Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Pocket Classic (Bouvard e Pécuchet)


Marie Tourvel

 

De volta. Pensaram que eu não voltaria mais? Ainda tem muito clássico pra queimar por aqui. Muito intelequitual pra gente azucrinar, principalmente moços que acham que sabem tudo, mas da vida não sabem nada. Fiquei doente, ainda não melhorei completamente, mas me deu saudades da Porta do Vento, de escrever por aqui. Quase eu não volto porque estou morrendo de vergonha por causa do papel ridículo do Brasil em Honduras. Fiquei imaginando meus amigos portugueses sorrindo e dizendo: “A Marie? Do Bananão? Aquele país que abriga em sua embaixada em Honduras um presidente deposto? Sei...” Quero deixar claro que não participei da trapalhada, ta? Ao contrário de Oliver Stone, considero o Chávez um ditador cafona, Zelaya um fanfarrão e Lula... bem, Lula é aquilo que vocês estão vendo, um apedeuta.

 

Mas vamos falar de coisas mais agradáveis. Volto com Flaubert. Um dia fiz um resumo de Madame Bovary, hoje faço um pocket de Bouvard e Pécuchet. Flaubert sempre nos ensina. Resumo:

 

Dois caras muito loucos se conhecem e amaldiçoam suas vidinhas de copistas. Um deles ganha uma herança e os dois partem para o campo a fim de estudar, ganhar altos conhecimentos. Desencantam-se e voltam a ser copistas.

 

Agora, bilionário, é a hora de mostrar todo seu conhecimento. Diga aos amiguinhos intelequituais que à medida que os dois desafiam as idéias preconcebidas ficam cada vez mais conscientes das inconsistências espalhadas nos seus manuais. Diga que eles consultam monografias, enciclopédias e falham catastroficamente nas suas experiências. Lamentam e passam para outra. E desistem para novamente ser copistas. Diga que a obra foi publicada de forma inacabada e postumamente. A obra revela uma dramática paixão pelo conhecimento, expresso pelo entusiasmo dos heróis por uma variedade de temas. Comente principalmente sobre as desilusões dos nossos heróis. São as nossas, bilionário. Quer um exemplo? Nós somos Bouvard e Pécuchet, os políticos são a destruição de nossas lavouras. Pronto, fiz ao menos uma analogia diogomainardiana com esta obra maravilhosa do autor. E tem uma segunda parte que vale mencionar que é o “Dicionário das idéias feitas”. Não comente muito sobre ele, bilionário. Saia de fininho porque alguns intelequituais podem se ofender.

 

Música crédula para post nem tanto: 

 

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publicado por Ana Vidal às 10:00
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11 comentários:
De agenor a 29 de Setembro de 2009 às 12:18
LOL Apedeuta , que palavra fantástica! Desconfio que se chamar isso a alguém, nos dia de hoje, o dito ainda fica a pensar que é um elogio... :-)

Paixão pelo conhecimento e desilusões com os manuais. Pois... é difícil entender a vida a partir de livros de instruções. O tema parece-me actual. Vou aditar o livro à minha lista. Obrigado, Marie .

Folgo em saber que já está recuperada! Beijos.









De marie tourvel a 30 de Setembro de 2009 às 03:07
A palavra é muito adequada ao nosso presidente, Agenor, querido. Tem um jornalista daqui que só o chama assim. E eu desconfio que ele acha que é elogio. ;)
Leia, não se arrependerá.

Obrigada e um grande beijo
De Luísa a 29 de Setembro de 2009 às 15:48
Marie, apesar de gostar imenso do Flaubert, nunca me abalancei ao seu Bouvard e Pécuchet, por achar o tema menos sedutor. Alguns anos volvidos, este Pocket altera radicalmente o meu preconceito, e o livro salta já para o primeiro lugar da minha lista de prioridades. É, sem dúvida, porque envelheci um pouco… Mas é sobretudo pela qualidade e o humor dos seus Pockets, e os hábeis paralelos que estabelece com a nossa – chamemos-lhe contraditória ou enigmática - realidade. :-D
De marie tourvel a 30 de Setembro de 2009 às 03:08
Tenho certeza que vai adorar o livro, Luísa, querida. É atualíssimo.

Beijos
De Luísa a 30 de Setembro de 2009 às 03:13
Votos da sua rápida e completa recuperação, Marie. Um beijinho. :-)
De mike a 29 de Setembro de 2009 às 20:09
Bom saber que está melhorando, Marie. Você tem que ser mais tolerante com Bananão, viu menina? tanto quanto é com os intilectuais. (risada)
Olha, a galera já tinha era saudades suas e dos seus crássicos. :D
De marie tourvel a 30 de Setembro de 2009 às 03:10
Mike, meu queridinho, saudades de você. Não dá pra ser tolerante com o Bananão. Nosso presidente só faz goiabada de banana. :)))

Obrigada por sua preocupação. Estou me recuperando bem.

Beijinhos
De mike a 30 de Setembro de 2009 às 10:16
Mas Marie, goiabada com banana é muito bom. E eu também gosto de "Romeu e Julieta". Agora quem ler esta não vai ficar sabendo do que estamos a falar. (risada)
Cuide de si, menina. :)
De marie tourvel a 30 de Setembro de 2009 às 19:19
Então, meu lindo Mike, aqui fazem goiabada de banana e não goiabada COM banana. :))))
Eu amo Romeu e Julieta. O de Shakespeare e o de queijo branco com goiabada. ;)
Tô me cuidando, sim. Deixa comigo.

Mais beijos
De Ana Vidal a 29 de Setembro de 2009 às 21:15
Também não li este, Marie. Aproveito a boleia do teu bilionário e fico-me pelo resumo. Gostei imenso de ler Flaubert, mas a lista de livros que tenho à minha espera já vai longa...

Ainda bem que já estás melhor.
Um beijo
De marie tourvel a 30 de Setembro de 2009 às 03:13
Aninha, nem que seja para ler daqui uns dois anos. Leia, sim. Tenho ceteza que vai adorar. Eu li este livro em 1993 indicado por um amigo. Confesso que tive preguiça no início, mas em seguida devorei. ;)

Obrigada, estou cada dia que passa melhorando mais. :)

Beijocas

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