Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

Instante



 

Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos. Uma só idade para a gente se encontrar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer. Fases douradas em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor. Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso. Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa.

 

(Mário Quintana - A idade de ser feliz)

 

publicado por Ana Vidal às 20:25
link do post
17 comentários:
De fugidia a 7 de Maio de 2009 às 21:44
Há pessoas que se limitam a viver no e do passado (era/fui feliz...).
Há quem se dedica a pensar no futuro (serei feliz se...).
Também dou por mim com "fuis" e "ses" e, afinal, o único momento que existe é o presente e a felicidade consiste em saber usufruir das "pequenas coisas" que são um sorriso de quem mais amamos, uma palavra amiga, um sol fantástico e... sim, a temperatura a descer e a sensação reconfortante de nos aninharmos numa manta leve de verão :-)

(e o instante é sempre tão relativo, não é?, oh tempo, noção tão relativa e maravilhosa que inventámos!)
De Ana Vidal a 7 de Maio de 2009 às 23:21
Sim, Fugi, também acho que tudo é muito relativo, e o tempo mais do que tudo o resto. Fomos nós que o inventámos, como dizes, por isso podemos fazer com ele o que quisermos, até desperdiçá-lo. O presente quase não existe, quando falamos nele já é passado. :-)
De Luísa a 7 de Maio de 2009 às 23:02
Tenho sempre muita dificuldade em viver no ou para o presente, Ana. Como diz a Fugidia, ora me volto para o passado, ora (e sobretudo) para o futuro; ora vivo de saudades, ora de esperanças. Mas hoje vivi o presente. Andava muito apoquentada, quase desnorteada, com um problema de alguém próximo e vivi o enorme prazer de um grande alívio. Aliás, olhando em volta deste meu patamar de meio século, começo a achar que a aposta no futuro é coisa da juventude, mas que a aposta no passado é coisa da velhice, ainda não é para mim, e de que só me resta, de facto, a aposta «madura» no presente. Vamos a ele! ;-)
De Ana Vidal a 7 de Maio de 2009 às 23:09
Boa, Luísa! Vamos a ele, sim, antes que se transforme em passado. É sempre tão fugaz...
Sabe uma coisa? São quase sempre os grandes alívios, depois de grandes pesos, que nos fazem tomar decisões dessas. Por isso fico duplamente contente pelo alívio que teve hoje.
À sua, Luísa!

De mike a 7 de Maio de 2009 às 23:08
Gostei desta sequência de posts, Ana. :)
Passaste do passado para o presente e fico a aguardar o próximo, ou seja o do futuro. Mas já deves saber de qual vou gostar mais. Sim, sou suspeito e como resolveste juntar Mário Quintana e o presente, este será o meu preferido. Acho que tem a ver com a minha idade... a de ser feliz. ;)
De Ana Vidal a 7 de Maio de 2009 às 23:15
Sim, tu praticas bem este lema do Quintana, e fazes bem. Mas ainda tens de resolver essa tua aversão ao passado, como se ele te mordesse. Eu gosto do meu, mesmo com as coisas más. É um património, um conforto, uma referência. E uma boa companhia, às vezes. O futuro se verá, prefiro não pensar muito nele... deixo que ele me surpreenda.
De mike a 8 de Maio de 2009 às 00:11
Eu só tenho razões para gostar do meu passado. O que se passa é que gosto ainda mais do meu presente. Sempre gostei. :)
O futuro vivo-o mais ou menos como tu, mas com uma diferença: prefiro não pensar muito nele porque não gosto de surpresas. LOL
De meunikaki a 7 de Maio de 2009 às 23:26
O texto é assustador ("abrumador", diria em espanhol). É o prelúdio da tomada de consciência do momento seguinte, do presente seguinte, aquele que está ali ao dobrar da esquina e, por essa sua imediatidade, já é o presente. Se é melhor ou pior que o passado é indefente, o que já passou é nosso, o que aí vem logo se vê, melhor ou pior será também nosso. De melhor, tem a novidade de ser agora, independendentemente do que venha a seguir, mas essa "independência" , que mais não é do que o desconhecimento do que se segue, obriga a um salto para o desconhecido, com tudo o que isso arrasta (e por vezes pesa). É assustador, abrumador, mas é o que é, e talvez seja isso que faz avançar o mundo :-)
De Ana Vidal a 7 de Maio de 2009 às 23:43
Assustador??? Meunikaki, ou não lemos o mesmo texto ou os nossos olhos vêm o mundo em cores diferentes... ora explique-se lá melhor, se tiver paciência para me aturar.

Para mim, pelo contrário, o texto é animador e positivo. Parece-me pelo seu comentário que se refere mais ao futuro do que ao presente. E o "instante" é agora, não amanhã. :-)
De meunikaki a 7 de Maio de 2009 às 23:45
Claro, o momento que se vive, há que aproveitá-lo, qualquer que seja o futuro, mas há presentes assustadores, de boñs que são :-)
De Ana Vidal a 7 de Maio de 2009 às 23:57
Ah... começo a percebê-lo. Tem medo do que é bom, não vá acabar-se? Não tenha, olhe que assim acaba antes que o viva... e não ganhou nada com isso! :-)
De meunikaki a 8 de Maio de 2009 às 23:28
Right!!! Vou mudar de postura (declaração de princípio)
De Ana Vidal a 9 de Maio de 2009 às 00:18
Boa decisão! :-)
De Sun Iou Miou a 8 de Maio de 2009 às 08:01
Antes de mais nada, Ana, queria-lhe agradecer o seu carinhoso comentário.

No que respeita ao texto, para mim o presente é o único que existe, mas é que o presente é onde se junta o que recordamos, o que sonhamos e o que sentimos. Tentar viver num presente sem memória é negar-se, carecer de substância; sem futuro, é morrer antes da hora. Também não considero possível ser feliz a toda hora, isso seria ser insensível.
De Ana Vidal a 8 de Maio de 2009 às 14:37
Concordo inteiramente, Sun Iou Miou.
De Pedro a 8 de Maio de 2009 às 14:13
belo belo belo belo
De Ana Vidal a 8 de Maio de 2009 às 14:38
Olá, Pedro. Seja bem aparecido!
:-)

Comentar post

brisas, nortadas e furacões, por


Ana Vidal
Pedro Silveira Botelho
Manuel Fragoso de Almeida
Marie Tourvel
Rita Ferro
João Paulo Cardoso
Luísa
João de Bragança

palavras ao vento


portadovento@sapo.pt

aragens


“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez."

(Jean Cocteau)

portas da casa


Violinos no Telhado
Pastéis de Nada
As Letras da Sopa
O Eldorado
Nocturno
Delito de Opinião
Adeus, até ao meu regresso

Ventos recentes

Até sempre

Expresso do Oriente (3)

Expresso do Oriente (2)

Expresso do Oriente (1)

Vou ali...

Adivinhe quem foi jantar?

Intervalo

Semibreves

Pocket Classic (A Educaçã...

Coentros e rabanetes

Adivinhe quem vem jantar?

Moleskine

Lapsus Linguae

Semibreves

Sou sincera

favoritos

O triunfo dos porcos

Livros



Seda e Aço


A Poesia é para comer


Gente do Sul

E tudo o vento levou

Perfil


ver perfil

. 16 seguidores

Technorati Profile

Add to Technorati Favorites

Ventos do mundo

Ventos de Passagem


visitantes online

Subscrever feeds