Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Sou sincera

Rita Ferro

 

A volta ao estádio

 

Wangari Maathai (Quénia), Prémio Nobel da Paz, 2004

 

 

Hoje trago-vos a incansável Isabel Allende

 

- romancista e activista, sobrinha do presidente chileno, a quem Neruda aconselha

 

a trocar o jornalismo pela escrita,  

 

mãe de Paula, que morre vítima de uma doença sinistra em 1990

 

e a quem dedica  um dos livros –

 

num filme de 18 minutos,

 

falando sobre paixão a um público sofisticado.

 

 

Sim, é extenso, mas tão arrebatador que o tempo passa a voar.

 

E a questão é esta:

 

No mundo que ainda temos,

quem pode

não ser feminista?


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publicado por Ana Vidal às 07:30
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129 comentários:
De meunikaki a 24 de Junho de 2009 às 08:47
Bom dia,
Não sei o que é isso de ser femeninista nos dias que correm, pelo menos na acepção "tradicional" do termo. Falo, claro, do mundo "ocidental", que não inclui muitas regiões do globo em que, apenas para usar uma acção emblemática das manifestações femeninistas (embora nada tenha de femeninista, mesmo no contexto do tempo), a queima dos soutiens seria "bemvinda".
O femeninismo é uma questão de mentalidade de que mesmo nós não nos conseguimos "livrar"; um exemplo: um casal vai a um café e pede um café e um carioca de limão e, invariavelmente, seja quem serve homem ou mulher, o carioca é colocado em frente do cliente mulher e o café do cliente homem.....
mm
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 09:21
Essa dos cafés, Meunikaki... hummm... fiquei a pensar: será porque os homens, hoje em dia, andam a dormir na forma? Tão a dormir, tão a dormir, que até acrescentam sílabas a certas palavras? Vá, ria-se! Foi apenas uma provocação para início de conversa! E obrigada! Começar este debate com o comentário de um cavalheiro é para mim um triunfo!
De meunikaki a 24 de Junho de 2009 às 10:56
Rio, claro , sou muito obediente :-)
Trata-se de uma caso de dupla personalidade, que por vezes se confundem, mas sempre útil para arrumar ideias ou expressar pontos de vista diferentes, não necessariamente contraditórios.
Não é uma questão de sono, é mesmo a presunção de que os homens bebem café e as mulheres chá ou outras bebidas supostamente mais fracas, pelo menos quando estão na companhia daqueles (esta última afirmação não faz sentido, mas cai bem como continuação de discussão... lol)
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 11:02
Adoro o non-sense, Seunikaki: acho-o seriíssimo!
De JdB a 24 de Junho de 2009 às 09:40
Já vi o video, quando a noção de responsabilidade me mandaria fazer outras coisas, eventualmente mais maçadoras...
Acima de tudo, ouvi um discurso de 17'56'' sobre as mulheres que sofrem, que lutam, que vencem, que não desesperam, que se entregam apaixonada e destemidamente às causas. Nenhum de nós já é "grunho" suficiente para falar no sexo fraco, nem para recusar a ideia do "desaproveitamento" das mulheres em muitas áreas. Mas em casa de cada um de nós - "gente" educada e com acesso à informação - existe um resquício de sociedade patriarcal (e machista?) de que nos custa ver livres.
Se o video é a defesa do feminismo, não me custa a crer que todos o defendamos. Praticá-lo...
Bom post. como sempre, é claro.
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 10:12
Querido João: o teu comentário induziu-me inicialmente a outra interpretação, mais cínica - embora não seja o teu género - pedindo clemência por tão enfadonho rosário de queixas femininas, quando tudo o que enumeras, a coragem, as causas, o sofrimento, o heroísmo, fosse, de outras perspectivas, igualmente aplicável aos homens. Mas não; sabes perfeitamente que as condições não são comparáveis e porquê, e apenas te preparavas para ser honesto, o que, todos sabemos, é meio caminho andado para a exterminação dos abusos e o triunfo da paridade. Obrigada :-))
De JdB a 24 de Junho de 2009 às 10:28
Reli o meu comentário e, de facto, podia dar azo a essa interpretação mais cínica. Resultado de pressa para resolver divergências enfadonhas com o fisco... Obrigado por teres reposto a verdade de jogo, como se diria no futebol. Àquilo que dizes, e muito bem, junto outra ideia, que suporto na minha experiência pessoal e que me aprece ser do domínio do bom-senso: no que toca aos filhos, a dimensão de sofrimento de uma mãe é diferente da de um pai.
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 11:37
Obrigada pelo testemunho precioso, João. Uma dúvida trémula: sofrimento diferente apenas (mais isso todos intuímos) ou inferior mesmo, em intensidade? (E aqui generalizando, claro, partindo não só da tua experiência como da tua intuição...) Beijo


