Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Lapsus Linguae

João Paulo Cardoso

 

 

Vende-se amiga indesejada

 

As andorinhas fazem-no, as abelhas também, eu nem por isso.

Tudo anda por aí a esvoaçar, a correr pelos campos, a saltitar entre as flores... eu também queria, mas... não consigo.

 

Em contrapartida, para fazer jus à Primavera, só tenho olhos para uma nova amiga que ganha cada vez maior importância na minha vida, ao ponto de nos termos tornado muito íntimos.

 

Parece que se chama "barriga".

Diz que é muito comum nos homens com mais de 30 anos, pelo menos nos que não se cuidam ou em outros tantos que vivem de braço dado com o stress, de um lado, e com o sedentarismo do outro. Já se sabe... homens que dão para os dois lados. Deus castiga com uma colina divinal encimada por um umbigo.

 

Sou um destes novos gordos por culpa própria, não adianta apontar as banhas noutras direcções. Mas são-me estranhas estas formas de urso polar que não pula.

 

Posso assegurar-vos que era o mais esbelto espécime masculino lá em casa.

Pelo menos quando estava sozinho.

Agora, nem isso.

Tenho a impressão de que a minha forma reflectida no espelho - ainda mais palpável quando confiro a pressão dos pneus abdominais - é mais redonda que o enorme frigorífico americano da minha cozinha.

 

Competir com o frigorífico tem sido inglório durante todo este tempo.

Eu bem o alivio das alheiras, cervejolas ou profiterolles mas aquilo é coisa que não emagrece. Vá lá que, até prova em contrário, também não esvoaça, corre ou saltita.

 

As andorinhas fazem-no, as abelhas também, eu nem por isso.

Mas gostava de voltar atrás.

 

O primeiro passo, terá mesmo que ser pôr um ponto final na relação com a tal nova amiga.

Como?

Essa é que essa...

 

Trocá-la por outra está fora de cogitação.

Bater-lhe? Por amor de Deus, nem pensar nisso!

Por todos os meus valores morais e também porque tenho a certeza de que a dor também seria minha!

 

Talvez jogue aquele trunfo já meio gasto do "eu não sou homem para ti, mereces melhor". Pelo menos é verdade; eu sei que não mereço tanto.

 

Ainda tenho esperança de que, até ao Verão, tudo esteja terminado.

Mas vai ser complicado...

Não contem a ninguém mas temos dormido juntos. 

 

 

Etiquetas:
publicado por Ana Vidal às 09:30
link do post
5 comentários:
De RF a 3 de Abril de 2009 às 10:49
(Fale baixo... E se ele o engana?)
De Ana Vidal a 3 de Abril de 2009 às 13:30
O teu primeiro parágrafo lembrou-me esta música deliciosa, por isso juntei o video ao teu post. Espero que gostes, JP.

Olha... que sejas muito feliz com a tua nova amiga. E dou-te um conselho, de amiga mais velha: deixa de tratá-la como uma amante incómoda, que não sabe estar à mesa ou que não podes apresentar aos amigos. Assume a tua manicura, e verás como ela te vai dar novas e inesperadas alegrias! ;-)

beijos
De Luísa a 3 de Abril de 2009 às 13:55
Bater-lhe e trocá-la por outra também acho que não são solução, João Paulo. Mas pode massajá-la com jeitinho e alimentá-la a pequenas preciosidades, como trufas, caviar e champanhe (nada de enchidos e cervejolas!!!). Verá que, além de a fazer – e a si próprio – feliz, não será só a bolsa que adelgaça. ;-)

De João Paulo Cardoso a 3 de Abril de 2009 às 15:51
Achámos o vídeo absolutamente adequado à história do nosso amor.
Muito obrigado.

Beijos.

João Paulo e Barriga.
De Manecas a 6 de Abril de 2009 às 19:41
Admiravel este texto e seguramente a sua senhora...!

Parabens talvez só pelo texto....apesar de tudo!

1 Abraço

Comentar post

brisas, nortadas e furacões, por


Ana Vidal
Pedro Silveira Botelho
Manuel Fragoso de Almeida
Marie Tourvel
Rita Ferro
João Paulo Cardoso
Luísa
João de Bragança

palavras ao vento


portadovento@sapo.pt

aragens


“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez."

(Jean Cocteau)

portas da casa


Violinos no Telhado
Pastéis de Nada
As Letras da Sopa
O Eldorado
Nocturno
Delito de Opinião
Adeus, até ao meu regresso

Ventos recentes

Até sempre

Expresso do Oriente (3)

Expresso do Oriente (2)

Expresso do Oriente (1)

Vou ali...

Adivinhe quem foi jantar?

Intervalo

Semibreves

Pocket Classic (A Educaçã...

Coentros e rabanetes

Adivinhe quem vem jantar?

Moleskine

Lapsus Linguae

Semibreves

Sou sincera

Rosa dos Ventos

Livros



Seda e Aço


A Poesia é para comer


Gente do Sul

E tudo o vento levou

Perfil

Technorati Profile

Add to Technorati Favorites

Ventos do mundo

Ventos de Passagem


visitantes online

Subscrever feeds