Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Semibreves

Ana Vidal

 

 

À FLOR DA PELE

 

Toco, teço e entrelaço

Com dedos de descobrir

Lanço redes num abraço

À flor da pele me desfaço

Na vertigem de sentir

Tudo é matéria, se é tempo

De epidérmicas razões

Danço num sopro de vento

Rasga-me cada tormento

Gelam, queimam, emoções

  

E todavia, invisível
Eterno e primordial

Corre o rio do intangível

Imperioso, indefinível

 

Matriz de tudo, afinal

 

(Imagem: René Magritte)

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publicado por Ana Vidal às 10:00
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22 comentários:
De JdB a 24 de Setembro de 2009 às 11:45
Se estivessemos numa casa de fados só me ocorreria dizer: Ah boca linda!
Um beijo
J
De Ana Vidal a 24 de Setembro de 2009 às 20:45
Posso tomar como um elogio? É que nunca ouvi isso, nem numa casa de fados!
(já me ri com o seu comentário, vizinho...)
Bjs
De meunikaki a 24 de Setembro de 2009 às 12:15
Na minha doce ignorância, sempre teria chegado ao autor do quadro; se assim não fosse, valer-me-ia a assinatura e a identificação do pintor. A poesia tem filigranas (quase) inimagináveis em prosa, a capacidade de verter em meia dúzia de "linhas" uma tormenta de sentimentos e o seu corolário final.
Gosto do começo, gosto do meio, gosto do final, parafraseando, afinal a matriz de tudo; e tenho pena de não saber escrever assim, ainda que apenas ocasionalmente.
De rita ferro a 24 de Setembro de 2009 às 12:27
E eu pasmo com a tormenta de sentimentos que lhe brotam desse rasgo laudatório, Seunick! Pura poesia também, por sua vez...

(Olhe lá, seu bandido: por que razão anda arredio dos meus posts?)
De Ana Vidal a 24 de Setembro de 2009 às 20:49
A sua doçura não tem nada de ignorante, querido Akhab. E não seja modesto, que ambos sabemos que há muita poesia em si... ;-)
De Manecas a 24 de Setembro de 2009 às 12:35
Como é à flor da pele, o adjectivo mais adequado para quem lê tamanha beleza deve ser mesmo, arrepiante...

Obrigado!

beijinhos
De Ana Vidal a 24 de Setembro de 2009 às 20:50
Um querido, como sempre, Manecas.
Beijinhos e até amanhã ao almoço!
De rita ferro a 24 de Setembro de 2009 às 16:42
Tchhh... uma pessoa lê isto e até lhe apetece mudar de ofício e dedicar-se à pesca! Ah, mulher iluminada!
De Ana Vidal a 24 de Setembro de 2009 às 20:51
Tchhh... o que para aí vai de exagero!
Boa ideia, essa da pesca. Eu alinho já.
:-)
De meunikai a 25 de Setembro de 2009 às 10:09
só se for pesca à linha!
De Ana Vidal a 25 de Setembro de 2009 às 11:23
Também alinha na linha, meunikaki?
:-))
De meunikaki a 25 de Setembro de 2009 às 14:40
a linha é uma presença eterna em quem nasceu na dita :-)
De mike a 24 de Setembro de 2009 às 16:58
Identificas e mencionas a imagem mas esqueces-te de dizer quem o autor do poema. (riso contido)
Ah se eu gostasse de poesia... diria que o autor (ou será autora?) é talentoso(a) escriba. ;D
De Ana Vidal a 24 de Setembro de 2009 às 20:53
Ah, se tu perdesses essa mania de dizer que não gostas de poesia...
Obrigada pelas palavras que talvez me digas um dia, quando perderes a mania... ;-)
De Anónimo a 24 de Setembro de 2009 às 17:10
Ana, faço minhas as palavras da Rita (trocando a pesca pelo ponto de cruz, a que já me dedico há um tempo). Tenho imensas dificuldades com a poesia, Ana, mas à sua, como à de Pessoa e de raríssimos poetas, compreendo o conteúdo e admiro a forma… E aí está a razão por que esta alminha muito prosaica se sente, de quando em vez, poeticamente emocionada. :-).

De Luísa a 24 de Setembro de 2009 às 17:11
Esse anónimo sou eu...
De Ana Vidal a 24 de Setembro de 2009 às 21:01
Luísa, comparações dessas é que não vale... um dia destes apanha-me a precisar de mimos e ainda acredito!
Já lhe disse uma vez (ou mais, acho eu): as suas fotografias são verdadeiros poemas. Alminha prosaica? Ora, ora... mas se eu contribuo de alguma forma, por ínfima que seja, para aproximá-la da poesia escrita, então fico muito contente! :-)
De Ping-pong a 24 de Setembro de 2009 às 18:50
Pintura dos polos da natureza, a terra, a água e o fogo. Ninguém com coração fica indiferente a estes elementos que tocam a sensibilidade humana e estão carregados de significado.
E lá onde o pincel parou, de repente, surgiu "outra coisa" a poesia.
Para falar do homem, aliás do seu retrato, não físico mas o do seu espírito: seu ritmo, seu caminho, seus tormentos, suas contradições, seus segredos, desejos enfim seu sonho de infinito
De Ana Vidal a 24 de Setembro de 2009 às 21:06
O homem é feito de todos esses elementos também, não é? E também de ar, o elemento que não se vê ali mas está lá também. O que este quadro me sugere é que há uma subtil mas fortíssima ligação entre os elementos fundamentais e os sentidos humanos, os visíveis e os ocultos.
Obrigada pelas suas palavras, que me fizeram reflectir.
De fugidia a 25 de Setembro de 2009 às 00:06
Ah!, apetecia-me tecer aqui algumas considerações sobre o conteúdo do poema e discorrer sobre mouros e dizer que... hum... pois... não te quero embaraçar, pelo que me fico pelo Gostei!
:-D
De Ana Vidal a 25 de Setembro de 2009 às 01:02
Não me embaraças nada, Fugi. Podes tecer as considerações que tens na ponta da língua... sobre mouros e piratas há sempre muito para discorrer, não é? ;-)
De Ana <LA a 25 de Setembro de 2009 às 01:07
Querida,
Essa "flor da pele" é algo de mágico. Pobres dos que não sabem o que é o poder da sensação. Ela molda constrói e é o motor da nossa vida. Cientificamente falando, há a sensação, a percepção e a cognição e isto somos nós! Portanto sem sensação não há cognição e milhares são os transeuntes que vivem sem ela.

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