Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Sou sincera

Rita Ferro

 

Assunto encerrado

 

 

Muita tinta tem corrido sobre o caso Polanski e os intelectuais europeus estão chocados com a prisão do cineasta. Tratava-se de uma miúda, mas, mesmo assim, os mais relutantes em condená-lo à fogueira especulam: «How young is too young?». Com tanta conversa ainda não percebi: houve violação e sodomia, ou o crime foi seduzir a menor? Cokie Roberts, escritora e jornalista laureada, dava-lhe um tiro e pronto. Aqui 

 

Quer comentar a atitude da senhora?

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 10:00
link do post
31 comentários:
De luis eme a 7 de Outubro de 2009 às 10:52
a da senhora? pelo sorriso aberto, fez humor com a situação, Rita.

falando agora a sério, a "vitima" ainda deve ser viva e tem idade suficiente para dizer da sua "justiça", e devia ser a primeira a ser escutada sobre este assunto.

e claro que não se deve branquear a situação, nem "esticar" o filme...

De rita ferro a 7 de Outubro de 2009 às 17:09
A vítima já perdoou e há muito que retirou a queixa. Mas há a mãe, a justiça, os média...
De Raúl Mesquita a 7 de Outubro de 2009 às 14:12
The entire matter stinks . A Senhora é uma bruxa e uma criminosa, ao aceitar e promover a pena de morte. Lá está o Deus dos judeus, o da punição e não o do perdão... . Fala de sodomia (proibida nalguns Estados ainda, porque a finalidade das relações sexuais é, exclusivamente a reprodução...), quanto ao resto, se se bebeu as bolhas ou não, se ele a forçou ou não, se ela só tem 13 anos, então não se metam no assunto e deixem o Tribunal resolver. Não vêem que quanto mais dizem, mais o Senhor Polansky (um grande realizador) tem propaganda? E, no fim, vamos a ver, uma pena simbólica... enquanto que, os desconhecidos apanham uma grande. Percebi bem, este é o issue em causa. Mas se eu fosse Lei, proibia que se mexesse, fora dos tribunais, na vida sexual das pessoas. Disse!

P.S. Rita, tive, mais uma vez de vir à procura do blog de hoje. Não recebo a notificação desde dia 23 de Setembro. Fui banido? Bjs , Raúl.
De rita ferro a 7 de Outubro de 2009 às 17:10
Bom, sendo estupro a vida passa a não dever ser privada...
De Raúl Mesquita a 7 de Outubro de 2009 às 18:47
Rita, "refraseio" : ...nem devia lá entrar! Crime é crime, sexo é sexo, mas propagandear, como se faz hoje em dia, sobretudo os crimes que envolvem sexo, uma vez que não há crimes sexuais as such, per se, é sinal de uma sociedade muito doente, i.e. , primitiva nos seus instintos. Dixit .
De rita ferro a 7 de Outubro de 2009 às 20:10
Todas as coisas têm dois lados. Aplica-se ao Polanski, à mãe da miúda, aos média, a tu e a mim. A mim, pagam para não desconsiderar nenhum :-)
De Luísa a 7 de Outubro de 2009 às 14:43
Sobre a atitude da senhora, Rita, penso que teve intenção de fazer humor, exagerando o castigo. Parece, aliás, que tenta, mais adiante, explicar-se, mas não consegue tomar a palavra.
Sobre o caso, sabe-se que em nenhuma parte do mundo a justiça é completamente cega. Por outro lado, os dados conhecidos – ou que eu conheço - não são, para mim, suficientes para uma apreciação. Não tenho informação sobre os factores decisivos da intencionalidade enganosa do «criminoso» e dos graus de consciência e adesão ou repúdio da vítima. Ainda assim, gosto de ouvir afirmar e repetir insistentemente, no vídeo, que a justiça é para todos, independentemente de quaisquer estatutos. É que a prática, em Portugal, anda tão distante desse princípio, que eu já me interrogava se ele ainda estaria activo. :-)
De rita ferro a 7 de Outubro de 2009 às 17:11
E em Espanha? LOL
De Raúl Mesquita a 7 de Outubro de 2009 às 18:49
Espanha, Rita? Ainda se dissesses Itália...
De rita ferro a 7 de Outubro de 2009 às 20:12
Os espanhóis são sanguinários, está-lhes no sangue :-)) Os italianos menos. Nunca tiveram guerra civil, por exemplo :-))
De Raúl Mesquita a 7 de Outubro de 2009 às 20:30
E o circo romano? E, recentemente, a participação na Segunda Guerra Mundial e o verdadeiro fascismo, o de B. Mussolini? Os espanhóis dividem-se entre os sanguinários, gente dos sítios mais pobres, Galiza (Franco) e Sevilha e as pessoas de bem, generalizando, permito-me, em Madrid e em Barcelona.
De rita ferro a 7 de Outubro de 2009 às 23:03
E os touros de morte?
De Raúl Mesquita a 8 de Outubro de 2009 às 01:05
Por isso mesmo é que eu incluí Sevilha nos "maus"...
De João Paulo Cardoso a 7 de Outubro de 2009 às 15:58
"Take Him Out and Shoot"?!

