Terça-feira, 15 de Setembro de 2009

Pocket Classic (Animal Farm)

Marie Tourvel

 

Hoje falarei deste clássico de George Orwell. Aqui no Brasil chamamos de “A Revolução dos Bichos”, em Portugal não sei qual foi a tradução para o título do livro (se alguém puder me ajudar, agradeço). Mas o que mais importa é falar sobre a obra. Um satírico soco no estômago do “socialismo” soviético. Orwell escreveu outras obras tão ou mais importantes que esta, mas esta tem um sabor especial. Olhar para os intelequituais esquerdistas e encher a boca falando em porcos não tem preço. Resumo:

 

Em uma fazenda os bichos resolvem se rebelar contra o homem. Só que os porcos ficam com a melhor parte do bolo. Napoleão, um porco Stalin dita a regra: “Todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que os outros”.

 

Falar sobre este livro na rodinha é muito fácil. E fique tranqüilo com o intelequitual barbudo stalinista ao seu lado. Ele tem essa cara de mau, mas o que ele adora mesmo é grana. No início da conversa você pode pensar que ele é idealista e tal, mas não se iluda. Não dê um tostão para a causa dele, ele enfiaria no próprio bolso. Comece dizendo que o livro trata-se de uma obra-prima de ironia controlada, concentrada nos desenvolvimentos essenciais que culminaram no advento do estado soviético. Diga que Orwell enfrentou dificuldades para publicar seu livro, confirmando, assim, a sua opinião de que a intelligentsia -que eu costumo chamar de burritsia, britânica estava servil perante o sistema soviético. Aliás, você pode complementar que países bananeiros até hoje curvam-se diante deste socialismo rasteiro. Ora na forma do famigerado “politicamente correto”, ora na forma do Estado dizer o que é bom para nós ou não. Dê exemplos exóticos: Hugo Chávez, Fidel Castro, Evo Morales e pode falar de Lula, também. Este último é o mais espertinho de todos. Fale sobre o personagem chamado Snowball que representa Trotsky que não concordava com os métodos do Napoleão. Muitos trotskystas acreditam piamente que este é o caminho fofo do socialismo. Não é. Socialismo é utopia, mas você nem precisa falar assim para os amiguinhos da rodinha. Não é hora de magoá-los. Você terá o respeito dos intelequituais por citar Orwell. Falarei na sua linguagem, bilionário: você sempre pensou em comunistas como comedor de criancinhas e invasores de propriedades privadas, não é assim? Fale isso de forma rebuscada que os barbudinhos intelequituais ficarão quietinhos. Eles não sabem argumentar. Olhe para todos à sua volta na rodinha. Você não conseguirá distinguir quem é homem, quem é porco. Ponto para você. Não custa dizer a você, bilionário, que o Orwell "ensaísta" era melhor ainda.

 

A música de hoje é uma homenagem que presto aos espertalhões socialistas e populistas que até hoje pululam em nosso meio (ok, são os Titãs, mas ninguém é perfeito):

 

 

 

(Nota para a Marie: Optei por usar no título do post o título original do livro - Animal Farm - para não criar confusão. Aqui em Portugal o título foi traduzido para "O Triunfo dos Porcos")

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publicado por Ana Vidal às 10:00
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16 comentários:
De Pedro a 15 de Setembro de 2009 às 11:00
A Revolução dos Bichos (no Brasil) = O Triunfo dos Porcos (em Portugal) = Animal Farm (Original)
De Pedro a 15 de Setembro de 2009 às 11:04
Ooops...never mind me... só agora reparei no comentário a vermelho onde já diz o titulo... :(
De marie tourvel a 15 de Setembro de 2009 às 23:23
Mesmo assim, obrigada por ter lembrado a todos, Pedro. :)

Um beijo
De NC a 15 de Setembro de 2009 às 17:54
Há quem diga que o triunfo já não é mais dos porcos, mas sim das hienas. Encontrei essa opinião aqui:
http://www.africanexecutive.com/modules/magazine/articles.php?article=4283&magazine=224

