Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Pocket Classic (Ilusões Perdidas)

Marie Tourvel

 

Hoje vou falar de Honoré de Balzac. Não, bilionário, não falarei da mulher de 30 pra cima, as balzaquianas. Elas, você já conhece tão bem que soaria como redundância neste espaço. Falarei de algo mais profundo que mexe com o ego de nossos amiguinhos intelequituais. Ilusões Perdidas. Este é o nome da obra que está inserida num dos dezessete volumes de A Comédia Humana do autor. Resuminho:

 

Moço mimadinho por familiares e sem nenhum caráter vai ser jornalista em cidade grande. Já viu no que vai dar, né? Traições, falta de ética... essas coisas que conhecemos da imprensa. Seja em Paris, New York, Lisboa, São Paulo ou Curralinho*.

 

Você terá que tomar muito cuidado ao falar com os intelequituais, já que muitos da rodinha são desprovidos de ética, mas mantém, mesmo assim, um status perante seu meio. Todos sabem que ele se vende, que ele pode ser um jornalista chapa-branca, por exemplo, mas geralmente é temido, o que dá um ar de poder a ele. Você pode começar dizendo que Balzac quis fazer um contraponto entre a literatura e a mídia jornal. Balzac nos mostra uma crítica de como a literatura ficou em segundo plano com a chegada do jornal. Diga que Balzac era um cronista de sua época e suas ficções enfatizavam os antagonismos culturais. Sobre a falta de ética do personagem Luciano de Rubempré você pode dizer que ele passava por cima de tudo e de todos para sempre ser o primeiro. Basta. Caso contrário, alguns da rodinha vão se sentir meio incomodados. Fora que num momento “viagem alucinante” você vai lembrar em quantos passou a perna para ter sua fortuna. Vale dizer que Marcel Proust (lembra-se dele? O moço do Em Busca do tempo Perdido), gostava muito do escritor. Mesmo assim alguns críticos o consideravam desajeitado e deselegante, embora observador. Sim, amigos. Balzac era observador, sim. Não foi o maior nem o melhor, apenas um excelente escritor. Pode finalizar desta forma que estará de bom tamanho. E se conseguir fazer com que algum jornalista da rodinha que possui a característica que descrevi lá em cima se sentir um pouquinho mal e não tiver uma noite de sono tranqüila, pode ter certeza, amigo, você terá o respeito de muitos outros.

 

*Curralinho: cidade do interior do Estado do Pará que fica na Botocúndia, digo, no Bananão... ou melhor, no Brasil-il-il.

 

E como eu gosto de musiquinha e já as usei de muleta em vários posts de minhas "Letras", vai aí uma do moço dos milhões de óculos (...We shall survive, let us take ourselves along, Where we fight our parents out in the streets, to find who's right and who's wrong.): 

 

Elton John - Bennie And The Jets

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 07:30
link do post
12 comentários:
De ritz_on_the_rocks a 14 de Julho de 2009 às 09:30
um longo e comprido abraço sobre o mar, debaixo, por cima, ... etc...
:-)

bjs
De marie tourvel a 14 de Julho de 2009 às 14:35
Ei, Rita, querida, um grande beijo pra você. :)

De mdsol a 14 de Julho de 2009 às 22:33
:))
De marie tourvel a 14 de Julho de 2009 às 22:37
mdsol:

:D

Beijos!
De Luísa a 14 de Julho de 2009 às 23:17
Querida Marie, não li as Ilusões Perdidas de Balzac, mas fiquei com imenso interesse. A maior ou menor «rectidão» dos percursos jornalísticos está muito na ordem do dia e é sempre curiosíssimo verificar que, se (como alguém me dizia há dias) a natureza humana não evoluiu desde o «paleolítico inferior», os estímulos a que essa natureza está sujeita também nunca são novos, apesar da «vertiginosa» evolução do mundo que nos rodeia. As tentações jornalísticas são provavelmente as mesmas desde que surgiu o primeiro jornal.
Um beijo. :-)
De marie tourvel a 15 de Julho de 2009 às 02:58
É um tema atualíssimo, Luísa, querida. Eu recomendo a leitura. ;)

Beijinhos
De mike a 14 de Julho de 2009 às 23:36
Marie, eu li o livro e deliciei-me com este crássico de bolso. Bilionário você vai ter que seguir o conselho de Marie, viu? Escuta o que a Moça fala de Lucien Rubempré, que em questão de intriga, você não passa de um amador. :)
De marie tourvel a 15 de Julho de 2009 às 02:59
E não é, Mike? O bilionário pensa que é esperto? Não é não. É bom esse Balzac, né? ;)

Beijos, querido.
De Ana Vidal a 15 de Julho de 2009 às 13:14
Balzac criou, sem querer, esse conceito de "balzaquiana" que se transformou numa espécie de ferrete para as mulheres. Felizmente a palavra perdeu actualidade e as coisas têm evoluído muito ao longo dos tempos: no tempo dele, uma mulher aos 30 anos era uma velha solteirona sem salvação, se não tivesse casado entretanto. Hoje em dia, a mesma mulher de 30 anos está "no princípio da vida", em todos os sentidos: pessoal, profissional, social, físico, etc.

Mas era um excelente cronista e um crítico implacável da sua época, disso não há dúvida.

Beijo!
De marie tourvel a 15 de Julho de 2009 às 13:19
Aninha, querida, é verdade. O termo balzaquiana já não tem utilidade. Ainda bem. :)

Beijos!
De JuliaML a 16 de Julho de 2009 às 00:01

Se Balsac fosse contemporâneo, penso que escreveria "a mulher de 50 anos", en effet les choses ont changés :-))

bem , Marie, Balsac , mais conhecido como autor realista, ao escrever os romances de época, foi um brilhante poeta também e excelente ensaista e dramaturgo.

beijnho


De marie tourvel a 16 de Julho de 2009 às 23:43
É mesmo, Júlia. Logo iremos dizer que a vida começa aos 50. :))))

Balzac era muito bom mesmo.

Beijos e saudades, querida. :)

Comentar post

brisas, nortadas e furacões, por


Ana Vidal
Pedro Silveira Botelho
Manuel Fragoso de Almeida
Marie Tourvel
Rita Ferro
João Paulo Cardoso
Luísa
João de Bragança

palavras ao vento


portadovento@sapo.pt

aragens


“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez."

(Jean Cocteau)

portas da casa


Violinos no Telhado
Pastéis de Nada
As Letras da Sopa
O Eldorado
Nocturno
Delito de Opinião
Adeus, até ao meu regresso

Ventos recentes

Até sempre

Expresso do Oriente (3)

Expresso do Oriente (2)

Expresso do Oriente (1)

Vou ali...

Adivinhe quem foi jantar?

Intervalo

Semibreves

Pocket Classic (A Educaçã...

Coentros e rabanetes

Adivinhe quem vem jantar?

Moleskine

Lapsus Linguae

Semibreves

Sou sincera

favoritos

O triunfo dos porcos

Livros



Seda e Aço


A Poesia é para comer


Gente do Sul

E tudo o vento levou

Perfil


ver perfil

. 16 seguidores

Technorati Profile

Add to Technorati Favorites

Ventos do mundo

Ventos de Passagem


visitantes online

Subscrever feeds