Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Pocket Classic (O Grande Gatsby)

Marie Tourvel

 

Retorno das férias. Pilhas novas e velhos posts. Eu senti falta da Porta do Vento. Notícias relevantes daqui do Brasil só o sumiço do Belchior (se você, amigo português, não conhece este escândalo de cantor e compositor, não perdeu nada). Eu poderia tecer comentários sobre a absolvição do ex-ministro da Fazenda bananeiro que violou o sigilo bancário de um caseiro, só porque este falou a verdade, mas estou aqui, novamente, tentando ajudar um bilionário em apuros. (Não se espantem, caros, aqui é o Bananão.)

 

Mas voltando ao nosso Pocket Classic, conforme o prometido falarei sobre o livro de F. Scott Fitzgerald. Eu, particularmente, me interesso mais por obras do século XIX para trás, mas existem alguns escritores do século XX – poucos, que valem muito nossa visita. Fitzgerald é um deles. Ainda bem que nosso amigo bilionário foi passar férias em algum paraíso longe dos fétidos intelequituais. Espero só que você, bilionário, tenha lido algum livrinho neste período. Não? Não faz mal, estou aqui para acudi-lo.  Ao resumo:

 

Milionário Gatsby dá festas em sua casa na esperança de ter entre seus convidados sua antiga paixão, Daisy, casada com um outro milionário. Ninguém levava Gatsby a sério, só gostavam das festas. No fim ele morre assassinado por um marido corno que perde a esposa num acidente de carro e pensa que o assassino e amante dela é Gatsby.

 

Prestaram a devida atenção no resumo? Entende a minha ajuda agora? Não quero que ajam como se você fosse um  ignorante. Quero que os intelequituais sintam orgulho – e invejinha básica, quando freqüentarem suas festinhas. Muito uísque, muito caviar e uma dose de verniz cultural não faz mal a ninguém, não é?

Pode começar a falar na rodinha que este livro retrata a época dos anos 1920, a tal "Era do Jazz" – batizada assim por Fitzgerald. Diga que se trata da ascensão e queda de um homem carismático, Jay Gatsby. E pode dizer sem medo que existe muita moça hoje que não tem a menor coragem de viver vida real que tem em Daisy seu ideal de vida. Fale sobre a prosperidade americana desta década, desembocando na tal crise de 29. Todo mundo adora falar sobre a crise de 29 e compará-la com a atual. Mesmo os intelequituais. E sei que sobre crise e economia você dará um show em sua explanação. Fale sobre a hospitalidade de Gatsby em suas festas que combinavam com as ansiedades subjacentes sobre a ordem social em mudança, característica do modernismo americano. Gatsby tornou-se o sinônimo do sonho americano. Aquele, sabem? Termine dizendo que Fitzgerald descrevendo o mundo de fantasia de Gatsby combina com a sua apresentação de realidades mais negras e pugnazes. Sem contar o foco que dá à corrupção por trás da fortuna dele e do marido de Daisy. E chega. Está de bom tamanho. (Ah, tem filme do livro com Robert Redford no papel de Gatsby. Cotação da Marie: 3 coraçõezinhos para o filme e mais alguns para o Redford)

 

Finalizo com Billie HolidaySolitude de Duke Ellington, Eddie DeLange e Irving Mills (amo, amo, amo):

 

 

Nota: Estamos de volta. Com este pocket classic da Marie, a Porta do Vento está de novo aberta para o que der e vier. Bom regresso a todos os nossos amigos.

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 07:30
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20 comentários:
De Sun Iou Miou a 1 de Setembro de 2009 às 10:27
Magnífico regresso! (Amei, amei, amei)

Estava com saudades, mas lá desapareceram em... o tempo que demorei a ler o texto -não cronometrei.
De Ana Vidal a 1 de Setembro de 2009 às 11:39
Amei o livro e depois o filme, com um Redford irresistível e perfeito para o papel. Os loucos anos 20 muitíssimo bem retratados. Ainda tenho na memória o deslumbrante closet do Gatsby, com a roupa toda arrumada por cores... um luxo asiático.

Bom regresso, Marie! E obrigada por este pocket sobre o Fitzgerald a estrear a rentrée da Porta do Vento.
Beijo
De marie tourvel a 1 de Setembro de 2009 às 14:09
Redford estava demais mesmo, Ana.

Estou muito feliz por reabrir os trabalhos desta "Porta" querida. Saudades...

