Domingo, 10 de Maio de 2009

Adivinhe quem vem jantar?

Luísa

 

 

Aí temos mais uma queda de um anjo. O nosso convidado, cujas origens beirãs e primeira vocação sacerdotal são conhecidas, é bem o homem rústico, que desceu do interior à cidade munido das armas da boa cepa popular: a afabilidade e a sabedoria. Mas veio encontrar uma cidade armada até aos dentes com os seus próprios trunfos e não resistiu à contaminação por essa estirpe peculiar de filoxera que se chama «deslumbramento». Assim contaminado, roído pela ambição, só Deus sabe o que não terá sacrificado à sua ascensão política e social. E se a doença não lhe afectou a afabilidade, afectou decididamente a sabedoria: a sensatez encheu-se-lhe de presunção e descambou naquilo que é comummente designado por «esperteza saloia». Envolveu-se no meio dos negócios, jogou algumas temerárias cartadas de «poker», trabalhou influências em «greens» e «coutos de caça», e alcançou, em poucos anos, uma notável condição financeira, que não deixa, apesar da sua relativa transparência, de compreender pequenas opacidades. Adivinham-se nelas outros tantos erros e provavelmente graves. Mas o mesmo «deslumbramento», que lhe corrompeu a sabedoria, alterou-lhe, muito a propósito, a expressão, fazendo descair as pálpebras, por detrás dos óculos, naquele jeito da vaga confusão «blasée» de quem nunca viu nada, nunca ouviu nada, nem sabe de nada do que são as maldades do mundo ou do clube de «gentis homens» a que aderiu. A sua «inimputabilidade» tem a prova provada na sua falta de memória. Agarra-se também ao estatuto político e faz bem, porque, se o perder, poderá ter de trocar os salões, os «greens» e os «coutos» dos ricos e famosos pelas celas e pelos pátios cinzentos de uns pobres e desgraçados anónimos, para quem o Sol nasce diariamente aos quadradinhos.

 

Pois apesar das dúvidas sobre a honorabilidade do nosso convidado, não hesitamos em manter o convite. Mais ainda, vamos esmerar-nos na cozinha e alimentar-lhe os deslumbramentos com o jantar mais requintado que encontrarmos descrito no vasto receituário que compõe a nossa biblioteca gastronómica. Lemos aqui, para «amuse-bouche», sobre uma terrina de faisão com redução de Porto e groselha, que parece apetecível; ali, sobre uma sopa de castanhas com salada de camarão; além, sobre um cherne no forno com toucinho de porco preto, em cama de batata-doce e mandioca; acolá, sobre um peito de pato corado com espargos e vinagreta de chocolate; e já nem sei onde, sobre uns mexidos de ovos com tâmaras, damascos e avelãs torradas… Quanto a vinhos, vamos consultar o «top 100» e escolher o número um. Para os brindes, reservamos toda uma caixa de Veuve Clicquot.

 

 

 

Teremos do bom e do melhor. Afinal, só não caímos dos cumes celestiais da candura provinciana porque, na nossa condição alfacinha, nunca lá chegámos a estar. Produto que somos da infernal atmosfera urbana, acompanhamos com interesse - se calhar, com admiração, senão inveja - estes casos mais ou menos lineares de sucesso… Já agora, também contamos que o nosso convidado, aliciado pelo acolhimento, nos abra umas portas na sua «alta-roda». Nunca enjeitaríamos, como se imagina, a possibilidade de «dourar» os nossos jantares de Domingo com Clintons e Bourbons. 

publicado por Ana Vidal às 09:30
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41 comentários:
De mike a 10 de Maio de 2009 às 09:49
Eu aceito o convite para jantar com Manuel Dias Loureiro. A ementa é irresistível, Luísa. :)
E consta que o convidado é um bom conviva. (Ele e o seu grande amigo, apesar de adversário político, Jorge Coelho).
De Grande Jóia a 10 de Maio de 2009 às 15:30
O Mike, também não queria que apanhassemos todos uma crise, pois não?
De Luísa a 10 de Maio de 2009 às 23:21
Mike, espero que «goze o pratinho» em todos os sentidos da expressão. Mas não se esqueça de que a brincar, a brincar, se dizem coisas muito sérias, e de que o nosso convidado está a merecer ouvi-las. ;-)

