Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

Observatório

Pedro Silveira Botelho

 

 

Pot Pourri 

 

Uma primeira linha rápida para expressar a minha solidariedade com as vítimas do sismo em Áquila. Das centenas que tiveram o infortúnio de sucumbir, aos milhares que ficaram desalojados e, provavelmente, sem todos os seus haveres. Para eles, a Páscoa deste ano vai ficar indelével nas suas memórias, certamente como o episódio mais dramático das suas vidas. Por outro lado, o apreço e admiração pela abnegação dos milhares de socorristas que, a todo o custo, tentam salvar as vidas possíveis, ou minimizar o sofrimento dos que tiveram a sorte de escapar. Não posso deixar de pensar se, tivesse acontecido por cá, quais seriam as consequências. Quer pela qualidade das construções de obras privadas, que todos sabemos não serem minimamente supervisionadas quanto à qualidade dos materiais aplicados, quer pela (des?)organização da nossa Protecção Civil que, a avaliar por outras circunstâncias (no combate aos incêndios, por exemplo) a quantidade de interesses privados que se envolvem neste ‘negócio’ afecta, tantas vezes, a interligação eficiente da operacionalidade dos parceiros envolvidos.

 

Numa segunda linha, para comentar esta guerra surda sobre os genéricos. Afinal, não foram criados para defender o utente, nomeadamente os que têm poucos recursos? Percebo que as farmácias não possam alterar a receita prescrita pelo médico, substituindo o receitado por um genérico. Vai contra qualquer deontologia. Mas estarão os médicos assim tão coniventes com a indústria farmacêutica, para que não sejam os primeiros a receitá-los? E os doentes, porque não o exigem ao médico?

 

Finalmente, um louvor à espectacular actuação de ontem do FCP frente ao mais temível adversário. Atitude, brio, profissionalismo, espírito de sacrifício e de equipa, conseguiram o brilhante resultado. Cortaram por completo as pernas à ‘prima donna’ dos brinquinhos. Detesto o JNPC, acho-o uma eminência parda eventualmente responsável por muita da porcaria que grassa pelo futebol nacional. Mas que sabe da poda, não há a menor dúvida. Mudam treinadores, mudam jogadores, mas o FCP tem sido, desde há muitos anos, o melhor clube português, de facto, capaz de ombrear com os melhores do mundo.

Até parece que sou um grande aficionado de futebol. Não sou. Mas não resisto a um bom espectáculo. Como o de ontem.

 

 

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 09:30
link do post
10 comentários:
De Pedro Barbosa Pinto a 9 de Abril de 2009 às 11:03
1º - Às vítimas do sismo, os feridos e os desalojados e os enlutados, o desejo de que rapidamente possam apagar as cicatrizes e reconstruir as suas vidas. Aos que sucumbiram, apenas a esperança de que tenham tido uma morte sem muito sofrimento. Não foram desta para melhor? Quero acreditar que sim.

Se fosse por cá, numa aldeia do interior, os edifícios eram capazes de caír como caíram os de Áquila, Pedro. A diferença poderia estar no número de vítimas. Um casal de idosos mais um primo afastado viúvo e três ou quatro vacas?


2º - Pergunto se o genérico tem ou não tem o mesmo princípio activo e a mesma qualidade que o medicamento de marca reconhecidos pelo Governo. Se é assim, não deveria ser o doente a decidir se prefere uma embalagem que vá bem com a cor dos cortinados ou se uma branca? E já agora, se o médico manda tomar sete comprimidos, porquê continuarem a obrigar o doente a comprar trinta?

