Terça-feira, 28 de Abril de 2009

Pocket Classic (Anna Karenina)

Marie Tourvel

 

 

O amigo bilionário pensará: “Lá vem a Marie novamente com uma historinha de mulher que pula a cerca. Tá tentando insinuar coisas. Mas a mim não me pega, não”. Não pense isso, querido. Eu não tenho culpa se fizeram tantos crássicos em que as mocinhas gostavam de variar o cardápio. E essa Anna de Liev Tolstói aí não era tão pinta brava assim. Só um pouquinho. E não fique atento só ao adultério. Lem bra-se o que eu disse sobre autores russos quando falei do Dostoievski? Não? Vá procurar lá atrás porque aula de reforço eu cobro. Vamos ao resumo:

 

Anna era casada com um cara mais velho que ela e respeitado em São Petersburgo. Tinha um filho fofo. Era linda, elegante, maravilhosa e admirada. Levava uma vida bacana. Aí foi pra Moscou tentar reconciliar seu irmão com a esposa dele. Além de todas as qualidades que citei, também era bondosa. No fundo foi pra Moscou caçar, isso sim. Já está perdido, bilionário? Calma. Lá, ela conhece um oficial –Conde Vronski, e se apaixona. Vive um tórrido romance e abandona o casamento sem amor e o filho. Se arrepende e se joga debaixo de um trem. A história trágica de Anna é entrelaçada com o contrastante namoro e casamento de Levin, um homem do campo, com Kitty, irmã da cunhada de Anna por quem Vronski já tinha arrastado asa.

 

Só parece confuso, bilionário, mas não é. Aos marotos intelequituais você deve começar dizendo a frase com que tem início o livro: "Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira". Diga que este é um dos melhores exemplos de romance psicológico do século XIX. Tolstói não julga ninguém, somente examina as motivações que está por detrás dos personagens.  Não esqueça de dizer que Tolstói usa uma inovação estilística através de monólogos. Se não entendeu, use aquela velha fórmula que já disse em outras aulas. Decore. Diga que a expressão dos pensamentos de Levin é a do próprio autor. Ele fala sobre a sociedade, a política e a religião contemporâneas. Não esqueça de mencionar sobre os aspectos históricos inseridos no romance e não só os psicológicos. Se estiver com uma raivinha básica do Vronski, arrisque dizer que ele até gostava muito de Anna, mas era um jovem boêmio, irresponsável, imaturo e cheio de pequenas ambições. Entende porque eu disse no primeiro parágrafo para não se apegar ao adultério? Se todas as mulheres que decidem olhar seu mundinho por outra perspectiva se arrependessem, faltaria ferrovia no mundo, meu caro. E se os intelequituais tocarem no nome de Allan Kardec durante o papinho sobre o romance, só dê um sorriso. Tratar-se-á de uma tinhosa armadilha. Recuso-me explicar isso por aqui.

 

Não posso prometer que jamais voltarei ao tema “mulheres adúlteras” por aqui porque tem mais disso aí em minha listinha. Só não sei se volto ao assunto tão cedo. Vamos ver.

 

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 09:30
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29 comentários:
De David a 28 de Abril de 2009 às 10:16
Hmmm... Adúltério? Já dei para esse peditório, não dou mais. É uma chatice, um tipo tem de estar sempre com um olhinho nas costas e ademais as adúlteras são por regra excessivamente dadas a crises existênciais, sempre divididas entre o dever e o prazer, sempre a chagarem a cabeça a um tipo com esses problemas. Claro que, faz parte da coisa, essa.. ambivalência, e o gozo que dá pôr-lhes a cabeça em ponto de reuçado mas é muito trabalho para saciar o ego e a carne. Enfim, peditórios para os quais já dei.

Quanto ao Tolstoi, isso sim dava pano para mangas, mas estou um pouco lerdo, vou ali beber uma "pint" de água gelada e depois logo penso melhor.

Bom dia Ana
De meunikaki a 28 de Abril de 2009 às 12:38
Eu hoje estou muito preguiçoso, pelo que o melhor, nestes casos., é ser obediente; é um descanso mesmo. Assim, digo que a expressão dos pensamentos de Levin é a do próprio autor, sem esquecer a existência de aspectos históricos inseridos no romance, não só os psicológicos…….. e, já agora, que o Vronski gostava muito de Anna, mas era um jovem boêmio, irresponsável, imaturo e cheio de pequenas ambições. LOL
De marie tourvel a 28 de Abril de 2009 às 23:58
Isso aí.

;)
De Pitucha a 28 de Abril de 2009 às 13:26
"Não há como os escritores russos para meditarem sobre o sentido da vida" ou "De como há um filósofo em cada escritor russo".
Os seus bilionários não ficariam mal usando estas frases, Marie. E abrangem logo uma série de clássicos russos.
Brilhante mais uma vez.
Parabéns.
Beijos
De marie tourvel a 28 de Abril de 2009 às 23:59
Pitucha, querida, você sempre com suas ótimas contribuições. Tava com saudades de você. Vou passear um pouquinho em seu blogue. :)

Beijos
De rose a 28 de Abril de 2009 às 13:32
Uau! KKKK!

Aula de reforço eu cobro!

