Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007

Sempre Amado


A Jorge Amado

Na biblioteca do meu pai
em lugar de destaque, bem à mão
estão os mágicos livros
(num eterno entra e sai)
de um Jorge sempre Amado, sempre lido
em cada geração
e estranhamente nunca proibido,
nem nos tempos da grande agitação
de quatro menininhas a crescer...
(e como então gostávamos de os ler!)

Com um mar,
com um mundo de permeio
entre a pacata vila à beira Tejo
e esse imenso Brasil agreste e doce
viveu connosco sempre Jorge Amado
comeu, dormiu connosco, passeou-se
por mesas de madeira e azulejo
e camas vestidas de bordados
como se um de nós fosse...
Fez-nos chorar e rir, em devaneio
sonhar, pisar areias sem idade
sentir os cheiros da sua cidade
embriagar de cores, de sensações
entre coronéis e "negas" dos sertões
e navegar a bordo de paixões
sem sombra de pecado.
Por tudo isto, querido e velho amigo
é com toda a ternura que te digo:
Em nome de nós todos, obrigado!
publicado por Ana Vidal às 19:19
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8 comentários:
De ana vidal a 26 de Outubro de 2007 às 21:56
JG,
Também as tuas palavras me comoveram. Não só porque fico contente por ter partilhado a emoção que o Jorge Amado sempre me provoca - vejo que isso acontece com outras pessoas também, e até por razões semelhantes - como porque constatei através delas, uma vez mais, como os meus pais eram pessoas especiais. Porquê? Pela simples razão de que eram pessoas que podiam ser consideradas de direita, mas eram extremamente liberais. Sempre nos ensinaram a distinguir a Arte das ideologias (literatura incluída): na biblioteca lá de casa havia de tudo mesmo, porque os escritores (de um extremo ao outro do espectro político) eram escolhidos pela sua qualidade literária e nada mais. O Jorge Amado, por exemplo, era um dos favoritos. Lá em casa não se falava em política, mas acho que os meus pais nos prepararam para saber escolher com critério e com toda a informação disponível. E eu estou-lhes muito grata também por isso.

PS: Já agora, fazes-me um favor? Diz-me de quem é o quadro que usei como ilustração do meu post de ontem, que eu gostava de identificar mas não sei de quem é. E tenho a certeza de que tu sabes.

Miguel,
Obrigada, uma vez mais. Sabes que és sempre bem vindo. Já agora, quando será que te animas a fazer o teu próprio blog? Tens tanto para dizer, e de tanta qualidade... tenho pena. Gostava de pôr-te também nos "blogs amigos".
;)
De Miguel a 26 de Outubro de 2007 às 10:56
Belíssimo texto-poema, Ana.
E blogues amigos ´, o que é mais, de grande qualidade, já vão 4.

abraços
De JG a 26 de Outubro de 2007 às 00:37
O primeiro livro que li de Jorge Amado foi Capitães da Areia, teria eu mais ou menos 14 ou 15 anos. Quem mo aconselhou foi um parente que vivia na clandestinidade foragido da Pide, muito antes da "primavera marcelista" e quando ter ou ler livros como esse era um sério risco.

Esse romance, chamemos-lhe assim, marcou-me para toda a vida. O homem que hoje sou em parte a ele, livro e Jorge Amado, o devo. E sou um bom homem. Tenho-me nessa conta.

As tuas palavras emocionaram-me. O Brasil (vivi lá cinco anos da minha vida) também está muito à flor da minha pele. Fico-te grato, Ana.
De ana vidal a 25 de Outubro de 2007 às 19:58
Pois era, vizinho. Por pouco não o conheci pessoalmente, e tive muita pena. Devo-lhe a descoberta do Novo Mundo, nada menos de que isso!

Papalagui, fico contente que tenha gostado. O Brasil está muito presente por aqui, já vejo!
De RAA a 25 de Outubro de 2007 às 19:16
Ele foi tão importante na vida de tanta gente... Na minha também. E quando cá vinha, era nosso vizinho, vizinha!
De papalagui a 25 de Outubro de 2007 às 13:58
Adorei! O Jorge Amado também faz parte da minha vida. Alguns dos livros cá de casa vieram do Brasil e o Brasil também faz parte da minha vida :-)
De ana vidal a 24 de Outubro de 2007 às 20:57
Bom, a Teresa Batista era "dose" para 12 anos... mas os livros estavam na estante, bem à vista, não era? E o pai lia-nos trechos dos Capitães da Areia, um autêntico poema do JA. E da Gabriela também.
Durante anos, o Brasil, para mim, era a Baía.
De Mad a 24 de Outubro de 2007 às 20:28
Excelente. Lindo. E verdadeiro! Lembro-me de ler a Teresa Batista aos 12, de lanterna em punho e às escondidas da mãe...

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