3º - BIBA o FCP, CARAGO!
De Carlos Barbosa de Oliveira a 9 de Abril de 2009 às 12:51
Sobre a primeira falei no Delito, sobre a segunda no Rochedo.
Quanto à terceira, apesar de ser portista ferrenho não me pronunciei em nenhum. Sei que o FC Porto é um grande clube, tem uma excelente equipa, mas não deito foguetes antes da festa... até porque as minhas previsões apontam para que o meu cllube seja eliminado no dia 15 ( snif, snif, snif)
Boa Páscoa, Ana
De Ana Vidal a 9 de Abril de 2009 às 13:09
Boa Páscoa, Carlos.
E até dia 15 ainda pode sonhar...
Eu (infelizmente?) não tenho clube, e até acho que devia haver genéricos no futebol! :-)
De Si a 9 de Abril de 2009 às 13:24
Sem dúvida uma reflexão muito ponderada sobre os principais acontecimentos desta semana.
1- Ninguém o confirma, a não ser entre a fina flor do engenheiros civis, mas, de facto, se Portugal sofresse um cataclismo semelhante, poucos seriam os edifícios que se manteriam de pé, face às sucessivas tentativas de cada um roubar mais do que o outro, no processo por que passam as construções. Talvez também por isso, ou não, nunca mais ande para a frente o tal estudo sobre os terramotos, maremotos e tsunamis que há 3 anos anda emperrado...
2 - Que a indústria farmacêutica e a classe médica formam um lobby praticamente impenetrável isso é uma verdade antiga, mas mais verdade é ainda, que o facto de apenas e só eles saberem, exactamente, a composição de cada medicamento, determina que o doente não tenha qualquer possibilidade de escolha consciente sobre algo a que não tem acesso e que muito lhe diz respeito. Pior, a guerra surda, agora, tem 3 partes - as farmacêuticas dos genéricos, as das marcas e os médicos, pelo que, o interesse do utente ficará sempre em causa, qualquer que seja a decisão final...
3 - Faço minhas as suas palavras e as do comentador anterior : )
De Luísa a 9 de Abril de 2009 às 13:54
O homem comum tem coisas extraordinárias, Pedro, e uma delas é, sem dúvida, a generosidade, piedade ou solidariedade com que invariavelmente acorre às vítimas de catástrofes naturais, superando, frequentemente, as suas próprias limitações e medos.
Prefiro nem pensar que Portugal se situa numa zona complicada, que sofre mais de trezentos pequenos estremecimentos anuais e que em qualquer altura o abalo pode ser duro. A felicidade só é realmente possível com uma boa dose de alienação.
A questão dos genéricos é apenas mais uma promessa não cumprida, a juntar a tantas outras. Deixando naturalmente à solta os vários interesses antagónicos na matéria.
Sobre o FCP …… (silêncio absolutamente desinformado)……
Uma excelente Páscoa, Pedro. :-)
De RF a 9 de Abril de 2009 às 18:52
Eu venho desabafar consigo uma coisa, Pedro, mas não diga a ninguém. Pode achar que eu estou a mentir, mas não estou. Aqui vai: eu às vezes sonho que um tremor de terra me leva desta vida para outra qualquer, para variar. Mas só a mim, uma vez que não conheço ninguém que partilhe deste meu sonho. Outro sonho que eu tenho é conhecê-lo: mas não tenho acesso. Somos colegas aqui na Porta do Vento, mas a Ana não apresenta ninguém. Não conheço nem o Pedro nem a Marie nem o Manuel nem o João Paulo nem a Luísa. É normal? Não, não acho normal. É como trabalhar com o homem invisível. Ou com vários, vamos. Não sei porque é que a Ana é assim. Porque é que tem este feitio egoísta de querer as pessoas só para ela, mas também já desisti de perceber. Olhe, pronto, fica aqui o meu protesto contra a desumanização dos blogues. Gostava de conhecê-lo, Pedro. Você preocupa-se com tremores de terra eu com tremores de gays, mas, no fundo, somos ambos boas pessoas e, se calhar, temos outros pontos em comum. Uma santa Páscoa para si!
De Ana Vidal a 9 de Abril de 2009 às 19:04
Ainda não parei de rir, minha doida. Eu, não apresento ninguém??? Ora essa, vocês já são todos crescidinhos, não? Orientem-se! LOL
Mas se precisam mesmo de chaperon, vá lá: ofereço-me para fazer as apresentações formais, num jantar (ou almoço) de sopradores de ventos. Mais do que isto, não posso fazer... :-)

(Marie, tens de vir também, se não o encontro não tem a mesma graça!)
De RF a 9 de Abril de 2009 às 19:06
Proponho um jantar em casa da Marie, viagens pagas pela dona do blogue - boa?
De mike a 10 de Abril de 2009 às 00:36
... somos ambas boas pessoas... (riso abafado)
De mike a 10 de Abril de 2009 às 00:38
E eu que nem sou um grande aficionado de pot pourri, não sou mesmo, mas não resisto a um bom post. Como este. Boa Páscoa, Pedro.

Comentar post

brisas, nortadas e furacões, por


Ana Vidal
Pedro Silveira Botelho
Manuel Fragoso de Almeida
Marie Tourvel
Rita Ferro
João Paulo Cardoso
Luísa
João de Bragança

palavras ao vento


portadovento@sapo.pt

aragens


“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez."

(Jean Cocteau)

portas da casa


Violinos no Telhado
Pastéis de Nada
As Letras da Sopa
O Eldorado
Nocturno
Delito de Opinião
Adeus, até ao meu regresso

Ventos recentes

Até sempre

Expresso do Oriente (3)

Expresso do Oriente (2)

Expresso do Oriente (1)

Vou ali...

Adivinhe quem foi jantar?

Intervalo

Semibreves

Pocket Classic (A Educaçã...

Coentros e rabanetes

Adivinhe quem vem jantar?

Moleskine

Lapsus Linguae

Semibreves

Sou sincera

favoritos

O triunfo dos porcos

Livros



Seda e Aço


A Poesia é para comer


Gente do Sul

E tudo o vento levou

Perfil


ver perfil

. 16 seguidores

Technorati Profile

Add to Technorati Favorites

Ventos do mundo

Ventos de Passagem


visitantes online

Subscrever feeds