Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Sou sincera

Rita Ferro

 

Por quem os sinos dobram

 

 

 

                                     O que me impressiona na assunção gay,

 naquele lugar de nós onde se espraiam as dúvidas mais ingénuas,

é a dispensa do outro sexo declarada como definitiva.

 

Nos homossexuais-homens, claro, despeita-me e desafia-me, por coquetterie feminil, o repúdio das mulheres como ponto assente para o resto da vida.

 

Tal como aos heterossexuais deve ferir, perante as sáficas, a sua negação nauseada.

 

Confesso que tenho dificuldade em imaginar as pessoas,

em qualquer cenário,

escravas do sentido único por hipoteca pública.

 

«Eu sou gay» - quase como:

«Se me virem um dia com alguém do outro sexo

estarei sendo incoerente ou fraudulento.»

 

E a pergunta fica:

não inibirá esta aparente bravura

uma incursão livre e facultativa

a qualquer dos outros pontos cardeais?

 

Não representará uma restrição à sua liberdade?

Ao seu direito à variedade, ao ecletismo?

 

Sou cada vez mais

pela irrelevância da diferenciação!

 

Não que não seja preciso banalizar primeiro

para fazer vingar a liberdade de cada um,

futuramente.

 

Mas como meta a atingir.

 

 

 

ADENDA:

 

Rita:

Recebi este desenho da nossa amiga Rita Vasconcellos, por e-mail, como contributo para esta discussão. Como não sei por desenhos na caixa de comentários, fica aqui mesmo:

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 10:30
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102 comentários:
De José António Barreiros a 8 de Abril de 2009 às 11:36
Dizia o Camus que a escolha livre é a que permite a escolha livre seguinte. Eis o ponto aqui. Se a homossexualidade for um determinismo imposto pela natureza do ser, a liberdade de querer heterosexualmente existirá numa muito menor medida.
A opção pelo mesmo género, por outro género ou por outras espécies, essa é tanto mais livre quanto maior for a luxúria da criatura de cuja sexualidade se fale.
Há quem goze ao ser omnívoro. Julgam-se totalmente livres os escravos do prazer.
De Anónimo a 8 de Abril de 2009 às 13:27
Difícil, para mim, encarar a sexualidade como uma coisa meramente física. Mesmo com condicionantes dessa natureza. E sim, liberdade até para ser-se escravo.
De RF a 8 de Abril de 2009 às 13:54
Esqueci-me de assinar: RF
De Helena Sacadura Cabral a 8 de Abril de 2009 às 19:18
Estou inteiramente de acordo consigo. Apenas pergunto se haverá alguma necessidade de dizer ao mundo quais as preferência sexuais de cada um. Alguém tem interesse nisso, além dos visados?

Saudades
De RF a 8 de Abril de 2009 às 20:12
Parece que sim, Helena, vamos ver como evolui esta discussão. Vou mandar vir um chá e scones para ti, ainda gostas? Mas que festa ter-te aqui!!
De Margarida a 8 de Abril de 2009 às 12:09
Porque é que se lucubra tanto e se sente tão pouco?
Talvez por ter muito cedo conhecido dois assutados miúdos gays e lhes ter dado o colo possível que uma miúda ignorante podia dar, sempre me tocou muito a angústia de se ser 'diferente' e é quase só por esse ângulo que 'vejo' a luta pela dita-cuja 'causa'...
O resto importa, tanto quanto a sociedade releva para o equilíbrio dos grupos e a estabilidade da 'família'.
Mas, para mim, são os corações e as almas que falam mais alto.
É uma questão de ternura inexplicável.
O medo de se ser humano sempre me tocou.
O resto, quase todo o resto, não passa de folclore.
De Anónimo a 8 de Abril de 2009 às 13:30
Pensar e sentir - serão coisas assim tão diferentes? Não consigo dissociar...
De RF a 8 de Abril de 2009 às 13:53
Esqueci-me de assinar: RF
De Jorge Antunes a 8 de Abril de 2009 às 12:17
Olhe, Rita Ferro
O comentário do José António Barreiros, que abriu as "hostilidades", sucumbiu-me. Depois de Camus cita-se o quê? Vitor Espadinha? O editorial do ilga deste mês? Peço desculpa mas fiquei empancado.
Queria, no entanto, referir esta frase: "não inibirá esta aparente bravura uma incursão livre e facultativa a qualquer dos outros pontos cardeais?"
Diga-me, Rita Ferro: há alguma sugestão que os heterosexuais também devam percorrer os pontos cardeais? Em nome da experiência, do desafio, do conhecimento?
Talvez eu tenha percebido mal...
Atento, venerador e obrigado.

