Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

Sou sincera

Rita Ferro

 

 

De entre a assombrosa colecção de fotos de

Aleksey Petrosian

sobre a Rússia actual

- que podem e devem espreitar aqui -

elegi esta!

 

 

É o lado sobrenatural do humano

a que tantos se mostram

cegos, surdos, ou já mortos

e que só certas sensibilidades sobreviventes

resgatam da banalidade.

 

Vivam os Artistas!

 

Sem Eles, seríamos só o que

parecemos aos olhos das multidões

ou, pior,

aos nossos próprios olhos

descrentes de transcendência.

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 09:30
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60 comentários:
De José António Barreiros a 15 de Abril de 2009 às 10:41
O fotógrafo vai para além da excelência. A fotografia é uma obra de criação, em que a imagem reflectida parece, vinda do Além, querer limpar de vez a realidade reflectora. No meio de tudo isto, ei-lo o tubarão predador, pecado de todos os à la minute, para quem fotografar é aprisionar a vida através de uma lente fingindo assim que lá estiveram quando apenas por lá passaram.
Viva a Arte!
De Rita Ferro a 15 de Abril de 2009 às 11:18
Querido Jab, não sei se foi intencional da sua parte, mas reparei na subtileza de ter escrito «Viva a Arte» em vez de «Vivam os Artistas!» Lembro-me de uma frase genial de Malraux que dizia: «A gioconda sorri porque todos os que lhe puseram bigodes estão mortos». Por outro lado, nada pode sair do artista que não esteja no homem - ou não? E voltando ao Malraux: toda a Arte é um anti-destino? Não queria intelectualizar, mas o tema presta-se...
De Ana Vidal a 15 de Abril de 2009 às 12:06
Jesus Christ, que gongóricos estamos hoje!

Mas junto-me ao coro... VIVA A ARTE, única centelha de salvação para a estagnação humana.

beijos aos artistas presentes, ausentes e a todos que ainda não sabem que o são.
De rocha a 15 de Abril de 2009 às 11:19
E que sem ela ..., nosso JAB, éramos cinzento de fundo amarelo esbatido!!!!!!!!
Viva a arte e que vivam os artistas para sempre
Vossa Rocha
De Rita Ferro a 15 de Abril de 2009 às 11:36
A começar por ti, querida Isabel, que cantas com uma alma que humilha a da Callas e arruma a da Bartoli!

Ah, se vocês soubessem, Amigos, a forma sobrenatural como esta que se esconde neste nick Rocha canta e encanta! Em qualquer ritmo, em qualquer língua! É de arrepiar as entranhas, juro-vos!

A propósito: que musa te calou, que nunca mais ninguém te ouviu? Que homens te feriram, que mágoas guardas? Tb te entregaste, como tantos, às misérias do lucro e da usura, ao bocejo da luta pela sobrevivência e outros lugares-comuns?

Despe-te, despoja-te, volta, mata a empresária! Queremos de novo a Artista: «Volúpia de sentir-me em cada dia/
mais cansada, mais triste, mais dorida/
mas cada vez mais agarrada à vida!»

Viva a Arte!
Viva a voz!
A TUA VOZ!
De rocha a 15 de Abril de 2009 às 11:42
Foram os excessos Rita que me roubaram a arena..Deixei o toureio a pé e passei para trás da trincheira ...mas estou atenta!! Quem sabe um dia volto à arena??? Saberei quando chegar.........
De Rita Ferro a 15 de Abril de 2009 às 11:59
Sem os excessos que é do homem? Mais do que besta controlada, cadáver adiado... que maçada!
De rocha a 15 de Abril de 2009 às 12:09
os excessos condicionam a nossa liberdade querida amiga.....há que refrear ...até porque mesmo adiado o cadáver é um peso.....
Rocha
De Anónimo a 15 de Abril de 2009 às 12:20

Ah, a insustentável leveza do cadáver... essa lenda...
De Rita Ferro a 15 de Abril de 2009 às 12:21

