Domingo, 19 de Abril de 2009

Adivinhe quem vem jantar?

Luísa

 

O «Porta do Vento» reafirma, com os dois convidados que hoje recebe, a sua vocação cosmopolita. Ele é um portento de exuberância, um pequeno garanhão, com uma forma de estar na política que nos traz à memória o saudoso primeiro líder da nossa social-democracia: nervoso, dinâmico, pragmático, impaciente e passional, move-se por impulsos patrióticos num mundo em que a «real politik» não costuma coibir-se de vender os interesses nacionais aos desígnios dos capitais transfronteiriços. E se as suas dimensões concretas não fazem «jus» à estatura pública que adquiriu, a indústria do calçado aí está, toda afoita, subsidiando discretamente os centímetros em falta. Ela é uma referência estética - «bella, bellissima»! - e a sua forma de estar na vida muito aberta a ligeiras heterodoxias e artes - sendo certo que, nas incursões «baladeiras» que se lhe conhecem, a arte é ela. E se as suas dimensões concretas excedem os requisitos das funções oficiais que desempenha, a indústria do calçado aí está, de novo, compensando no «anti-salto» das «sabrinas», os subsídios concedidos ao parceiro. Ambos fazem um casal curioso, suficientemente desigual na forma, nas vocações, nas origens, no percurso, para manter em alerta as línguas que animam os mentideiros sociais, e suficientemente vistoso para recolocar a sua cidade das luzes no centro do planeta Terra.

 

Pela nossa parte, vamos procurar que, transposta a passadeira encarnada e a «Porta» dos nossos singelos domínios, o ambiente se liberte das formalidades protocolares e haja descontracção. Para tal, teremos a postos um Porto Vintage Quinta do Vesúvio e um tinto alentejano Scala Coeli de 2006, cuja excepcional qualidade talvez não previna as costumeiras «boutades» do convidado, mas iniba as suas tentações «proteccionistas». Já quanto à ementa, seguiremos escrupulosamente as orientações do seu conterrâneo, o minúsculo mas mais afamado «Chef de cuisine» da actualidade, que nos propôs, para entrada, umas «huîtres chaudes gratinées aux endives», irresistíveis; para prato principal, a sua «ratatouille provinçale», que se sabe capaz de aquietar qualquer resquício de desconfiança ou tensão; e, para sobremesa, uma «charlotte aux fruits brunis»… - ou serão «rouges»? – que, além de aquietar, adoça.

 

Fluirão os «licores» e fluirá a conversa, assim esperamos. Como esperamos também, senão desvendar os planos secretíssimos de «recuperação» da crise, pelo menos articular planos de «compensação» da crise… E nesse sentido, vamos animar a roda do café e dos «petits fours» com uns acordes de guitarra e a voz da nossa anfitriã neste sugestivo «pontapé de saída»:

 

Vous vous sentez bien servis?

Vous voulez remercier?

Mais de rien, mes bons amis!

Quoique l’on serait ravi

D’un p’tit séjour à l’Elysée… 

 

 