De Luísa a 10 de Maio de 2009 às 23:35
Tenho de confessar, GJ, que as simpatias «extra-blogosféricas» do Mike são para mim um grande enigma. Acho que vou testá-lo com um oportuno convite ao nosso Coelhone – com quem tenho, de resto, umas contas a ajustar a propósito de uns projectos alcantarenses… ;-)
De mike a 11 de Maio de 2009 às 00:00
Isso! Faça isso Luísa. As suas ementas e atmosfera que se adivinha dos jantares que prepara são, como disse, irresistíveis. Sabe, as senhoras têm tendência em misturar serviço com conhaque... não é o seu caso, bem sei... e eu, com bons convivas, fico-me pelo conhaque, até porque estaria sempre bem acompanhado. ;)
Para esclarecer o seu enigma, e abusando da Porta do Vento... também, a Ana disse-me que eu era mobília da casa (risos)... aqui fica algo de que não faço segredo: já apreciei o trabalho de Dias Loureiro, mas hoje em dia não tem o meu respeito; nunca "fui à bola" com o Jorge Coelho e jamais votei PS, mas isso são contas de outro rosário. ;)
De Grande Jóia a 11 de Maio de 2009 às 01:29
Olha, também tem rosário... conte lá, Mike ;)
De Luísa a 12 de Maio de 2009 às 13:05
Bravo, Mike! É sempre um gosto descobrir afinidades, mesmo naqueles com que já sinto imensas. :-)
De Luísa a 12 de Maio de 2009 às 13:06
Errata: onde se lê «com que», leia-se «com quem».
De ritz_on_the_rocks a 10 de Maio de 2009 às 10:16
Logo de manhã e já com água na boca ... !!! .. mas já me cruzei com ele nos greens, pelo que declino amávelmente convite e prefiro ir á Tasca da Adelina do que sentar-me, com ele, à mesa do Rei.
De Luísa a 10 de Maio de 2009 às 23:55
Rita, os reis e as rainhas com quem o convidado vai sentar-se hoje somos nós. Ainda não tive oportunidade de sondar os Bourbons. Mas compreendo que, depois do «green», não haja paciência para mais. Votos de um excelente jantar na Tasca da Adelina. :-D
De ritz_on_the_rocks a 11 de Maio de 2009 às 01:45
eh eh eh
próxima vez que juntar 'outros' civilizados ... nem precisa mandar convite !
Tenho a certeza que umas pataniscas e uns peixinhos da horta fazem a festa...
bjs
De Si a 10 de Maio de 2009 às 10:44
Com imensa pena minha, hoje não poderei estar presente.
Não porque a ementa, o convidado e a companhia não sejam irresistíveis, mas porque, à cautela, enquanto ele almoça, vou fazer uma visitinha à sua residência, na esperança de encontrar algum papelito de cariz 'insular' que possa clarificar algumas das opacidades que por aí andam.
Entretanto, delego nos outros convidados a possibilidade de esclarecer outras dúvidas, pessoalmente, que, após a degustação do Top 100 e do brinde Veuve, certamente lhe sairão com facilidade. :-)
De Luísa a 11 de Maio de 2009 às 00:10
Si, Lisboa está cheia de agentes da tal filoxera chamada «deslumbramento», e desta vez assumimos a nós a «agência». Contamos portanto, com um banquete apurado e muito bem regado, soltar-lhe a língua e tirar a limpo o que se passa nesses sombrios bastidores da nossa banca, em geral, e do BPN em particular. Não é com as frontalidades e as durezas de um Nuno Melo que se arrancam as verdades a raposinhas velhas. ;-)
De Rita Ferro a 10 de Maio de 2009 às 11:20
Conte comigo, Luísa! Como autora (está bem, abelha) interessam-me estes perfis ambíguos que, apesar do que se diz deles, convocam reacções contraditórias. É isso mesmo: tenho que fazer o meu próprio juízo. Além disso gosto sempre de estar consigo e, como nunca temos tempo à semana... ao menos que seja sentadas a uma mesa bem servida, concorda?

P.S. - A alta-roda dele é que dispenso, mal por mal prefiro a minha... :-))
De Grande Jóia a 10 de Maio de 2009 às 15:37
Rita, como somos "habituées" nestes jantares, pensei que devia falar com todos. É um bom princípio, não acha? Não devemos deixar que se criem panelinhas...