De JdB a 24 de Junho de 2009 às 14:23
Se se pudesse reduzir isto ao tangível, diria que o sofrimento é maior. Seguramente mais intenso, mais profundo, mais rasgado, com a dimensão que lhe é dada pela maternidade. Digo isto sem problemas, sendo pai com alguma experiência na matéria.
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 15:15
Obrigada pela partilha, fiquei a pensar :-))
De patti a 24 de Junho de 2009 às 10:43
Em conversas, em que se fala de temas como estes abordados pela Isabel Allende, sobre a violência física e psicológica em que em várias sociedades as mulheres estão expostas, ouço muitas vezes mulheres condenarem esses comportamentos, lamentarem a vida dessas mulheres, ao mesmo tempo em que imediatamente se apressam em salvaguardar-se e dizer: "não quero com isto dizer que eu seja feminista"!
Como se fosse uma doença contagiosa...

Esta desculpa, este medo da palavra feminista sempre me fez confusão, até mesmo quando eu a ouvia e ainda não tinha idade suficiente para entender na totalidade o que feminismo queria dizer. Mas sentia que discursos defensores das mulheres tiranizadas não eram coniventes com o remate final, com a fuga ao assumir o feminismo.

Como diz a Isabel Allende, houve uma época em que era motivo de orgulho exibi-lo com paixão e depois veio outra época em que era quase uma vergonha, uma coisa ‘demodé’, um modismo ultrapassado.
Hoje vive-se a palavra na sua pior forma possível: a indiferença total.

Deixando filosofias, política e intelectualismos de fora, ser feminista não será mais do que defender uma ideia que exige os mesmos direitos para homens e mulheres: o direito as mesmos salários, o direito ao voto, o direito ao divórcio, o direito à liberdade sexual, o direito à educação, o direito à propriedade, o direito ao contrato e por aí adiante.

Isto parece tudo muito simples, mas na verdade é que não é assim e piora mil vezes em sociedades onde abunda a pobreza, a ignorância e a hegemonia masculina tão própria dos regimes ditatoriais religiosos.

E não me venham com argumentos de respeito à tradição e à cultura dos povos, quando mulheres são apedrejadas até à morte por adultério e por violação; quando meninas são entregues a anciãos porque algum louco há séculos atrás o disse nas escrituras; quando uma viúva fica sem todos os seus bens, em detrimento doutro membro masculino da família e são obrigadas a mendigar pelas ruas; quando se pratica o ritual da circuncisão em nome da religião; quando mulheres e meninas têm de sair dos campos de refugiados para irem buscar lenha e água, vitais à sua sobrevivência e são violadas, espancadas e raptadas pelas milícias rebeldes.
Muitos destes problemas podem ter solução e às vezes é tão simples; veja esta, Rita, encontrada para salvar as vítimas deste último exemplo, em Darfur:
(http://www.youtube.com/watch?v=Dn2v6fJTl2s)
E toda a história aqui:
(http://www.jewishworldwatch.org/refugeerelief/solarcookerproject.html)

Por último, tenho sempre esta ideia que acaba por ser uma ironia, é a nós mulheres, ainda hoje, que nos cabe a maior fatia da responsabilidade da educação dos nossos filhos. Para mim o segredo do respeito dos géneros, o princípio do fim da injustiça está aí.