publicado por Ana Vidal às 09:30
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28 comentários:
De RF a 19 de Abril de 2009 às 10:51
Curiosidade, Luísa: Sarkosy mede 1,68 m, mas é 3 cm mais alto do que Berlusconi (1,65 cm) e 11 (onze!) centímetros mais alto do que Dmitry Medvedev, presidente da Rússia (1,57 cm). De qualquer forma, nenhum destes chega aos calcanhares (invertidos) de Napoleão que ninguém sabe ao certo quanto media, mas cuja baixa estatura provou que «os homens não se medem aos palmos» e que por isso não vale a pena usarem tacões. Pelo sim pelo não, calçarei sabrinas para este jantar, até para não esmagar a Carla Bruni (1,70 cm) com os meus dois centímetros de vantagem (já que não poderei esmagá-la em graça, beleza e afinação, claro :-)) E que tal sentarmo-nos todos no chão, em almofadas, para disfarçar? Ou que tal pedir à Carla para cantar o seu êxito «Péché d'Envie»? Sem malícia, claro :-))) Beijo desta sua admiradora, neste Domingo optimista...
De Luísa a 19 de Abril de 2009 às 15:25
Rita, reconheço que os homens não se medem aos palmos e até sou capaz de admitir (embora não tenha provas que sustentem a tese) que aqueles cujos ossos têm de suportar menos peso tenham vantagens no plano da movimentação geral. ;-D
Sabia que o Medvedev era «mignon», mas imaginava o Beslusconi mais imponente. A televisão engana muito. Mas, de algum modo, faz sentido. As pessoas pequeninas são sempre mais «rabitesas».
Acho uma excelente ideia um jantar «campista» com luxos marroquinos. Todos ao rés-do-chão! E a Carla lá nos brindará com esse e vários sucessos. Mas só depois da Ana dar o lamiré e acertar agulhas quanto à nossa outra experiência «campista» com luxos de Faubourg Saint-Honoré. :-D
De Ana Vidal a 19 de Abril de 2009 às 15:45
Muito bem, assim seja: acamparemos no jardim, numa tenda árabe decorada à moda marroquina e cheia de confortáveis almofadas (não pode estar mais na moda), mas com todos os luxos e requintes que há no Georges V, é claro!
Quanto ao dress code, sendo assim, voltam a justificar-se as jellabahs e os caftans, mas desta vez de seda bordada e valorizados por uns "petit-riens" devidamente brilhantes, trazidos directamente da Place Vendôme... que tal?
De Luísa a 19 de Abril de 2009 às 16:14
Ana, agora, com o Verão a aproximar-se, temos de arrancar com os jantares temáticos. É todo um mundo de ideias delirantes por explorar! ;-D
De Ana Vidal a 19 de Abril de 2009 às 20:12
Óptima ideia, Luísa, e conte comigo para as ideias. Fazemos uma boa dupla de anfitriãs, acho que os nossos convidados não poderão queixar-se.
De Si a 19 de Abril de 2009 às 11:26
Mais, bien-sûr, comment refuser ça??
Só que a Luísa devia ter-nos dado, pelo menos um lamiré (em viola de arco..), relativamente à indumentária de hoje, já que a informalidade do jantar da semana passada não faria prever que o desta semana seria 'si chic'!!
Bem, vou-me despachar, para ver se ainda tenho tempo de ir recolher os 'trapinhos' à lavandaria e escolher uns sapatinhos de meio salto para nivelar as aparências entre o NS e a CB......
De Luísa a 19 de Abril de 2009 às 15:35
Si, a Rita já sugeriu o elemento muito nivelador do chão, em almofadas. A indumentária terá, portanto, de se ajustar ao novo ambiente, que mantém a informalidade, e apenas contra-indica – talvez… digo eu… - a mini-saia. ;-D
De Pedro Barbosa Pinto a 19 de Abril de 2009 às 11:53
Estou capaz de aparecer, Luísa, mas não se preocupe, desta vez, com lugar na mesa para mim. Irei cedo, entrarei pela porta de trás e deixar-me-ei ficar pela cozinha.
Se é para conversar com uma ratazana, então prefiro a que me pode ensinar algo de útil.
Só o carinho que nutro pelas anfitriãs me impede de levar ao “chef de cuisine” uma cesta de ostras da Ria Formosa acabadinhas de apanhar!
Se ainda assim for merecedor de um beijinho vosso, reconhecer-me-ão pelo avental com os dizeres “Je m’emmerde pour les invités”.
Uó balha-me minha Nôssa Sinhora dos Remédios, que já ando a precisar doutra semanita a águas no Cartaxo!
De Luísa a 19 de Abril de 2009 às 15:48
Caramba, Pedro, ratazanas há muitas, é verdade, e a mais simpática de todas elas é, sem dúvida, o nosso minúsculo «Chef de cuisine». Mas nem as doces guitarradas da Carla o convencem a abandonar o refúgio da cozinha e a descer, por uns momentos que seja, aos nossos pobres salões? Nem o engodo de um «p’tit séjour à l’Elysée»? ;-D
Mas traga as ostras da Ria Formosa, que o nosso «Chef» faz questão de poder contar com a melhor matéria-prima. E o beijinho grato das anfitriãs está garantido. :-)

De Pedro Barbosa Pinto a 19 de Abril de 2009 às 18:02
O "p’tit séjour à l’Elysée" é tentador Luísa! Mas desde já aviso: - se esse Nicolas Ratão me mandar depois a factura, ou me arranjam um Calderon que a assuma, ou então a Bruni-carochinha que compre uma Silampos.