De Luísa a 11 de Maio de 2009 às 00:27
Rita, pena tenho eu de que estas caixas de comentários sejam tão limitativas. Porque personalidades e trajectos de vida como estes dão pano para mangas para a melhor especulação sobre os tipos de pessoas de que a humanidade é feita. Às vezes, passo um bocadinho por bisbilhoteira, Rita, mas sou, na verdade, uma incompreendida! Ninguém vê que a minha curiosidade é puramente antropológico-cultural, que só quero entender mecanismos e classificar tipos, nada mais. ;-))))
No nosso convidado também vejo grandes ambiguidades éticas. Estou convencida de que, se resvalou, foi por ambição social (não propriamente financeira, embora a primeira não passe sem a segunda). O seu sonho, denunciado na resposta que deu há dias à comissão parlamentar que investiga o caso BPN, é mesmo privar com «gente importante», para ele identificada com Clintons e Bourbons. Uma «alta-roda» que a mim também não seduz, antes mete medo. :-)
De JuliaML a 10 de Maio de 2009 às 11:26
esse é dos que janta com todos, querida Luisa LOL

nao há duas sem três, será a terceira vez que irei a um onde ele esteja.
De Grande Jóia a 10 de Maio de 2009 às 15:29
A menina Júlia não diga que também foi ao casamento dos Reis? Ou será que que andou nos jantares da carne assada e do bacalhau?;)
De JuliaML a 10 de Maio de 2009 às 23:33
GJ,

foi em dois casamentos, mas não foram casamentos de reis. :-)
De Grande Jóia a 10 de Maio de 2009 às 23:50
Também serve, casamento é casamento... :)
De Luísa a 11 de Maio de 2009 às 00:40
Júlia e GJ, querem com isso dizer que o nosso homem é um bom democrata, que convive com todo o género de gente, ou que é um bom garfo, e come tudo o que lhe põem à frente da boca, desde a trufa delicada ao pastel de bacalhau? :-D
De Grande Jóia a 11 de Maio de 2009 às 01:28
Bem, dada a educação esmerada em seminários, o nosso conviva é parco na escolha e por isso come e cala.
Pode é ficar entalado com o pastelinho engolido à pressa...
De Ana Vidal a 11 de Maio de 2009 às 01:35
Espero que sim, GJ! Vou torcer por isso... ;-)
De JuliaML a 11 de Maio de 2009 às 13:48

esse tipo de gente jamais fica entalada, Grande Jóia!!
De JuliaML a 11 de Maio de 2009 às 13:51

eu não digo mais nada, que ainda vos apagam o blog.
digo-vos apenas que o tipo de casamentos a que foi, é no minimo estranho ;-)

mas é isso, Luisa ;-)
De Ana Vidal a 10 de Maio de 2009 às 12:56
Ah, Luísa, acho que já me conhece... as iguarias vão custar-me a passar a goela, com este convidado! Se me sair alguma palavra menos própria, por favor dê-me um pontapé debaixo da mesa, está bem? É que tenho de lembrar-me de que sou anfitriã... ;-)

De Grande Jóia a 10 de Maio de 2009 às 15:25
Não é boa ideia, pode ficar cheia de nódoas negras. E nós só queremos o seu bem, Ana...
De mike a 11 de Maio de 2009 às 00:03
Não te faças esquisita, Ana, que a Casa é tua... comporta-te. ;)
De Ana Vidal a 11 de Maio de 2009 às 00:36
Já tenho as pernas negras de tanta canelada que levei por baixo da mesa, e não disse ao nosso "querido" convidado nem um décimo do que penso dele, Mike... vá lá, vá lá, até nem me comportei muito mal. Pois não, Luísa?