Beijinhos Rita e Ana
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 14:25
Copy-paste até ao penúltimo parágrafo, Patti, tal a minha identificação com o que diz e sente! Mas depois finta-nos a nossa maior fragilidade, o grande contra-senso, o grande embaraço: se é a nós, como diz e bem, «que cabe a maior fatia da responsabilidade da educação dos nossos filhos», muito do machismo com que eles fazem sofrer, um dia, as suas mulheres, aprenderam connosco... :-)) Porque também o aculturámos, concorda?
De patti a 24 de Junho de 2009 às 22:05
Pois é Rita, daí a grande ironia disto tudo. Claro que haverá muitos casos que resultam de forma algo diferente da educação que tiveram, mas a maioria imita o que aprendeu e se somos nós mulheres que educamos….
De Ana Vidal a 24 de Junho de 2009 às 19:50
Beijos, Patti. Hoje estou preguiçosa e com pouca paciência para esta discussão eterna, por isso aproveito e subscrevo na íntegra a tua argumentação claríssima.
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 19:58
Calona. Hás-de cá vir...
De Ana Vidal a 24 de Junho de 2009 às 20:01
Não me dás uma sopinha, se eu for bater-te á porta?
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 20:05
Nem uma sandwish de esparguete, podes crer!
De Ana Vidal a 24 de Junho de 2009 às 20:14
Livra! Antes morrer à fome...
De mike a 24 de Junho de 2009 às 20:59
Rita, dê-lhe com a sandwich de esparguete mas é na cabeça.
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 21:03
(Não posso, Mike... Não digas a ninguém, mas é das que gosta de apanhar...)
De Ana Vidal a 24 de Junho de 2009 às 21:18
Whaaaaat? Tu vê lá a minha reputação!
De Ana Vidal a 24 de Junho de 2009 às 21:17
Por aqui, fofinha? looooool
De mike a 24 de Junho de 2009 às 22:03
Rita, a Ana está a querer fazer as pazes consigo... até lhe chama fôfinha, a sonsa. Não, tudo tranquilo que eu não digo a ninguém que Ela gosta... pois disso. (gargalhada)
De mike a 24 de Junho de 2009 às 22:03
errata: contigo. :)
De Ana Vidal a 24 de Junho de 2009 às 22:13
Ó mãe olhe eleeeeeeees!
De mike a 24 de Junho de 2009 às 22:52
Mimada!
De Ana Vidal a 24 de Junho de 2009 às 23:18
Intriguista!
De Ana Vidal a 24 de Junho de 2009 às 22:06
Olha que estás a esticar-te, fof... Mike! lol
De mike a 24 de Junho de 2009 às 22:53
lol
De Anónimo a 24 de Junho de 2009 às 10:50
Olá Rita
Comentários ao feminismo?
Prefiro ser feminina a ser feminista porque tenho hoje tudo aquilo que as feministas conquistaram ao longo de dois séculos.
Gosto dos homens para umas coisas e das mulheres para outras, e acho que hoje em dia vivemos de chavões e de siglas a que não me apetece nada aderir.
As fotografias de arte não as acho obscenas, acho-as próximas do caos primordial, um caos de onde surge a criação. Para mim são, pois pré-arte.
Beijos
Luísa Beltrão
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 13:02
Querida Luísa, ahah, quem escreveu «não há coincidências»? Ainda ontem, ao procurar um livro na estante, passei os olhos no teu fantástico «Os Pioneiros» e lembrei-me de ti! Mas diz-me, qual o conflito de interesses entre «feminina» e «feminista»? E quem pretende descaracterizar qualquer dos géneros? Quanto ao que as feministas conquistaram e nós abichámos, milhões de outras ainda não tiveram a mesma sorte; parece-te justo que as ignoremos apenas porque a luta já não nos diz respeito? Feminismo, neste caso, significa apenas lutar para que outras tenham o que já nos parece ultrapassado. E olha que Portugal nem sequer é um caso feliz: só no ano passado houve 40 mulheres mortas por vîolência doméstica. Relativamente aos chavões e siglas, Luísa, as coisas têm que ter um nome: este, coitadinho, é infeliz, concordo. Presta-se a caricaturas e a deslutres e, pior que isso, a uma guerra dentro da que o conceito já transporta: a da semântica. Bom, cheira-me que não ouviste a Allende, porque não tiveste tempo, ocupada que estás sempre nas tuas acções de solidariedade com toda a gente. O engraçado é isto: és a pessoa mais rasgadora generosa que conheço. Obrigada por teres vindo aqui hoje e desculpa a paixão a responder. Beijos epilépticos, como dizia o Almada.
De luis eme a 24 de Junho de 2009 às 12:04
Rita,

