Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

Maus costumes?

(clicar para ler)

 

Um amigo mandou-me esta pérola por mail: uma lista de preços das multas aplicadas pela Polícia de Costumes em Lisboa, no ano de 1953. Achei tanta graça à linguagem cifrada (sobretudo à designação de "aquilo"), que me esqueci por momentos de quão insuportavelmente invasivo das liberdades individuais era o antigo regime.

 

Mas o absurdo do papelinho trouxe-me à memória uma vez em que, mais ou menos vinte anos depois (!!), fui abordada por essa mesma Polícia de Costumes à porta de casa, com um namoradinho da altura, (não, não estávamos em zona de frondosa vegetação...). Apanhámos um susto de morte, claro. Não me perguntem por onde andavam as nossas mãos, que já não me lembro, mas juraria que a multa não teria sido muito alta. Mesmo assim, escapámos só com uma reprimenda.

 

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publicado por Ana Vidal às 16:40
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34 comentários:
De Si a 20 de Abril de 2009 às 17:39
Ah, Ana, realmente que 'pérola' incrível!!
Mas esconda-a, por favor!!
Com a falta de dinheiro que anda neste país, não vá dar ideias àquele Senhor que já foi convidado para jantar na sua casa e depois do qual notou a falta da baixela de prata.......; )
É que 'aquilo' é muiiiiittto tentador em época pré-eleitoral...
De Ana Vidal a 20 de Abril de 2009 às 17:57
Querida Si... "aquilo" é tentador em qualquer época! LOL ;-)

(mas talvez tenha razão, é perigoso dar ideias de qualquer coisa que possa transformar-se em imposto...)
De Si a 20 de Abril de 2009 às 18:02
Ora, pois claro, criar coimas absurdas é útil para qualquer Governo, em qualquer época do ano.....eeerrr....era disto que falávamos, certo??? Ou será que não?? rsrsrsrs
De Ana Vidal a 20 de Abril de 2009 às 18:48
Ah, era "disto"? Pensei que era "daquilo"... ts,ts, a língua portuguesa é muito traiçoeira... ;-)
De Pedro Barbosa Pinto a 20 de Abril de 2009 às 18:49
Estudemos bem a portaria, Ana, porque pelo caminho que as coisas levam, nunca fiando! Em 1953 ainda não tinham inventado a minissaia e a lingerie devia ser toda branquinha e até aos joelhos, senão…

Ora muito bem, temos então que:

Mão na mão 2$50
Mão naquilo 15$00
Aquilo na mão 30$00
Aquilo Naquilo 50$00
Aquilo atrás daquilo 100$00
Com a língua naquilo 150$00

A mão é fácil de identificar, mas fica-me a dúvida de, sendo o normal das pessoas dotada de duas, se poderia ser aplicada uma coima de cinco coroas caso alguém as esfregasse uma na outra (por causa do frio, por exemplo).

Depois vêm as dificuldades de interpretação: temos o “aquilo”, o “naquilo” e o “daquilo”, notoriamente entidades diferenciadas. Precisamos portanto de as identificar, se não queremos ser surpreendidos com coimas para as quais não estejamos preparados para pagar.

A ideia com que eu fico é que as mulheres serão dotadas de uma “naquilo” enquanto nós homens de um “aquilo”. Reparem que ao “naquilo” é a mão que se dirige, enquanto que o “aquilo” é nitidamente depositável numa mão.

Já o “daquilo” parece-me ambíguo. Pensei em algo comum aos dois sexos, mas então teríamos na lista das coimas - Aquilo no daquilo 100$00. Sabemos da meticulosidade daquela gente! Aquele “atrás” não foi ali colocado por mero acaso. Vejamos então:
Sendo o encontro do “aquilo” com o “naquilo” punível com multa de cinquenta mil réis, uma hipótese que me ocorre é que o “daquilo” se refira à frondosa vegetação. Justificar-se-ia o dobrar da multa para cem mil réis pela tentativa de esconder a arma do crime.
Outra hipótese que alvitro é que o “daquilo” seja afinal uma “naquilo fugidia” que obriga o “aquilo” a correr atrás dela, com a consequente saída detrás do arbusto e exposição descarada aos transeuntes! Também se justificaria o dobrar da multa.

Finalmente constato que o edil lisboeta à data, para além de gostar muito de “aquilo na língua” já que foi a única prática que deixou isenta de punição pecuniária, deveria ser um grande apreciador de “naquelas” que nem sequer foram chamadas à colação.
De Ana Vidal a 20 de Abril de 2009 às 22:37
Pedro, os seus comentários são antológicos!