Por cá, e tanto quanto me parece, os intelequituais barbudos estão em vias de extinção, Marie. Agora andam todos muito bem escanhoados. Defendem a camada de ozono e os produtos biológicos, à mistura com os velhos temas do proletariado, e o resultado é uma mixórdia indigesta, pelo menos para o meu estômago. Mas acho que compreendo o que quer dizer. Por cá também temos muita retórica balofa, olá se temos! :-)


De marie tourvel a 15 de Setembro de 2009 às 23:36
Nada mais irritante do que gente politicamente correta. E estas pessoas, inevitavelmente, carregam o rótulo de esquerdistas. E são.
Uma coisa que me deixa muito brava é o Estado querer m dizer o que é bom e o que é ruim para mim. Eu decido, né? ;)

Um beijinho
De NC a 16 de Setembro de 2009 às 21:42
Tem razão, Marie, a «esquerda bronzeada» também tem esse efeito em mim... :-)

Já agora aproveito para lhe perguntar o significado de riponga. Fui à procura no dicionário mas não encontrei... :-(

Outro (beijinho) para si
De mike a 15 de Setembro de 2009 às 22:09
Delicioso este crássico, Marie. Você acha mesmo que o bilionário não vai conseguir distingui-los? Hum... nesse caso, será que a frase de Napoleão, esse tal porquinho Stalin não foi "todos os animais são iguais, mas uns são porcos e outros não"?
Agora vou ouvir os Titãs, esses imperfeitos... :)))
De marie tourvel a 15 de Setembro de 2009 às 23:38
Mike, querido, acho que o bilionário faria na boa negócios com os porcos se vislumbrasse um bom ganho. Até distinguiria, mas pra ele tanto faz. É mais ou menos isso que estamos vivendo aqui no Bananão. :)

Perdão pelos Titãs. :)

Beijos
De mike a 16 de Setembro de 2009 às 00:50
Dá para ver que você está p da vida com o Bananão... ;)
(shiu, não fala para ninguém, mas eu curto Titãs... é de ser imperfeito... risada)
De marie tourvel a 16 de Setembro de 2009 às 04:05
O Bananão só me enraivece. :)))))
Quanto aos Titãs acontece mais ou menos assim: eles fazem umas músicas até que bacanas, mas em quase todas colocam algo riponga que é um resquício dos anos em que estudavam o curso de ensino médio num colégio meio que de ripongas. Possuem aquela aura esquerdista que me irrita tanto. ;)

Mais beijinhos
De Ana Vidal a 16 de Setembro de 2009 às 00:43
Eu diria que é um murro no estômago de todos nós, Marie. A mim, Orwell deu dois belos murros. Este e outro, pior ainda: 1984. Foram dois livros que me marcaram para sempre.

Beijo, amiga.
De marie tourvel a 16 de Setembro de 2009 às 04:02
Concordo, Aninha. E, sério, eu gosto muitíssimo do Orwell ensaísta. 1984 com seu Big Brother reflete bem o que vivemos, né?

Beijos, querida.
De Luísa a 16 de Setembro de 2009 às 03:10
Já li há uns anos, Marie, e já não me lembro senão da ideia geral, que aqui tão bem desenvolve. Resta-me acrescentar que me dá imenso prazer lê-la e identificar-me com todos os seus pontos de vista… com a insignificante ressalva dos Titãs, cujo jeito musical, muito desassombrado e bravio, me intimida ligeirissimamente. ;-D
De marie tourvel a 16 de Setembro de 2009 às 04:07
Eu tinha certeza que concordaríamos nos pontos de vista, Luísa, querida.
Quanto aos Titãs é só ler minha resposta pra o Mike. Eles intmidam, mas nem tanto. ;

Beijos
De Pitucha a 16 de Setembro de 2009 às 07:36
Todos os animais são iguais mas há uns que são mais iguais do que outros.
É isso mesmo, Marie, um murro no estômago e, no entanto, é essa a realidade.
Beijos
De marie tourvel a 16 de Setembro de 2009 às 23:12
Saudades de você, Pitucha. Tudo bom por aí? :)
E tomaremos mais murros para aprender, né?

Beijocas

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