Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Sou sincera

Rita Ferro

 

Até à Eternidade! 

 

O espantoso desta era é sabermos que diariamente, algures no Mundo,  

surge um carola capaz de nos surpreender. É o caso. 

O vídeo que trago hoje é de Marco Brambilla e é projectado DENTRO DOS ELEVADORES de uma cadeia de hotéis norte-americana, com uma intenção simbólica: mostra a quem sobe uma ascensão aos céus, e, a quem desce, uma descida aos infernos.

 

É uma visão perturbadora – embora kitsch, para meu gosto -  não apenas pela escolha de Stravinsky para o fundo musical como pelo épico de imagens apocalípticas  que nos cruzam os olhos e a mente como um pesadelo,

um aviso divino ou a versão futurista de uma parábola de Bosch.

 

Lástima que não seja possível vê-lo em HD e 3D,

pois a experiência seria ainda mais inquietante.

 

Com atenção, talvez reconheça algumas das imagens que vai ver, certamente extraídas de filmes, pelo que a negociação dos direitos autorais não terá sido fácil.

Ignora-se se a projecção se suspende quando o elevador chega ao destino, ou se, lá em baixo, os empregados da Recepção já se permitem brincar com os hóspedes recém-chegados, no momento de lhes estender a chave:  «Your room number is the 2016, at the 15th floor, right next to the purgatory. Have a nice journey, sir!»

 

 

Ah, fundamental: clique sobre o ecrã

para apreciá-lo em tamanho grande (full screen mode)

 

 

 Goste-se ou não,

é uma fantasia inspirada e engenhosa.

 

Que sensações lhe trouxe?

 

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publicado por Ana Vidal às 10:00
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54 comentários:
De Anónimo a 23 de Setembro de 2009 às 10:19
O que dizer deste elevador logo pela matina? Primeiro, que talvez sejam necessários vários 3'22'' para nos apercebermos de tudo o que se passa nos vários andares, e termos a noção do que para o realizador é a aproximação ao Céu.
Confesso que, ainda que imaginativo, achei tudo mais tenebroso do que celestial. Talvez fosse o efeito da música, não sei. Lembro-me que, numa dad altura, umas senhoras esbeltas dançavam com sensualidade. Em que andar estaríamos? Talvez fosse bom o elevador parar dois patamares antes do topo celeste com uma frase demolidora e esfriamentosa: "Heaven can wait".
De JdB a 23 de Setembro de 2009 às 10:19
Falhou-me a assinatura...
JdB
De rita ferro a 23 de Setembro de 2009 às 10:23

Não sei quem é você, refrescante Anónimo, mas fez-me rir com o seu comentário e, sobretudo, com a palavra «esfriamentosa», que me diverte e já não «ouvia» há anos! Parabéns pelo bom humor celestial!
De rita ferro a 23 de Setembro de 2009 às 10:37
Ah, João, tinhas que ser tu! Mais uma vez foste o primeiro a comentar e, só por isso, tens direito a uma Bimby última geração!

(Além de bom cristão és, de facto, um heterossexual assumido: com tanta informação a deslizar pululante e vais-me fixar os olhos apenas nas odaliscas? Bom, dás cem-zero ao Marco Brambilla, que se detém descaradamente nos bíceps oleados dos escravos das galeras! LOL)
De luis eme a 23 de Setembro de 2009 às 11:09
não deve ser das melhores coisas, descer neste elevador logo de manhã, n aqueles dias em que ainda estamos a espera de acordar com a luz solar.

embora dependa sempre do espírito com que se olha a "coisa"...

subir depois de um dia de trabalho "daqueles", é capaz de não ser mau de todo, Rita.
De rita ferro a 23 de Setembro de 2009 às 11:51

Ahahah, é isso mesmo, Luís!

Só acho graça porque, até agora, nenhum comentador apreciou ainda este trabalho. Lá fora consideram-no um golpe d' asa, não se fala noutra coisa! O defeito será nosso?