De Anónimo a 8 de Abril de 2009 às 13:48
Em rigor, sim. (E, já agora: também em nome do prazer...)
De RF a 8 de Abril de 2009 às 13:54
Esqueci-me de assinar: RF
De Ana Vidal a 8 de Abril de 2009 às 12:29
A geografia sexual tem diversas bússolas, Rita. Entendo essa afirmação categórica de exclusão por parte de quem já fez um longo percurso e "escolheu" com conhecimento de causa, ou por parte de quem, como diz a Margarida, não tem sequer escolha, logo desde o início. Como atitude diletante, parece-me que a navegação errática pode levar a grandes naufrágios. Mas também, admito, nada mais triste do que não se poder navegar em mar aberto, quando a razão é o medo de perder a vista da costa.
De RF a 8 de Abril de 2009 às 13:41
Lá está: a história do «não tem sequer escolha». Não é verdade nem para os heterossexuais. Por que razão será para os gays?
De Ana Vidal a 8 de Abril de 2009 às 14:20
É uma afirmação recorrente dos homosexuais, o "não terem escolha", por uma questão genética ou morfológica. Não tenho dados científicos para contradizê-los, nem para não acreditar nisso. Mas, ainda que haja escolha, a liberdade da experimentação inclui a liberdade da não experimentação. Tanto para os hetero como para os homo.
De RF a 8 de Abril de 2009 às 15:09
Sim, claro, 100% de acordo!
De Capê a 8 de Abril de 2009 às 12:48
Nos tempos que correm creio já se ter esbatido um pouco, pelo menos nos países socialmente mais evoluídos, a posição radical de certos grupos homossexuais. Veja-se a decadência dos locais nocturnos exclusivamente gay e a prosperidade de locais "mistos", em que o "menu" sexual é muito mais versátil. Pessoas 100% gay ou 100% hetero são situadas nas margens de um espectro muito mais vasto pelos sexólogos. Não digo que, de facto, os seres humanos não tenham uma preferência muito vincada, que lhes marca o comportamento social, mas penso que, muitas vezes, são os pudores em quebrar os compromissos sociais então criados que impedem uma maior bissexualidade. Nas nossas relações sociais não é suposto misturar os comportamentos. Uma mulher hetero não deve envolver-se com um homem assumidamente gay, embora não haja problema se o fizer com um homem que socialmente é hetero mas que consome do seu género em segredo. O problema fundamental não está tanto na opção sexual manifesta ou secreta mas antes na péssima vivência que a sexualidade ainda tem dentro dos nossos valores culturais. O sexo é algo pecaminoso, logo só se permite dentro de certas regras. Bem, não gostas do sexo oposto? Ok, abre-se uma excepção, criamos aqui um parque infantil para gays e lésbicas mas vejam lá se estabelecem as vossas próprias regras e se não lançam a confusão no batalhão... O quê?! Gostas das duas coisas?? Epa, isso é que não! ou uma coisa ou outra! Resumindo, os bissexuais estão lixados. Ora, nós bem sabemos que não são estas regras, por muito difundidas e observadas que sejam, que impedem a Libido de actuar. Quem quiser viver em paz neste paraíso à beira-mar tem de manter os "eyes wide shut".
