Domingo, 26 de Abril de 2009

Adivinhe quem vem jantar?

Luísa

 

Em quadra de festejo político, mas em tempos que refutam toda e qualquer razão para festejo, apetece-nos desopilar. No entanto, porque os nossos jantares visam, essencialmente, aproximar-nos da realidade politica, fazer-nos compreender as suas subtilezas e idiossincrasias, é uma criatura política que vamos convidar, embora com o cuidado de escolher a que, de entre as opções, temos por menos política, ou seja, mais genuína, cândida, gentil e de boa-fé. O nosso convidado, que é de «excelentes famílias» - os seus pergaminhos remontando ao império romano e incluindo ascendência directamente envolvida na gloriosa empresa dos Descobrimentos – é filho de emigrantes que, na luta por uma vida melhor, rumaram ao Novo Mundo. Aí radicado, o nosso convidado alcançou uma posição de enorme proeminência, convivendo com altas instâncias do poder, despertando simpatias, criando afinidades e colocando o pequeno Portugal nas bocas da grande política e da comunicação internacionais, com referências muito benevolentes. O consenso que reúne não é, aliás, comparável ao de nenhum outro português em funções no estrangeiro. Que mais podemos acrescentar sobre ele, para além desse papel em prol do seu torrão de origem? Que é amável, leal, bem-disposto e dotado de uma inesgotável energia. E que partilha connosco – de uma forma particularmente visível - a mesma soberana indiferença pelas afirmações ocas e pelos discursos vazios. Para ele – como para nós - o carácter define-se pelos actos que se praticam. E ele dá o exemplo, poupando em verborreia o que prodigaliza em actividade.

 

É, aliás, por conhecermos o seu temperamento inquieto que decidimos organizar este jantar no jardim, sobre o relvado, em espaço aberto que lhe permita as naturais expansões. Quanto à ementa, e porque os dias já estão longos, equacionamos a hipótese de uma boa churrascada, com grande variedade de carnes e abundância de costeletas. E generosamente regada por um convincente tinto alentejano … - É verdade que o nosso convidado é assumidamente teetotaller, mas nós não somos e temos umas mágoas a afogar. - Não deixaremos, ainda assim, de consultar o gestor dos fogões da Casa Branca, que deve estar ao corrente das preferências de tudo quanto a visita, a passo lento, estugado ou de fugida.

 

Pedimos que o convidado viesse só, sem nenhuma tutela. Estamos, portanto, em condições de garantir que, no rescaldo do fartote de ontem, as palavras «política», «democracia» e «vinte e cinco de Abril, agora e sempre» não serão – pelo menos por ele – pronunciadas. E que neste serão de Domingo vamos conseguir esquecer, momentaneamente, as ameaças da crise, as incertezas do futuro e os enganos e atropelos dos nossos governantes, ora entorpecendo os nervos no tinto, ora animando os neurónios com as graças e as brincadeiras do nosso «fiel amigo».

 

publicado por Ana Vidal às 09:30
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30 comentários:
De fugidia a 26 de Abril de 2009 às 10:45
O Bo?
lollololololol

Alinho
De Luísa a 26 de Abril de 2009 às 18:30
Obrigada, Fugi. Prepare-se para um serão com muito exercício! :-)
De Pedro Barbosa Pinto a 26 de Abril de 2009 às 10:48
Luísa,

Hoje, quando desci dos meus aposentos depois do duche, deparei-me com o Lord (amarelo) e o Black (preto of course), dois Labradores irmãos de ninhada que há 6 anos me alegram parte dos dias, especialmente agitados. Depois de ler este seu post*, fui-lhes de imediato abrir a porta e a única coisa que lhes recomendei foi para terem cuidado ao atravessarem as ruas. Estou completamente sossegado quanto ao comportamento que eles aí terão, já que quem os conhece sempre me diz : -“São tão espertos! Só lhes falta falar.”, ao que eu respondo: - “Talvez seja essa a sua maior esperteza”.
O adolescente BO que aproveite para aprender com eles como se deve comportar, ainda que as tutelas não estejam por perto.

Beijinhos e divirtam-se

* - Lembrete – Aproveitar para mudar a password no meu PC enquanto eles não estão.

Nota – É natural que os meus enviados se mostrem um pouco sôfregos a comer. Perdoem-lhes por favor porque até hoje nunca comeram nada para além de granulados.
De Pedro Barbosa Pinto a 26 de Abril de 2009 às 11:33
Nota 2 - VIVA A IBÉRIA UNIDA

"Criando afinidades e colocando o pequeno Portugal nas bocas da grande política e da comunicação internacionais." - E NÃO SÓ :-)

Como muito bem salientou a Luísa, os pergaminhos da criatura remontam ao Império Romano!