em vez de feminista, porque não humanista?

é um problema de todos nós, homens e mulheres...

o mais grave é que parece que está a existir um retrocesso neste campo, estamos a perder direitos humanos, e não é só no mundo do trabalho.

bjs
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 13:11
Boa pergunta, Luís. Um feminista deveria ser necessariamente um humanista, e vice-versa, mas como todo o homem é, simultaneamente, contradição e paradoxo, à cautela... particulariza-se. Leu lá em cima o JdB, não leu? Pois não vamos mais longe: aí tem um humanista que, corajosamente, nos confessou a sua ambivalência :-)) Um abraço e obrigada por mais esta prestação!
De imprevistoseacasos a 24 de Junho de 2009 às 13:10
Olá Rita,

Falar sobre feminismo não pode ser encarado como uma provocação, quer por quem pergunta, quer por quem responde. Não faz sentido.
Pessoalmente penso que o video de Isabel Allende é um exemplo de vida, de sabedoria, de fina ironia, de classe, de autenticidade. Senti-me pequena perante tão grande Dama.
Quanto ao conteúdo, seria bom registar, todas as palavras, sentido e som. Foram verbalizadas com o intuito de comunicar, de tornar comum uma mensagem muito importante: sofre-se no mundo, as mulheres sofrem,as crianças sofrem, os homens sofrem. Parte deste mundo, as mulheres, são alvo de particulares injustiças. Quem as inflige? Porquê? Vale a pena continuar a decepar a vontade de tantas?
Beijinhos
Fernanda
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 14:34
Valeu a pena, valeu, Fernanda: foram séculos e séculos de poder absoluto :-))
De imprevistoseacasos a 24 de Junho de 2009 às 20:17
Hoje , quando vinha para casa, lembrei-me deste tema, pois vi uma miúda cigana a ser puxada pelos cabelos pelo pai. Tinha querido ir à escola ver os amiguinhos. Pecado mortal. Já era uma senhora pelo que não pode ir já à escola. Espera pelo seu casamento e não se pode "estragar". Que mais dizer? Para alem da cultura cigana, impera aqui aquele poder de séculos, não achas?
outro beijo
Fernanda
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 21:06
Que horror, nem me contes isso... E se nos metemos ainda ouvimos das mães da miúda...
De mike a 24 de Junho de 2009 às 13:46
Sou sicero, Rita: EU! ;)
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 14:38
E se eu lhe disser que não acredito, Mike? Como reage? Vamos a um pequeno teste: não concorda com o voto das mulheres? Pensa que não lhes assiste o direito a fumarem, a beberem, a vestirem calças, aviajarem sem a licença do marido ou a trabalharem fora de casa? A controlarem o número de filhos? A recusarem-se ao sexo, se não tiverem vontade? A andarem na rua com a cara ou as pernas descobertas? Tem de ser forte, Mike: você é um feminista!
De mike a 24 de Junho de 2009 às 21:02
Sou lá agora, Rita... à excepção da recusa, são tudo coisas aceitáveis e normais. Não é preciso serem feministas e queimarem soutiens... basta não usá-los, ora.
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 21:07
Bom, já hesito sobre o destino da sandes de esparguete... :-))
De mike a 24 de Junho de 2009 às 22:04
Podes dar-me com elas na cabeça. (gargalhada abafada)
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 22:15
A tua sorte é eu estar com fome...
De mike a 24 de Junho de 2009 às 22:53
lol lol
De Raúl Mesquita a 24 de Junho de 2009 às 13:58
Rita, sendo eu uma das personagens irreverentes das que nos fala a Isabel Allende , apetecia-me responder, tout-court " à tua pergunta: "No mundo que ainda temos, quem pode não ser feminista?" com a seguinte resposta, "As Mulheres!" Mas, dada a importância do tema, no modo como foi desenvolvido pela palestrante, vou alongar-me um pouco mais. Sem invalidar os factos apresentados, que devem ser uma preocupação de Todos, e uma vez que o teu tema é o do feminismo, concluo que a Isabel Allende bate-se por uma substituição, a do chamado Mundo Patriarcal, por outra, a do Mundo Matriarcal. Onde está a justiça nesta troca? Não, Rita, feminismo assim, não, porque separa , divide, o que devia estar unido. Feminismo assim, "selvagem", não. Olhemos para a História. Já existiram sociedades ditas matriarcais, em melhor português, de matriarcas, como existem outras, ditas patriarcais, a judaico-cristã, por exemplo, e muitas que podia enumerar. Vamos appeler un chat , un chat ". Na sociedade dita patriarcal, já na Antiguidade Greco-Latina houve mulheres de destaque, houve-as na Idade Média e nos Tempos Modernos, houve-as na composição musical, literária e por aí fora. O que me faz ir ainda mais longe (irreverente). Será que as que ficaram no gineceu à volta da panela e rodeadas de filhos, não o escolheram livremente? Sabes, Rita, o gineceu é um local muito poderoso onde se tece o futuro dos filhos, alguns, do sexo masculino e que levam também, o selo das mães. Feminismo assim não, Rita . E, já agora, por que motivo a perseguição às pernas de Sofia Loren ...? Não, Rita, parece-me que as feministas querem et le beurre et l'argent du beurre ". Bjs , Raúl.
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 15:00
Querido Raúl, obrigada pela controvérsia.