A gracinha anónima foi minha, Isabel... LOL
De Ana Vidal a 15 de Abril de 2009 às 12:00
Isso é que é falar, torera! Nós, os aficionados, vamos começar a preparar o traje de luces e a muleta dos dias de festa para o grande regresso. Não faltarão verónicas e chicuelinas de fino recorte. Olé!

bjs
De rocha a 15 de Abril de 2009 às 12:20
Olé Amiga.........Bem sabe que o barrete de campino já está pronto encacabeçar o cortejo ..Espero que venham atrás!"!!
Beijos.........o carro não pegou???Ficaste com o tel do amigo da Rita??? que estás a fazer em casa??? calona
De Ana Vidal a 15 de Abril de 2009 às 12:30
Nada disso, patroa... estou a trabalhar furiosamente e já ligo a vosselência... lol
De José António Barreiros a 15 de Abril de 2009 às 11:53
A Arte, com maiúscula é o horizonte no caminho de um artista, é a Substância de que ele vai fazendo imperfeitos modelos, o Arquétipo da sua ânsia criadora. É o princípio e o fim, o ciclo da eternidade, o símbolo do infinito, o eterno retorno, a serpente enrolada em ovo. Artistas serão os que tiverem a grandeza de o saber e a humildade de o aprenderem a fazer. Sou sincero! É isto que penso. Se soubesse cantar di-lo-ia em alta voz!
De Rita Ferro a 15 de Abril de 2009 às 12:08
Mané, escreve uma música para isto! Isabel, vem entoar este cântico! Jab, mexa-se, vá escrever o romance por que tantos esperamos!
De marie tourvel a 15 de Abril de 2009 às 12:04
Seus posts são obras de arte, querida.

Viva a Rita! ;)

Beijos!
De Rita Ferro a 15 de Abril de 2009 às 12:13
(Gosto de corar porque o blush me faz má pele!)

Viva a Marie, que é querida e doce e tem sempre uma palavra terna para dizer a todos nós!
De pássaro a 15 de Abril de 2009 às 13:16
Olá Rita! Gostei da fotografia que escolheste que me fez desejar que a mulher assim reflectida estivesse docemente esquecida de si própria imersa como um peixe jubiloso na realidade do outro. E vivam os artistas que nos chamam a atenção para a vida e nos transmitem a música de uma graça interior. Eu escolhia a da menina deitada sobre a mãe? e a estrada sem fim... lembra-me uma frase de que gosto "essa única e sempre insuficiente répétition générale de la vie que é a infância".
De RF a 15 de Abril de 2009 às 13:32
Caramba, Pássaro, fiquei a meditar nessa frase que citas e a reconciliar-me com todas as asneiras que fiz! É que a vida nunca me deixou brincar como eu merecia, sabes? Nem sujar-me, nem rebolar-me na terra molhada, nem sujar as roupas de tinta, nem brincar com outros meninos fora da minha tribo... «Raiva de ser menina fina/ De ouvir a toda a hora 'tenha modos menina'» (FC)... E eu não perdoo à vida nada do que ela me faltou. Nada, nada, nada, nada, nada..... Hei-de cobrar-lhe tudo, tudo, tudo, tudo.... Mesmo arriscando-me a esse patético da repetição sistemática da infância. Sabes, Pássaro? O meu pai advertia-nos: «Cuidado com o infantilismo dos adultos! Ainda é pior do que o seu demonismo...» Mas eu na altura ainda não estava preparada para perceber a diferença. E encolhia-me. Agora, Pássaro, chegou a hora! Anda, dá-me a tua mão. Vamos voar?
De Luísa a 15 de Abril de 2009 às 13:17
Rita, porque muito já foi dito e a mim não me ocorre nada de original para acrescentar (para além de dizer que há fotógrafos extraordinários!), socorro-me de outro artista, Maupassant, e deste seu raciocínio em «L’Inutile Beauté», com que concordo e não concordo…:
«Oui, mais je dis que la nature est notre ennemie, qu’il faut toujours lutter contre la nature, car elle nous ramène sans cesse à l’animal. Ce qu’il y a de propre, de joli, d’élégant, d’idéal sur la terre, ce n’est pas Dieu qui l’y a mis, c’est l’homme, c’est le cerveau humain. C’est nous qui avons introduit dans la création, en la chantant, en l’interprétant, en l’admirant en poètes, en l’idéalisant en artistes, en l’expliquant en savants qui se trompent, mais qui trouvent aux phénomènes des raisons ingénieuses, un peu de grâce, de beauté, de charme inconnu et de mystère.»