Abraço e até breve!
De Helena Sacadura Cabral a 23 de Setembro de 2009 às 12:07
Minha querida isto pode ser considerado um golpe de asa lá fora. Mas, para mim, que só subi e não desci, trata-se do fruto duma mente próxima do apocalipse.
E Stravinsky deve sentir-se, lá na tumba, enfurecido. Logo este seu tema que já serviu de base a uma cena de amor / sexo fabulosa em cinema.
Ele há loucos cá fora que fariam algo semelhante. Mas não têm nome firmado, nem a protecção intelectual.
Sou muito básica nestas coisas. Gosto de Bosch, como gosto de Dali. Ambos têm alucinações. Mas são muito bons naquilo que fazem. E não "montam" bocados de outros. São originais.
De rita ferro a 23 de Setembro de 2009 às 12:49

Ora isto aí está o handicap, Helena: a colagem. Penso que todos os artistas o fazem - em literatura dão-lhe um nome pomposo que agora não recordo, mas é bem achado e já direi se lembrar - mas não desta forma tão evidente. De qualquer forma, a ideia de inserir um cena destas num elevador não deixa de ter graça, sejamos justos. O artista tem é uma visão esquizofrénica do Céu e do Inferno, com coisas idílicas e tenebrosas em ambos, mas cada um tem o seu onírico, não é verdade? O deste é que nem no Céu nem no Inferno terá paz, e ele lá saberá porquê.

Pessoalmente, toda a coreografia futurista é de filme de ficção científica - até os ovni lá estão - coisa que me repele à partida.

Mas sim, tens toda razão: há alucinações belas. Não é o caso :-))
De Ana Vidal a 23 de Setembro de 2009 às 12:11
Como trabalho criativo, é fabuloso. Mas era preciso ver isto umas vinte vezes, e bem devagar, para poder comentar com um mínimo de autoridade. Assim, à pressa, retive que o "wonder world " é infantilóide e chato (até há uma figura estranha que abre a boca... num bocejo?) por comparação com as tentações demoníacas cá de baixo, onde tudo parece bem mais divertido. Além disso, sé é aquele cromagnon musculado e bronco que o céu me promete, então eu agradeço a atenção, mas passo !
Só tu, para descobrires estas coisas...
Beijo infernal. :-)
De Ana Vidal a 23 de Setembro de 2009 às 12:16
Esqueci-me de acrescentar um pormenor em que reparei: é de uma ingenuidade comovente encontrar o Michael Jackson já devidamente alojado no paraíso, numa dança de felicidade eterna... :-)
De rita ferro a 23 de Setembro de 2009 às 12:54
A figura estranha abre e fecha a boca, se reparares, para uma criaturinha misteriosa vir cá fora apanhar ar de vez em quando. Penso que sou eu, se queres saber :-)) E há, nessa dimensão, uma pretensão da fábula, talvez, com uma vaga inspiração Lewis Carroll. Quanto ao bronco musculado, concordo contigo: converto-me já ao paganismo. Ahahah!
De rita ferro a 23 de Setembro de 2009 às 12:59
Ah, que pena, não vi o MJ! Mas vou ver outra vez depois do almoço! Distingui o Hitler, já mais amaciado, tornando os gestos duros e bruscos em piruetas amaneiradas, mas isso é porque já deve estar, por esta altura, no purgatório. Depois do almoço vou ver se descubro o MJ. Engraçado, o filme pode transformar-se, para quem não tem nada que fazer - como nós? - numa espécie de «onde está o Wally?» Até já, Aninhas, vou almoçar com a IP. Beijos para ti!
De Ana Vidal a 23 de Setembro de 2009 às 16:43
Sim, de Lewis Carroll, mas sem a originalidade nem o arrojo de uma Alice que descobre um mundo novo. Ou talvez também uma colagem ao Feiticeiro de Oz, mas sem o mesmo ingrediente mágico da originalidade. Enfim, uma construção bem feita, tecnicamente, mas preguiçosa de ideias.
De rita ferro a 23 de Setembro de 2009 às 16:48