Li tudo com muito interesse, tentando não rir de um assunto tão sério e de uma abordagem tão esforçada, mas não consegui, confesso. Apesar da risota, ainda consegui raciocinar um bocadinho e cheguei à conclusão de que os aquilos, naquilos e daquilos escondidos na vegetação frondosa, seriam talvez... esquilos! Com tanta proibição e coimas tão pesadas, deve ter sido essa a razão para os pobres se terem sumido das matas portugesas! ;-)
De Pedro Barbosa Pinto a 21 de Abril de 2009 às 18:36
De acordo com a razão para o sumiço dos esquilos. "Nuts" pelos vistos não faltavam :-)
De fugidia a 20 de Abril de 2009 às 18:56

Mas que raio é "aquilo", "naquilo" e "daquilo"?!?!
Aiiii, o legislador, essa entidade abstracta, já naquele tempo entretinha-se com o que não devia...


De Ana Vidal a 20 de Abril de 2009 às 22:51
Entretinha-se é o termo certo, Fugi... suponho que devia dar-lhes um certo gosto perverso legislar sobre essas matérias! :-)
De Manecas a 20 de Abril de 2009 às 19:54
Depois da dissertação cómico-legal do Pedro Barbosa Pinto, descubro agora que já tive em tempos actividades "cuscas " justamente próximo dos convenientes e coniventes arbustos ...

É verdade!

Naqueles tempos havia espalhados pelo bairro jardinzinhos que especialmente nas noites de Verão eram frequentados por parzinhos de magalas e como nós chamávamos sopeirinhas ".

Ora para a malta - essa espécie que entretanto se perdeu: os amigos do bairro - era uma diversão nocturna, ir espreitar as "actividades" de tais parzinhos .

Se nos tivesses facultado a tabela há uns aninhos atrás...ainda fazíamos uns trocos...eh, eh, eh....!!!

Beijinhos Ana
De Ana Vidal a 20 de Abril de 2009 às 22:40
Ah, Manecas, que desgosto... ao fim de tantos anos, descubro que a tua grande aspiração nessa época era um dia pertencer à polícia de costumes??!!

(estou a imaginar-vos escondidos nas moitas, a espreitar...)

beijinhos, voyeur!
De Cristina Ribeiro a 20 de Abril de 2009 às 20:09
Realmente, ele havia coisas :)
De Ana Vidal a 20 de Abril de 2009 às 22:40
Coisas com nomes estranhos, Cristina... :-)
De meunikaki a 20 de Abril de 2009 às 20:38
Assalta-me uma dúvida.... a fotografia é no acto ou apenas para identificação para infracções futuras? É publicada nos jornais ou apenas exposta na esquadra da área da infracção ou em todas do País? Passa-me pela cabeça que seja utilizada naquelas publicações série "X", a preto e branco, atendendendo à época, sem que sejam pagos os correspondentes direitos de autor. Será que é utilizada para recrutamento para aqueles hum curiosos shows do extinto "Principe Negro", ali para os lados do elevador da glória?
O que se pode fazer co uma fotografia......
De Ana Vidal a 20 de Abril de 2009 às 22:18
Meunikaki... tem a certeza de que não é o Diácono Remédios, disfarçado?? LOL
De Álvaro Pires a 20 de Abril de 2009 às 21:54
Que disparate!
Isso é uma coisa com barbas, inventada por um brincalhão. Há anos que circula na net.
O estupidez do anterior regime era muita, mas não chegava a tanto...
De Ana Vidal a 20 de Abril de 2009 às 22:05
O facto de circular na net há anos não quer dizer que tenha sido inventado, Álvaro. Não sei se as multas eram estas mas posso garantir-lhe, por experiência própria, que a Polícia de Costumes ainda existia muitos anos depois de 1953, e que não deixava ninguém dar uns beijinhos à noite, à porta de casa!
De Álvaro Pires a 21 de Abril de 2009 às 15:17
Uma coisa é a existência de uma polícia de costumes que, embora sem carácter formal, actuou impunemente (e miseravelmente) até 25 de Abril de 1974.
Outra coisa é levar a sério esse papelucho, que há muito se sabe ter sido elaborado por um brincalhão que o fez chegar à "Gente" do Expresso e este publicou por piada.
De Pedro Barbosa Pinto a 21 de Abril de 2009 às 18:29
É assim mesmo, Álvaro Pires.
É preciso chamar a atenção a estas tontinhas que parece que acreditam em tudo!
Vai ver, se calhar estão convencidas que o homem chegou à Lua!
À Lua!!! Ahahah
Então não se vê logo que aquilo são imagens feitas em Hollywood e que um brincalhão fez chegar à RTP que as passou por piada?
Já estou a imaginar a desilusão da Luísa quando convidar o Pai Natal para um daqueles jantares que elas organizam e se aperceber que afinal ele não viaja num trenó voador puxado a renas.
Mas não vale a pena escamar-se, Álvaro Pires, senão qualquer dia já somos dois a águas no Cartaxo.