Eu quero!
De marie tourvel a 29 de Abril de 2009 às 00:00
Você é que tem que me dar aula de reforço, Rose, querida. :)

Beijos!
De Luísa a 28 de Abril de 2009 às 14:18
Marie, gostei imenso de ler o Anna Karenina e lembro-me de ter visto, há uns anos, uma boa adaptação à televisão ou ao cinema, não sei se precisamente com a Jacqueline Bisset (mencionada nos comentários ao «post» anterior). Também me lembro dessa raivinha, de que fala, ao Vronski (ou terá sido à Anna por não o mandar passear?) Quanto à «tinhosa armadilha», Marie, impõem-se explicações. E pode estar à vontade: a Internet ainda não conseguiu pôr-nos em contacto com as alminhas do outro mundo… Ou será que sim? ;-D
De marie tourvel a 29 de Abril de 2009 às 00:04
Luísa, querida, o filme com Greta Garbo também é ótimo, não é?
Dizem que já se tem pai-de-santo recebendo entidades on line aqui no Bananão. Vai saber... :))))))

Beijos
De patti a 28 de Abril de 2009 às 21:16
Marie, penso que a mania dos crássicos de escreverem sobre os 'pulos de cerca' femininos, ainda se mantém.

Deve ser porque cada 'pulo de cerca' da mulher é sempre original e com ímpetos engenhosos e valem sempre a pena ser contados, ao passo que o dos homens ...

(gargalhadas...) Pode ser que ainda venha aí o Mike!
De marie tourvel a 29 de Abril de 2009 às 00:06
Patti, minha querida, você foi certeira como sempre. Mulher sabe como fazer, não é? Já os homens... tsc...tsc... :))))))))
Com a palavra, o querido Mike. ;)

Beijos
De mike a 28 de Abril de 2009 às 21:20
Marie, acho que o amigo bilionário só entende homem adúltero. Para esse babaca, mulher adúltera não existe... cof cof cof (maldita tosse, deve ser do wisque que sempre bebo com estes clássicos de bolso... risos)
E eu... eu, sem entender que negócio é esse de adultério, perdido na história dessa Anna que se jogou para baixo do trem e achando tudo muito confuso. Acho que preciso de mais histórias dessas. (mais risos)
De marie tourvel a 29 de Abril de 2009 às 00:08
Farei mais pockets com esse assunto, Mike. Quem sabe os homens aprendam de uma vez por todas como fazer... ;)

Beijos!

PS: cuida dessa tosse aí, tá? :)))))))))
De Ana Vidal a 28 de Abril de 2009 às 22:19
Já não me lembrava da frase de abertura, que é notável. Este é um daqueles crássicos que me deixaram arrasada... na idade em que o li tudo era um drama!
Sorte têm os teus bilionários, Marie, que são poupados a essas emoções fortes... ;-)

Mais uma pérola, querida.
Bjs
De marie tourvel a 29 de Abril de 2009 às 00:12
Pois é, até nisso sou uma boa moça, Ana, querida. Poupo os bilionários dessa parte mais chata de emoção, né? :)))))))))

Beijos!
De Rita Ferro a 28 de Abril de 2009 às 23:18
Grande livro este, Marie! Mas o que me irritou este galã só Deus sabe! Bem, não foi só ele: ele, ela, o marido, o filho, todos impossíveis de aceitar à luz dos nossos tempos! No fundo, no fundo: achei a sua versão bem mais razoável! Beijo e até ao próximo, Amiga! Aguentarei de pé firme até aos Lusíadas, LOL
De mike a 28 de Abril de 2009 às 23:23
Eu sou sincero: também aguentarei, mas sentado. (riso abafado)
De patti a 29 de Abril de 2009 às 00:11
E a tosse, já se foi?
De marie tourvel a 29 de Abril de 2009 às 00:17
Senti falta da tosse dele, também, Patti... ;)

Beijos
De mike a 29 de Abril de 2009 às 01:01
A tosse foi-se mas o riso por causa da salgadeira não me larga... raios! :)))
De marie tourvel a 29 de Abril de 2009 às 00:16
Mike , Mike ... cê provoca, né? ;)

Beijocas
De Rita a 29 de Abril de 2009 às 04:37
Seja cavalheiro e levante-se para me dar o lugar, seu pilantra :-)))
De mike a 29 de Abril de 2009 às 09:28
O cavalheiro levanta-se para dar o lugar à senhora. (O pilantra fica a pensar que a senhora deve ter perdido o pé ou então a firmeza não era assim tanta... gargalhada abafada)
De marie tourvel a 29 de Abril de 2009 às 00:14
Uma gente chata, né, Rita, querida? Tentei fazê-los mais descolados... :))))))

(Tolstói em seu túmulo desacreditou nisso! :)))))) )

Tô começando Os Lusíadas. Vamos ver o que consigo...

Beijocas!
De Ana Vidal a 29 de Abril de 2009 às 00:29
Não esqueças o Canto IX, Marie, que vai ser o preferido dos bilionários! :-)
De marie tourvel a 29 de Abril de 2009 às 00:39
Tenho certeza disso, Ana. Jamais esquecerei... :))))

Beijos!
De mike a 29 de Abril de 2009 às 01:02
Pronto, começam os recados da Ana... (gargalhada)
De Raquel a 29 de Abril de 2009 às 12:28
Marie, dear!
esqueçamos as adúlteras, os estroinas, os maridos rabugentos e bilionários... o que precisamos é mesmo de ferrovias! Lembra? Papinho recorrente por estas bandas.

Se perder os trilhos com os Lusíadas e quiser rir um bocadinho pegue seu colega Bernard Shaw: Socialismo para Milionários.
beijocas
De marie tourvel a 30 de Abril de 2009 às 04:54
Ei, Raquel, querida, já tenho quase pronto o Shaw. Talvez na próxima semana ele já esteja no ponto para publicar. ;)

Beijocas!

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