Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Semibreves

Ana Vidal

 

 

Detenho-me numa frase do livro Jesusalém - belíssima prosa poética de Mia Couto - que fica a tilintar-me nos ouvidos como um eco de sinos tibetanos:

 

Todo o silêncio é música em estado de gravidez

 

O livro está cheio de frases felizes, mas acho esta de uma clarividência própria de uma alma em estado de graça. Como o silêncio, afinal.

 

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publicado por Ana Vidal às 21:28
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17 comentários:
De Si a 8 de Outubro de 2009 às 23:17
E a subtileza, Ana, a subtileza magistral com que se tornam frases simples em sabedorias que carregam verdades tão profundas como se tivessem milhares de anos em cima...!


De Ana Vidal a 10 de Outubro de 2009 às 15:45
É verdade, Si. Mia Couto tem esse dom. Esta é só uma, mas há muitas outras pérolas nos livros dele. É um escritor notável que descobri há pouco tempo.
De mike a 8 de Outubro de 2009 às 23:34
O pior é quendo o silêncio dá à luz. Lá se vai o estado de graça.
De Ana Vidal a 10 de Outubro de 2009 às 15:43
Nem sempre, Mike, nem sempre...
:-)
De Raúl Mesquita a 9 de Outubro de 2009 às 02:10
Os dois teclados falam mais do que a frase! Estou a ficar viciado nos blogs, mas cansado de frases. Inventem uma nova forma de ser, ou vão dar-me a mim esse 13º trabalho de Hércules, LOL !?
De Ana Vidal a 10 de Outubro de 2009 às 15:49
Fica inteiramente a seu cargo essa invenção, Raúl!
Um estreante da blogosfera - mesmo já confessamente viciado - tem uma frescura que os meus dois anos e meio dela já me levaram. Fico à espera do resultado...

Mas eu gosto de frases, ao contrário de si. Não cito autores com muita frequência, mas há pérolas que gosto de destacar e, neste momento, ando encantada com o Mia Couto. Não é para contrariá-lo, juro, mas acho que vai ver por aqui mais algumas dele...
:-)
De Raúl Mesquita a 10 de Outubro de 2009 às 15:52
Com todo o prazer, Ana, Miemos , LOL ! E, mãos à obra, o 13º Trabalho de Hércules irá sair em breve! Stay put !
De Ana Vidal a 10 de Outubro de 2009 às 15:59
Boa, Raúl! I will.
Avise-nos, ok?
De Raúl Mesquita a 10 de Outubro de 2009 às 16:33
Claro que sim!
De Ping-pong a 9 de Outubro de 2009 às 18:36
Já estava espantada com a ausência da Ana ou então será da minha. E fazia-me falta.
Tantas vezes gozo de um silêncio exterior que me posso permitir longas conversas comigo própria, o meu interior esse está cheio ou como diz o autor "grávido".
Mas é nos símbolos da música que o silêncio se afirma mais forte.
"Um silêncio abandonado é a estagnação; um silêncio imposto é pausa-puro intervalo- mesmo que infinito." C.Campo
De Ana Vidal a 10 de Outubro de 2009 às 15:53
Obrigada pelas palavras, Ping-pong. Mas olhe que não tenho estado ausente, só menos presente...

Há silêncios de uma enorme musicalidade, outros dissonantes e agressivos. Mas também acho (como o Mia Couto) que música e silêncio são uma e a mesma coisa, só que em estados diferentes.

De imprevistoseacasos a 9 de Outubro de 2009 às 18:36
Concordo em absoluto.
Mas o Mia Couto tem a capacidade de verbalizar o que sentimos, antes de uma consciência plena...

Beijinhos da Fernanda
De Ana Vidal a 10 de Outubro de 2009 às 15:54
Tem, sim, como todos os grandes escritores.
Beijinhos, Fernanda.
De Luísa a 10 de Outubro de 2009 às 13:32
Para alguns, Ana, o silêncio é já a música. Mas há silêncios e há silêncios, e se alguns têm uma «quase» musicalidade que nos embala, concentra ou inspira, outros são mais carregados do que trovões.
P.S.: Quanto à frase, gosto da ideia, mas não adiro entusiasticamente à forma. A palavra «gravidez» tem, estranhamente, uma sonoridade agreste, dura, sem a suavidade que o respectivo estado pressupõe, sem música, em suma… :-)
De Ana Vidal a 10 de Outubro de 2009 às 15:57
Engraçado: sem a ter lido ainda, escrevi quase o mesmo ali em cima...
Mas eu gosto da palavra gravidez, que acho forte e sugestiva. Suave, o estado? Humm... nem sempre, Luísa. Às vezes é bem violento.
;-)
De fugidia a 10 de Outubro de 2009 às 18:48
Gosto da forma como o Mia Couto diz certas coisas e esta é, verdadeiramente, poética.
Mas os silêncios, para mim, são de tantos e tão variados e nem todos são música :-)
De Ana Vidal a 11 de Outubro de 2009 às 13:20
Não, nem todos. Mas a genialidade da frase mantêm-se, mesmo para esses. Porque nem todas as gestações acabam num parto feliz...
:-)

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