Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Azinhagas da memória

Manuel Fragoso de Almeida

 

Pois hoje, não me vou fazer à estrada para vos dar mais ideias de repastos gostosos.

 

Fico-me por Lisboa e também por um almocinho, mas recatado, no mesmo local de outros encontros com os mesmos artistas, e também um pouco apressado para quem em plena sexta-feira tinha ainda de trabalhar da parte da tarde. Lá estiveram o João, a Ana e eu próprio, e uma convidada, a minha filha Catarina que tenta agora iniciar-se no mundo do trabalho, na opção profissional por ela escolhida.

 

Mas porque raio é que eu me lembro de voltar a estes almoços, mesmo que justificado com esta conviva especial? Para agradecer seguramente aos presentes, mas sobretudo para vos dar conta da sensação especial que pessoalmente guardo deste almoço, do que significa deixarmos fluir a amizade, alegre e serenamente, para a geração dos nossos filhos.

 

Estivemos ali, descobrindo caminhos para a Catarina, com e-mails e prevenções cautelosas da Ana, com troca de números de telefone e contactos imediatos do João, e obviamente com a minha estafada mania de contar mais uma história, de me lembrar de mais uma cena complicada pela única discoteca (?) que seguramente existia nos finais dos anos setenta em Ayamonte.

 

Era um mundo estranho, o que descrevíamos para a Catarina, com fronteiras com Espanha a fecharem à meia-noite (até porque não havia mais barcos a partir dessa hora), com pensões que nos davam a chave para abrirmos a porta se nos atrasássemos e chegássemos depois das 11 da noite, sem telemóveis…

 

Dali sobressaíam sobretudo as gargalhadas, os risos menos contidos, as memórias revividas de um trio de amigos, que passava para ela, um pouco incrédula, uma estranha forma de vida, mas também o viver dum simples sentimento de amizade…

 

Deixamos várias hipóteses de caminhos e de ideias. Talvez a Catarina tenha ficado mais sentida e tocada por voltar a ver aqueles amigos do pai, que depois de alguns anos passados ainda se recordam de tanta asneira!

 

Mal sabe ela… enfim…

 

Ao João e à Ana, aqui ficam os meus agradecimentos, sobretudo por aquela sensação inolvidável de podermos passar esta gostosa amizade simples para os que nos seguem. É ela que enfeitará as bordas do caminho que a Catarina seguir.

 

publicado por Ana Vidal às 10:00
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8 comentários:
De Luísa a 28 de Setembro de 2009 às 17:05
A mais segura aprendizagem dos filhos faz-se sempre com o exemplo dos pais, Manuel. Não duvido de que a sua filha saberá distinguir a amizade e rodear-se de grandes amigos. :-)
De Manecas a 28 de Setembro de 2009 às 20:08
É verdade, e o exemplo dá-se nas pequenas coisas quase imperceptiveis que dizemos ou fazemos...

Bjs
De Ana Vidal a 28 de Setembro de 2009 às 18:11
Manecas, os nossos almocinhos "Junqueira revisited" sabem sempre bem, mas é como dizes: dá gosto ver a nova geração a alinhar nas nossas brincadeiras, mesmo com aquelas carinhas de quem não acredita que os pais foram capazes delas (e eles não sabem nem metade da missa...). A tua Catarina é um doce e eu gostei muito de conhecê-la melhor.
Beijos
De Ana Vidal a 28 de Setembro de 2009 às 18:12
PS: Mas temos de começar a variar um bocadinho a ementa...
De Manecas a 28 de Setembro de 2009 às 20:06
E o esforço que a pessoa tem de fazer para conservar algum respeitinho...

Daí que a barba seja adequada...Sem ela não sei o que seria...

Beijinhos

PS - E vai avisando o António, não vá ele acreditar em mim...
De Ana Vidal a 28 de Setembro de 2009 às 20:15
Ainda nem o vi desde esse dia, acreditas? :-)
Mas deixa que eu digo-lhe que és um "senhor" de respeito... lol
De mike a 28 de Setembro de 2009 às 18:32
Fiqeui logo de pé atrás com o primeiro parágrafo, Manecas. Mas depois foi um desatar a ler com gosto.
De Manecas a 28 de Setembro de 2009 às 20:11
Calma Mike...Ainda agora arrancámos!

E temos de ir bebendo umas aguinhas pelo meio...

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