Mas isso é mais ou menos o que ele tem feito!

Tem andado por aí fora não a fotografar (shoot) mas a filmar!

Enfim, cenas de filme.
De rita ferro a 7 de Outubro de 2009 às 17:11
You naughty boy...
De fugidia a 7 de Outubro de 2009 às 19:31
A escritora e jornalista laureada? Foi uma reacção impulsiva, resultado de uma mistura de graça com um desejo primitivo do "olho por olho".
(se fosse uma filha minha eu teria dito o mesmo, mas a sério, não duvide)

O cineasta? Ficará, creio, na história do cinema.

O homem por trás do cineasta? Como todos nós, capaz do melhor e do pior: cobarde (estou a conter-me, nesta parte, no adjectivo porque se trata, para mim, de um dos piores crimes) quando violou, cobarde quando fugiu, cobarde quando não pagou a indemnização que acordara pagar (não é que o dinheiro restitua seja o que for, mas era uma compensação e, sobretudo, havia a palavra dada).

Custa-me que não se distinga o homem do cineasta. Pode-se discutir se há ou não prazo de prescrição para estes crimes e, havendo, qual deve ser o seu limite. Mas não se pode esquecer que este homem desrespeitou um semelhante e fugiu às suas responsabilidades.
Tenho desprezo por quem assim actua. E a cobardia é tanta que acho que o seu castigo será ficar uma eternidade preso, a tentar não ser extraditado.
De rita ferro a 7 de Outubro de 2009 às 20:17
Concordo com tudo, Fugidia, letra por letra. Mas um homem de 76 anos já não é o mesmo homem. Pode pensar-se: tem muita sorte de ser só agora. Não acho. Viveu até agora sob a ameaça de ser preso, o seu crime foi alardeado na época, muitos desejam a sua morte e ele sabe-o, já viveu o seu inferno. A justiça é outra coisa e prossegue o seu caminho. Mas para mim vem tarde.
De Raúl Mesquita a 7 de Outubro de 2009 às 20:43
Rita, se me é permitido fazer um apanhado, direi que o comentário da Luísa pareceu-me ser, entre todos, o mais equilibrado, sem partidos, se preconceitos. A veia feminina da fugidia é, e desculpe-me Fugidia, pois só a conheço daqui, inflamada demais, chegando a cegar a razão. Rita , tu foste sóbria e ponderada. Dixit . Hoje estou opinativo, estão a passar-se muitas coisas hoje mesmo na minha vida, tento "conservar o cool ". E passou-se também uma coisa agradável, a tua entrevista e a expectativa das tuas entrevistas . Parabéns mais uma vez na tua carreira, Querida. E estamos à espera do quarto. Não metas lá ninguém a cinco minutos de fazer dezoito anos, cuidado...!
De fugidia a 7 de Outubro de 2009 às 21:47
Caro Raúl Mesquita,
não precisa de se desculpar: estas caixinhas servem precisamente para debatermos ideias, concordando ou não uns com os outros.

É por isso que não posso deixar de lhe dizer que leu o meu comentário de uma forma que não corresponde ao que eu penso e pretendi partilhar.
Não tenho qualquer "veia feminina", pelo menos no sentido que interpretei nas suas palavras; isso seria o mesmo que dizer que os homens do vídeo e desta caixinha se mostraram mais complacentes com o cineasta, o que não será, parece-me, muito justo.
Inflamada demais, chegando a cegar a razão também não corresponde ao que sinto relativamente a este assunto. A não ser que se esteja a referir à honestidade com que afirmei que teria dito (sublinho o dito) que matava e pronto. Porque acredito que perante uma situação destas seja a vontade de qualquer mãe ou pai: matar o agressor.
O que nos distinguirá será sempre a capacidade de contermos esse instinto, ou não.

Àparte isto, continuo a dizer, com toda a serenidade, que a atitude é de cobardia.
Se isto é ser inflamada, gostaria que me dissesse então, olhando para o homem (esqueça a comunicação social, se a justiça é tardia ou não, se a vítima perdoou ou não e que ele é um excelente cineasta): como é que qualifica a atitude dele desde o momento em que drogou e violou, até hoje?

Veja bem, não julgo mais do que isto. Aliás, sou a primeira a concordar que todos temos momentos de cobardia.
E o ser humano espanta-me dia-a-dia, com a sua capacidade de fazer o extraordinário e o pior possível. Com os seus.

