Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Semibreves

Ana Vidal

 

 

Detenho-me numa frase do livro Jesusalém - belíssima prosa poética de Mia Couto - que fica a tilintar-me nos ouvidos como um eco de sinos tibetanos:

 

Todo o silêncio é música em estado de gravidez

 

O livro está cheio de frases felizes, mas acho esta de uma clarividência própria de uma alma em estado de graça. Como o silêncio, afinal.

 

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publicado por Ana Vidal às 21:28
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17 comentários:
De Ping-pong a 9 de Outubro de 2009 às 18:36
Já estava espantada com a ausência da Ana ou então será da minha. E fazia-me falta.
Tantas vezes gozo de um silêncio exterior que me posso permitir longas conversas comigo própria, o meu interior esse está cheio ou como diz o autor "grávido".
Mas é nos símbolos da música que o silêncio se afirma mais forte.
"Um silêncio abandonado é a estagnação; um silêncio imposto é pausa-puro intervalo- mesmo que infinito." C.Campo
De Ana Vidal a 10 de Outubro de 2009 às 15:53
Obrigada pelas palavras, Ping-pong. Mas olhe que não tenho estado ausente, só menos presente...

Há silêncios de uma enorme musicalidade, outros dissonantes e agressivos. Mas também acho (como o Mia Couto) que música e silêncio são uma e a mesma coisa, só que em estados diferentes.

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