitucha e Estrelicia, obrigada a todas.

Pedro, obrigada também. E para fazer passar a barreira do real, não há como os teus textos!

Sofs, para ti um obrigada especial. Gosto sempre dos teus comentários críticos, até porque sei como o teu crivo é bem apertado! E gostei sobretudo do "movimento de pulsos", uma bela imagem que ultrapassa o meu texto.

Beijinhos
De av a 3 de Abril de 2008 às 12:42
Oh, Miguel, se eu não soubesse que me estavas a provocar, perguntaria agora: "Padres, Miguel?? A que propósito?". Mas já aprendi a ler-te as ironias difusas, embora ache sempre graça a responder-te.
Este texto é sexuado de mais para invocarmos o conhecimento de membros do clero sobre o assunto, embora todos saibamos que eles também são de carne e osso (a Igreja esqueceu-se de castrá-los, para melhores resultados práticos...) e por isso muitas vezes esse conhecimento vai além da teoria, também neles. É humano.
Mas já começa a parecer-me que essa tua obsessão em misturar religião e sexo está a transformar-se num fétiche!
;)
Beijinho
De Sofia a 3 de Abril de 2008 às 11:44
Miúda, estavas muito inspirada! É belíssimo o que escreveste e muito plástico também.

Parabéns, está mesmo bonito. Simples, mas com muito 'movimento de pulsos', se assim lhe posso chamar. É ondeado o movimento, o prazer do caminho percorrido num corpo, lembras-te?

E sabes uma coisa? É muito teu este texto, daqueles que, se eu lesse sem saber, poderia dizer: isto faz-me lembrar a Ana a escrever. Toma isto como um elogio, claro está!

beijos e mais beijos
De Pedro Viegas a 3 de Abril de 2008 às 11:10
Lindo...!
Completo, repleto, transbordante, pincelado, com cores, toneladas de doce.
Tens um jeito próprio para nos fazeres saltar a linha do imaginável.

Adorei!
Bj
JP
De miguel a 3 de Abril de 2008 às 09:46
Bonito texto. Dizem muitos Padres - e sabemos como eles sabem bem do que falam - que o problema da relação a dois é um querer mudar o outro. É um exercício engraçado e que nos faz crescer, esse de respeitar a individualidade daquele com quem partilhamos a vida. E aprender a gostar dele, tal como ele é.

Nesse sentido o texto - belo, repito - faz tantos avisos à navegação que a minha primeira tentação foi fugir. Voltei...porque afinal é só literatura. :)
De estrelicia esse a 3 de Abril de 2008 às 09:32
Já tudo foi dito. Nada tenho para dizer mas mesmo assim quero e digo: Adorei!
De Pitucha a 3 de Abril de 2008 às 07:50
Bonito. E mais não digo porque já foi tudo dito.
Beijos
De MariaV a 3 de Abril de 2008 às 01:29
Entendemos, claro. Mas mesmo que não entendêssemos, era só para dizer que adorei!
Beijo

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