De Rita Ferro a 15 de Abril de 2009 às 13:46
Querida Luísa, Cocteau também nos vinha com essa: «A Arte existe no instante em que o artista se afasta da Natureza». Mas são homens a conversar... :-)))
De Raúl Mesquita a 15 de Abril de 2009 às 13:31
Querida Rita:
Como somos artistas, julgo que a humildade a que estamos livremente sujeitos impede-nos de comentar esta frase.

Leste o meu follow-up da semana passda sobre "os gay"? A Ana Vidal trocou umas impressões interessantes comigos. Bjs, Raúl.
De Rita Ferro a 15 de Abril de 2009 às 13:58

Deus que me livre, querido Raúl, se eu alguma vez diria que sou artista! Quem sou eu para me outorgar? Olha a sina: ter um valor atribuído pelos outros, variável de pessoa para pessoa. E nunca, até ao fim, obter unanimidade! Ouve: preparo-me para publicar o meu 20º livro e ainda nem me atrevo a dizer que sou escritora...! Sabes como me safo? Digo que sou autora. Nos recibos verdes e na vida. Com humildade, como bem dizes... Alguém dizia que a humildade é a mais desculpável das mentiras e eu concordo. Se a não sentimos, ao menos que a finjamos! LOL

E a que frase te referes? Só penso que comentes o post... A redenção pela Arte!

(E, sim, claro... segui todos os comentários, como não? Foi um dia bem animado, não achaste? Nunca deixes de aparecer, Amigo: fazes falta!)
De Raúl Mesquita a 15 de Abril de 2009 às 15:33
Querida, sou artista na medida em que oiço música e sinto o que ela me traz; sou escritor porque leio e sinto o que o livro me faz; transformo, sou artista, logo, penetro na transcendência e daí não ter comentado a frase, mas é sempre a pleasure and an education falar contigo. Bjs.
De Raúl Mesquita a 15 de Abril de 2009 às 15:36
P.S. Frase, não, tens razão: o texto, o "Post."
De Rita Ferro a 15 de Abril de 2009 às 15:47

Claro que sim, Raúl querido, obrigada por mais esta achega! Não só lês... como escreves e o fazes sumptuosamente - vidé o teu último romance «O Pai e os Outros»! Sabes? Estive a pensar, lembrando-me agora da tua área académica... Talvez não fosse descabido tentar aqui um post sem grandes pretensões sobre Filosofia. Escolher uma ideia, uma escola, e abrir discussão - que me dizes? Para a semana, talvez. Conto contigo, ó Professor! Ouvistesssss??? Olha que a malta sozinha não risca nada...
De Raúl Mesquita a 15 de Abril de 2009 às 16:25
Obrigado pelas tuas palavras, Rita! Quando li a tua simpática sugestão pensei no seguinte Post: O Epicurismo. Que te parece?
De Rita Ferro a 15 de Abril de 2009 às 17:48
Acho perfeito, porque convém que nem ginjas à minha fase actual! Nunca percebi exactamente como deriva do hedonismo - acho que é menos primário, certo? - mas é um tema altamente sugestivo. Alinho! Perfila-te, pois... (Enfim, se conseguirmos trocar a coisa por miúdos, MESMO! Pois para complicações já nos basta o nosso aparelho cultural que em vez de aproximar as pessoas do Conhecimento as desmarca para sempre! :-))) E a malta já não pode com chatos!!! Olha, copia este link, clica e ri-te comigo. Aí tens uma boa charge para mostrar aos teus alunos, LOL:

http://www.youtube.com/watch?v=d59YN5XwLa0&eurl=http%3A%2F%2Ffinalcut%2Dvisao%2Eblogspot%2Ecom%2F&feature=player_embedded
De Maria João Durão a 15 de Abril de 2009 às 15:18
Sou sincera.