http://www.elmundo.es/elmundo/2009/04/12/internacional/1239569960.html
De Luísa a 26 de Abril de 2009 às 18:47
Pedro:
Ponto 1: A única «tutela» proibida é a do Bo. A do Lord e do Black seria muitíssimo bem vinda.
Ponto 2: Granulados? Só Granulados? Mesmo não sendo cão, não sei se ria, se chore… ;-D
Ponto 3: O Bo parece ter desencadeado, não um movimento de «união», mas um de «rivalidade». Pressinto algum despeito da parte do autor do artigo que indica, quando escreve que "El perro de agua español tiene un tamaño medio que lo hace más manejable y apropiado como mascota". Pois a nossa resposta, em nome de todos os «perros» de água portugueses, é «Blah!» :-D
De Ana Vidal a 26 de Abril de 2009 às 22:19
Serão tratados a pão-de-ló, Pedro! E talvez voltem para casa a ladrar em inglês... :-)
De Luísa a 26 de Abril de 2009 às 23:10
Pão-de-ló à sobremesa, Ana. E costeletas com muito osso como prato de «combate». Granulados é que nunca, coitados… ;-(
De Pedro Barbosa Pinto a 27 de Abril de 2009 às 10:54
Os granulados (salvo raras excepções) têm tudo (cálcio, vitaminas, blá, blá e blá) o que os cães precisam para um desenvolvimento sadio, Luísa.
E eu cá não sou muito apreciador dos caldos knorr e muito menos maggie.
De Pedro Barbosa Pinto a 27 de Abril de 2009 às 10:26
LOL
De Si a 26 de Abril de 2009 às 11:57
Luísa, cara amiga, pela primeira vez, nestes seus jantares, vamos ter uma liberdade completa, relativamente às conversas, que poderão fluir e até alargar os horizontes dos temas, sem receio de desrespeitar as convicções de um convidado de honra.
Mais ainda, as sensibilidades deverão ter mais em conta a quantidade de décibeis debitados, do que propriamente o conteúdo, dado que não quereremos ferir a sua apurada audição.
Lembro, apenas, um small detail, à organização, que, a meu ver, deverá preparar os outros convivas com sapatinhos descartáveis, por forma a conceder uma descansada promenade por qualquer canto dos jardins, sem a ameaça de, sem querer, levarmos para casa uma recordação muito pessoal e aromática do homenageado de hoje... : ) : )
De Luísa a 26 de Abril de 2009 às 18:53
Si, agradeço muito a recomendação quanto ao calçado. E retribuo com outra quanto ao teor das conversas. Livres, sim, mas cautelosas no que toque a referências à boa velha aliança luso-americana. É que ninguém me tira da cabeça que estes animaizinhos do topo da cadeia alimentar, com grande prática de convivência com o bicho-homem, são bem mais espertos do que os fazemos. ;-D
De mike a 26 de Abril de 2009 às 21:21
Ups, desta vez também passo, Luísa. Sempre tivemos cães em casa, cresci com eles, mas sempre ouvi o meu pai dizer que os animais não ocupam o mesmo espaço que as pessoas. Se o Bo janta em casa, eu vou comer para a casota dele. ;)
De Rita Ferro a 26 de Abril de 2009 às 22:08
Proponho convidar o Bush para fazer conversa...
De Ana Vidal a 26 de Abril de 2009 às 22:21
Que venha, mas vai jantar ao lado do Bo, de gatas e no jardim. E só granulado do Lidl, claro.
De Luísa a 26 de Abril de 2009 às 23:21
Querida Ana, ao lado do Bo, provavelmente de gatas, certamente no jardim, jantamos todos. Mas aceito que o granulado do Lidl fique para o Bush (se o Lord e o Black não o preferirem às costeletas e ao pão-de-ló). :-D
De mike a 26 de Abril de 2009 às 23:52
Bom, sempre tenho quem concorde comigo... cães ficam no jardim... ;)
De Luísa a 26 de Abril de 2009 às 23:17
Rita, ia responder-lhe que, pela minha parte, não achava má ideia; que me parecia até uma iniciativa ousada, original, saudavelmente provocatória e possivelmente instrutiva. Mas meto rapidamente a viola no saco, depois do comentário da nossa anfitriã. ;-D
De Ana Vidal a 26 de Abril de 2009 às 23:22
Luísa, já sabe que o Bush é um odiozinho de estimação aqui da casa... ;-)
De Luísa a 26 de Abril de 2009 às 23:12
Mike, o jantar é no jardim, sem casas, nem casotas. Apenas um momento de descontracção, depois deste fim-de-semana tão revoluc… tão tenso! ;-D
De Grande Jóia a 26 de Abril de 2009 às 22:15
Sempre quero ver se o Bo ladra ou se é apenas um grande melro português:)
De Ana Vidal a 26 de Abril de 2009 às 22:20
Se é português ladra com certeza, GJ... não é verdade que cão que ladra não morde?
De Grande Jóia a 26 de Abril de 2009 às 23:09
Verdade. Cão que ladra não morde e melro que canta voa...:)
De Ana Vidal a 26 de Abril de 2009 às 23:23
mas voa baixinho... :-)
De Luísa a 26 de Abril de 2009 às 23:29
Pessoalmente, Grande Jóia, espero que não ladre (que me assusta), nem morda (que assusta os convidados), nem cante (que assusta toda a gente). Voar, já sabemos que voou e bem alto. :-)
De mike a 26 de Abril de 2009 às 23:53
... miau... (risada)
De Luísa a 27 de Abril de 2009 às 00:03
Ah, Mike, esse seu espírito felino (melhor dizendo, leonino) não conjuga, de facto, com «Bôs»… ;-)
De Ana Vidal a 27 de Abril de 2009 às 00:05
Só se for com as Dereks, Luísa... :-)
De mike a 27 de Abril de 2009 às 01:08
Ainda se fossem Bellucis... (risada)
De Grande Jóia a 27 de Abril de 2009 às 00:36
Vem comer o melro?...:)
De mike a 27 de Abril de 2009 às 01:09
... nham nham... (gargalhada)

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