Aqui vai:

1) Penso que a Allende não pugna por um mundo governado por mulheres, mas igualmente governado por elas; faz graça disto, é claro, dizendo que, se fosse governado por nós, talvez não estivesse no estado em que está - e tens que admitir que isto está um caos :-))

2) Não tomes à letra o discurso: sabes tão bem como eu que, para mexer na indiferença das pessoas e para a militância de qualquer causa, não se pode usar de falinhas mansas e tem que se carregar nas tintas. No fim da palestra, fica-se com uma mancha na memória, um grito sobre as injustiças cometidas contra as mulheres, e isso só se consegue usando armas como a verrina, por exemplo, que passam às vezes melhor do que a doçura.

3) «Já na Antiguidade Greco-Latina houve mulheres de destaque, houve-as na Idade Média e nos Tempos Modernos, houve-as na composição musical, literária e por aí fora.» - Sê justo, Raúl. Um erudito como tu, melómano ainda por cima! Queres comparar os míseros nomes femininos que se destacaram nas Artes, em comparação com os masculinos? Não brinquemos, Raúl.

4) «Será que as que ficaram no gineceu à volta da panela e rodeadas de filhos, não o escolheram livremente?» Estás a falar de quem, Raúl? Não sei, mas posso responder-te eu, sim, livremente: nunca o escolhemos livremente. Seja por amor, renúncia, moral, tradição, costumas, obrigação, obediência, medo, insegurança, dependência, nunca foi, até hoje, uma escolha verdadeiramente livre.

5) Quanto à perseguição às pernas da Sofia Loren, foi uma graça, Raúl. Ela lastima, no fim, não ser tão bonita como ela; mas quis dar assim o seu recado ao mundo real, percebes?, ao mundo das mulheres de carne e osso, sem retoque, que se assumem imperfeitas e grosseiras, mas que terão talvez outro protagonismo e glória, outro estrelato, nem que seja o do heroísmo do anonimato.