Tens razão. Mas olha que não reconheci o MJ, achei que era a Tojal nos campos de férias...
De Ana Vidal a 23 de Setembro de 2009 às 16:52
loooooooooooooooool
De Raúl Mesquita a 23 de Setembro de 2009 às 15:38
Querida Rita:

Francamente não gostei. Se se fala muito desta obra (de arte?) é porque se confirma que a humanidade está a perder a veia. Restamos poucos (LOL ?) Há muito que, infelizmente, os americanos perderam o poder da parábola e da palavra. Steinbeck teve-o, no cinema, Georg Cuckor e Ernst Lubitsch tiveram esse dom (bem, estes eram europeus...), mas o que é um facto é que o cinema americano usava também o poder da palavra, que desapareceu. Quem se lembra da famosa fala de uma amiga para outra, esta fidelíssima ao marido, no filme One Hour With You, de Lubitsch: Too beautiful a lingerie for only husband to see "? Need I say more? Bjs , Raúl.
De rita ferro a 23 de Setembro de 2009 às 16:21
need at all: genial!
De Loira a 23 de Setembro de 2009 às 18:19
Peço desculpa por me meter na conversa, mas não entendi a ligação entre a lingerie do Lubitsh e o filme do Brambilla. Será que podia fazer o desenho? :-)
Many thanks
De Raúl Mesquita a 23 de Setembro de 2009 às 19:08
Loira, não tem nada que pedir desculpa, ora essa, por quem é! A relação entre os dois é a mesma que existe entre uma loira e uma morena. Percebeu? Com os meus melhores cumprimentos, Raúl Mesquita. P.S. Talvez tenha lido o meu Post apressadamente, coisa que compreendo muito bem nestes dias de montagens hollywoodescas...
De Loira a 23 de Setembro de 2009 às 19:20
Hummmmm.... não! mas a frase «too beautiful a lingerie for only husband to see" é gira, de qualquer maneira...

Obrigada

De rita ferro a 23 de Setembro de 2009 às 19:28
Raúuuuulllll , está aqui uma senhora com uma pergunta para ti!!

(Eu cá, se quer que lhe diga, também não posso jurar se percebi: limitei-me a achar a frase deliciosamente maliciosa num guião dos anos 30. Mas acho que o Raúl se terá mostrado nostálgico de uma outra força da palavra, quando os filmes não tinham nem este excesso de verborreia que têm hoje, sempre «inteligentíssima», nem a profusão de técnica e efeitos e velocidade das fitas americanas, comprometendo um outro elemento crucial que alguns europeus ainda conservam: a verosimilhança. Mas isto sou eu a pensar :-))
De Loira a 23 de Setembro de 2009 às 19:35
Ahhhhhhhhhhh! Fantástico! Deve ser isso, pois...

(Não há como uma Morena inteligente para esclarecer uma Loira! :-))

Obrigada

De rita ferro a 23 de Setembro de 2009 às 19:52

Lastimo, também sou loira: presume-se, pois, que ambas as inteligências têm.... madeixas?

(Mas ó Raúl, agora uma pergunta: porque te crispaste tanto com estoutra loira? Foi directa, delicada e limitou-se a acrescentar uma pitadinha de humor, com aquela de «fazer um desenho». Nada de ofensivo, ou foi? Não acharias graça se ouvisses a mesma frase num filme desses, antigo? Ou será que se conhecem e se estão apenas a picar, estando eu a mais nesse caso?)
De Loira a 23 de Setembro de 2009 às 19:59
Eu sei que o seu cabelo é louro, mas não estava a falar do cabelo... Por mim madeixas tá óptimo!

