Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

 

Ave Lusitânia 

 

Como costuma dizer, e com razão, o meu vizinho chinês da loja Xiao Ming Lang, "Poltugal é um país develas culioso!"

 

Além de ser um país dito "culioso", Portugal é um país de velas.

 

Velas ao vento à descoberta de novos mundos, na epopeia quinhentista que guindou a nação lusitânia ao topo do mundo.

Velas acesas à espera de milagres, no lento definhar ao sabor da crise, quinhentos anos depois.

 

Poderia ser mais uma pérola da milenar cultura mandarim mas é lema saído da peculiar filosofia de vida deste vosso escriba.

Apontem que não duro sempre; sou vela a arder há um bom tempo, um rio de cera afogado pelas chamas.

 

"Do cume da glória avista-se o vale do destino"

 

Na espuma dos dias, marejados pelo sucesso, vem à tona um oráculo apenas interpretado pela gesta de escolhidos, normalmente poetas, nas vielas desprezados, nas naus agrilhoados à rota de especiarias, ouro, prata e marfim.

 

Portugal atingiu a glória de velas ao vento.

E de velas se faz o caminho no vale do destino.

 

Na quarta-feira foi feriado, Dia de Portugal, já sem velas ao vento.

O meu vizinho chinês da loja Xiao Ming Lang foi trabalhar.

 

Na quinta-feira foi outra vez feriado, Corpo de Deus.

E lá foi ele trabalhar, vender velas aos mais católicos.

Procissão de fé, esgotados ouro, prata e marfim.

 

Afinal de contas, do cume da glória avista-se o vale do destino.

 

Os antepassados do meu vizinho inventaram o papel.

E muito papel ganham eles vendendo velas aos portugueses.

 

Portugal é um país "develas" curioso.

Ave Lusitânia.

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 07:30
link do post
5 comentários:
De ulisses a 12 de Junho de 2009 às 14:35
«Ave Lusitânia»,
morituri te salutant! :-)
B.f.s.
De Luísa a 12 de Junho de 2009 às 15:52
«Do cume da glória avista-se o vale do destino»?
Pois nesse vale do destino, a pequena histólia do seu vizinho nos feliados faz adivinhal, João Paulo, que se há-de falal um poltuguês velho muito mesclado de mandalim novo. Mais um acoldo oltogláfico em pelspectiva, talvez… Já comecei a tleinal. :-D
De ritz_on_the_rocks a 12 de Junho de 2009 às 21:31
ah ah ah ah

a banhos
bjs
De Ana Vidal a 12 de Junho de 2009 às 16:17
A blincal, a blincal, a gente distlai-se e eles deixam-nos à vela. E é muito bem feito.
De Anónimo a 14 de Junho de 2009 às 00:52
Grande post! As sextas-feiras de humor são o melhor deste blog, digo eu que gosto de rir. Parabens JPC.

Comentar post

brisas, nortadas e furacões, por


Ana Vidal
Pedro Silveira Botelho
Manuel Fragoso de Almeida
Marie Tourvel
Rita Ferro
João Paulo Cardoso
Luísa
João de Bragança

palavras ao vento


portadovento@sapo.pt

aragens


“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez."

(Jean Cocteau)

portas da casa


Violinos no Telhado
Pastéis de Nada
As Letras da Sopa
O Eldorado
Nocturno
Delito de Opinião
Adeus, até ao meu regresso

Ventos recentes

Até sempre

Expresso do Oriente (3)

Expresso do Oriente (2)

Expresso do Oriente (1)

Vou ali...

Adivinhe quem foi jantar?

Intervalo

Semibreves

Pocket Classic (A Educaçã...

Coentros e rabanetes

Adivinhe quem vem jantar?

Moleskine

Lapsus Linguae

Semibreves

Sou sincera

Rosa dos Ventos

Livros



Seda e Aço


A Poesia é para comer


Gente do Sul

E tudo o vento levou

Perfil

Technorati Profile

Add to Technorati Favorites

Ventos do mundo

Ventos de Passagem


visitantes online

Subscrever feeds