Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

 

Valha-nos Nossa Senhora

 

Maio...

Mês das flores, do coração e, uma coisa leva a outra, dos casamentos.

É também o mês daquelas coisas que se multiplicam à beira das estradas... como é que se chamam mesmo?

Jacarandás?

Ah, não.

São peregrinos.

 

Todos os anos por esta altura, são aos magotes os caminhantes a caminho de Fátima, se bem que alguns se desviem a caminho da EuroDisney.

 

Quando o cansaço que se acumula nas pernas tolda o pensamento, torna-se difícil direccionar a fé e optar entre a fantasia da Bela Adormecida e a realidade da aparição de uma senhora de branco a brilhar em cima de uma oliveira.

Ou entre Donald e os três sobrinhos e o Bispo de Leiria e os três pastorinhos.

 

Que os mais devotamente católicos leitores do "Porta do Vento" não me levem a mal; sou católico e homem de fé.

Continuo a acreditar que é possível ir para a cama com a Scarlett Johansson.

Ou ganhar o Euromilhões três vezes seguidas.

 

E com isto é já a segunda vez que escrevo "Euroqualquer coisa".

A culpa é desse cartazes de propaganda que penduraram por aí, nos mais espatafúrdios locais.

É também pela colocação de inúmeras cópias da avozinha Ferreira Leite e do cota Vital Moreira que se torna complicado andar de carro nas estradas e não acertar num ou outro peregrino.

 

A verdade é que eles põem-se a jeito de verdinho resplandecente vestidos, como se cada um valesse 200 pontos num jogo de computador.

500 para os que vão de joelhos, porque são mais difíceis de apanhar.

 

A moda peregrina Primavera-Verão passa pela utilzação de coletes reflectores verdes, chapéu branco e um cajado, como que o recurso a uma terceira perna.

Artifício não utilizado pelos peregrinos de origem africana.

 

Então nos próximos dias já sabe:

Independentemente do seu credo, miopia ou cilindrada, tenha cuidado nas estradas.

Eles andam aí.

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 09:30
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16 comentários:
De ritz_on_the_rocks a 8 de Maio de 2009 às 09:46
uhm!

Chamar jacarandás aos peregrinos
ainda vá ...agora coisas? ....

Não tenho o prazer de conhecer JPC mas posso dizer-lhe que ir a pé a Fátima em Maio, Dezembro ou noutra altura qualquer do ano é uma experiência que aconselho a toda a gente, e cito-o 'Independentemente do seu credo, miopia ou cilindrada' ....

Fui uma vez, voltaria a ir.

Caminhar tendo como objectivo um ponto pode ser transformador .... e volto a citá-lo 'Independentemente do seu credo, miopia ou cilindrada'

Não sou católica, ao contrário de si, mas apeteceu-me deixar o meu testemunho, a minha experiência, na sequência do seu texto provocador.

Abraço

Rita V
De Ana Vidal a 8 de Maio de 2009 às 14:35
Não preciso de saltar em defesa do João Paulo, Rita, até porque ele já te respondeu. E também porque os posts são assinados, logo, da responsabilidade de quem os assina. Não exerço censura. Mas dirte-ei que o post dele - provocador e cáustico como de costume - não fez accionar em mim quaisquer anti-corpos pelo facto de brincar com um tema que considero sério, além de que não ultrapassa os limites que estabeleci para este blogue. É humor, só isso. Não dramatizo nem me sinto atingida, e até acho graça. Mas cada pessoa está no seu pleno direito de reagir como quiser, claro. Como tu fizeste, aliás com muita diplomacia.
Um beijo
Um beijo
De João Paulo Cardoso a 8 de Maio de 2009 às 12:01
Minha cara Rita, li e reli o seu comentário com atenção e, para que que fique mais descansada, devo acrescentar que nunca atropelei um jacarand... um peregrino.

Tenho 0 pontos neste jogo e não me importo de continuar sem pontuação...

... no entanto se, à semelhança de ciclovias houvesse (de resto, até há) um circuito próprio para essas coisas... digo... para peregrinos, evitar-se-iam situações mais delicadas e textos como este, escrito com muito credo, bastante miopia e até alguma cilindrada porque tenho por hábito escrever na minha Harley, enquanto atravesso a Ponte Vasco da Gama
de olhos fechados.

Haja fé.
De Rita Ferro a 8 de Maio de 2009 às 13:51
Jesus e Maria que juntem esta às muitas que têm a perdoar-me, pois sou das piores cristãs que existem para aí, mas teria ainda mais a acrescentar a esta crónica: da última vez que lá fui, tentando que a mística de Fátima fizesse mais por mim do que a vida e tudo o resto com que tropeço no dia-a-dia, assisti, à volta da capelinha das aparições, a coisas extraordinárias que nunca pensei possível: algumas pessoas caminhavam de joelhos, mas para trás, numa tentativa de se flagelaram e dobrar. Não pude deixar de me rir e penso que até os pastorinhos, se lá estivessem, fariam coro comigo: reparei sobretudo em duas amigas que executavam este número arriscado de mãos dadas, colocadas em banda, calçando sandálias vistosas com plataformas compensadas, aí de dez centímetros, tops justos e maquilhagens trágicas. Estive sempre a pensar, confesso, quando aparecia a foca.
De ritz_on_the_rocks a 8 de Maio de 2009 às 16:41
Ah! fiquei muito mais descansada...
da próxima vez que atravessar a ponte em duas rodas ... Avise!
Pode ser que lhe faça companhia.
Abraço
Rita
De ritz_on_the_rocks a 8 de Maio de 2009 às 20:24
Ora Caro JPC
Fátima: Sistema de videovigilância estreado na peregrinação - GNR
Nem de propósito
Espero que assim durma mais descansadinho....
lol
De DaLheGas a 8 de Maio de 2009 às 23:28
bela peça senhor! rebolei a rir.
De meunikaki a 9 de Maio de 2009 às 00:46
Para variar, deve ser da hora, estou confuso :-)
«homem de fé», presumo que com H: creio que todos temos fé em algo, ou não andávamos por cà; no limite temos fé de que quando acabarmos "isto" acaba. Tenho cá uma fézada que está fé é de muita gente