Peço-te que não leves a mal, mais uma vez, mas, tal como tu, fui franca. Um beijo com toda a amizade.
De Raúl Mesquita a 24 de Junho de 2009 às 15:41
Querida Rita:

Com certeza que é para isso que estamos aqui, para que haja franqueza. Vou só pegar num dos teus, tão bem estruturados, pontos, num e meio, digamos: no 3º e no princípio do 4º porque se prendem um ao outro.

Não creio que seja pelos números que se avalia quem vai à frente (afinal isto é um jogo?) Sei lá se as centenas, milhares, de mulheres não valem mais do que os muitos milhares de homens que ficaram na História? E sei lá (aqui está o 4º ponto) se as que não foram conhecidas nas artes, insisto, não preferiram "a panela" e o comando da casa, que inclui os seres vivos que a habitam? Pensa nisto, Querida Amiga! Bjs , Raúl.
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 16:02
É assim mesmo, Raúl, não te ficas! Nem tu nem eu, ah-ah: é claro que os maiores heróis permanecerão ignorados, mas isso será verdade tanto para homens como para mulheres, não é certo? Como saber, como apurar? Mas o que está em causa é quantas vocações não se revelariam se o acesso às artes e à ciência não tivesse sido vedado às mulheres até há geração das nossas mães, e quanto sofrimento e lágrimas e frustrações não se teriam poupado! E tu dar-lhe com a «panela», Raúl, não estás bem! A panela tem muita graça quando é para fazer um refogadinho de vez em quando, um salmãozinho, um magret, uma perdiz, uma surpresa com velas, um acepipe, uma especialidade, mas não como obrigação, menino, bolas!, quatro vezes por dia, com ou sem dinheiro, para cinco ou seis bocas exigentes, maçadas, saturadas, mal-dispostas, mais convidados, «ó mãe, pode cá almoçar o meu amigo zé maria, coitado, vá lá-mãe-vá-lá?», «ó Teresinha, importas-te de ter cá os meus pais e irmãos a jantar no fim-do-ano», com trabalho de mula antes e depois, mãos a cheirar a lixívia, unhas pelo sabugo, bicos vertidos de ovos e de leite, forno queimado de gordura para esfregar, tu nem me fales em mais nada QUE EU JÁ ESTOU DOENTE SÓ DE INVENTARIAR, OUVISTE? TU NEM ME VOLTES A LEMBRAR A PORCARIA DA PANELA QUE EU MATO-TE! Quem prefere a panela a qualquer outra coisa na vida, Raúl, quem? QUEM? QUEM??????

(Falamos disto noutro sítio, combinado? Vou ali beber água para me acalmar...)
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 16:03
Errata urgente: «até à geração» - LOL
De Ana Vidal a 24 de Junho de 2009 às 20:03
Uiiiii... LOL
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 20:06
... Meaning???
De Ana Vidal a 24 de Junho de 2009 às 20:13
Olha, puxa pela cabeça... já disse que hoje estou preguiçosa para explicações. Mais LOL
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 20:34
Larga o absinto, rapariga...
De Ana Vidal a 24 de Junho de 2009 às 20:40
E como chocolates, rapariga?
De mike a 24 de Junho de 2009 às 21:04
Abarrota-te com eles, sonsa.
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 21:08
Come chocolates, pequena!
De Raúl Mesquita a 24 de Junho de 2009 às 16:07
Já bebeste o copo de água, Rita? Muito simplesmente, só acrescento que as mulheres são mais fortes do que os homens e, por isso, não há lugar para feminismo. Bjs , Raúl.
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 16:21
Obrigada, devolvo-te o beijo com toda a ternura! Mas olha que muscularmente não somos. E arear panelas, acarretar com bilhas, esfregar paredes e escadas, lavar vidros, mudar capas de edredãos, dar banho a crianças pequenas, lavar colchões e mudar a meio da noite camas de crianças com chichis... tudo isso são tarefas extenuantes, mesmo para um homem. Vai por mim, Raúl. Da mesma forma que os peixes ganharam guelras, se as mulheres continuassem, por muito tempo, a desempenhar estas tarefas muscularmente exigentes, não tardaria e ganhariam músculos, timbres graves e bigodes!

