Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

 

A boca do Inferno

 

Manuela Moura Guedes, está na cara, é uma mulher que gosta de lançar bocas.

 

Apropriadamente, escancarou-se pela primeira vez aos olhos (e ouvidos) dos portugueses na década das calças à boca de sino, como locutora de continuidade.

No princípio anunciava os programas que iam entrar na nossa televisão, no fim anunciou que saía da nossa televisão.

 

Em 1979, Moura Guedes anunciou bocas cantantes no Festival RTP da Canção onde, para sua tristeza, não estiveram os seus amigos Mick Jagger, dos Rolling Stones e Steven Tyler, dos Aerosmiths.

Face a estas ausências, Manuela encontrou motivo de regozijo no anúncio de vitória de uma homónima que tinha Bravo como apelido.

Manuela Bravo soava bem para caramba e o "Sobe, Sobe Balão Sobe", só podia ser um sinal para soltar o ego.

 

Assim, não demorou muito tempo para Manuela Moura Guedes começar a cantar, consagrando melodiosamente um tema escrito por Miguel Esteves Cardoso, "Foram Cardos, Foram Prosas".

Não confundir com "foram cardos, foram Prisas".

 

A partir daí sucederam-se outras experiências, sempre com muito rugido de fundo.

 

Experiências televisivas, com a apresentação nos anos 80 de "Berros e Bocas", e nos 90 com "Raios e Coriscos"...

Matrimoniais, casando com José Eduardo Moniz e inspirando dezenas de casais portugueses a mascararem-se em futuros carnavais de "Zé e Manela"...

E até políticas, com cheirinho a Nostradamus , quando foi deputada na assembleia, muito antes de ser deportada da TVI.

 

É na televisão das novelas e dos apresentadores vestidos em technicolor que MMG se transforma no leão da MGM e amplifica o seu rugido de fundo.

 

Há quem diga que preparava escrupulosamente as caçadas de sexta.

Que escolhia o chefe da manada como presa predilecta.

 

O que é certo é que alguém calou Manuela Moura Guedes.

 

A nível pessoal, evita que passe o serão das sextas-feiras a apanhar bibelots das Caldas que desfaleciam no soalho por causa da trepidação.

 

A outro nível, dizem que dá jeito ao governo.

Mas conheço dois ou três secretários de estado que, ainda hoje, tremem de cima a baixo quando passam de carro juntinho à Boca do Inferno, ali ao pé de Cascais.

 

O que diz o eterno marulhar das ondas insubmissas?

Porque choram as sereias em noite de lua cheia?

O que sabem as rochas açoitadas pelas vagas, escravas da rotina das marés?

 

E mais importante ainda...

 

Não se pode fechar aquilo?

Suspender?

Terraplanar para fazer uma auto-estrada?

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 10:00
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6 comentários:
De Luísa a 11 de Setembro de 2009 às 14:25
Já é um currículo, João Paulo. E sabe que mais? Faz-me falta aquela «trepidação» das Sextas-Feiras. Não pela MMG , mas pelo afrontamento (no sentido de acto ou efeito de afrontar) destemido e naturalmente «desbocado» do poder. :-)
De há uns tempos a esta parte, parece que todos os dias vejo, na comunicação social – até há bem pouco a única verdadeira oposição que tínhamos – mais um a «virar», ou, pelo menos, a baixar os braços.
De rita ferro a 11 de Setembro de 2009 às 15:39
Não pense assim, Luísa, temos sempre o Marinho Pinto :-))
De Luísa a 11 de Setembro de 2009 às 15:50
Rita, valha-nos iss..., quer dizer, valha-nos Deus! :-D
De rita ferro a 11 de Setembro de 2009 às 16:11
LOLOL!
De Ana Vidal a 11 de Setembro de 2009 às 16:31
"Foram cardos, foram Prisas"???? LOOOOOOOL
Premonitório, realmente.
Beijo
De João Paulo Cardoso a 16 de Setembro de 2009 às 11:50
Muito obrigado a todas as que comentaram.

Perdoem-me a momentânea falta de modéstia, mas continua a ser notória uma ligeira trepidação às sextas, com estes "Lapsus Linguae".

Não?
Uma tremideirazita que seja?
Um formigueiro junto aos calcanhares...
Não?

Bem, de qualquer forma, o texto da próxima semana já tem título:

"Os Políticos Fedorentos".

Beijos.

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