Nós os não artistas presos neste "aquário" onde os outros só aparecem reflectidos...

Eu quero ser ARTISTA.
Bjos .
MJD
De Rita Ferro a 15 de Abril de 2009 às 15:52
Maria João, que surpresa! Mas quem é que te disse que não és artista? Só quem não te viu representar! Cá para mim arrumas com a Kate Blanchett e a própria Judy Dench rói as unhas quando te vê para afastar os complexos! Deixe-se de fitas, menina, nem sequer és aquário! És quê? Peixes? Capricórnio? Virgem? Bom, Virgem não pareces. Cá por coisas. Não!!!! Por nada de especial, you.... dirty minds!!! É que no outro dia vi o teu carro a caminho dos Salesianos e estava cheio de crianças. São tuas?
De Rita Ferro a 15 de Abril de 2009 às 15:59
Corrijo, Kate Blanchet (as burocracias da cultura, caraças!)
De Ana Vidal a 16 de Abril de 2009 às 00:44
Já agora... Cate Blanchet (parece que é assim).
De isabel a 15 de Abril de 2009 às 15:33
as fotografias são tocantes e o amparo das palavras da Rita Ferro, abrem ainda mais os olhos ao espanto de quem vê os " descrentes de transcendência". É como o incomodo bom que não se descreve facilmente. Volto a dizer que é o feio - bonito. Isto é muito verdade não é ?
De Rita Ferro a 15 de Abril de 2009 às 15:57
Viva, Isabel, bem-vinda!! Referes-te mais às outras fotos do que a esta, não é verdade? E não a todas mas a algumas, onde a miséria, a melancolia, a desesperança ou a indigência nos causam uma ventania na alma, é isso?

Pois é, nesse caso o belo reside no olhar de quem capta e no que nos leva a sentir: esta fraternidade cósmica que todo o Artista convoca! Obrigada, pela visita. Voltarás?
De mike a 15 de Abril de 2009 às 16:01
Sou sincero: gostei muito deste post e estou de acordo quanto ao conteúdo. Porque será que pensei "olha, que chatice"? ;)
De RF a 15 de Abril de 2009 às 17:33
Porque vc gosta é de miúdas giras e a empregada que limpa o aquário é o que se pode chamar «um canhão»? LOLOLOLOL
De mike a 15 de Abril de 2009 às 23:14
lol lol lol
De Jorge Antunes a 15 de Abril de 2009 às 18:33
Olhe, Rita Ferro,
Gosto desta frase: a arte é um chamamento ao qual respondem muitos que não foram chamados.
Por isso olho para a fotografia e vejo uma senhora forte, que vive nos suburbios de Moscovo, que bebe Vodka porque o gás natural é só para o ocidente e que tenta, desesperadamente, agarrar a cauda do tubarão, não percebendo que há um vidro de permeio. Deixo a discussão sobre a Arte para os artistas.
Peço desculpa pela sem cerimónia, mas tenho ali um estrugido ao lume, fenece-me o tempo para o devaneio.
De Rita Ferro a 15 de Abril de 2009 às 19:24
Ahahahahahahaha, Jorge Antunes, vc faz-me rir sempre estrepitosamente e ainda me coloca questões magnas: quem tem mais poder, alcance e universalidade? A Arte ou o humor? Ah, ok, esqueci-me: o humor é uma Arte! Tudo é Arte, aliás, nos tempos que correm. Os tapetes de arraiolos, as tatuagens, as massagens tailandesas ... Pois é, esqueci-me, Jorge Antunes. Ontem, na TV, um médico dizia até que a Medicina não era uma ciência, mas uma Arte, e até o percebi, pois não pode ser interpretada à letra, mas com intuição, astúcia e experiência. Mas as Artes para mim são seis - ou sete, se incluirmos o cinema que abicha a maior parte. E a oitava é a sua, Jorge Antunes: a piada! Fenece-lhe o tempo? Ahahahahahaha! Sem humor que é do homem/mais do que asnos e doutores/cadáveres adiados sem fulgores!

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