Obrigada pela troca de ideias :-)
De Raúl Mesquita a 8 de Outubro de 2009 às 01:17
Cara Fugidia, que, pelos vistos não foge (e ainda bem):

Claro, fugidia, deve querer dizer que passa por aqui quando pode, enganei-me? Ninguém tem o tempo todo que gostaria. E usando este verbo, digo que gostei de ler nesta "caixinha" a sua ponderada reflexão, o que só mostra que isto afinal vale a pena. Há, realmente, uma cumplicidade, esta cega, sim , entre nós, cega porque só falta tirarmos todos, mulheres e homens as burkas . Mas... não será mais thrilling assim? Pergunto-me. Mas agora posso dizer-lhe que foi um prazer conhecê-la. Continuemos, se me der essa honra! Raúl.
De fugidia a 8 de Outubro de 2009 às 06:18
Fugidia porque sempre a "fugir" (a correr) de um lado para o outro, de tantas coisas que resolve fazer; fugidia porque sempre que pode foge para o seu esconderijo virtual :-)
A burka vamos tirando à medida que temos vontade de conhecer na vida real quem nos encanta na virtual :-)

O gosto foi meu, Raúl Mesquita.
Um resto de boa semana :-)
De rita ferro a 7 de Outubro de 2009 às 23:05
Superlol! Mas, quanto à Fugidia, não lhe tires a flama, please!
De fugidia a 7 de Outubro de 2009 às 21:32
E eu concordo consigo, Rita, quando diz que que este homem de 76 anos já não é o mesmo que era à época dos factos e que já viveu (e vive) o seu inferno.
De rita ferro a 8 de Outubro de 2009 às 00:28
Há, em mim, uma espécie de empatia com os transgressores que começa a preocupar-me. Como se os compreendesse. Como se só o Inferno tivesse capacidade para os salvar, equilibrar, tal a forma como este mundo nos estropia. Isto, independentemente do calibre do crime, que aqui não terá desculpa. É uma capacidade esquizofrénica de separar as coisas: de um lado a vítima, com a sua dor e inocência; do outro o criminoso, com outro tipo de dor e outro tipo de inocência, impossíveis de explicar aqui.
De fugidia a 8 de Outubro de 2009 às 06:23
Não creio que se deva preocupar Rita; nenhum de nós é só preto ou branco; até os transgressores ;-)
De p.m. a 7 de Outubro de 2009 às 20:55
Citando quem sabe destas coisas:

«Julgava eu que nos EUA existia, como na generalidade dos países, o instituto da prescrição da pena.
Mas parece que não. Polanski foi agora detido na Suíça, no âmbito de um pedido de extradição, para cumprimento de uma pena de prisão em que foi condenado nos EUA em 1978!
Estranho, até porque na Suíça é certo e seguro que tal instituto existe, de forma que não deveria extraditar cidadãos por ele abrangidos. » (Eduardo Maia Costa no blog «Sine Die»)
Já agora, como é que seria em Portugal? A resposta está aqui:
http://bdjur.almedina.net/item.php?field=item_id&value=79953

Justiça ou vingança? é a minha dúvida...
De rita ferro a 7 de Outubro de 2009 às 23:08
Uma serve de álibi à outra...
De mike a 8 de Outubro de 2009 às 00:03
Sou sincero, Rita: uma coisa é comentar, outra é julgar. E para desconversar não vou fazer nem uma coisa, nem outra. Como leigo de leis não percebo tanto alarido, até porque quem foi alvo da hipotética violação ainda está viva. Acho que Polanski, neste momento e sem o desejar, está apenas a fazer uma coisa que é comum nos dias de hoje: vnder jornais através dos podres alheios. Pronto, fui sincero. :)
De rita ferro a 8 de Outubro de 2009 às 00:30
Vender jornais para colher empatias?
De mike a 8 de Outubro de 2009 às 00:32
Quando se vendem jornais, a única entidade que colhe alguma coisa (e não são empatias, mas money) é o accionista.
De rita ferro a 8 de Outubro de 2009 às 02:26
Hummmm... isso levava-nos longe!

Comentar post

brisas, nortadas e furacões, por


Ana Vidal
Pedro Silveira Botelho
Manuel Fragoso de Almeida
Marie Tourvel
Rita Ferro
João Paulo Cardoso
Luísa
João de Bragança

palavras ao vento


portadovento@sapo.pt

aragens


“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez."

(Jean Cocteau)

portas da casa


Violinos no Telhado
Pastéis de Nada
As Letras da Sopa
O Eldorado
Nocturno
Delito de Opinião
Adeus, até ao meu regresso

Ventos recentes

Até sempre

Expresso do Oriente (3)

Expresso do Oriente (2)

Expresso do Oriente (1)

Vou ali...

Adivinhe quem foi jantar?

Intervalo

Semibreves

Pocket Classic (A Educaçã...

Coentros e rabanetes

Adivinhe quem vem jantar?

Moleskine

Lapsus Linguae

Semibreves

Sou sincera

Rosa dos Ventos

Livros



Seda e Aço


A Poesia é para comer


Gente do Sul

E tudo o vento levou

Perfil

Technorati Profile

Add to Technorati Favorites

Ventos do mundo

Ventos de Passagem


visitantes online

Subscrever feeds