(Sim, já bebi água. Mas garanto-te que hoje janto fora e não entro na cozinha:-))
De Raúl Mesquita a 25 de Junho de 2009 às 02:24
Tarde e a más horas! Já sei que bebeste água e que, depois, jantaste fora, sem... (a palavra proscrita)! Arear faz músculos? As feministas têm, necessariamente, de não ter músculos? Dou-te a palavra, querida. As Senhoras têm sempre a última. Bjs , Raúl.
De Rita Ferro a 25 de Junho de 2009 às 08:49
A última palavra é seguramente para apreciar o teu cavalheirismo: Bom dia, querido Raúl!
De Jorge Antunes a 24 de Junho de 2009 às 14:31
Olhe, Rita Ferro...
Reduzamo-nos ao mais comezinho, nas nossas casas burguesas de gente letrada (sem qualquer conotação negativa). Duas inquietações:
- uma mulher que vive do ordenado do marido chama-se doméstica. Como se chama um marido que vive do ordenado da mulher?
- uma mulher que trabalha em casa é vista como uma pessoa, digamos, normal. E um homem que trabalha em casa?
Não há uma dose de machismo que ainda vinga no nossa sociedade jdaico-cristã por culpa de todos?
Atenção: para efeitos de discussão académica, retiro da argumentação todas as atrocidades que se cometem no mundo inteiro sobre as mulheres. Sobre essas a nossa opinião não se divide.
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 15:13
Olhe, Jorge Antunes, aqui está um ponto a favor dos homens: o machismo que ainda subsiste em muitas de nós! Toda a razão: um homem que vive do ordenado da mulher é por elas próprias (ainda) visto como um pária, um homem que trabalha em casa será, na mais lisonjeira das hipóteses, um maçador superlativo que, em pouco tempo, plantará fantasias pouco cristãs na cabeça da mais ajuizada das domésticas portuguesas e um sério, veemente candidato a ex-marido. Não sei que lhe diga, Jorge Antunes. Quando sou confrontada com verdades como a sua toda eu cedo, acredite. Toda eu, Rita.
De Jorge Antunes a 24 de Junho de 2009 às 17:05
E isso é bom ou mau?
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 18:41
Já disse uma vez: gosto de dar o braço a torcer!
De Ana Vidal a 24 de Junho de 2009 às 19:59
Venho só meter uma colherada para equilibrar esta tese imbatível do Jorge Antunes. É verdade o que diz, e isso só revela o machismo que existe também em nós, mulheres. Mas tenho para a troca: na nossa sociedade jdaico-cristã,
- um homem que tem/teve muitas mulheres é visto como um herói, ou, pelo menos, um macho bem sucedido.
- uma mulher que faz o mesmo é vista como uma galdéria, no mínimo.
Por culpa de todos, admito. Nossa (das mulheres) também, já que somos as primeiras a apontar o dedo umas á outras.
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 20:06
(Pfff... Só se fores tu...)
De Ana Vidal a 24 de Junho de 2009 às 20:12
Eu não faço isso, como sabes muito bem... minha isto, minha aquilo!
De Ana Vidal a 24 de Junho de 2009 às 20:11
"às" outras, claro.
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 20:35
...Ui!!!! LOL
De mike a 24 de Junho de 2009 às 21:06
Pfff... apontas sim. E com sarcasmo. Cruela!
É mesmo sonsa Ela, não é Rita?... pfff...
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 21:08
Sonsa é middle-name :-))
De mike a 24 de Junho de 2009 às 22:05
lol lol
De Ana Vidal a 24 de Junho de 2009 às 21:22
Tu não me provoques, menino Mike.
Olha que eu conto do selo...
De mike a 24 de Junho de 2009 às 22:06
Ora... a Rita contou-me um segredo teu, por isso... olha lá a tua reputação... (gargalhada)
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 22:18
Selo? Qual selo? De correio ou fiscal? Uma pista, Ana, depressa! Já estou a hiperventilar...
De Ana Vidal a 24 de Junho de 2009 às 22:22
Conto ou não conto, digo ou não digo?