Mas felizmente já o pusemos na rua. Assim fosse tão fácil pô-lo fora do Conselho de Estado!
De Luísa a 11 de Maio de 2009 às 00:57
Minhas, Ana, essas caneladas não foram, juro! Sabe bem que, no que toca ao convidado, estamos em perfeita sintonia. E se me calei, foi porque, nos momentos da verdade, me vi tomada daqueles rancores que, em geral, fazem perder a razão. Desconfio de que as caneladas são do Mike, que tem um fraquinho especial por «anjos em queda»… Só ele saberá explicar porquê. ;-D
Do Conselho de Estado, o nosso homem não sai. Não vai querer perder a imunidade. Nem ninguém de lá o tira. Dizem as más línguas – em que eu, obviamente, não acredito… ;-) – que a sua acção passada na angariação de financiamentos partidários não o compromete só a ele. Temos, portanto, conselheiro para mais uns anos.
De Ana Vidal a 11 de Maio de 2009 às 01:21
E que bem aconselhados vamos continuar a estar, todos nós...
De José António Barreiros a 10 de Maio de 2009 às 13:58
Bom dia. Diz a «Baronesa X», de seu nome real Adelaide Bramão , no livro de etiqueta e boas maneiras «Saber Viver», a propósito dos jantares de meia cerimónia , tal como para os cerimoniosos, pondo o conselho num diálogo entre Marta e Julieta: «é de bom critério quando se faz o convite, dizer o nome das outras pessoas convidadas para o mesmo fim».
Ora Luísa, para o mesmo fim, agradeço que nos informe o nome do ilustre convidado. Se for quem pensamos, por mim, declino. Sem cerimónia. Nesse dia, em qualquer dia, sofro consabidamente de uma ligeira indisposição, uma leve turbação.
De Luísa a 11 de Maio de 2009 às 01:37
Meu caro Jab, contávamos com a sua lucidez e o seu conselho para nos ajudar a reduzir o nosso «conselheiro» à sua verdadeira dimensão. :-)
Hoje, num almoço de amigos, pensava-se se, na nossa irremediável condição latina, não deveríamos passar a «comprar» a política pelo seu valor real – o valor de um espectáculo – e renunciar, definitivamente, a cosmética da seriedade. Desconfio de que os italianos já estão nessa; de que os franceses para lá caminham… e não sei se os madeirenses não foram precursores. Riem, gozam, ridicularizam… e vão apostando em quem vai fazendo coisas.
Claro que, em Portugal continental, isso implicaria toda uma nova geração de políticos e de partidos – não direi sexys, como sugeriu o António Pires de Lima, mas divertidos. ;-)
De Grande Jóia a 10 de Maio de 2009 às 15:23
Luísa, faz bem em não colocar tábua de queijos.
Segundo o ditado, quem come muito queijo esquece muita coisa e nós não queremos, que agora, que o nosso conviva está a recuperar a memória tenha uma recaída.
Claro, que não vamos perder os detalhes dos festins árabes, dos pequenos almoços em "Camp David" ou dos gostos do nosso vizinho Júan Carlos.
Tenho, no entanto, um pequeno reparo, será que é boa ideia servir cherne? Se o deixamos comer o cherne, não sei, não sei!
E também qual de nós vai dizer, "Loureiro , espera aí um bocadinho que vamos servir o cherne!"
De Luísa a 11 de Maio de 2009 às 01:49
Tem toda a razão, GJ. O cherne já está muito conotado. Embora tenha o nosso convidado por um homem suficientemente hábil em jogos de cintura para digerir qualquer coisa. Sobre memórias, acrescentaria, ajustando um outro ditado, que o pior «desmemoriado» é o que não quer lembrar. Mas veja como a memória não falha quando se trata da privança com ricos e famosos. Há gente que não tem cura. ;-)
De imprevistoseacasos a 10 de Maio de 2009 às 15:41
Luísa

Imagino a chegada desse senhor. Senta-se, sorri em permanente galanteio, pede vinho, certamente o mais caro da ementa, ou aquele que viu no sideways, porque é um homem de cultura. Enfim, serve-a primeiro, por questões de etiqueta, e parte para a conversa num permanete exercício do seu egotismo, disfarçando as naturais inseguranças de quem sabe pouco sobre o essencial. No entanto, este narciso não encontra em si um espelho, aquela imagem reflectida que tanto procura e teima em não aparecer. Não se preocupe, Luísa. Já lhe mandei um poema de Florbela Espanca. Cedo se levantará e levará consigo palavras sábias
"E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho ... E não sou nada! ... "

Fernanda
De Luísa a 11 de Maio de 2009 às 02:09
Obrigada, Fernanda, pelo seu esforço. Sei que o nosso convidado levou com ele as sábias palavras da Florbela Espanca. Só não estou segura de que tenha entendido que se lhe aplicam. Enfim, que o sonho está interrompido e que o equilíbrio está precário, já deve ter percebido. Agora que não é nada, ou que, pelo menos, não é mais importante nem mais esperto do que todos os outros, isso talvez seja exigir-lhe demais. :-)
De maria a 12 de Maio de 2009 às 04:09
só uma perguntinha... já alguém o viu dançar??
é que homem pequenino...
xi para todos
maria
De Ana Vidal a 12 de Maio de 2009 às 10:52
LOL!

Boa malha, Maria. Não sei se dança bem, mas o resto é com certeza...
De Luísa a 12 de Maio de 2009 às 13:00
Ele tem um excelente jogo de cintura, Maria, o que pode indiciar alguma coisa. Mas o princípio que cita, sobre os atributos dos «homens pequeninos», não se conjuga apenas na alternativa, porque conheço bastantes casos de conjugação «cumulativa». ;-D
De maria a 12 de Maio de 2009 às 16:36
pois...pois ... eu tb conheço alguns, especialmente os da maioria não silenciosa, bastante efusiva,de gestos largos e por vezes com gargalhadinhas de pura troça destinadas, com o maior impudor a quem tenta endireitar tanta coisa aqui, no nosso Portugal.

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