Quanto às ostras: - muito bem, eu levo. Mas a Luísa certifique-se que ele é o único que as come (bem, se tiverem para aí algumas continhas a ajustar, quem sou eu para julgar?!) :-)

http://diario.iol.pt/ambiente/ria-formosa-bivalves-toxina-pesca-interdicao-tvi24/1057409-4070.html
De Ana Vidal a 19 de Abril de 2009 às 18:14
Devo confessar que tenho um fraquinho muito pessoal pelo charme do nosso convidado. Enfim, uma mulher não é de ferro e todas nós temos as nossas fragilidades.
Cabe-me, como anfitriã, tratar muito bem os convidados, não é? Então a Carla que se cuide...
De Pedro Barbosa Pinto a 19 de Abril de 2009 às 19:01
Ouça Ana, como acabo de ceder à Luísa e afinal vou despir o avental para descer aos salões, posso-me oferecer para lhe distrair a Carla.
Ia-me até saber bem dedilhar um pouco. Para desenferrujar, percebe? É que já nem me lembro da última vez que toquei viola!
De Ana Vidal a 19 de Abril de 2009 às 19:34
Óptimo. Não se acanhe, Pedro... dedilhe lá à sua vontade, tenho a certeza de que a Carla vai gostar muito de um dueto com um português charmoso! ;-)
De Luísa a 19 de Abril de 2009 às 20:02
Pedro, não me tinha apercebido do problema que atormenta os pobres bivalves – e poderá atormentar os seus consumidores. Mas traga, em todo o caso. Há umas continhas a ajustar, sim, se bem que não neste «episódio». Guardo-os na arca – que se não os conservar frescos, há-de, pelo menos, conservar-lhes as toxinas. ;-)

De Grande Jóia a 19 de Abril de 2009 às 12:52
Luísa e Ana, Mais oui, bien sûr!
Vai ser um jantar cheio de perguntas e respostas.
Convidemos igualmente os nossos fabricantes de calçado. Sugiro os Mariano que bem precisam de reposicionar o seu segmento.
De Luísa a 19 de Abril de 2009 às 16:04
Grande Jóia, não somos políticas, pelo que não sabemos organizar jantares «liminarmente» recreativos e «subliminarmente» comerciais. Mas porque (1) somos sensíveis à sua especial recomendação, (2) lastimamos à crise que assola os nossos melhores sectores produtivos e (3) reconhecemos a oportunidade única de impulsionar o nosso calçado no circuito exportador – já «infiltrámos»» os Mariano na lista restritíssima de convidados. ;-D

De Grande Jóia a 20 de Abril de 2009 às 00:16
Luísa, apreciei o seu cuidado ao meu especialíssimo pedido.
Como verificámos os convivas estavam todos bem calçados a começar pelo casal Sarko.
O jantar correu lindamente. Adorei!
De Ana Vidal a 20 de Abril de 2009 às 00:31
E felizmente não tinhamos o Bush entre os convivas, ou teria sido um desassossego de sapatos pelo ar!

De Ana Vidal a 19 de Abril de 2009 às 17:51
Estão infiltrados, GJ, como diz a Luísa. O chefe de sala tem instruções para anunciar, assim que cheguem... Monsieur et Madamme Marianô. Tout sera comme il faut! ;-)
De Grande Jóia a 20 de Abril de 2009 às 00:24
Ana, ainda bem que conseguiu infiltrar M. et Mme Marianô. Reparou que traziam sapatos "Sarko " Made in Allgarve?
Para o próximo jantar quem sabe Monsieur Pinho aparece.
De Ana Vidal a 20 de Abril de 2009 às 12:12
M. Pinhô e M. Linô (ou deveria dizer M. Jamé?) ainda hão-de vir a estes jantares, a não ser que Le Grand Chef se livre deles antes de termos tempo de convidá-los!
De mike a 19 de Abril de 2009 às 13:05
Oui, Luísa, je me sens bien servi, merci. Vous, et La Porte du Vent sont des merveilleux hôtes. :)
(Deve haver para aqui alguns erros, que o meu Francês anda enferrujado). ;)
De Luísa a 19 de Abril de 2009 às 16:08
O meu também, Mike, não se preocupe. E, em todo o caso, o que não conseguirmos falar, cantamos. ;-)
De Ana Vidal a 19 de Abril de 2009 às 17:52
Virámos gagas, Luísa?? LOL
De Luísa a 19 de Abril de 2009 às 20:15
Se calhar, Ana. Tenho esta ridícula fraqueza de nunca conseguir conter o nervosismo perante uma celebridade, seja ela quem for. E se é homem com fama de sedutor, é até provável que, mais do que gaguejar, perca a voz. :-D
P.S.: É por isso que tem de ser a Ana a dar o «pontapé de saída»…
De mike a 19 de Abril de 2009 às 20:31
Deixa-te de partes gagas, Ana... (gargalhada)
De Ana Vidal a 19 de Abril de 2009 às 20:33
A culpa é do Sarko, que me deixou nervosa... ;-)
De JuliaML a 20 de Abril de 2009 às 01:11

!!!

e para que vocês querem o Sarkozi para jantar, se ele não larga a Bruni?



eu não vou

e o problema nao está na altura,mas na desproporcional cabeça de melão que ele tem







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