Ó p'ra mim, a gozar o momento... :-)
De mike a 24 de Junho de 2009 às 22:56
Conta codrilheira. Contas e apanhas. (gargalhada sonora)
De Ana Vidal a 24 de Junho de 2009 às 23:19
Ora, eu até gosto... não sabes? loool
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 23:22
'Tou à espera, meninos, decidam-se! A história do selo, que me quero deitar!! Tic-tac-tic-tac....
De Ana Vidal a 24 de Junho de 2009 às 23:27
Quanto é que me pagas para não contar, Mike? (sorriso angélico)
De mike a 24 de Junho de 2009 às 23:45
Nada, que não aceito subornos. Rita, faz uma visita à Grande Jóia e vê lá o que esta nossa amiga andou a aprontar... só para me humilhar.
De Rita Ferro a 25 de Junho de 2009 às 08:51
Ok, Mike, vou num pé e venho noutro! (Aqui para nós, nunca percebi como se executa esta pirueta atlética...)
De Rita Ferro a 25 de Junho de 2009 às 16:04
Já vi, Mike, que humilhação! E se te vendesses para mantinha de pernas? Fazias um dinheirão, no Inverno!

LOL
De Cláudia Ferreira a 24 de Junho de 2009 às 15:31
Olá Rita,
Ai meu Deus, em que raciocínio eu me fui meter...
Siga comigo, está bem? Se eu estiver errada diga...
Posso depreender que os comentaristas do seu post têm na generalidade uma idade parecida com a sua? Se sim, significa que vêem as coisas com uns olhos parecidos.
Mas estava aqui a pensar para comigo como é que uma miúda de 20 anos, ou uma jovem mãe de 30 olharão para este problema?
Sobretudo naquilo que se passa no mundo ocidental, porque o que se passa no mundo contras as mulheres é horrível e toda a gente sabe.
Não sei onde li no outro dia que o verdadeiro problema do Médio Oriente assenta muito na luta contra a emancipação das mulheres.
Obrigada,
Cláudia
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 15:42
Cláudia, OLÁ! Não sei, a Ana tem aqui gente de todas as idades, isso posso assegurar-lhe! A comentar não sei, francamente. Mas posso pedir à minha filha ou a uma sobrinha para vir aqui responder, Cláudia :-)) Pode dizer a sua idade? É facultativo, claro :-))

De qualquer forma, não entendi se a sua curiosidade é sobre a questão do Médio Oriente ou a idade dos comentadores, e estou a perguntar sem ironia. Não percebo mesmo...

Para o caso de ser sobre a repressão sobre as mulheres do M.O., penso que lutar contra a emancipação é lutar contra todos os direitos que elas possam vir a ter, não lhe parece?

(Estarei burra ou a complicar? LOL)
De Cláudia Ferreira a 24 de Junho de 2009 às 16:54
Olá, Rita,
Ainda tive curiosidade em saber se a resposta ao meu comentário tinha sido antes ou depois das suas maiúsculas ao Raul Mesquita (risos)...
Desculpe, exprimi-me mal no meu comentário. Tinha só curiosidade em saber como é visto o feminismo pela gente nova, que tem uma visão diferente do sexo, da organização das tarefas em casa, dos direitos e oportunidades, que tem mais facilidade em chegar a lugares de topo. Curiosidade em saber, no fundo, se esta "luta" ainda faz parte da agenda (interna) deles, assumindo que o que se passa lá fora é, também ou sobretudo, uma questão humanitária.
Quanto ao MO, o que eu queria dizer é que a emancipação feminina, ou o pavor dessa emancipação, será das causas mais importantes no fundamentalismo árabe.
Quanto à burrice, estou certo de que não se pode "estar" o que não se "é"...
Obrigada,
Cláudia
De Rita Ferro a 24 de Junho de 2009 às 18:52
Concordo consigo, Cláudia. A ver se arrasto algum «jovem» até esta conversa, já me aguçou a curiosidade... Quanto à minha não-burrice, não se fie: há dias em que fico com enxaqueca a ver o «Preço Certo», como se estivesse a decifrar cabala :-))

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