[Será que nos conhecemos? ]
De Helena Sacadura Cabral a 24 de Setembro de 2009 às 12:45
Tem toda a razão, Raul, em invocar os mestres Lubitsch e Cukor. Passaram 30 anos e a América maravilha-se com este produto!
Estou inteiramente consigo. O diálogo que reproduz diz bem mais do que este esquício de fake!
De Loira a 24 de Setembro de 2009 às 12:52
Lubitsch? Cukor? Mas afinal isto não é só um filmezinho para as pessoas distrairem os olhos enquanto sobrem no elevador?
De Loira a 24 de Setembro de 2009 às 12:53
ooooops! Escrevi «sobrem» mas era sobem...
De Raúl Mesquita a 24 de Setembro de 2009 às 12:55
Muito obrigado, Helena. Realmente, com uma palavra, um olhar, um chiaroscuro, diz-se tudo...
De rita ferro a 23 de Setembro de 2009 às 19:30
Ah, ok, cheguei tarde: o próprio já respondeu :-))
De Raúl Mesquita a 23 de Setembro de 2009 às 19:45
No hard feelings, Ladies. Tudo por bem! Eu mesmo fiquei muito loiro (de verdade) este Verão! Bjs.
De rita ferro a 23 de Setembro de 2009 às 19:54

Bolas, cheguei tarde outra vez! Esquece, então, Raúl. Por este andar, mais do que loira, fico platinada!
De fugidia a 23 de Setembro de 2009 às 19:54
Não gostei, Rita:
- demasiado lenta, a subida;
- demasiado lenta, a música;
- demasiada gente por todos os cantos.

A sensação foi: quando é que isto acaba?
Eu devolveria a chave do quarto e mudava de hotel
:-)
De rita ferro a 23 de Setembro de 2009 às 20:09

Pois é verdade, sou obrigada a reconhecer: são três minutos que lembram os cem anos de solidão! Bora para o Plaza, Fugi? Fica na 5ª Avenida e aposto que ainda se sobe e desce ao som do Sinatra!
De fugidia a 23 de Setembro de 2009 às 20:35
Bora!
:-D
De Raúl Mesquita a 23 de Setembro de 2009 às 20:58
Rita, Fugidia, Caríssimas Amigas:

Sad news. O Plaza já não é um hotel, mas um ensemble de luxury flats. No entanto, deve ter muitos elevadores ainda; lá para onde vão é que não sei... Um desafio: bora então mas é para o Pierre! Bjs.
De rita ferro a 23 de Setembro de 2009 às 21:02
Ohhhhhhhhhhhhhhhh.... Que desgosto me deste agora! Quando estive lá da última vez fui de propósito à casa de banho das senhoras para ver de novo aquela coisa linda! Pierre? O último que conheci foi o Curie.... Mas aceito a sugestão, Raúl, és um homem refinado!
De fugidia a 23 de Setembro de 2009 às 21:45
Se é bom e refinado, também vou!
(podemos levar piratas? ou lá também há? - fugindo antes que o meu me leia...) :-D
De rita ferro a 23 de Setembro de 2009 às 22:32
Penso que não, Fugi, estão todos a gozar férias nas Caraíbas :-))
De Raúl Mesquita a 24 de Setembro de 2009 às 00:03
Combinado. Bora aí. O Hotel Pierre, também na 5ª Avenida. Famoso pelo Chefe Pierre. Bjs.
De Ana Vidal a 24 de Setembro de 2009 às 01:05
Ou para o Carlton, na Madison. Um mimo! Não tem elevadores condenatórios e até tem quartos para fumadores, para quem ainda não dispensa esse pecado.
De mike a 23 de Setembro de 2009 às 22:29
Rita, sou sincero: gostei muito! Não vou entrar em explicações técnicas e racionais ou de âmbito criativo. Nestas coisas ou se gosta ou não. E eu gostei. :)
De rita ferro a 23 de Setembro de 2009 às 22:34
Vale pela curiosidade, não é? Obrigada, Mike. Sempre sucinto e decidido!
De GJ a 24 de Setembro de 2009 às 02:46
Rita, a sensação que tive é que estava a ver uma obra prima. Gostei muito e ao contrário de outras opiniões, penso que a peça musical escolhida é que nos dá essa nota de excelência visual.
De rita ferro a 24 de Setembro de 2009 às 08:07

Aleluia! O filme é redimido no último comentário da noite! E logo por uma Grande Jóia :-))

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