Beijos
De marie tourvel a 1 de Setembro de 2009 às 14:07
Foi tão bom voltar, Sun.
E bacana ter seu comentário por aqui.
Um beijo.
De Si a 1 de Setembro de 2009 às 13:10
Abençoada Nortada que refresca estas mentes ainda dormentes com os silêncios do mês de Agosto, abençoada Porta que, aberta, de novo, nos dá acesso a escritos tão bons e tão apetecidos!
Bem vindos, Guardadores desta Porta!
De marie tourvel a 1 de Setembro de 2009 às 14:11
Estava ansiosa pelo retorno, Si. E mais ansiosa ainda pelo retorno dos colegas da "Porta". Aqui nos sentimos em casa mesmo, não é? ;)

Beijinhos
De CNS a 1 de Setembro de 2009 às 13:46
Um excelente regresso!
Beijo para ambas

De marie tourvel a 1 de Setembro de 2009 às 14:11
Beijos, querida. :)
De Ana Vidal a 2 de Setembro de 2009 às 10:23
Beijo para si Cristina!
Ainda bem que está de volta também.
:-)
De GJ a 1 de Setembro de 2009 às 13:49
Muito bom regresso. Tem prémio e desafio para iniciar a rentrée :)
O livro e o filme são dos meus preferidos e dos tais que apesar de lido continua na prateleira. Quem sabe o releio agora com a ajuda da Marie .
A euforia dos anos 20 e a eminente decadência que se seguiu muito bem demonstrada em palavras e em imagens. Parabéns também à Marie pela escolha das letras cantadas, que na minha opinião são a cereja deste bolo.
De marie tourvel a 1 de Setembro de 2009 às 14:44
Ah, querida GJ, releia, sim. Eu reli há um ano atrás e me deliciei tudo de novo. :)
Eu amo Billie Holiday. Amo jazz. Amo música. Fico feliz que goste de minha cereja do bolo. ;)

Beijocas
De agenor a 1 de Setembro de 2009 às 21:10
Marie, gentil Marie, estou aqui a escrever ao som da fantástica Billie, para lhe dizer que a leitura deste seu «Pocket Classic» equivale a receber uma caixinha de bombons de presente, como incentivo para voltar ao trabalho. Apeteceu-me retribuir, deixando-lhe o link para um soneto que há minutos descobri aqui:
http://trabalharcansa09.blogspot.com/2009/09/soneto.html
Fala em palavras e vento. Espero que goste.
Beijo, com votos de boa reentré para todos.
De marie tourvel a 1 de Setembro de 2009 às 22:22
Agenor, meu querido, que bom que veio por aqui hoje. Se gostou de minha caixinha de bombom, digo que mais ainda gostei do soneto que deixou de presente por aqui. Lindo. Obrigada.

Beijos
De Dulce a 2 de Setembro de 2009 às 03:52
Que bom que voltaram. Agosto ficou mais triste sem vocês!
De marie tourvel a 2 de Setembro de 2009 às 11:42
Bom mesmo é ter você por aqui, Dulce.

Um grande beijo.
De Luísa a 2 de Setembro de 2009 às 16:31
Marie, gostei muito. Tenho o livro bastante mais presente do que o filme, mas tenho ideia da excelente figura do Redford, perfeitamente adaptada ao papel. Registo, quanto ao livro, o quanto me impressionou (quase irritou) a imensa ingenuidade dos grandes «românticos» do enredo, o Gatsby e o seu assassino, implacavelmente triturados pela alta sociedade fria, interesseira e classista de que, directa ou indirectamente, tentaram aproximar-se.
Mas gostei, sobretudo, de a rever (reler), Marie. And here we go again! :-)
De marie tourvel a 2 de Setembro de 2009 às 18:13
Luísa, querida, que saudades. Adoro seus comentários. Semana que vem tem mais. ;)

Beijocas
De mike a 3 de Setembro de 2009 às 00:45
Marie!!! Sabe uma coisa menina? Babei com esse seu pocket... e seu amigo bilionário é um sortudo, por ter seus resumos, que o farão enfrentar qualquer intilectual metido à besta.

Estava com saudades da Porta do Vento activa... ANA, ESTOU A FALAR CONTIGO... (risada)... e com muitas saudades dessa menina brazuca de sorriso bonito que escreve tão bem. :D

Agora vou continuar de férias. Au revoir. :)
De Ana Vidal a 3 de Setembro de 2009 às 01:55
Não precisas de gritar que eu já cá estou.
Vens cheio de energia das férias, estou a ver...
;-)
De mike a 3 de Setembro de 2009 às 17:29
Qual quê!... agora, esta semana é que estou a tentar a recuperar as energias depois de 2 semanas com os mais novos. ;)

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