Compreendo que, sendo a humanidade uma massa imbecil pontuada por cabeças luminosas que raramente influenciam o devir comum, o melhor mecanismo de controle da força animalesca do Sexo seja a repressão, a forma mais primitiva de lidar com um problema. A nossa civilização está assente neste jogo; o Sexo é visto como destruidor, a menos que sirva para a perpetuação da espécie. E, contudo, há quem seja tão feliz, vivendo o Sexo de uma maneira livre e despreocupada...
Quanto à questão da visão dos gays e das lésbicas pelos outros grupos, a coisa não é equivalente. A chave é MACHISMO GENERALIZADO e MACHISMO PROPAGADO PELAS MULHERES. A sexualidade dos homens gays é vista como perigosa e excessiva, simplesmente porque a sexualidade dos Homens assim é encarada pela nossa cultura. A sexualidade das lésbicas é encarada pelos homens hetero como uma divertida fantasia, pois a sexualidade das Mulheres é desprezada e diminuída. Pior, são as mães, pelo menos tanto quanto os pais, que incutem nos seus filhos estes valores machistas. Logo, meninas , muito cuidado com o que plantam nas cabeças virgens dos vossos filhos.
Outra questão muito importante é a do Ciúme. A posse do cônjuge é uma tentação irresistível. Talvez, não sei, se fossemos educados a ser menos ciumentos, conseguíssemos perceber que ninguém é dono de ninguém e que um acto sexual pode não ser mais que apenas isso. Decerto sou ingénuo ou utópico.
De qualquer modo, acho que o problema inicial se espalha por territórios muito vastos. Possivelmente não tem solução definitiva; vai tendo...
Desculpem a chuva de banalidades.
Podem bater à vontade.
De RF a 8 de Abril de 2009 às 15:53
Não, não, Capê... Adoro ter-te aqui... Bolas, um escritor e um pintor... Dois em um! E juro, não revelarei a tua identidade! Mas sabes... fiquei a pensar... nestas coisas sou uma naba. Essa coisa que disseste «os bissexuais estão lixados». Por que será? No fundo, as pessoas achá-los-ão homossexuais dissimulados? Ando doida ultimamente a pensar nestas temáticas... Por causa do meu último livro, sabes? O teu foi mais forte, claro... Caramba! Mas olha que o meu não lhe ficará atrás! Fortíssimo! Outra coisa de que falo nele é de travestis. Travestis, sim! Fazem-me espécie. Outro repto que lanço aqui aos leitores do Porta. Os travestis (homens com implantes mamários, mas NÃO operados) estão roubando público às prostitutas convencionais, ou seja, procurados por heterossexuais. Como se explica isto?

