Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Sou sincera

Rita Ferro

 

Assunto encerrado

 

 

Muita tinta tem corrido sobre o caso Polanski e os intelectuais europeus estão chocados com a prisão do cineasta. Tratava-se de uma miúda, mas, mesmo assim, os mais relutantes em condená-lo à fogueira especulam: «How young is too young?». Com tanta conversa ainda não percebi: houve violação e sodomia, ou o crime foi seduzir a menor? Cokie Roberts, escritora e jornalista laureada, dava-lhe um tiro e pronto. Aqui 

 

Quer comentar a atitude da senhora?

 

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publicado por Ana Vidal às 10:00
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31 comentários:
De rita ferro a 7 de Outubro de 2009 às 20:17
Concordo com tudo, Fugidia, letra por letra. Mas um homem de 76 anos já não é o mesmo homem. Pode pensar-se: tem muita sorte de ser só agora. Não acho. Viveu até agora sob a ameaça de ser preso, o seu crime foi alardeado na época, muitos desejam a sua morte e ele sabe-o, já viveu o seu inferno. A justiça é outra coisa e prossegue o seu caminho. Mas para mim vem tarde.
De Raúl Mesquita a 7 de Outubro de 2009 às 20:43
Rita, se me é permitido fazer um apanhado, direi que o comentário da Luísa pareceu-me ser, entre todos, o mais equilibrado, sem partidos, se preconceitos. A veia feminina da fugidia é, e desculpe-me Fugidia, pois só a conheço daqui, inflamada demais, chegando a cegar a razão. Rita , tu foste sóbria e ponderada. Dixit . Hoje estou opinativo, estão a passar-se muitas coisas hoje mesmo na minha vida, tento "conservar o cool ". E passou-se também uma coisa agradável, a tua entrevista e a expectativa das tuas entrevistas . Parabéns mais uma vez na tua carreira, Querida. E estamos à espera do quarto. Não metas lá ninguém a cinco minutos de fazer dezoito anos, cuidado...!
De fugidia a 7 de Outubro de 2009 às 21:47
Caro Raúl Mesquita,
não precisa de se desculpar: estas caixinhas servem precisamente para debatermos ideias, concordando ou não uns com os outros.

É por isso que não posso deixar de lhe dizer que leu o meu comentário de uma forma que não corresponde ao que eu penso e pretendi partilhar.
Não tenho qualquer "veia feminina", pelo menos no sentido que interpretei nas suas palavras; isso seria o mesmo que dizer que os homens do vídeo e desta caixinha se mostraram mais complacentes com o cineasta, o que não será, parece-me, muito justo.
Inflamada demais, chegando a cegar a razão também não corresponde ao que sinto relativamente a este assunto. A não ser que se esteja a referir à honestidade com que afirmei que teria dito (sublinho o dito) que matava e pronto. Porque acredito que perante uma situação destas seja a vontade de qualquer mãe ou pai: matar o agressor.
O que nos distinguirá será sempre a capacidade de contermos esse instinto, ou não.

Àparte isto, continuo a dizer, com toda a serenidade, que a atitude é de cobardia.
Se isto é ser inflamada, gostaria que me dissesse então, olhando para o homem (esqueça a comunicação social, se a justiça é tardia ou não, se a vítima perdoou ou não e que ele é um excelente cineasta): como é que qualifica a atitude dele desde o momento em que drogou e violou, até hoje?

Veja bem, não julgo mais do que isto. Aliás, sou a primeira a concordar que todos temos momentos de cobardia.
E o ser humano espanta-me dia-a-dia, com a sua capacidade de fazer o extraordinário e o pior possível. Com os seus.

Obrigada pela troca de ideias :-)
De Raúl Mesquita a 8 de Outubro de 2009 às 01:17
Cara Fugidia, que, pelos vistos não foge (e ainda bem):

Claro, fugidia, deve querer dizer que passa por aqui quando pode, enganei-me? Ninguém tem o tempo todo que gostaria. E usando este verbo, digo que gostei de ler nesta "caixinha" a sua ponderada reflexão, o que só mostra que isto afinal vale a pena. Há, realmente, uma cumplicidade, esta cega, sim , entre nós, cega porque só falta tirarmos todos, mulheres e homens as burkas . Mas... não será mais thrilling assim? Pergunto-me. Mas agora posso dizer-lhe que foi um prazer conhecê-la. Continuemos, se me der essa honra! Raúl.
De fugidia a 8 de Outubro de 2009 às 06:18
Fugidia porque sempre a "fugir" (a correr) de um lado para o outro, de tantas coisas que resolve fazer; fugidia porque sempre que pode foge para o seu esconderijo virtual :-)
A burka vamos tirando à medida que temos vontade de conhecer na vida real quem nos encanta na virtual :-)

O gosto foi meu, Raúl Mesquita.
Um resto de boa semana :-)
De rita ferro a 7 de Outubro de 2009 às 23:05
Superlol! Mas, quanto à Fugidia, não lhe tires a flama, please!
De fugidia a 7 de Outubro de 2009 às 21:32
E eu concordo consigo, Rita, quando diz que que este homem de 76 anos já não é o mesmo que era à época dos factos e que já viveu (e vive) o seu inferno.
De rita ferro a 8 de Outubro de 2009 às 00:28
Há, em mim, uma espécie de empatia com os transgressores que começa a preocupar-me. Como se os compreendesse. Como se só o Inferno tivesse capacidade para os salvar, equilibrar, tal a forma como este mundo nos estropia. Isto, independentemente do calibre do crime, que aqui não terá desculpa. É uma capacidade esquizofrénica de separar as coisas: de um lado a vítima, com a sua dor e inocência; do outro o criminoso, com outro tipo de dor e outro tipo de inocência, impossíveis de explicar aqui.
De fugidia a 8 de Outubro de 2009 às 06:23
Não creio que se deva preocupar Rita; nenhum de nós é só preto ou branco; até os transgressores ;-)

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