Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Pocket Classic (O Conde de Monte Cristo)


Marie Tourvel

 

Eu divago, bilionário, eu divago... Vingança é um prato que se come frio, e só se realiza caso se tenha dinheiro, muito dinheiro. Porque se vingar sem grana é coisa muito cafona. Não ligue para os moralistas, nem para os questionamentos finais de Edmond Dantès, personagem deste romance de Alexandre Dumas. Vingança é legal. Ah: mas tem que ter grana e ser jovem. Velho se vingando fica ridículo, mesmo quando é rico. Resumo: 

Edmond Dantès é ganseado* por uns idiotas e é preso. Fica quatorze anos na cadeia; um abade ensina um monte de coisinhas pra ele, e de quebra lhe conta onde está um tesouro. Edmond foge da cadeia, acha o tesouro, enrica e parte pra vingança sobre os gansos**.

Para os intelequituais, diga que se trata de uma engenhosa narrativa de Dumas que envolve segredo e revelação. Mas Dumas vai além. Ele foca o corrupto mundo financeiro, político e judicial da França nos tempos da restauração da monarquia, e as figuras marginais da época. Lembrou de algum país distante e gigante da América Latrina? Do Bananão? Esqueça: era a França mesmo, bilionário. O tema é vingança. E, cá entre nós, bilionário, é uma delícia poder se vingar de gente que só faz sacanagens, né? Eu sei que você faz muitas, mas sei também que as suas são todas com boas intenções – e que não perdoa quem sacaneia você. Em todo caso, não mostre ao intelequitual que você gosta de uma boa vingancinha. Eles adoram, mas a maioria é aquela comunistada que você já conhece e que adora vomitar discursos politicamente corretos, sabe? É importante dizer que no final o Conde – Edmond, fica se perguntando se o seu propósito de vingança com o objetivo de fazer justiça não o teria levado a usurpar os poderes de Deus. Bonito, né? Mas, na vida, a prática não é nada disso. Feche com chave de ouro e diga aos intelequituais que o romance oferece uma reflexão sobre felicidade e justiça. Não é lindo, o mundo? O seu, pelo menos, bilionário?

*ganseado: mais uma gíria ridícula bananeira, que quer dizer delatado

**ganso: aquele que delata. Dedo-duro. Alcagüete.

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publicado por Ana Vidal às 07:30
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7 comentários:
De Ana Vidal a 30 de Junho de 2009 às 15:29
Este é um dos crássicos que me empolgaram há muitos anos, Marie. Sempre achei graça ao Abade Faria, talvez porque era um ser real e ainda por cima português (de Goa), famoso pelos seus estudos sobre o sono e a hipnose. Dumas incluiu-o no seu romance como homenagem, porque a fama do Abade Faria em França era enorme.
E este livro é mesmo essencial para a formação dos teus bilionários!

Beijo grande

* Não conhecia a expressão "ganso". Nós usamos "pato", mas noutro sentido: é aquele que é enganado, não o que engana.
De marie tourvel a 30 de Junho de 2009 às 17:59
Ana, acho que é um livro essencial para a formação do nosso amigo bilionário, sim. Me interessa muito o Abade. Sono e hipnose são assuntos que eu gosto. :)

Ser chamado de ganso aqui no Bananão é uma ofensa e tanto, querida. :))))))

Beijocas!

PS: Obrigada por seu comentário lá nas "Letras" e mais obrigada ainda por essa porta aberta aqui. ;)
De Luísa a 30 de Junho de 2009 às 15:33
Minha querida Marie, não, não lembrou nenhum «país distante e gigante da América Latrina», porque não foi preciso ir tão longe. A memória não chegou a galgar fronteiras para detectar todos os sinais desse atributo (corrupção) em meios financeiross, político e judiciais. Gostei muito deste Pocket Classic, como de todos, Marie. Os seus apartes são sempre uma delícia. ;-D
De Luísa a 30 de Junho de 2009 às 15:34
Errata: onde se lê «financeiross, político», deve ler-se «financeiros, políticos».
De marie tourvel a 30 de Junho de 2009 às 18:01
Você que é muito generosa, Luísa, querida. Sabe o quanto adoro você. :)

Beijos!
De mike a 30 de Junho de 2009 às 23:44
Nossa!... fiquei um pouco chateado com este crássico, Marie. Você divaga e eu gosto quando você divaga, mas este crássico não é moleza, não. É que eu acho gostosa a vingança, mas não sou jovem nem tenho grana. Putz! Agora vou ter que encher a cara... ué, cadê meu wisque? ;)
De marie tourvel a 1 de Julho de 2009 às 01:12
Olha só, Mike, querido, você pega onda, não pega? Então é jovem. Quem pega onda é eternamente jovem. :) E grana? Ora, ora, ora... grana a gente ganha, não ganha? E eu sei que seu uísque deve ser um blue label, estou enganada? Você é chique, meu amigo, chique demais. E pode se vingar de quem quiser. Que eu não seja seu alvo. :)))))))

Beijos!

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