«Continuo a acreditar que é possível ir para a cama com a Scarlett Johansson»: é preciso mesmo fé, daquela mesmo de verdade: tenho cá uma fézada que vai dar em nada lol

Ou ganhar o Euromilhões três vezes seguidas: é perfeitamente possível e não há necessidade de ter fé; basta acertar em 3 números ou 2 número e 1 estrela; leva 10 euros paracasa, vezes 3, 30 euros lol
De Grande Jóia a 9 de Maio de 2009 às 03:36
Por mais que me tentem explicar, não compreendo estes exercícios de autoflagelação em Fátima, em Lourdes ou em Manila. Fazer a caminhada diz quem já fez que tem efeitos purificantes e de medição de forças com o nosso Eu. Mas que para isso seja necessário pôr em risco a segurança dos que conduzem é que está mal.
Colete fluorescente para todos os que caminham pelas estradas e devidamente escoltados pela polícia de trânsito para nosso descanso;)
De ritz_on_the_rocks a 9 de Maio de 2009 às 10:51
... e porque não um corredor 'verde' uma ciclogrina (ciclovia + peregrino), nesta altura do ano? ... lol

A marcha ( até lá) toma um ritmo de mantra....é muito curioso ...

Dificil explicar, só mesmo caminhando, caminhando, caminhando ... e como tem apesar de tudo um objectivo 'especial' ...não é propriamente ir ali comprar cigarros ... a chegada .. .mesmo para alguém embrutecida como eu ...é apoteótica !
ah ah a h
A sério ...
Quanto às flagelações, e arrastanços e manifestações de caracter punitivo ... deixo para quem sente essa necessidade .
Live and let die
De Ana Vidal a 9 de Maio de 2009 às 13:02
Eu já fiz a caminhada, há uns anos, e recomendo. Além de um desafio aos nossos tempo e ritmo habituais, é uma fantástica viagem interior. E não tem, necessariamente, de ser feita por motivos religiosos.

Quanto às flagelações, também não as entendo e acho até que deviam ser proibidas nos recintos públicos.
De João Paulo Cardoso a 9 de Maio de 2009 às 11:55
Confirmo, algo desassossegado na minha consciência, que os temas mais fracturantes, polémicos e motivadores de alguma discussão na sociedade portuguesa, continuam a ser os que envolvem religião e touradas (a pedir umas linhas um dia destes).

A menos que o Sócrates vista uma batina e vá para o Campo Pequeno evangelizar um touro da Ganadaria Brito Paes, não auguro nada de bom.

Que Deus nos ajude.

De Ana Vidal a 9 de Maio de 2009 às 12:55
Se isso acontecer é que que não augura nada de bom, JP. Mas, com a ânsia que tem de controlar tudo e todos, um dia destes até o touros serão catequizados pelo Sócrates...
Venham de lá essas linhas, que prometem!
Beijo
De Luísa a 9 de Maio de 2009 às 13:50
Ana e João Paulo, pois eu bem gostaria de ver o nosso Sócrates no Campo Pequeno. Só não si bem em que papel, se do toureiro, se do touro, se das chocas. Estou, em todo o caso, convicta de que revelaria em qualquer deles (mas sobretudo nos dois últimos) muito mais competência. Quanto a Fátima, nunca fiz o percurso, mas conheço quem o tenha feito e se tenha «divertido» imenso. Há, afinal, os «peregrinos», que ali vão em cumprimento de alguma promessa ou devoção, e os «caminhantes», que aproveitam o pretexto para o exercício físico e meditativo. Quanto às auto-flagelações, concordo que deveriam ser proibidas em público. Como deveria ser proibida a exibição pública de toda e qualquer forma de violência exercida sobre os próprios ou terceiros, pessoas ou animais. O sofrimento genuíno, porque é sofrimento, nunca deveria, a meu ver, ser objecto de espectáculo e menos ainda de «festa». Tenho dito! ;-)
De Luísa a 9 de Maio de 2009 às 14:18
Errata: na 2.ª linha, onde se lê «si», deve ler-se «sei».
De Ana Vidal a 9 de Maio de 2009 às 15:16
Aqui engulo em seco, Luísa, eu que sou uma irracional apaixonada desse indefensável espectáculo que é uma "tourada" (sou snob nesta matéria: digo "corrida" e não "tourada", por isso está entre aspas... mea culpa) ;-)

Mas lá que o Sócrates daria uma choca chique, isso também acho!

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