Bom, mas desculpando-me por este desvio.
Que dizia eu?
Bolas, telefone...
Desculpa, voltarei, já estou baralhada...
De DaLheGas a 8 de Abril de 2009 às 12:50
eu cá RF, estou-me nas tintas para os enganos de cada um. a vida põe-nos na frente o que é útil para a nossa sabedoria. quanto à bicharada que volta atrás, tudo bem, desde que não bata à minha porta... de resto gosto da gayzada e sou pela liberdade
De RF a 8 de Abril de 2009 às 13:40
Que entendes por «voltar atrás»? Não percebi...
De DaLheGas a 8 de Abril de 2009 às 15:00
falo dos eventuais e futuros recuos na escolha, que são legítimos, mesmo que tenham jurado «Se me virem um dia com alguém do outro sexo
estarei sendo incoerente ou fraudulento.» só não me vejo em feliz romance com um novíssimo hetero, ex-gay
De RF a 8 de Abril de 2009 às 15:08
Porquê?
De DaLheGas a 8 de Abril de 2009 às 18:01
queres mesmo que eu te responda???? porque não me agradava nada pensar no meu namorado a ser pegado de marcha atrás :))) E tu?
De Capê a 8 de Abril de 2009 às 18:59
Estou fissurado neste blog! E se vos lembrar daquelas mulheres que têm "bend-over boyfriends"? Que penetram os namorados em vez de serem penetradas; ao que percebi, eles não se consideram gays. Como é que os classificam? Ou será que não há em Lisboa?
De RF a 8 de Abril de 2009 às 20:17
Deve haver, sim, Capê... LOL
De ritz_on_the_rocks a 8 de Abril de 2009 às 23:50
Olá Capê
Long time no see e que bom ouvir-te....!!!
Revelo aqui a minha mais profunda ignorância... ' bend-over boyfriends' ... nunca tinha ouvido tal expressão... correndo o risco de ser vaiada, estou vai não vai para pedir à Ana para publicar um desenho que fiz a propósito .... eh eh eh eh
( só para adultos claro... lol)
bjinho
Rita
De RF a 9 de Abril de 2009 às 00:09
Publica! Publica! Publica!
De Ana Vidal a 9 de Abril de 2009 às 00:15
o que tu queres é sangue... lol
De RF a 9 de Abril de 2009 às 00:19
Bruxa!
De RF a 9 de Abril de 2009 às 00:51
Não!!! Queria dizer bruxo!!! No sentido de «adivinhas tudo»!!! És tudo menos bruxa, querida Ana!!!
De mike a 9 de Abril de 2009 às 01:11
É bruxa, sim. (gargalhada)
De RF a 9 de Abril de 2009 às 01:17
Isso: provoque-a e depois admire-se! LOL
De Ana Vidal a 9 de Abril de 2009 às 01:22
Sou bruxa, sim. De verruga no nariz, vassoura e caldeirão fumegante. Por isso acautele-se comigo, menino Mike, ou transformo-o num sapo!
De mike a 9 de Abril de 2009 às 13:37
croac croac croac... lol
De ritz_on_the_rocks a 9 de Abril de 2009 às 20:07
... não deviam brincar com coisas sérias ... vá lá ...mike ... tome lá um beijo para voltar a ser menino ...
S M A C K ...
prontos ...
prontos ...
já passou!
De Ana Vidal a 9 de Abril de 2009 às 20:18
Agora com o teu beijinho, virou príncipe!
De mike a 10 de Abril de 2009 às 00:42
E o príncipe Mike, com uma vénia, agradece o beijinho Ritz on the Rocks. :)
De RF a 8 de Abril de 2009 às 20:15
Adoro quando te elevas nas metáforas, Dalhe :-))) Mas olha que já estou como o Cápê aqui em baixo: não é nada que as senhoras mais respeitáveis tb não façam com os seus cônjuges... e sem precisar de gadjets nenhuns!
De Ana LA a 8 de Abril de 2009 às 13:45
Eu sou como a Dalhegas, pela liberdade. A única coisa que me incomoda, é a supremacia da variável "escolha sexual "no modelo de construção identitária dos indivíduos. Concordo contigo quando a opção é essa, a bandeira erguida, é orientadora de todas as avaliações e interacções com o outros. Tema quente este que escolheste. Bjo
De RF a 8 de Abril de 2009 às 15:07

