Domingo, 27 de Abril de 2008

Feira de Velharias (7)

Nostalgia

Hoje acordei nostálgica. De quê, nem sei bem.

Talvez de um tempo em que tudo era mais fácil, mais previsível. Em que o futuro era ainda uma carta fechada, mas daquelas que ansiamos muito por abrir. Como um presente. Sim, é isso. Um futuro que me era oferecido, com um embrulho deslumbrante e um laçarote encarnado.

Não que tivesse sido um presente envenenado. Não. Transformou-se num presente bonito, esse futuro prometido. Mas as expectativas dessas idades, sempre desmesuradas, fazem-nos afinal suspirar quando as coisas acontecem. Quando a Vida acontece. Não de frustração, nem sequer de pena, mas de nostalgia por um tempo em que acreditámos que tudo, mesmo tudo, era possível.

Enquanto tudo se espera, tudo pode acontecer...

(Publicado pela primeira vez em 26/05/2007. Escolhi este post porque hoje também acordei assim.)
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publicado por Ana Vidal às 11:40
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16 comentários:
De O Réprobo a 27 de Abril de 2008 às 14:45
Querida Ana,
a substituição do presente pelo Presente traz a ironia da distribuição errada da maiúscula, símbolo de toda a melancolia emergente. Podemos acordar assim muitas vezes, mas, se como escreveu algures, a Dor nos torna melhores, também a nostalgia dos tempos em que mais facilmente nos iludíamos, com esse acrescento de pathos que é a desconformidade ulterior, pode ter o mesmo efeito.
Beijinho
De Ana Vidal a 27 de Abril de 2008 às 16:12
Sempre filosófico, meu amigo... mas a ilusão é sempre uma ironia, não é? O que nos salva da frustração da perda da inocência é exactamente a capacidade (que ganhámos, em compensação) de sabermos avaliá-la com ironia. É uma perspectiva nova e fascinante. Tudo está muito bem feito, afinal. Mas lá que a inocência era mais pura, isso era. É disso que tenho saudades às vezes, da pureza.
Um beijinho
De fugidia a 27 de Abril de 2008 às 15:43
Às vezes até sabe bem acordar assim, não? A mim dá-me para preguiçar e é tão bom!
Hoje estou em pulgas para sair. Espero que o
fique mais brando e que certa menina acabe os malfadados tpc.
E depois, "tudo pode acontecer"...
Muitos
(adoro estes )
De Ana Vidal a 27 de Abril de 2008 às 17:10
Ena, Fugidia, que profusão de bonecos!! Já vejo que hoje não foi dia de nostalgias, pois não? Ainda bem!
Beijinhos
De Mike a 27 de Abril de 2008 às 15:49
Sorte a minha, ou azar o meu, que não recordo quando foi a última vez que acordei ou me senti nostálgico. Se calhar os rapazes são assim ;)... ou se calhar porque já nem me lembro do tempo quando ainda acreditava que tudo, mesmo tudo, era possível. Tente lá este exercício em frente ao espelho: e um, e dois, maçãs do rosto para cima, e três, e quatro, ainda não estão lá... maçãs do rosto para cima... e um, e dois, inverter a curvatura dos lábios, e três, e quatro, vá lá, está quase... nada de desisitir... e um, e dois, mais alegria nesse exercício... :)
De Ana Vidal a 27 de Abril de 2008 às 16:02
Nem precisei de espelho, Mike: já estou a sorrir com o exercício, ou com a intenção do professor de ginástica!
Mas puxe lá pela memória, vá lá: tenho a certeza de que os rapazinhos (e não só as meninas) também acreditam em mundos encantados. Talvez com mais acção do que música, mais dragões para vencer e princesas para salvar, mas... não acredito que só haja realidades nuas e cruas (nuas haverá, com certeza...) nessas cabecinhas adolescentes! Ou será que vocês são MESMO assim tão diferentes de nós? I wonder...
De Mike a 27 de Abril de 2008 às 16:18
Digamos que a sua descrição está acima do razoável (risos). Somos MESMO assim tão difrentes, AV... e se juntarmos a isso anos de educação e a sociedade... Mas continue sorridente ;)
De Ana Vidal a 27 de Abril de 2008 às 17:08
Bom, Mike, sendo assim rendo-me... et vive la différence!
;)

PS: Conceda-me, ao menos, o ter acertado nas "realidades nuas" quando ao imaginário adolescente masculino...
De Cristina Ribeiro a 27 de Abril de 2008 às 22:35
Também eu tive essa veleidade de pensar que tudo, mas mesmo tudo era possível. Algumas das coisas sonhadas foram-no, outras nem tanto. Mas como estas não deixaram mágoas inultrapassáveis, também elas fazem parte da onda de nostalgia, que tantas vezes me assalta...
Beijinho
De Ana Vidal a 27 de Abril de 2008 às 23:54
Quando é para sonhar, que se sonhe alto! Depois, a vida dirá quantos sonhos se virão a realizar, não é?
E dos sonhos ficam sempre boas lembranças, mesmo quando não passam disso.
Beijinho
De Luísa a 28 de Abril de 2008 às 00:04
Também tenho, frequentemente, essa nostalgia, Ana. Não tanto por aquilo que não se realizou, como pela incapacidade que sinto de dar aos meus sonhos de hoje a amplitude que tinham os de então. Acho que perdi, no caminho, alguma confiança. Espero ter sido compensada com alguma sabedoria… ;-D
De Ana Vidal a 28 de Abril de 2008 às 00:16
Acho que somos sempre compensados com outras coisas, Luísa, entre elas alguma sabedoria. Perder tudo e não ganhar nada é que seria insuportável.
;)
De Manuel Teixeira a 28 de Abril de 2008 às 09:43
Gostei da tua frase ENQUANTO TUDO SE ESPERA, TUDO PODE ACONTECER.
[Error: Irreparable invalid markup ('<br [...] <a>') in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]

Gostei da tua frase ENQUANTO TUDO SE ESPERA, TUDO PODE ACONTECER. <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>Manel</A>
De Ana Vidal a 28 de Abril de 2008 às 12:25
Olá, Manel.
Bem-vindo, long time no see! Achei que não tinhas dado com o caminho...

A frase é um verso de um poeminha meu, "Branca Lua", que foi musicado e já pus aqui no blog. Ainda bem que gostas.
Beijo
De sofia a 28 de Abril de 2008 às 12:36
Às vezes também acordo assim e junto a melancolia à nostalgia e ficamos a pairar ainda entre sonhos e realidades!

Bonito o teu texto!

Bem me parecia que conhecia a tua última frase... ;) Tem-me embalado muitas vezes!

beijinhos
De Ana Vidal a 28 de Abril de 2008 às 12:46
Pairar é bom, Sofia. Também gosto disso.
;)
Beijocas

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