De Ana Vidal a 21 de Abril de 2009 às 19:32
Somos umas alienadas, nada a fazer...

(e como é que adivinhou a identidade do nosso convidado, lá para o fim de Dezembro? estamos mortas para dar uma voltinha de trenó!)
De Álvaro Pires a 21 de Abril de 2009 às 20:46
Olhe, meu caro, a sua sorte é que a cretinice não mata.
De Ana Vidal a 21 de Abril de 2009 às 21:25
E a sua, Álvaro Pires, é que todos nós aqui temos sentido de humor. Ao contrário de si, evidentemente.
De Álvaro Pires a 21 de Abril de 2009 às 21:43
Não entendo essa reacção.
Porventura fui menos correcto consigo?
Limitei-me a referir que o papelucho (ao contrário da premissa do seu post...) era uma brincadeira. Tem algum dado que lhe permita garantir que não era?
Por que motivo vem caucionar a intervenção de um comentador que, inopinadamente, saíu a terreiro para me ofender?
Tinha outra opinião a seu respeito. Passe bem, eu fico por aqui.
De Ana Vidal a 21 de Abril de 2009 às 22:42
A única pessoa que aqui ofendeu alguém foi você. Não a mim, mas a um comentador habitual deste blogue, que não fez nada para merecê-lo a não ser brincar consigo. E que nunca, em nenhuma circunstância, foi desagradável com alguém aqui na Porta do vento.

Se não entende a minha reacção, lamento.
Ao contrário de si, eu não tinha nenhuma opinião a seu respeito. Mas tenho agora.
De Pedro Barbosa Pinto a 21 de Abril de 2009 às 21:39
Se se sentiu ofendido com a minha boutade, desde já o meu pedido de desculpas, caro Álvaro. Não era intenção ofender.
Vejo que continuarei a frequentar o Cartaxo sózinho, porque as águas são boas para maus fígados mas não consta que tratem de faltas de educação. Helás!
De mike a 20 de Abril de 2009 às 21:56
"... não, não estávamos em zona de frondosa vegetação"... hum, está bem... e eu sou um diabinho, querem ver? (risota)
De Ana Vidal a 20 de Abril de 2009 às 22:07
A vegetação não era muita na Rua da Junqueira, Mike. E tu és um diabinho, sim! :-)
De meunikaki a 20 de Abril de 2009 às 22:24
Minha querida Ana Vidal,
Não quero, de forma alguma, sequer comparar-me ao Diácono Remédios; deste quero distância, pois não me dou bem com aquelas te(n)sões reprimidas do homem. O que eu acho mal e o aproveitamento das fotografias dos actores sem o seu expresso consentimento, para não falar já na falta de consentimento para a sessão fotográfica. enfim, vale tudo, desde que seja em regime de voluntariado, até porque "quem corre por gosto não cansa", pelo menos nos primeiros rounds de uma tarde animada.......
De Ana Vidal a 20 de Abril de 2009 às 22:46
Desde que ninguém perca por KO...
E o voluntariado é uma coisa tão meritória, não é? :-)
De meunikaki a 20 de Abril de 2009 às 23:10
De facto, sé em regime de voluntariado se compreendem e aceitam estas coisas. Até o Diácono Remédios concordaria com isto.
De Luísa a 21 de Abril de 2009 às 16:42
Ana, são admiráveis as «nuances» contidas num tão simples e até agora indiferente pronome demonstrativo. E, já agora, porque será que «a mão naquilo» e «aquilo na mão» têm «multas» distintas? A ordem dos factores não é arbitrária? ;-D
De Ana Vidal a 21 de Abril de 2009 às 17:00
Boa pergunta, Luísa. Talvez seja uma questão de género, com a discriminação do costume. As mulheres estavam sempre em desvantagem, claro...

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