É claro que, perante o acto de acasalamento, intui-se as escolhas preferenciais das pessoas, embora topando-se quase sempre as muitas que se emboscam nas opostas, como álibi.

Ora bem: será preciso, para além disso, as pessoas classificarem-se a si mesmas, tipo rótulo pétreo e imutável?

A minha curiosidade incide mais sobre esta questão. Não falo já da problemática gay, tema provinciano e já ultrapassado há muito na minha cabeça...

Ser gay é ser gay para sempre, tipo opção irreversível?

Não há cinismo na minha pergunta.

Talvez uma incredulidade pateta, mas honesta: é que, sendo a sexualidade um exercício tão alimentado pela mente, custa-me admitir que possa, alguma vez, ser vedada a qualquer impulso contrário ao da própria natureza, seja ela qual for...


De Luísa a 8 de Abril de 2009 às 15:51
Ah, Rita, neste ponto, também tendo a concordar consigo. A nossa natureza sexual é provavelmente feita de impulsos nervosos espontâneos e de bloqueios racionais que cerceiam a espontaneidade, estes de origem moral, cultural, social, anti-social, ou o que for. É a nossa razão que nos impõe coerências mais ou menos rígidas. Sem ela, seríamos todos parcialmente «heterossexuais» por força do impulso procriador e parcialmente «pansexuais» ou abertos à experimentação universal, por força do impulso do prazer. ;-D
De Luísa a 8 de Abril de 2009 às 13:56
Rita, a mim, o que me impressiona na assunção gay, não é a assunção gay, mas o «tom» da assunção gay. Em geral, quando as pessoas assumem ou referem publicamente aspectos da sua natureza íntima – insisto na palavra «íntima», porque a intimidade é coisa própria, reservada, e não de toda a gente - fazem-no com naturalidade e discrição, não atroando a verdade aos quatro ventos. Incluo nesta tendência os «hetero», os «bi» e os «pan». Os «homo» mostram, pelo contrário, uma certa propensão para o chinfrim e para o espectáculo. E as suas tomadas de posição têm, quase sempre, laivos de radicalismo. Das duas, uma: ou é porque sentem que a luta ainda não chegou ao fim e, ao modo das feministas de há uns anos, continuam a «queimar soutiens»; ou é por uma irreprimível necessidade de dar nas vistas (às vezes, parece-me notar nalguns «homo» essa faceta incomodamente exuberante e saliente). No actual estado de coisas, penso que, não descartando um ou outro resquício do velho espírito de combate, a segunda razão predomina. Afinal, os direitos fundamentais estão hoje perfeitamente adquiridos e interiorizados, pelo menos na civilização ocidental. Já agora, aproveito para também citar alguém, neste caso o nosso Armani, que, salvo erro, terá, em tempo oportuno, feito notar: «Pode-se ser gay e ter classe». Ele tem-na! :-)
De Luísa a 8 de Abril de 2009 às 14:08
Sobre a irrelevância da diferença, Rita, que era o seu tema, estou absolutamente de acordo. Na intimidade (ou «intra muros»), cada um pode ser o que muito bem lhe apetecer, pontual, temporária ou definitivamente, que ninguém tem nada com isso. Eu, sabendo o que se passa «intra muros», até posso, às vezes, dizer mal, porque tenho a liberdade de ser maledicente (pela calada). Mas sei que não tenho, de modo nenhum, a liberdade de interferir. ;-D

De RF a 8 de Abril de 2009 às 17:22
Há uma desigualdade, Luísa, volto a dizer: os hetero, nas manifestações públicas que têm, mesmo as que podemos considerar subtis, revelam a sua intimidade sem parecerem chocantes ou promíscuos. Mas as mesmas liberdades assumidas por um par gay já são consideradas afirmativas ou exibicionistas - não é justo... Quanto à diferenciação declarada, considero-a incapacitante para muitas finalidades da vida e em muitas opções, sobretudo do homem... Mas resolvendo-se o problema do tabu surge a questão do prazer, até porque nestas questões do sexo a perversão é parte importante: será o mesmo sem transgressão?
De RF a 8 de Abril de 2009 às 15:29
Não posso concordar consigo Luísa, neste ponto concreto: vc pode andar de mão dada na rua com o seu marido ou namorado, mas as pessoas ainda se escandalizam se virem dois pares do mesmo sexo a fazê-lo, e, em certos ambientes, ainda são hostilizados ou mesmo sovados. Para que isso deixe de acontecer, o aparato e as chamadas de atenção ainda são, infelizmente, necessários.

Para que as mentalidades evoluam, pouco que seja, tem por vezes que haver verdadeiras revoluções. Foi assim com a luta pelos direitos das mulheres e foi assim com tudo o que progrediu (e regrediu também, claro) na vida.

A classe é uma atitude edificante, é verdade - eu própria sou adepta e admiradora - mas é subtil demais para as massas e demasiado conservadora para fazer girar o Mundo.

Por outro lado, penso que a condição dos homossexuais tem sido prejudicada e caricaturada por outras, essas sim, mais folclóricas e histriónicas e bem mais difíceis de aceitar. Mas isso é outra história e daria outro post... Ou uma biblioteca inteira :-))
De mike a 8 de Abril de 2009 às 15:06
Sou sincero: Rita, gostei muito deste post. Também sou cada vez mais pela irrevelância da diferenciação. Pelas mesmas razões. :)
De RF a 8 de Abril de 2009 às 15:58
Mike: uma sintonia intelectual a toda a prova, temos que escrever um livro juntos!
De mike a 9 de Abril de 2009 às 01:13
Sou sincero, Rita: posso escrever apenas o prefácio? (risos)
De RF a 9 de Abril de 2009 às 01:18
Ganda calão :-)))
De mike a 9 de Abril de 2009 às 13:38
Pronto, a sintonia é só intelectual... lol lol
De João Paulo Cardoso a 8 de Abril de 2009 às 15:13
Cara Rita:

Muitas das escolhas que fizemos quando todos os sonhos eram permitidos revelaram-se até ao momento definitivas, se formos a ver bem.

Não me considero conservador no sentido mais rigoroso do termo, mas continuo a ser do mesmo clube, do mesmo espectro político, da mesma orientação sexual, do mesmo credo religioso.
Tal como a maior parte dos leitores do "Porta do Vento".

Nunca foram escolhas propagandeadas como definitivas, mas afirmaram-se ao longo do tempo.
Numa abordagem mais empírica, noto agora, parecem-me definitivas e não vejo mal nenhum nisso.

Penso que o que lhe mais incomoda tem a ver com o alarde da coisa.
Com o nariz no ar embandeirando afirmações taxativas como "eu nunca" ou "eu nunca mais a partir de agora".

É uma radicalização de intenções que encontro nos que se tornaram vegetarianos.

Continuo a achar que cada um come o que quer, desde que não nos esfreguem o menu na cara.

Beijos.

De RF a 8 de Abril de 2009 às 15:43

É isso mesmo, João Paulo, incomodam-me as escolhas definitivas: antes de ser do Sporting fui do Real Madrid, já fui dum partido e votei noutro, mudei 15 vezes de casa e três de marido, e um colega meu, escritor, disse-me um dia: «não sou homossexual, mas gostava de ser para ensinar a liberdade às pessoas.» Subscrevo.
De RF a 8 de Abril de 2009 às 16:14
Ah, esqueci-me do beijo, João Paulo: imperdoável! E obrigada!
De Raúl Mesquita a 9 de Abril de 2009 às 18:31
Olá! Quero criar um blog com a minha conta gmail e o site não deixa. Que devo fazer? Cps, Raúl Mesquita.
De RF a 9 de Abril de 2009 às 18:43
Criar um email sapo! Inventa um! Estou de saída para fora, como te disse, desculpa! Pede a um dos teus alunos, beijos mil!
De Ana Vidal a 9 de Abril de 2009 às 18:49
Bom fim-de-semana, miúda!
Beijos
De Ana Vidal a 9 de Abril de 2009 às 18:48
Se quiser criar um blog no Sapo, primeiro tem que ter uma conta de e-mail que acabe em @sapo.pt, Raul. Ou então pode criar um blog no Blogspot, com a sua conta gmail. Em ambos tem os passos facilitados e todas as explicações de que precisa.

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